quinta-feira, 30 de abril de 2009

O Novo Bom

Gente bem jovem fazendo música de gente bem grande. Luciana Alves e Chico Pinheiro.

Se Depender de Mim - Chico Pinheiro.

A Luciana estará brevemente nos nossos ouvidos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

- O que alguns de nossos atores devessem assimilar

"Não se pode chamar de "valor" assassinar seus cidadãos, trair seus amigos, faltar a palavra dada, ser desapiedado, não ter religião. Essas atitudes podem levar à conquista de um império, mas não à glória"

Nicolau Maquiavel

A Morte de Todos Os Dias

Quem Se Defende

Quem se defende porque lhes tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando alguém se defende porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre
Nao lhe é permitido se defender.

Bertold Brecht

Voz e Violão

terça-feira, 28 de abril de 2009

Percy Faith - The Song For Moulin Rouge

Orlando Tejo - Sobre Zé Limeira

"Baralhava as noções de tempo e espaço. E ainda pior, era a deformação pessoal.
Nos desafios, fugia do assunto, deixando de estabelecer o diálogo. Perdia o fio das respostas e prosseguia desatento, distante, desarrazoado, sem ligar para o companheiro. Fazia de conta que não ouvia a deixa.
Abusava da distorção histórica. Não havia glória profana ou santidade que escapasse de suas caricaturas:

Napoleão era um
Bom capitão de navio:
Sofria de tosse braba
No tempo em que era sadio,
Foi poeta e demagogo,
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio"

Um Gigante de Nossa Música

Zé Menezes

6/9/1921 - Jardins - Ce.

Biografia

Violonista cearense, começou a tocar profissionalmente aos 8 anos, quando ainda explorava o cavaquinho, em Juazeiro do Norte (CE). Aos 11 anos era instrumentista da banda municipal, e trabalhou durante algum tempo como músico de cinema e bailes. No final dos anos 30 mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou na Ceará Rádio Clube como violonista. Em 1943 foi para o Rio de Janeiro a convite de César Ladeira, que o ouvira tocar em Fortaleza. Na então capital federal foi contratado da Rádio Mayrink Veiga, onde conheceu o sucesso como solista graças aos dois programas semanais que apresentava, tocando violão, cavaquinho, viola, guitarra, bandolim, violão tenor e banjo. Em 1947 foi para a Rádio Nacional, onde tocou ao lado de Garoto. Como compositor, sua primeira música gravada foi "Nova Ilusão" (parceria com Luís Bittencourt), pelo conjunto Os Cariocas. Outros de seus sucessos foram "Não Interessa Não", com Luís Bittencourt, gravado por César Ladeira e Heleninha Costa, "Tudo Azul", na interpretação de Zezé Gonzaga, "Cinzas", cantada por Ernani Filho, "Pau-de-arara", baião gravado por Carmélia Alves e outras composições, sempre em parceria com Luís Bittencourt. Gravou vários discos como solista, alcançando o sucesso com suas interpretações de "Copacabana" (J. de Barro/ A. Ribeiro) e "Um Domingo no Jardim de Alah" (Lirio Panicalli). Viajou pela Europa com o Sexteto Radamés Gnattali em 1959, e formou o grupo Velhinhos Transviados, que gravou 13 LPs. Em 1995 lançou o CD "Chorinho in Concert" e em 1998 foi a vez de "Relendo Garoto", só com músicas do violonista paulista com quem tocou com muito sucesso na década de 40.

No vídeo, Zé menezes toca violão tenor no Clube de Choro de Santos.

domingo, 26 de abril de 2009

Da série Assim de Mim - Camarada Manim

não faço propostas ou promessas
nascido enjeitado, não comemoro antes do jogo acabar
prefiro só que mal amado
o passado me amou e não soube aproveitar
o presente e o futuro me assustam
navegador contumaz com ressacas e calmarias
já não ouso aventurar-me à distâncias
sou órfão do acaso
não escolhi meu amor

Armando Gulherme

sábado, 25 de abril de 2009

Da série Grandes Encontros... Ney e Moreira.

- Música Instrumental de primeira...

Grande Carlinhos Patriolino. Músico de categoria internacional a quem tive o prazer de ver e ouvir "bem de pertim" em várias ocasiões aqui em nossa querida Irauçuba. Interpreta agora, Requiem de Oscar Peterson.

Graça e Talento - Ana Vidovic

sexta-feira, 24 de abril de 2009

- Álvaro de Campos - Colaboração do poeta Manim

Ah, seja como for, seja por onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo o mar, ir para longe, ir para Fora, para a Distância Abstrata, indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas, levado como poesia, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir, ir, ir de vez!
Todo meu sangue raiva por asas!
Todo o meu corpo atira-se para frente!
Galgo pela minha imaginação fora em torrentes!
Atropelo-me, rujo, precipito-me!...
Estouram em espuma as minhas ânsias e a minha carne é uma onda dando de encontro a rochedos!
Pensando nisto - ó raiva! pensando nisto - ó fúria!
Subitamente, tremulamente, extraorbitamente,
Pensando nesta estreiteza da minha vida cheia de ânsias,
com uma oscilação viciosa, vasta, violenta,
do volante vivo da minha imaginação,
rompe, por mim, assobiando, silvando, vertiginando,
o cio sombrio e sádico da estrídula vida marítima.

Álvaro de Campos

Camarada Ex-Cãozim ataca de Fernando Pessoa

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

Fernando Pessoa

Como derrubar preconceitos - Susan Boyle

terça-feira, 21 de abril de 2009

- Talento e juventude - A Ária da Quarta Corda

- Algo sobre a carreira do guitarrista-mor

Eric Patrick Clapton

Nasceu no dia 30/04/1945 na Inlaterra. Ganhou sua primeira guitarra aos 13 anos e se interessou pelo Blues americano de artistas como Robert Johnson e Muddy Watters. Foi convidado pelo guitarrista Tom McGuiness para formar sua primeira banda, o “The Roosters”. O grupo fez algumas apresentações em 1963, tocando ao redor de Richmond, e após isso, os dois se juntam ao “The Engineers”, que também não foi muito longe. O reconhecimento de Clapton só começou quando entrou no “Yardbirds”, banda inglesa de grande influência que teve o mérito de reunir três dos maiores guitarristas de todos os tempos em sua formação: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page. Apesar do sucesso que o grupo fazia, Clapton não admitia abandonar o Blues e, em sua opinião, o Yardbirds estava seguindo uma direção muito pop. Sai do grupo em 1965, quando John Mayall convida-o a juntar-se à sua banda, os "Bluesbreakers”. Gravam o álbum “Bluesbreaker”, mas o relacionamento com Mayall não era dos melhores e Clapton deixa o grupo pouco tempo depois. Em 1966, forma o “Cream” com o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker. Com a gravação de 3 álbuns (“Fresh Cream”, “Disraeli Gears”, e “Wheels Of Fire”) e muitos shows em terras norte americanas, o Cream atingiu enorme sucesso e Eric Clapton já era tido como um dos melhores guitarristas da história. A banda se separa no fim de 1968 com mais brigas e discussões entre os integrantes. Forma o “Blind Faith” com Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech, que durou só um disco e não foi muito bem sucedido. Clapton e George Harrison gravam os solos de “While My guitar Gently Sleeps”, do álbum branco dos Beatles, e se inicia um triângulo amoroso com a mulher de Harrison. Um álbum ao vivo da turnê com Delaney & Bonnie é lançado em 1970 e no mesmo ano saiu o primeiro álbum solo do guitarrista. Juntamente com dissidentes da banda forma o “Derek and The Dominos”, com quem lançou um de seus maiores sucessos,“Layla”, uma declaração explícita à esposa de George Harrison. Participou ainda da banda de Duane Allman (que mais tarde fundaria os Allman Brothers). Problemas pessoais e conflitos emocionais no início da década de 70 levaram Clapton a se afundar cada vez mais no vício em heroína e álcool. O guitarrista fica vários anos longe na mídia, tentando se recuperar em clínicas para dependentes químicos. Em 1974, Clapton volta com o reggae “I Shot The Sheriff”, tornando-se o responsável pelo lançamento de Bob Marley nas paradas de todo o mundo. Inicia assim uma boa fase musical que rendeu também o clássico “Cocaine”, em 1978. Durante a década de 80 a aceitação por parte do público foi crescente. Em 1990 Clapton ganhou seu primeiro Grammy com a música “Bad Love”. No ano de 1991, o filho Conor, de 4 anos, nascido de um relacionamento extra-conjugal, caiu do apartamento onde morava com a mãe e faleceu. Esse triste episódio foi registrado na canção “Tears In Heaven” que o guitarrista dedicou ao filho. A música, além de expressar toda a tristeza de Clapton, tornou-se o maior sucesso de toda a sua carreira e teria seu lançamento no álbum “Unplugged”. O disco acústico foi um sucesso absoluto e ganhou dezenas de prêmios, inclusive 6 Grammys. “Unplugged” marcou ainda uma volta de Clapton às suas raízes de blues, que teria seqüência com o álbum “From The Craddle”, apenas de canções tradicionais, num tributo aos clássicos que o influenciaram. Em 1998, Clapton lançou “Pilgrim”, o primeiro álbum com material inédito em nove anos. Nesse álbum, Clapton fala sobre todos os dramas pessoais como a falta do pai, a morte do filho querido, os vícios e o amor perdido, além de revelar um profundo amadurecimento como cantor. Em 2000, juntou-se a B.B. King para o lançamento de “Riding whit the King”, álbum muito bem recebido por todos. No ano seguinte, lança o diversificado “Reptile”. A turnê desse disco passou pelo Brasil, nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, onde Clapton tocou no estádio do Pacaembu. Aproveitando a boa fase, grava um álbum ao vivo e, em 2004, coloca nas lojas “Me and Mr. Johnson”, que traz versões de músicas de Robert Johnson. Em 2005 lança “Back Home” e, no ano seguinte, “Road To Escondido”, este em parceria com JJ Cale. Em 2007 grava "Change the World".

Lágrimas no céu

Você saberia meu nome

Se eu te visse no céu?

Seria como antes

Se eu te visse no céu?

Eu preciso ser forte

E continuar

Porque eu sei que não pertenço ao céu

Você seguraria minha mão

Se eu te visse no céu?

Você me ajudaria a suportar

Se eu te visse no céu?

Eu encontrarei um jeito

Por noites e dias

Porque eu sei que não posso ficar

Aqui no céu

O tempo pode te abater

Pode dobrar seus joelhos

O tempo pode partir seu coração

Fazer você suplicar

Do outro lado da porta há paz, eu tenho certeza

E eu sei que não haverá mais

Lágrimas no céu



Tears In Heaven


Would you know my name

If I saw you in heaven?

Would it be the same

If I saw you in heaven?

I must be strong

And carry on

‘Cause I know I don’t belong

Here in heaven

Would you hold my hand

If I saw you in heaven?

Would you help me stand

If I saw you in heaven?

I’ll find my way

Through night and day

‘Cause I know I just can’t stay

Here in heaven

Time can bring you down

Time can bend your knees

Time can break you heart

Have you begging please

Begging please

Beyond the door there’s peace

I’m sure

And I know there’ll be no more

Tears in heaven.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

- Violão puro e nosso... Nonato Luiz.

Biografia

Cearense de Lavras da Mangabeira, Nonato Luiz começou sua história com a música num cavaquinho. Aos quinze anos já era o segundo violinista da Sinfônica de Fortaleza. Nessa época, numa tendência clara entre o popular o erudito, opta pelo violão como seu instrumento definitivo. Em 1975, em perfeita harmonia com seu instrumento, o já compositor Nonato ganha o 1° prêmio do concurso para violonistas da TV Tupi, em São Paulo. Seu primeiro disco “Terra”, já conta com participação de Fagner, João Donato e Bimba. Grava também disco com o guitarrista flamenco Pedro Soler. No mesmo ano grava outro trabalho em homenagem a Pablo Picasso, lançado também na Europa, em companhia de Mercedes Sosa, Paco de Lucia e Rafael Alberti. Em 1984, em Johannesburgo, África do Sul, Nonato realiza trabalho pelo selo SABC. Em 1985 realiza temporada na Itália, França e Áustria, oportunidade em que toca, pela primeira vez, no Mozarteum, em Salzburg, o templo dos grandes instrumentistas mundiais. Nessa mesma época, grava, em Paris, o álbum “O Porto”, com suas composições. No retorno ao Brasil participa de discos e shows com Chico Buarque, Fagner, Nara Leão, Luiz Gonzaga e Amelinha. . Em nova temporada européia, em 1989, entre a Áustria, Itália, França e Alemanha confirma seu prestígio internacional. No ano seguinte, pela Caju Music, grava mais um álbum com percussionista Djalma Corrêa e o baixista Luiz Alves. Em 1991 foi um ano de intenso trabalho. Uma excursão pela Europa, entre Áustria, Suíça, Itália e Alemanha, e a gravação do disco “Retrato do Brasil”, distribuído para todo o mundo pela Otto. Espetáculos na Sala Cecília Meireles, no Rio, uma turnê com Fagner pelo Brasil e uma excursão solo pelo Norte e Nordeste. Lança ainda o álbum “Carioca”, com o tecladista Túlio Mourão, e realiza apresentação no Free Jazz Festival, considerada, pela crítica, como a melhor sonoridade do Festival. Em 1992, após a já habitual turnê européia, Nonato realiza temporada patrocinada pela UNESCO na Salle de Cinéma, em Paris, onde grava também “Terra à Vista”, tema oficial da ECO 92. No ano seguinte, Nonato realiza excursão por cinco países na Europa, dentre eles estão: a Alemanha, Áustria, Itália, Suíça e Espanha. Em 1994, numa homenagem ao maior ícone da música nordestina, Nonato dedica um trabalho completo a obra de Luiz Gonzaga, lançando o CD “Nonato Luiz interpreta Luiz Gonzaga”, disco que teve seu lançamento realizado em quase todas as capitais brasileiras. Em 1996, o artista lançou um dos mais aclamados discos de sua carreira, dedicado exclusivamente a seresta brasileira, sob o título “Violão em Serenata” com a gravadora CID. Continuando seu trabalho de preservação e estudo dos ritmos brasileiros, Nonato lançou em 1999 um disco dedicado ao nosso Chorinho, com o título “Choro na Madeira”, quando o artista demonstra sua capacidade virtuosística nas cordas do seu violão. Já este ano, 2000, Nonato abre mais ainda sua universalidade com o lançamento do uma obra inédita em homenagem e reconhecimento ao mais popular dos ritmos no mundo, o rock, na obra do mais importante grupo de todos os tempos, The Beatles. Uma releitura sem precedente das canções que fizeram a história dos quatro rapazes de Liverpool. Nonato Luiz é, hoje, um dos instrumentistas brasileiros mais respeitados no circuito europeu, onde vem desenvolvendo, ao longo dos anos, inúmeros concertos em violão elogiados pela crítica especializada. É um dos privilegiados brasileiros a lançar na Europa um livro reunindo as partituras de suas composições intitulado “Suíte - Sexta em Ré Para Guitarrra”, editado pela Henry Lemoine, Paris. Incansável, Nonato ainda tem vários projetos pela frente, destacando-se a releitura de obras de grandes compositores cearenses, reunindo numa única obra, o melhor do que se fez em música no Estado do Ceará.

Nonato Luiz e Orquestra Eleazar de Carvalho - Um Dia, Um Sonho.

Aos amantes do violão puro 2 - Julian Bream

Em entrevista feita na Itália: "Mr Bream, o senhor é alaudista ou violonista?" "Sou alaudista, violonista e violoncelista"; "O senhor gosta de estudar?" "Eu devo. Eu adoro. Amo estudar até mais que tocar". "Entre nós, porque o senhor não tem o título de Sir? Diga a verdade." "Posso não ser um Sir, entretanto sou um Commander, comandante da Ordem do Império Britânico. Ser um comandante de um império que não existe é uma sensação superior a qualquer outra. Inefável." Julian Bream

Considerando sua inquestionável hegemonia econômica, científica e literária, é surpreendente que a Grã-Bretanha não tenha construído, ao longo da história moderna, uma tradição musical de magnitude comparável. No final do século XIX, ela era chamada de "A Ilha sem Música"; apesar de ter uma vibrante atividade musical, a maior parte dos músicos de relevo no país era importada do continente. Com o fim da rica produção musical do período elisabetano, o último compositor britânico de primeiro escalão tinha sido Purcell. Tampouco produziu instrumentistas capazes de criar maiores reverberações. Apesar do violão ter sido por um período considerável um instrumento de moda na Inglaterra, Tarrega chegou a dizer que um bom violonista inglês era uma "contradição em termos", opinião compartilhada por Segovia. Bem, os espanhóis tiveram de engolir suas palavras, pois a figura dominante do violão no pós-guerra seria a do quintessencialmente britânico Julian Bream.

Se Segovia trouxe o violão à maturidade técnica e, na sua perspicaz construção de uma mitologia pessoal e guitarrística, conseguiu conquistar a aceitação do violão como um instrumento de concerto, Bream é responsável pelo amadurecimento musical do instrumento. Ao contrário dos violonistas da geração anterior, seu ponto de partida foi a aquisição de uma vasta cultura musical que moldasse sua concepção de violão; enquanto a geração de Segovia se bastava com o violão e seu fascínio intrínseco, servindo-se da música para mostrar as mágicas qualidades do instrumento, Bream é primordialmente interessado em fazer com que o violão seja parte ativa da vida musical como um todo, um veículo de música de alta qualidade e um ator respeitável na música de câmara. Visto por este viés, um britânico deixa de ser uma exceção, já que, depois da 2a Guerra, o país conseguiu criar uma estrutura para sua vida musical - tanto no campo de ensino quanto no campo empresarial e de logística - que praticamente não tem paralelo em nenhum outro país. Julian Bream é, no violão, o representante do levante da música britânica, que produziu algumas das melhores orquestras e escolas do mundo, vários compositores de primeiro escalão, uma posição de liderança no movimento de música antiga e solistas e regentes de fama mundial. Como conseqüência, um garoto de família modesta e de sotaque caipira conseguiu tornar-se um artista de refinamento sem paralelo, que trouxe o violão à esfera da alta cultura.

Julian Bream nasceu num subúrbio de Londres em 1933; seu pai era um artista gráfico que tocava jazz nas horas vagas. Teve uma infância austera, marcada pelos bombardeios da blitz na 2a guerra e pela penúria geral da década seguinte. Inicialmente ele também tocou jazz, com palheta, mas ao ouvir um disco de Segovia ele vislumbrou as possibilidades do violão clássico e nunca mais olhou para trás. Desde cedo ele percebeu que, para deixar sua marca com o violão, precisaria ampliar seu conhecimento musical, e estudou também piano e violoncelo, ao mesmo tempo em que tinha aulas de violão com o professor russo Boris Perrot. Foi como cellista que ele conseguiu uma bolsa para estudar no Royal College of Music, que, na época, ainda não tinha o curso de violão (que só seria criado nos anos 60). Sua estréia foi aos 14 anos em Cheltenham, num Programa que já mostrava um equilíbrio clássico e um entendimento musical que seriam constantes em toda sua carreira. Compare-se por exemplo uma gravação de Segovia etc.

PRELÚDIO Nº 3 E PRELÚDIO Nº 4 - VILLA LOBOS.

- Mais um poeta no Musicadaboa: Camarada Henrique César Pinheiro

CARDÁPIO DO DIA - CAPITÃO MAL PASSADO
No interior das Alagoas
Na cidade de Penedo
Surgiu esta história
Que conto seu enredo
Foi um caso muito sério
Que a polícia teve medo.

A um prato do cardápio
Chamaram de CAPITÃO.
A alta hierarquia não gostou
Achou que era gozação
Mandou prender o gaiato
Na própria corporação.

Acharam os militares
não ficar bem pro quartel
Entrar-se na lanchonete
Pedindo um coronel,
Ou CAPITÃO mal passado,
Depois fazer escarcéu,

Dizendo que comeu um CAPITÃO
E também um coronel.
Quem não sabe da história
Imagina que foi o anel.
Polícia perde a moral.
Fica difícil seu papel.

Delegado da cidade
Fez boletim de ocorrência
Logo soltou o comerciante.
Mandou fazer diligência
Pra avaliar o cardápio.
Efeitos da sua influência.

Devido à repercussão
Lanchonete quer manter
O cardápio em vigor
E quem quiser comer
Um CAPITÃO mal passado
Na prisão não vai sofrer.

Comer um bom coronel,
Que é filé com presunto.
Ou mesmo um CAPITÃO
Calabresa e ovo junto.
Coronel e CAPITÃO
Formam um outro conjunto.

Pro humor dos militares
A brincadeira foi demais.
Porque provoca chacotas
Muito comentário sagaz
E poderá se tornar
Uma coisa contumaz.

O dono da lanchonete
Disse não ter intenção
De brincar com a hierarquia
Ou ferir corporação.
Era só uma homenagem.
Pra que essa confusão?

Por isso o prato mais caro
Foi chamado coronel.
Major, capitão abaixo,
Na hierarquia do quartel.
Tenente, sargento e cabo
É um bom sarapatel.

O comerciante porém
Contratou Francisco Guerra,
Um famoso advogado,
Mais conhecido da terra.
Para entrar com uma ação
Aí a questão se encerra.

Pois entendeu ele que houve
Abuso de autoridade.
Esse tipo de cardápio
Tem uma infinidade.
Até Lula à Milanesa
É uma modalidade.

O advogado ainda pediu
Hábeas corpus preventivo.
Pra seu cliente não ser preso
De modo tão abusivo.
Pois temos muitos cardápios
Que a tudo é alusivo.

O comandante sustenta
Que foi falta de respeito,
Pra com a corporação
Cardápio daquele jeito.
O advogado argumenta
No pedido do seu pleito

Se até mesmo Brigadeiro
Dá o seu nome a comida.
Nem por isso deu confusão
E nunca foi requerida
A prisão de seu criador
Nem sequer foi sugerida

Comer brigadeiro pode.
Quanto mais um CAPITÃO,
Que é terceira mais baixa
Patente da corporação.
E o doce brigadeiro
Jamais deu uma confusão.

Quem é do interior
Conhece bem um CAPITÃO,
Feito por nossas avós:
Um bolinho de feijão.
Quem comeu essa iguaria
Jamais foi para a prisão.



HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO
FORTALEZA, ABRIL/2009

Plena atividade


Paul McCartney faz show 'emotivo' no deserto da Califórnia
Na sexta (17), completaram-se 11 anos da morte da mulher do ex-beatle.
Durante apresentação no festival Coachella, cantor homenageou a esposa.

Paul McCartney foi a grande atração da primeira noite do festival Coachella, na Califórnia, na sexta-feira (17). O cantor fez a alegria dos fãs e não deixou de fora do repertório da apresentação clássicos dos Beatles como “Hey Jude”, “Eleanor rigby” e “Blackbird”.

Um dos momentos de maior emoção do show foi a homenagem que o ex-Beatle fez à memória de sua esposa, Linda. Na noite de sexta (17), completava 11 anos que a mulher do cantor faleceu em decorrência de um câncer.


McCartney dedicou as canções “Long and winding road” e “My love does it good” para Linda. “Hoje é um dia muito emotivo para mim, mas está tudo bem, tudo ok”, explicou o cantor.


Ainda na mesma noite, subiram ao palco o britânico Morrissey, os escoceses do Franz Ferdinand, os franco-argentinos do Bajofondo, entre outros. O Brasil marcou presença no festival com as apresentações do DJ Gui Boratto e com o projeto N.A.S.A, do DJ Zegon.

Realizado no deserto do Arizona, o Coachella ainda tem mais dois dias de maratona musical. Entre as principais atrações que se apresentam entre este sábado (18) e domingo (19) estão Chemical Brothers, Tv on the Radio, Joss Stone, Groove Armada, M.I.A., The Cure e Yeah Yeah Yeahs.

Veio também do Manim - Poesia é Pão

Poesia de Carlos Nóbrega, nascido em Fortaleza, em 29 de outubro de 1955.
Poesias do livro Breviário.
Girassóis

Tudo tende a luz minha velha mãe.
Quando me quiseres rever
com teus olhos idos
penses em pêssegos
e nas festas de junho
que nessas coisas boas
te estarei sorrindo
com tudo que me deste
e que também te dei
da primeira dor
a teu último leite
Quintal
Quando a noite é clara
sobre o rio manso
a flor da noite
se despetela
sobre a água em dança.
Dá para colher num balde
uns litros de lua.
Matérias
A tarde é feita de estanho.
A manhã é feita de vidro.
Só a noite é feita de tempo.
Que é a mesma matéria do sonho
da coca-cola e da lua.

sábado, 18 de abril de 2009

- Zé Limeira

Supostamente o último verso do Poeta do Absurdo:


Eu briguei com um cabra macho
Mas não sei o que se deu:
Eu entrei pru dentro dele,
Ele entrou pru dentro deu,
E num zuadão daquele
Não sei se eu era ele
Nem sei se ele era eu

Raul e Chacrinha

Dois malucos maravilhosos. Um faz, o outro mostra.

A Irauçuba tem voz no Musicadaboa

Às vistas do Manim

não sei absorver a mensagem da troca de guarda entre a coruja e o melro.
muito menos traduzir o que sente o cão quando percebe que a ave lacerada não tinha ossos a compensar o esforço.

ao conversar com minha filha,às vezes me dói a responsabilidadede de conduzir sua inocência.
se ela soubesse o desaviso da encruzilhada, que aceitei uma trilha ao léu, entrei numa rua, no casamento, pela idéia de seguir o fluxo.
não me empurrem mais, não vou por onde não sei.
deixa-me pensar o corpo, deixa o corpo me pensar

Casa da Mãe Joana.

Um senador berra em plenário: - Não fosse esta casa e o Brasil seria uma Cuba...blá blá blá. Uma República do Capêta...blé blé blé.

Ora, se tem que existir que exista direito e funcione. Que não sirva, à pretexto da segurança democrática, para locupletar e privilegiar seus pares com o suor diário daqueles que trabalham.

Falei daqui da Irauçuba.

Alberto de Oliveira.

CEP: 60135-140.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Dose Grande - Sivuca e Hermeto.

50 anos de reinado

Cidade natal de Roberto Carlos se prepara para o show do Rei
Cantor se apresenta domingo (19) em Cachoeiro de Itapemirim.
Ele dá início à turnê de comemoração de 50 anos de carreira.

Os últimos dias têm sido de expectativa em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo. A cidade natal de Roberto Carlos é um orgulho só. Há 14 anos, ele não se apresenta por lá. Por todo lado, há gente lembrando dos 50 anos de carreira do rei.

Não é loja de disco, é sapataria, mas o dono é fã de carteirinha. Música, para ele, é pura inspiração. “É gostoso ouvir Roberto Carlos. São muitas emoções”, diz o comerciante José Scandiane.

E bota emoção nisso. O casal comemora 30 anos de casamento. “A gente só namorava ouvindo Roberto Carlos”, lembra a comerciante Marinete Malheiros.

O show vai acontecer em um estádio. Os bombeiros recomendaram algumas obras por questão de segurança. Só que há menos de um mês, parte da arquibancada cedeu com as últimas chuvas, e um mutirão foi formado para consertar tudo a tempo.

Dominguinhos e Hermeto

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Iguatú de 1681 a 1963

História da Cidade



Chamou-se primitivamente Telha, nome proveniente de sua produção ceramista, tendo como principal objetivo o realdeamento de parte dos Índios Quixelôs.
Sua elevação à categoria de Vila ocorreu na forma de Lei nº 553, de 27 de novembro de 1851 e instalada a 25 de janeiro de 1853. Sua elevação à categoria de cidade ocorreu em virtude de Lei Provincial nº 1.612, de 21 de agosto de 1874.
Em 1746 iniciaram-se as obras da primitiva capela, orago que se dedicou a Nossa Senhora Santana, sendo concluída em 1775 .

CRONOLOGIA
1681
O Sargento-mor João de Sousa de Vasconcelos desbrava a localidade Quixoá.
1682
Francisco Nogueira de Lima desbrava a localidade Itans, Sítio Irapuás.
1852
27 de outubro, criado o primeiro Cartório de Telha.
1853
Desmembramento do Município do Icó e, consequentemente, promoção à categoria de Vila. Resolução nº 553, de 27/11/1851.
1853
Em 22 de abril, pedra fundamental da Igreja Matriz.
1853 a 1860
Assume o primeiro Presidente da Câmara Municipal da Vila da Telha, cujas funções eram equivalentes às do futuro Intendente e, posteriormente, do prefeito, Antonio Gomes Barreto. Além de chefe político, era professor e advogado.
1854
Assinado o contrato para a construção do cemitério situado na atual praça Cel. Belisário, em frente ao Grupo Escolar Carlos de Gouvêa. Esse cemitério foi ainda utilizado durante os vinte primeiros anos deste século.
1862
Pe. Raimundo Félix Teixeira é, na Vila, o 1º graduado em curso superior.
1862
26 de abril, deu-se a invasão da epidemia do cólera: mais de duas mil pessoas foram atacadas pela doença, que dizimou 459 pessoas. Tanto o Pe. Antônio Luís de Vasconcelos de Drumond como o seu coadjutor Pe. Francisco Coriolano de Carvalho fugiram da Vila, deixando a população morrer sem qualquer assistência espiritual.
1867
Pe. Tomé Alves de Carvalho é, na Vila, o 2º graduado em curso superior.
1868
Joaquim Guedes Moreno Alcoforado obteve o diploma pela Faculdade de Direito do Recife.
1874
No dia 21 de agosto, a Vila Telha passou à categoria de Cidade, em virtude da Lei Provincial nº 1612.
1886
Concluída a Igreja Matriz. Estiveram presentes além do vigário de Iguatu Mons. Francisco Rodrigues Monteiro, o Bispo do Ceará D. Joaquim José Vieira e o Pe. Cícero Romão Batista.
1889
Celso Ferreira Lima Verde foi nomeado 1º Intendente de Iguatu, logo após a proclamação da República.
1890
Celso Ferreira Lima Verde é indicado para deputado constituinte, sendo o 2º Secretário da Mesa .
1890
Concluído o açude público no Distrito de Alencar, denominado Açude do Governo.
1891
Dia 16 de junho, foi promulgada a primeira Constituição do Estado do Ceará.
1893
Porfírio Cândido de Lima foi escolhido pela Câmara Municipal 2º Intendente de Iguatu.
1893
7 de setembro, foi inaugurada a iluminação pública de Iguatu, pelo Presidente da Câmara Municipal, Tenente-Coronel Joaquim Alves Teixeira. A iluminação consistia em dois postes de madeira, com os respectivos lampiões carregados a querosene.
1895
Joaquim Alves Teixeira é escolhido pela Câmara Municipal 3º Intendente de Iguatu.
1895
Antônio Cardoso de Lima é escolhido pela Câmara 4º Intendente de Iguatu.
1896
Belisário Cícero Alexandrino é indicado pelo Presidente do Estado e escolhido pela Câmara Municipal 5º Intendente de Iguatu.
1896
19 de março, com a realização de uma missa, foi inaugurada a capela do Sítio Baú. Fruto de uma promessa do Cel. José Alves de Oliveira.
1904
Cola grau na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Manoel Batista de Oliveira e torna-se o primeiro médico da cidade de Iguatu.
1906
Assumiu a paróquia de Iguatu, o Vigário José Coelho Figueiredo Rocha, sendo o seu 11º vigário.
1910
No dia 5 de novembro, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Iguatu.
1912
O médico João Augusto Bezerra foi nomeado 6º Intendente de Iguatu.
1913
20 de julho, foi fundada a União Artística Iguatuense, graças à iniciativa de Sizenando Cavalcante.
1914
José Adolfo de Oliveira foi nomeado 7º Intendente de Iguatu.
1914
Por força da Lei nº 1.190, de 5 de agosto de 1914, foi extinto o título de Intendente e criado o de Prefeito.
1914
José Adolfo de Oliveira se torna o 1º Prefeito de Iguatu.
1915
Eduardo de Lavor Paes Barreto é nomeado 2º Prefeito de Iguatu.
1915
Chega a Iguatu, procedente de Monbaça, para fixar residência o industrial Octaviano Jayme de Alencar Benevides.
1915
Aconteceu a maior seca já registrada até os dias de hoje em Iguatu.
1916
23 de janeiro, inauguração da ponte metálica (estrada de ferro) sobre o rio Jaguaribe. Usou da palavra para dizer sobre a importância da obra, o vigário Pe. José Coelho Figueiredo Rocha (posteriormente elevado a Monsenhor). Era Prefeito, na época, Eduardo de Lavor Paes Barreto.
1917
Dr. Manoel Batista de Oliveira é nomeado 3º Prefeito de Iguatu.
1919
10 de janeiro, chegou a Iguatu para fixar residência o comerciante Sabino Antunes da Silva.
1919
Surgiu o primeiro jornal em Iguatu, O CORREIO DE IGUATU, o seu Diretor foi Adolfo Carvalho, e o Redator-Chefe, José Duarte Pinheiro. Após a circulação do 4º número, o jornal fechou.
1919
José Ferreira Pinto de Mendonça é nomeado 4º Prefeito de Iguatu.
1920
Chega a Iguatu para fixar residência o médico Manoel Carlos de Gouvêa.
1923
20 de junho, foi criada a Associação Comercial de Iguatu, graças ao espírito empreendedor de Virgílio Correia Lima, tendo sido o seu primeiro Presidente.
1923
5 de agosto, foi fundado o Centro Espírita Dr. Dias da Cruz.
1923
23 de outubro, com o lançamento do seu primeiro número, foi criado o jornal A SEMANA. Era um órgão da Sociedade Promotora do Progresso Intelectual de Iguatu.
1924
13 de junho, foi assentada a pedra fundamental do Hospital Santo Antônio dos Pobres de Iguatu.
1924
11 de outubro, circula o primeiro número do jornal O CAIXERAL, tendo como Diretores Faustino Teófilo, Péricles Gomes de Araújo e Jutaí Magalhães e como Redatores Augusto Benevides, Clodoaldo Barros e Irineu Moreno de Melo. O CAIXERAL circulou até o ano de 1926.
1924
11 de outubro, fundada a Associação dos Auxiliares do Comércio de Iguatu mais conhecida como Associação Caixeral.
1924
Inaugurada a Capela de N. Sra. do Perpétuo Socorro, no bairro prado.
1925
Fundado o Grupo Escolar de Iguatu, hoje denominado Grupo Escolar Manoel Carlos de Gouvêa.
1925
Lançado o livro O Município e a Cidade de Iguatu. Autor - Hugo Victor.
1926
No dia 15 de novembro, realiza-se a primeira eleição com o voto direto. Foram candidatos: Dr. Manuel Carlos de Gouvêa e Octaviano Jayme de Alencar Benevides. Apurados os votos (Otaviano - 542 votos; Gouvêa - 344 votos), Otaviano foi considerado inelegível e Dr.Gouvêa assume a Prefeitura.
1926
No dia 1º de dezembro, toma posse o 5º Prefeito de Iguatu, Dr. Manuel Carlos de Gouvêa.
1926
Passou em Iguatu o Presidente da República eleito, Washington Luiz Pereira de Sousa. Foi solicitada ao Presidente a criação do Banco do Brasil em Iguatu; solicitação sem sucesso.
1928
12 de julho, foi escolhido Presidente do Ceará (cargo que equivale hoje ao de Governador) o iguatuense Dr. José Carlos de Matos Peixoto, jurista de elevado nível intelectual. E como Vice - Presidente, outro iguatuense, o médico Demóstenes Alves de Carvalho.
1928
14 de agosto, Dr. Manuel Carlos de Gouvêa convoca a Câmara Municipal e, por ofício, renuncia ao cargo de Prefeito Municipal. O Prefeito se desincompatibilizou com o seu cargo, a fim de ser candidato no pleito de novembro do mesmo ano.
1928
O presidente da Câmara Municipal assume a prefeitura: Deocleciano Bezerra Pinheiro torna-se o 6º Prefeito de Iguatu.
1928
15 de novembro, a oposição não lança candidato, Dr. Gouvêa é candidato único e consagra-se o 7º Prefeito de Iguatu, com 728 votos.
1929
02 de maio, foi inaugurado o Banco de Crédito Caixeral, primeira agência bancária do interior do Ceará, tendo como primeiro gerente o Sr. Diógenes Freire Vasconcelos.
1929
22 de julho, morreu o Vice - Presidente do Ceará, o iguatuense Dr. Demóstenes Alves de Carvalho.
1930
06 de junho, inaugurado o 1º pavilhão do Hospital Santo Antônio dos Pobres.
1930
Dr. Antônio Gonçalves de Carvalho é nomeado o 8º Prefeito Municipal.
1932
Instalação do edifício Correios e Telégrafos.
1933
Foi criado pelo então Ministro da Agricultura Juarez Távora, o Serviço Experimental de Irrigação do Nordeste, na região do Gadelha.
1934
03 de janeiro, fundada a Loja Maçônica Redentora Iguatuense.
1934
Dr. Gonçalves de Carvalho afasta-se da prefeitura para assumir em Fortaleza o Departamento dos Negócios Municipais; torna-se o 9º Prefeito de Iguatu, Octaviano Jayme de Alencar Benevides.
1935
5 de julho, Dr. Gouvêa foi nomeado o 10º Prefeito de Iguatu, assumindo no dia 8 de julho do mesmo ano. Gouvêa permaneceu na qualidade de Prefeito até o ano de 1945, quando foi deposto.
1939
05 de fevereiro, fundado o Colégio São José, com a celebração da Santa Missa e bênção do prédio, pelo Monsenhor José Coelho de Figueiredo Rocha.
1940
03 de maio, foi fundada a Agência do Banco do Brasil S/A de Iguatu.
1941
19 de abril, a antiga Praça Justiniano de Serpa passou a denominar-se Praça Getúlio Vargas, e, posteriormente, Praça Gonçalves de Cravalho. A Praça fica localizada em frente à Caixa Econômica Federal de Iguatu, na rua Floriano Peixoto.
1941
12 de novembro, morre Monsenhor Coelho, vigário da nossa cidade durante 37 anos.
1945
Pericles Gomes de Araújo foi nomeado 11º Prefeito de Iguatu.
1946
Assume a prefeitura, no dia 24 de dezembro, Deocleciano Bezerra Pinheiro e torna-se o 12º Prefeito de Iguatu.
1947
Dr. José Mendonça Neto vence as eleições de Deocleciano Bezerra Pinheiro, tornando-se o 13º Prefeito de Iguatu. Gestão: 1948/1951
1950
Dr. Agenor Gomes de Araujo (UDN) vence as eleições de Carlos Augusto Cardoso (PSD) e torna-se o 14º Prefeito de Iguatu. Gestão: 1951 a janeiro de 1955.
1950
Adil Mendonça é eleito vereador pela 1ª vez.
1953
Centenário de Iguatu; três dias festivos (23, 24 e 25 de janeiro) para comemorar o evento.
1953
23 de maio, fundado o Rotary Club de Iguatu.
1954
No dia 1º de maio, foi lançado um quinzenário independente TRIBUNA DE IGUATU, tendo à frente os jornalistas: Júlio Martins Braga (Diretor), Antônio Alcântara Nogueira (Redator-Chefe), Wilson Holanda Lima Verde, Stilac Lima Bastos, Antônio F. Oliveira e Celino Arraes.
1954
Dr. José Mendonça Neto é eleito o 15º Prefeito de Iguatu. Gestão: 55/59
1955
Fundado o Colégio de Economia Doméstica Elza Barreto, hoje, Escola Agrotécnica Federal de Iguatu Elza Barreto. Teve como diretora, durante 30 anos, Elze Alves Lima Verde Montenegro.
1955
24 de fevereiro, fundado o Ginásio de Iguatu, atualmente, Colégio Adahil Barreto. Ficou na direção desse educandário por mais de 30 anos, Raimundo Felipe Sobrinho.
1955
03 de outubro, o vereador Antônio de Holanda Lavor, Presidente da Câmara Municipal, foi assassinado por Azor Gomes de Araújo, no recinto da 29ª secção eleitoral, na vila de Alencar.
1956
03 de março, inaugurada a Casa de Saúde Agenor Araújo, antes denominada Casa de Saúde e Maternidade Santa Terezinha.
1956
Criada a Cooperativa de Crédito Agrícola.
1957
Fundado o 1º Laboratório de Análises Clínicas de Iguatu, de propriedade do Analista João Alves Bezerra.
1958
Dr. Gouvêa é eleito o 16º Prefeito de Iguatu. Gestão 59/62

1958
O médico José Holanda Montenegro é eleito vereador. Durante duas décadas teveforte participação e influência na política iguatuense.
1959
16 de fevereiro, incendiada a prefeitura de Iguatu.
1959
15 de abril, foi criada a agência do Banco do Nordeste do Brasil.
1959
5 de novembro, fundado o Centro Educacional Rui Barbosa.
1961
28 de janeiro, criada a Diocese de Iguatu por Bula Papal In Apostolicis Muneris pelo Papa João XXIII.
1962
04 de fevereiro, toma posse como Bispo, D. José Mauro Ramalho de Alarcon e Santiago, nosso primeiro Bispo, o qual continua à frente da Diocese até os dias atuais.
1962
Lançada a 1ª edição do livro Iguatu - Memória Sócio - Histórico - Econômica. Autor - Prof. Alcântara Nogueira.
1962
Juarez Gomes é eleito o 17º Prefeito de Iguatu e Raimundo Felipe Sobrinho é eleito Vice-Prefeito.
1963
04 de maio, fundado o LIONS CLUBE de Iguatu.
1963
17 de março, inaugurada a Biblioteca Pública de Iguatu Francisco Alcântara Nogueira.
1963
Ano em que chegou a Iguatu a energia de Paulo Afonso.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Carl Gustav Jung e sua obra.

Carl Gustav Jung nasceu a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações. Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo o futuro colega de Freud demonstrou uma inteligência e uma sagacidade intelectuais notáves, o que, mesmo assim, não lhe poupou alguns dissabores, como um lar algumas vezes um pouco desestruturado e a inveja dos colegas e a solidão.

Ao entrar para a universidade, Jung havia decidido estudar Medicina, na tentativa de manter um compromisso entre seus interesses por ciências naturais e humanas. Ele queria, de alguma forma, vivenciar na prática os ideais que adotava usando os meios dados pela ciência. Por essa época, também, passou a se interessar mais intensamente pelos fenômenos psíquicos e investigou várias mensagens hipoteticamente recebidas por uma médium local (na verdade, uma prima sua), o que acabou sendo o material de sua tese de graduação, "Psicologia e Patologia dos Assim Chamados Fênomenos Psíquicos".

Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Bugholzli, em Zurique, onde estudou com Pierre Janet, em 1902, e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que criou seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste, uma pessoa é convidada a responder a uma lista padronizada de palavras-estímulo; qualquer demora irregular no tempo médio de resposta ou excitação entre o estímulo e a resposta é muito provavelmente um indicador de tensão emocional relacionada, de alguma forma, com o sentido da palavra-estímulo. Mas tarde este teste foi aperfeiçoado e adaptado por inúmeros psiquiatras e psicólogos, para envolver, além de palavras, imagens, sons, objetos e desenhos. É este o princípio básico usado no detector de mentiras, utilizado pela polícia científica. Estes estudos lhe granjearam alguma reputação, o que o levou, em 1905, aos trinta anos, a assumir a cátedra de professor de psiquiatria na Universidade de Zurique.

Neste ínterim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939), e, mesmo conhecendo as fortes críticas que a então incipiente Psicanálise sofria por parte dos meio médicos e acadêmicos na ocasião, ele fez questão de defender as descobertas do mestre vienense, convencido que estava da importância e do avanço dos trabalhos de Freud. Estava tão enstusiasmado com as novas perspectivas abertas pela psicanálise, que decidiu conhecer Freud pessoalmente. O primeiro encontro entre eles transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. A comunhão de idéias e objetivos era tamanha, que eles passaram a se corresponder semanalmente, e Freud chegou a declarar Jung seu mais próximo colaborador e herdeiro lógico, e isso é algo que tem de ser bem frisado, a mútua admiração entre estes dois homens, frequentemente esquecida tanto por freudianos como por junguianos. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais, e nem os confrontos entre os fortes gênios de um e de outro. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável, ainda que Jung o tenha, de certa forma, precipitado. Ele iria acontecer mais cedo ou mais tarde. O rompimento foi doloroso para ambos. O rompimento turbulento do trabalho mútuo e da amizade acabou por abrir uma profunda mágoa mútua, nunca inteiramente assimilada pelos dois principais gênios da Psicologia do século XX e que ainda, infelizmente, divide partidários de ambos os teóricos.

Aterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de "Psicologia dos Complexos", mais tarde chamando-a de "Psicologia Analítica", como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de "complexo", que foi adotado por Freud. Por complexo, Jung entendia os vários "grupos de conteúdos psíquicos que, desvinculando-se da consciência, passam para o inconsciente, onde continuam, numa existência relativamente autônoma, a influir osbre a conduta" (G. Zunini). E, embora possa ser frequentemente negativa, essa influência também pode assumir caracterísiticas positivas, quando se torna o estímulo para novas possibilidades criativas.

Jung já havia usado a noção de complexo desde 1904, na diagnose das associações de palavras. A variância no tempo de reação entre palavras demonstrou que as atitudes do sujeito diante de certas palavras-estímulo, quer respondendo de forma exitante, quer de forma apressada, era diferente do tempo de reação de outras palvras que pareciam ter estimulação neutra. As reações não convencionais poderiam indicar (e indicavam de fato) a presença de complexos, dos quais o sujeito não tinha consciência.

Utilizando-se desta técnica e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Os sonhos pessoais de seus pacientes o intrigavam na medida em que os temas de certos sonhos individuais eram muito semelhantes aos grandes temas culturais ou mitológicos universais, ainda mais quando o sujeito nada conhecia de mitos ou mitologias. O mesmo ocorria no caso dos desenhos que seus pacientes faziam, geralmente muito parecidos com os símbolos adotados por várias culturas e tradições religiosas do mundo inteiro. Estas similaridades levaram Jung à sua mais importante descoberta: o "inconsciente coletivo". Assim, Jung descobrira que além do consciente e inconsciente pessoais, já estudados por Freud, exitiria uma zona ou faixa psíquica onde estariam as figuras, símbolos e conteúdos arquetípicos de caráter universal, frequentemente expressos em temas mitológicos. Por exemplo, o mito bíbilico de Adão e Eva comendo do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e, por isso, sendo expulosos do Paraíso, e o mito grego de Prometeu roubando o fogo do conhecimento dos deuses e dando-o aos homens, pagando com a vida pelo sua presunção são bem parecidos com o moderno mito de Frankenstein, elaborado pela escritora Mary Schelley após um pesadelo, e que toca fundo na mente e nas emoções das pessoas de forma quase "instintiva", como se uma parte de nossas mentes "entendesse" o real significado da história: o homem sempre paga um alto preço pela ousadia de querer ser Deus.

Enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos. Talvez, as imagens arquetípicas sejam algo como que figurações dos próprios insitintos, num nível mais sofisticado, psíquico. Assim, não é mais arriscado admitir a hipótese do inconsciente coletivo, comum a toda a humanidade, do que admitir a existência instintos comuns a todos os seres vivos.

Assim, em resumo, o inconsciente coletivo é uma faixa intrapsíquica e interpsíquica, repleto de material representativo de motivos de forte carga afetiva comum a toda a humanidade, como, por exemplo, a associação do femino com características maternas e, ao mesmo tempo, em seu lado escuro, crueis, ou a forte sensação intuitiva universal da existência de uma transcendência metaforicamente denominada Deus. A mãe boa, por exemplo, é um aspecto do arquétipo do feminino na psique, que pode ter a figura de uma deusa ou de uma fada, da mãe má, ou que pode possuir os traços de uma bruxa; a figura masculina poderá ter uma representação num sábio, que geralmente é representado por um ermitão, etc. As figuras em si, mais ou menos semelhantes em várias culturas, são os arquétipos, que nada mais são que "corpos" que dão forma aos conteúdos que representam: o arquétipo da mãe boa, ou da boa fada, representam a mesma coisa: o lado feminino positivo da natureza humana, acolhedor e carinhoso.
Este mundo inconsciente, onde imperam os arquétipos, que nada mais são que recepientes de conteúdos ainda mais profundos e universais, é pleno de esquemas de reações psíquicas quase "instinitvas", de reações psíquicas comuns a toda a humanidade, como, por exemplo, num sonho de perseguição: todas as pessoas que sonham ou já sonharam sendo perseguidas geralmente descrevem cenas e ações muito semelhanes entre si, senão na forma, ao menos no conteúdo. A angústia de quem é perseguido é sentida concomitantemente ao prazer que sabemos ter o perseguidor no enredo onírico, ou a sua raiva, ou o seu desejo. Estes esquemas de reações "instintivas" (uso esta palavra por analogia, não por equivalência) também se encontram nos mitos de todos os povos e nas tradições religiosas. Por exemplo, no mito de Osires, na história de Krishna e na vida de Buda encontramos similiradades fascinates. Sabemos que mitos encobrem frequentemente a vida de grandes homens, como se pudessem nos dizer algo mais sobre a mensagem que eles nos trouxeram, e quanto mais carismáticos são esses homens, mais a imaginação do povo os encobrem em mitos, e mais esses mitos têm em comum. Estes padrões arquetípicos expressos quer a nível pessoal que a nível mitológico relacionam-se com caracterísiticas e profundos anseios da natureza humana, como o nascimento, a morte, as imagens parterna e materna, e a relação entre os dois sexos.

Outra temática famosa com respeito a Jung é a sua teoria dos "tipos psicológicos". Foi com base na análise da controvérsia entre as personalidades de Freud e um outro seu discípulo famoso, e também dissidente, Alfred Adler, que Jung consegue delinear a tipologia do "introvertido" e do "extrovertido". Freud seria o "extrovertido", Adler, o "introvertido". Para o extrovertido, os acontecimentos externos são da máxima importância, ao nível consciente; em compesação, ao nível insconsciente, a atividade psíquica do extrovertido concentra-se no seu próprio eu. De modo inverso, para o introvertido o que conta é a resposta subjetiva aos acontecimentos externos, ao passo que, a nível insconsciente, o introvertido é compelido para o mundo externo.

Embora não exista um tipo puro, Jung reconhece a extrema utilidade descritiva da distinção entre "introvertido" e "extrovertido". Aliás, ele reconhecia que todos temos ambas as características, e somente a predominância relativa de um deles é que determina o tipo na pessoa. Seu mais famoso livro, Tipos Psicológicos é de 1921. Já nesse período, Jung dedica maior atenção ao estudo da magia, da alquimia,das diversas religiões e das culturas ocidentais pré-cristãs e orientais (Psicologia da Religião Oriental e Ocidental, 1940; Psicologia e Alquimia, 1944; O eu e o inconsciente, 1945).

Analisando o seu trabalho, Jung disse: "Não sou levado por excessivo otimismo nem sou tão amante dos ideais elevados, mas me interesso simplesmente pelo destino do ser humano como indivíduo - aquela unidade infinitesiaml da qual depende o mundo e na qual, se estamos lendo corretamente o signficado da mensagem cristã, também Deus busca seu fim". Ficou célebre a controvertida resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: "O senhor acredita em Deus?" A resposta foi: "Não tenho necessidade de crer em Deus. Eu o conheço".

Eis o que Freud afirmou do sistema de Jung: "Aquilo de que os suíços tinham tanto orgulho nada mais era do que uma modificação da teoria psicanalítica, obtida rejeitando o fator da sexualidade. Confesso que, desde o início, entendi esse 'progresso' como adequação excessiva às exigências da atualidade". Ou seja, para Freud, a teoria de Jung é uma corruptela de sua própria teoria, simplificada diante das exigências moralistas da época. Não há nada mais falso. Sabemos que foi Freud quem, algumas vezes, utilizou-se de alguns conceitos de Jung, embora de forma mascarada, como podemos ver em sua interpretação do caso do "Homem dos Lobos", notadamente no conceito de atavismo na lembrança do coito. Já por seu turno, Jung nunca quis negar a importância da sexualidade na vida psíquica, "embora Freud sustente obstinadamente que eu a negue". Ele apenas "procurava estabelecer limites para a desenfreada terminologia sobre o sexo, que vicia todas as discussões sobre o psiquismo humano, e situar então a sexualidade em seu lugar mais adequado. O senso comum voltará sempre ao fato de que a sexualidade humana é apenas uma pulsão ligada aos instintos biofisiológicos e é apenas uma das funções psicofisiológicas, embora, sem dúvida, muitíssimo importante e de grande alcance".

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, à beira do lago de Zurique,em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais - a antropologia, a sociologia e a psicologia.

Vale refletir...

O homem civilizado ainda é um bárbaro. Ao mesmo tempo, prova que um açoite de ferro está à espera, caso ainda se tenha a veleidade de responsabilizar o vizinho pelos seus próprios defeitos. A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age, a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.

Carl Gustav Jung. em Psicologia do Inconsciente.

Küsnacht—Zurich, dezembro de 1916

Homenagem merecida



O ex-Beatle George Harrison recebeu uma estrela póstuma na Calçada da Fama de Hollywood nesta terça-feira (14), com uma pequena ajuda de amigos como Paul McCartney, Eric Idle e Tom Hanks.


Cerca de mil fãs estavam no momento em que a estrela de Harrison foi revelada do lado de fora da torre da Capitol Records pela sua viúva Olivia e seu filho Dhani, de 30 anos.



"Ele foi um homem lindo, místico, vivendo em um mundo material, e ele foi tão engraçado quanto o dia é longo, e tão perplexo quanto", disse Olivia. "George, este dia é para você".



Hanks acrescentou: "Todas as coisas devem passar, claro. Mas George irá viver para sempre".



Harrison morreu de câncer em 2001, aos 58 anos. Idle, um membro da trupe de comédia "Monty Python", notou que Harrison deu seu último suspiro na casa de McCartney em Los Angeles.



McCartney não falou para a multidão, mas cumprimentou Olivia Harrison, fez piadas com Dhani e acenou para os fãs.



Entre outros convidados estavam Jeff Lynne, Tom Petty, Joe Walsh e T-Bone Burnett.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Uma canção romântica do guitarrista da minha preferência...

Trecho de show de Eric Clapton no Hyde Park - Londres, 2008. A música é "Wonderful Tonight" em vídeo amador.

Um Calixto na varanda...

Pequena biografia de um gigante

Andres Segovia

É bom voltarmos no tempo e descobrirmos as raízes do que gostamos. Tratando-se de música erudita, o estudante sempre chega no dia de se questionar porque o violão, um instrumento de música popular por essência, está embutido tão firmemente na música erudita. A resposta pode levar você a 1913, na cidade espanhola de Madrid. Nesse ano um violonista subia ao palco e desafiava o público na sua estréia profissional, usando um instrumento de cordas para transcrever obras de Bach. Era Andres Segovia levando o violão à música clássica.

Antes, vamos falar um pouco do caminho dele até Madrid. O espanhol nascido em Jaén estudava piano e violoncelo desde a infância, mas logo se interessaria pelo violão, apesar do desprezo com o qual o instrumento era visto na época. As dificuldades para encontrar professores obrigaram-no a desenvolver técnica própria, de maneira autodidata e intuitiva. Isso o levou a diversos experimentos e, em devido momento, a trazer todo o mundo erudito, que já estudava, para as cordas.

Voltando ao palco e a repercussão: os críticos ridicularizaram Andres Segovia. Diziam que jamais o violão poderia ser considerado um instrumento de música clássica. Segovia provou o contrário, surpreendendo não só aquela platéia de Madrid, mas outras que viriam em seguida.

O violão da época não tinha ressonância suficiente para preencher a acústica de uma sala de concertos, mas Segovia aperfeiçoou sua técnica e convocou luthieres do mundo inteiro para experimentar novos materiais e designs, a fim de aumentar a amplificação natural do violão. Com o advento das cordas de nylon e uso de madeiras mais trabalhadas, finalmente o violão poderia produzir tons mais consistentes e projetar o som muito mais longe.

Com o devido aparato e convencido de sua empreitada com o instrumento, Segovia viajou o mundo arrebatando adeptos e encantando compositores como Heitor Villa-Lobos, Federico Moreno Tórroba, Manuel Ponce, Alexander Tansman e Mario Castelnuovo-Tedesco. Detalhe: muitos desses compositores só decidiram compor para o violão depois de conhecer Segovia e serem estimulados por seu virtuosismo.

Durante sua carreira, Segovia ampliou o repertório e as possibilidades expressivas do violão, mediante a transcrição para este instrumento de mais de 150 peças de compositores barrocos – em especial Bach, Couperin e Lameau – escritas originalmente para alaúde, guitarra espanhola e cravo. O trabalho do espanhol resultou em um grande conjunto de obras compostas por compositores com forte influência romântica e neoclássica, em que a obra do brasileiro Villa-Lobos sobressai como a mais arrojada em termos de linguagem instrumental e originalidade de concepção. É interessante notarmos esta parceria, pois da colaboração entre Segovia e Villa-Lobos resultou a série de "Doze Estudos" (1929). Obra de importância fundamental no repertório atual do instrumento, é original nos seus achados técnicos, melódicos e harmônicos. Dedicados a Segovia, os estudos abriram um novo caminho na escrita idiomática para o instrumento.

O violonista não só foi professor, mas influência direta para milhares de artistas no mundo inteiro. Aos 92 anos de idade e ainda cheio de energia, Segovia realizava "masterclasses" (aulas especiais) nas mundialmente famosas Julliard School e Manhattan School of Music, em Nova Iorque (palco de seu primeiro concerto, em 1928).

Segovia morreria em 1987, em Madrid, a mesma cidade onde estreou profissionalmente diante de uma platéia descrente com sua subversão. Mal sabiam aqueles presentes que naquela noite, de 1913, presenciaram um dos acontecimentos musicais mais importantes da primeira metade do século XX. Se o violão é agora um instrumento respeitado nas salas de concerto e faz parte do currículo das maiores escolas de música do mundo, é graças ao trabalho e esforço de Andres Segovia de, naquela noite, subir no palco e ousar.

Em sua homenagem foi fundado um centro cultural na sua cidade natal Jaén, onde diversos estudantes seguem dissecando os ensinamentos deixados pelo mestre. O corpo de Segovia repousa em um mausoléu dentro das instalações do centro cultural.

Pedro Salgueiro - Colaboração de camarada Manim

AUTOBIOGRAFIA COM GIZ

Apareceu na cidade um palhaço com um ouvido imundo.Vaga pelas ruas com a impunidade que apenas os saltimbancos tentam ter.

Teve a petulância de,mal chegado,negar umas linhas para o nosso prestigioso jornal:quando muitos aqui venderiam a mãe, ou a mão.Diz ter poucas idéias por ano,e que não sabe a hora em que elas vêm ou vão.
Fez sua casa no prédio antigo da cadeia - paredes robustas, chão áspero;como ornamentos apenas dois armadores e a rede grossa e a mesa gasta onde lapida sua preces.Quando a idéia vem,quando vem,puxa o tamborete,afia a faca,apruma o esmeril entre os joelhos,e sua que sua.Da pouca frase resta o cascalho que joga pelas ruas nas raras manhãs em que se arrisca sair.Deixar a toca só à tardinha,aí não mais de rosto limpo - o sorriso agora pintado na face:a boca fala,o ouvido escuta.Tudo é impunidade nestes gestos loucos:puxa a língua-de-sogra,enrijece a gravata, dá banana para o secretário de governo - tudo pode no final da tarde,a máscara lhe impede o pranto.
Anda pela cidade um médico insano.Diz que veio curar as doenças do mundo.Montou consultório na praça,cobra pouco,e já possui uma freguesia respeitável.Durante a manhã rega o jardim,poda os galhos do flamboyant - espalha as rosas frescas pelo chão,que somente as apanhará murchas:quando então realiza o ritual das três da tarde.Respira fundo;veste o macacão;põe as luvas,o nariz de cera,a peruca;pega o velocípede e sai por aí,fingindo a alegria de sempre.
Corre pelas calçadas um homem doido.Procura com insistência as praças,esmaga as flores,espanta o casal de namorados,consola dois velhos que conversam em silêncio.Atravessa as ruas em disparada,desmantelando o trânsito;mas quando o observamos atentos,assutado puxa um caco de espelho,que vira sorrindo em nossa direção.
Desliza pela noite um sorriso insano.Ouve coisas,distorce loisas.
E nunca olha para frente.

Condenação


Produtor musical Phil Spector é considerado culpado de homicídio
Júri optou pela condenação, mas sentença não foi definida.
Ele foi condenado pela morte de atriz ocorrida em 2003.


O veredicto foi divulgado por um júri em Los Angeles, na Califórnia, depois de um segundo julgamento de cinco meses. O primeiro julgamento, em setembro de 2007, havia terminado em um impasse. O júri havia se dividido, com dez membros considerando o produtor culpado e dois inocentando Spector. A lei californiana diz que um júri só pode chegar a um veredito unânime.

Spector começou no mundo da música no final da década de 1950. Nos anos 60, fundou sua prórpia gravadora, a Phillies Records, e desenvolvendo um método de gravação chamado "Wall of sound" ("Parede sonora", em inglês).

Produziu e compôs sucessos de girl groups como The Ronettes (de "Be my baby"), Righteous Brothers ("You lost that lovin' feelin'") e Ike e Tina Turner ("River deep - Mountain high").

A partir do final dos anos 60, trabalhou como produtor convidado de artistas como Beatles (com o álbum "Let it be"), George Harrison ("All things must pass"), John Lennon ("Rock n' roll") e Ramones ("End of a century").

Ninguém tasca. É do nosso Manim.

um pouco do quase nada.

a sol foi aos poucos e nada sobrou para presenteá-la.
a emoção caiu como uma erupção e queimou as palavras que eu não tinha pra dizer.
o choro não chegou para comover ou convencer.
a saudade é companheira assídua e chorona.
a noite impávida, adocicou minha vida, a sua também.

do armando maguim

domingo, 12 de abril de 2009

Alcides Pinto


A escritura de José Alcides Pinto

Por Carlos Augusto Viana

José Alcides Pinto sempre constituiu um desafio ao leitor. Passo a passo, sua imensa trajetória literária implicou um encontro com o desvio da linguagem

Nesse sentido, tanto sua prosa quanto sua poesia revelam facetas pouco encontráveis em seus contemporâneos: hermético e mítico em “Cantos de Lúcifer” (1966), despojou a linguagem e valorizou os recursos visuais em “Águas Novas” (1975); erótico e lírico em “Ordem e Desordem” (1982), súbito converteu-se em um sonetista no livro “20 Sonetos do Amor Romântico / Novos Poemas” (1982), no qual está reeditado um de seus maiores poemas de força social: “Os Catadores de Siri” — um texto denso, composto de 552 versos, ora metrificados, ora livres, às vezes em rimas brancas ou não, consoante o seu espírito irrequieto.






Nessa composição, ele visita o universo sórdido dos meninos que tiram o sustento da lama e nesta se convertem. Esse poema se realiza através de uma narrativa dramática. A oralidade impõe-lhe uns laivos de prosaísmo, mas não lhe despe a imperiosa musicalidade.

Quanto à linguagem, observam-se dois recursos: o da repetição e o jogo metafórico. A repetição se dá por dois processos: o estilístico e o simbólico, pela constante utilização de uma mesma imagem: “Quem não tem o direito de viver / cava a lama / como eu cavo / as crianças pobres do Recife”.

A expressão “cava a lama” apresenta um teor puramente sintagmático, pois denota um fenômeno real; o mesmo não ocorre com a expressão “como eu cavo / as crianças”, de conotações múltiplas: o universo real (cava a lama) dá passagem ao simbólico: (como eu cavo / as crianças). O poeta desenterra a cidade como se fosse um siri.

Em termos gerais, toda a obra de José Alcides Pinto se concentra em suas concepções acerca da vida e da morte, do bem e do mal, enfim, num mundo todo tecido a partir de contrastes. Ainda que, em alguns poemas ou algumas passagens de romance, o ambiente do sertão compareça, com suas paisagens descarnadas, a atmosfera que lhe marcou a infância (nasceu ele em São Francisco do Estreito — distrito de Santana do Acaraú) surge apenas como moldura, uma vez que visa, sobretudo, ao universal.

Seu verdadeiro intento foi o de procurar os abismos do homem, aquilo que é perene na condição humana: a angústia diante da brevidade do tempo e da certeza inexorável diante da morte. O regional, portanto, é apenas uma paisagem, um cenário para a construção de um universo mí(s)tico, povoado de imagens surrealistas.

Fundem-se , em sua escritura, o lírico e o grotesco, o paraíso e a queda, e seres estranhos habitam um espaço deformado pela força criadora. Pela poesia de seu povoado, dissolvem-se homens e demônios, como, por exemplo, na seguinte passagem de “Os Verdes Abutres da Colina”: “Rosa mal podia espiar o poste aceso no oitão da casa.

A lâmpada soltava uma luz amarela, embaciada, apagava e ascendia como a lanterna dos pirilampos, piscando ao pé das calçada ou abrindo buracos na escuridão do ar. De vez em quando, um se metia debaixo do chambre, focava inconvenientemente. Outros subiam-lhe pelas pernas trôpegas, cheias de mondrongos, e invadiam-lhe as virilhas num luzeiro que a fazenda do chambre não encobria. Rosa sapateava na sua inconsciência centenária: — Xô bicho”.

Como se vê, é verdadeiramente um universo dominado pelas forças fatais. A obra de José Alcides Pinto pode ser compreendida a partir do entrelaçamento de três temáticas essenciais: o sexo, a morte e a loucura, sendo instâncias inseparáveis, entregues ora ao sagrado, ora à maldição. Como todo símbolo, seu universo ficcional ou poético comporta forças positivas e negativas, criação e destruição, num digladiar-se interminável.

Sobre a leveza incisiva.

É necessário e urgente conhecer a poesia refinada e intrigante de nosso camarada que a meu ver, se reserva e se reserva como se obrigado fosse se reservar. Trata-se da criatividade que pode tudo via camarada Manim dito Armando Guilherme. Passear com maestria entre os momentos e nuances antagônicos, usar a harmônica disparidade lhe é fácil como também lhe é, chocar e acalmar ao mesmo tempo. Vale realmente a pena perder-se lendo-o.

Nossa Irauçuba se engrandece.

Alberto.

Via Sacra

Arqueólogo israelense diz que atual Via-Sacra é errada

Jerusalém, 12 abr (EFE).- Os milhares de peregrinos que na sexta-feira foram reconstituir em Jerusalém o caminho de Jesus rumo à crucificação na Via-Sacra deviam ter começado seu percurso em um estacionamento perto do Muro das Lamentações, segundo um arqueólogo israelense.

A Via-Sacra, formada por 14 estações, começa em uma escola muçulmana onde fica a destruída Fortaleza Antônia, na Via Dolorosa, e termina no Santo Sepulcro, na antiga cidadela amuralhada de Jerusalém.


Em seu livro "The Final Days of Jesus" (Os últimos dias de Jesus), citado hoje pelo jornal "Ha'aretz", o pesquisador israelense Shimon Gibson diz ter identificado o verdadeiro lugar onde Jesus foi julgado e condenado à morte, que deveria ser a primeira escala da Via-Sacra.


Esse pavimento de pedras onde os procuradores romanos realizavam os julgamentos se encontraria no que agora é um estacionamento ao ar livre no final do bairro armênio da cidade antiga, perto do Muro das Lamentações, acredita Gibson, do Instituto Albright de Jerusalém.


Deste local, segundo o estudioso, a verdadeira Via Dolorosa prosseguiria para o Gólgota, onde fica atualmente o Santo Sepulcro, lugar da morte e posterior ressurreição de Jesus Cristo, lembrada hoje.


O arqueólogo defende que o erro sobre a verdadeira localização da Via Dolorosa provém da presença dos cruzados na cidade (1099-1173), que representou o massacre de vários muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos, o que apagou tradições centenárias.


Então, foi construída uma capela no lugar atualmente identificado com a Fortaleza Antônia, mas Gibson afirma que as escavações no lugar mostram que o edifício que havia na época romana era pequeno demais para ter abrigado o palácio dos procuradores romanos que julgaram Jesus.


Meir Ben-Dov, arqueólogo que participou das escavações do túnel do Muro das Lamentações, qualificou a teoria de Gibson de "completo sem sentido".


Ben-Dov lembra que o historiador Josefo Flavio "cita mil testemunhas que diziam que a Fortaleza Antônia estava situada em uma esquina do Monte do Templo, e não em outro lugar", por isso a rota atual seria a correta.

Duas feras lançando discos novos.

Podemos considerar este mês de abril como abençoado, pois dois monstros sagrados do rock estão com discos novos. No início desta semana saiu "Fork In The Road", o novo trabalho do canadense Neil Young. Aos 64 anos idade e uma brilhante carreira desde 1968, quando entrou para o Buffalo Springfield (uma das mais influentes bandas do folk rock californiano).

Depois disso, começou uma carreira solo com sua banda de apoio, o Crazy Horse. Em 1970 entrou para o Crosby, Stills, Nash & Young e gravou o álbum clássico "Déja Vu". Apesar de integrante do CSNY, Neil Young continuou sua brilhante carreira solo, com uma série de álbuns indispensáveis. Ele foi fonte de inspiração da geração grunge e da geração indie noise dos anos noventa, como Sonic Youth, Buffalo Tom e Superchunk. Um crítico americano recentemente o chamou de "músico inquieto" e comparou sua velocidade em criar novas músicas com a urgência dos blogueiros na internet ao citarem notícias.

Depois de investir duramente contra o governo da guerra, do ex- presidente americano George W. Bush, em seus álbuns "Living With War" de 2006 e "Chrome Dreams II" de 2007, Neil Young reaparece com "Fork In The Road", um disco que tem seu foco na crise ambiental e principalmente na econômica.


Uma das inspirações desse disco também foi o tema carros, pois diante de toda essa crise da indústria automobilística americana, o compositor resolveu escrever um disco cujo tema central são os carros. Uma das inspirações foi um projeto chamado LincolnVolt, ao qual Neil Young se dedica há algum tempo e tem o objetivo de transformar seu carro, um Lincoln Continental de 1959 movido a gasolina, num carro elétrico. Neil sempre foi um apaixonado por carros, já cruzou a América com seu Lincoln. Musicalmente, o fã de Neil Young encontrará muito daquelas guitarras distorcidas, influências de blues e até mesmo suas geniais baladas.


E o mestre Bob Dylan chega o seu 33º álbum de estúdio, que sairá oficialmente no final de abril. No inicio deste mês, ele disponibilizou por um dia e gratuitamente em seu site www.bobdylan.com, a faixa "Beyond Here Lies Nothin´" de seu novo disco "Together Trough Life". Segundo Dylan, esse novo trabalho é bem diferente do anterior "Modern Times" de 2006, e discute a questão "amor", os perdidos, os encontrados os relembrados, etc... Musicalmente a fonte continua sendo o country folk e o blues.


Dois grandes músicos foram responsáveis pelos arranjos do disco, o guitarrista Mike Campbell (que toca na banda de Tom Petty & The Heartbreakers) e o acordeonista David Hidalgo (integrante da banda Los Lobos). Ainda de acordo com Dylan, esse é um disco mais introvertido nos moldes do álbum "Blood On The Tracks", de 1975. Para gravar "Together Trough Life", Bob Dylan fez questão de uma sonoridade de estúdios que lembrassem a década de 50, como os Estúdios da Sun Records (onde gravaram Elvis e Jerry Lee Lewis, dentre outros) e da Chess Records (onde gravavam Chuck Berry e Bo Didley).


Dylan quis fazer algo com um resultado sonoro mais para o sistema analógico (processo de gravação que utilizava fitas magnéticas) e rejeitou os modernos estúdios digitais. Enquanto Neil Young se concentrou na crise econômica mundial, Bob Dylan resolveu falar de amor e recentemente numa entrevista em site declarou que " a inspiração não é coisa muito fácil e indiferente de onde você a encontre, agarre-se nela."

sábado, 11 de abril de 2009

Aos amantes do violão puro...

Um dos melhores, senão o melhor dentre todos os violonistas do nosso mundo que tem violão: Andres Segovia.

Para os apreciadores do pop do anos 80 - Men At Work - Down Under

Trata-se da banda australiana Men At Work. O vídeo é meio apacatubado mas não deixa de ser boa música.

O passional refinado - Lupicinio

Cadeira Vazia

Lupicínio Rodrigues

Composição: Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já que cansastes de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão.

No vídeo, Nervos de Aço com o próprio.


Breve História de Jacob

O aprendizado
JACOB PICK BITTENCOURT, nasceu em 14/02/1918, no RJ. Filho único, do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da polonesa Raquel Pick, morava na casa de n° 97, da Rua Joaquim Silva, na Lapa, onde, sem ter muitos amigos e com restrições para ir brincar na rua, costumava ouvir um vizinho francês cego tocar um violino.
E esse foi o seu primeiro instrumento. Ganhou-o da mãe aos 12 anos, mas, por não se adaptar ao arco do instrumento, passou a usar grampos de cabelo para tocar as cordas. Depois de várias cordas arrebentadas, uma amiga da família disse; "..o que esse menino quer é tocar bandolim..". Dias depois, Jacob ganhou um bandolim, comprado na Guitarra de Prata. Era um modelo "cuia", estilo napolitano, e que segundo o próprio Jacob: " ...aquilo me arrebentou os dedos todos, mas eu comecei...".
Não teve professor, sempre foi autodidata. Tentava repetir no bandolim trechos de melodias cantaroladas por sua mãe ou por pessoas que passavam na rua. Aos 13 anos, da janela de sua casa, escutou o primeiro choro, É DO QUE HÁ, composto e gravado por Luiz Americano. Era tocado no prédio em frente, onde morava uma diretora da gravadora RCA. "Nunca mais esqueci a impressão que me causou", afirmaria Jacob, anos mais tarde.
Raramente saia à rua. Seu negócio era ir a escola e tocar o bandolim. Freqüentava, após a volta das aulas, a loja de instrumentos musicais Casa Silva, na rua do Senado, n° 17, onde ficava palhetando os bandolins.
Um dia, um senhor, que tinha ido levar o violão para consertar, ouviu Jacob tocar e se interessou. Deu-lhe um cartão para que se apresentasse na Radio Phillips. Quando leu o cartão, Jacob ficou surpreso. O convite fora feito pelo famoso clarinetista Luiz Americano, compositor e intérprete do primeiro choro que tinha ouvido. Jacob chegou a ir com um amigo violonista a porta da emissora mas, talvez por não se considerar ainda preparado, desistiu e rasgou o cartão.
Em 20.12.33, se apresentou pela primeira vez, ainda como amador, na Rádio Guanabara, com um grupo formado por amigos, o Conjunto SERENO. Apresentou o choro "Aguenta Calunga", de autoria de Atilio Grany, flautista paulista, gravado pelo autor naquele mesmo ano. Jacob não gostou do seu desempenho e resolveu praticar mais. Nessa época, ainda tocava de ouvido.
Certa vez, na mesma Casa Silva, um conhecido intérprete de guitarra portuguesa, Antonio Rodrigues ouviu Jacob tocando violão. Provavelmente, os baixos acentuados da levada "chorona" do jovem violonista impressionaram o fadista, que o convidou para acompanhá-lo ao violão em suas apresentações.
Em 05.05.34, Jacob se apresentou no Programa Horas Luzo-Brasileiras, na Rádio Educadora e no mesmo dia à noite, no Clube Ginástico Português, ao lado do guitarrista Antonio Rodrigues e dos cantores de fado Ramiro D' Oliveira e Esmeralda Ferreira. Jacob ficou surpreso com o interesse dos fadistas por seu violão. Além disso comparecia a saborosas bacalhoadas e conheceu famosos artistas portugueses como a cantora Severa e o guitarrista Armandinho. Boa comida, reconhecimento, experiência, mas nada de cachê. A fase fadista durou pouco. O bandolim chamava por Jacob.
Volta
A carreira
Ao tomar a decisão que o bandolim "era o seu negócio" e nele se concentrar, Jacob, nesse momento, iniciava a sua carreira radiofônica. Segundo ele, sem pretensões profissionais, se inscreveu e venceu, em 27.05.34, o Programa dos Novos, na Rádio GUANABARA, organizado pelo Jornal O Radical, derrotando 28 concorrentes e recebendo nota máxima de um júri composto, dentre outros, por Orestes Barbosa, Francisco Alves e Benedito Lacerda.
O sucesso foi tanto que Jacob foi contratado pela Rádio, passando a se revezar com o já famoso grupo de Benedito Lacerda, o Gente do Morro, no acompanhamento dos principais artistas da época, dentre eles, Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo, Lamartine Babo. Em conseqüência, seu grupo, que era formado por Osmar Menezes e Valério Farias "Roxinho" nos violões, Carlos Gil no cavaquinho, Manoel Gil no pandeiro e Natalino Gil no ritmo, passou a se chamar “Jacob e sua gente”.
A partir dai, tornou-se "habitue" das ondas radiofônicas, ganhando cachês e se apresentando em praticamente todas as estações de Rádio; Cajuti, Fluminense, Transmissora (atual Rádio Globo), Mayrink Veiga, onde atuava no famoso Programa do Casé e Rádio Ipanema, que posteriormente se tornou Radio Mauá e onde Jacob ganhou um programa só seu.
Sua atividade era tal que chegou a tocar varias vezes, num mesmo dia, nas Rádios Educadora (nas 3 sedes, nas ruas 1º de Março, Senador Dantas e Marques de Valença), Rádio Clube do Brasil e Rádio Sociedade, que ficavam próximas, no Centro do Rio.
De 1955 a 1959, foi contratado pela Rádio Nacional onde se apresentava com o Regional de César Moreno, composto por Arthur Duarte (violão sete cordas), César Moreno (violão de seis cordas), Índio (cavaquinho) e Luna (pandeiro). Retornou anos depois, quando marcou época com o programa Jacob do Bandolim e seus Discos de Ouro, que ficou em cartaz até o seu falecimento, sendo que o último programa, gravado na véspera, não chegou a ir ao ar.
Em 11.05.1940, Jacob se casou com Adylia Freitas, sua grande companheira para toda a vida. Em 03.02.1941, nasceu Sergio Freitas Bittencourt, que se tornaria compositor e jornalista, tendo atuado como jurado, por vários anos, no Programa Flávio Cavalcante,e em 08.04.1942, chegou Elena Freitas Bittencourt, que Jacob adorava, sendo um verdadeiro pai-coruja e que se tornou cirurgiã - dentista.
Os primeiros anos foram difíceis, pois os cachês de rádio não eram suficientes para o sustento do casal. Foi quando se revelou a profunda amizade e o apoio do violonista e histórico compositor Ernesto dos Santos - o Donga - e de sua esposa a cantora Zaira de Oliveira pelo casal Bittencourt. Apoio pessoal e material que veio em boa hora, pois, segundo Elena, sua mãe costumava comentar que "...eles mataram nossa fome algumas vezes...".
Mais experiente e conhecedor das dificuldades da profissão, Donga convenceu Jacob a prestar concurso público, idéia que o bandolinista abraçou, pois sempre pretendeu alcançar uma estabilidade que lhe permitisse realizar seus saraus e desenvolver sua arte sem ser obrigado a acompanhar cantores e calouros eternamente, isso somado ao temor de perder sua independência em virtude das pressões das gravadoras e dessa forma, por não querer fazer concessões à industria fonográfica, Jacob prestou concurso, sendo nomeado Escrevente Juramentado da Justiça do Rio de Janeiro, mas continuou tocando bandolim, cada vez mais.
Volta
As gravações
Na década de 40, o Regional de Benedito Lacerda ocupava o posto de conjunto de maior popularidade e Jacob dividia o tempo entre o Tribunal e a música, onde sua atividade principal era tocar em rádios, principalmente acompanhando calouros. Porém, em 1941, a convite de Ataulfo Alves, participou das gravações, Leva Meu Samba (Ataulfo Alves) e a famosa Ai, que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves e Mário Lago).
Em 1947, Jacob lança pela gravadora Continental, seu primeiro disco como solista, um 78 rpm, com um choro de sua autoria, TREME-TREME e a valsa GLÓRIA, de Bonfiglio de Oliveira, fazendo grande sucesso. Foi acompanhado por um grupo de músicos que com ele tocavam nas rádios e que ficou registrado no rótulo do disco como sendo CÉSAR E SEU CONJUNTO, integrado por César Faria e Fernando Ribeiro, violões; Pingüim, cavaquinho e Luna, pandeiro.
Nesses quatro primeiros discos em 78 rpm gravados pela Continental, Jacob é acompanhado pelo grupo liderado por César Faria, sendo que com a saída de alguns integrantes originais, também participaram dessa série de gravações, Jessé (violão); Canhoto, Elias (cavaquinho) e Alberto (pandeiro).
Em 1949, é contratado pela RCA VICTOR, onde permaneceu até o final se sua carreira. Gravou cinqüenta e dois discos em 78 rpm, 12 LP`s, sendo dois ao vivo, e diversas participações em discos de outros artistas e coletâneas. Gravou ainda um LP pela CBS. De 1949 a 1951 gravou com os músicos da Rádio Ipanema, sempre com a presença de César Faria. A partir de março de 1951 até março de 1960, foi acompanhado pelo Regional do Canhoto. Nesse período, em algumas gravações, Jacob foi acompanhado por orquestras.
Volta
Suite Retratos - Um Desafio
Entre o final de 1956 e 1958, Radamés Gnatalli escreveu RETRATOS, uma suíte para bandolim, orquestra e conjunto regional, onde homenageou, em cada movimento, um dos quatro compositores que considerava geniais e fundamentais na formação da nossa música instrumental: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.
Como se revelasse uma fotografia musical extraída da alma de cada um dos quatro homenageados, Radamés traz no primeiro movimento um Choro baseado em Carinhoso, no segundo, uma Valsa a partir de Expansiva, no terceiro, um Schottisch lembrando Três Estrelinhas e no quarto movimento, um Maxixe "a la" Corta Jaca. Uma obra de rara beleza e que exigia um solista sensível e com conhecimento musical. Radamés dedicou RETRATOS a Jacob que para executá-la foi obrigado a aprofundar seus estudos de teoria musical, que havia iniciado em 1949, e para isso contou com a ajuda de Chiquinho do Acordeon (Romeu Seibel) e com a sua própria obstinação.
Jacob registrou em seu gravador a estréia radiofônica de Retratos interpretada por Chiquinho, na Rádio Nacional, no final dos anos 50 e a partir daí estudou a obra continuamente para enfim gravá-la em fevereiro de 1964. Em maio do mesmo ano, Jacob escreve uma carta a Radamés para confessar que "...valeu estudar e ficar dentro de casa o Carnaval de 64, devorando e autopsiando os mínimos detalhes da obra...", .Jacob que começou tocando "de ouvido" e era fanático por ensaios, revelava agora uma nova face, o de musico estudioso. Em agosto de 64, Jacob fez a primeira audição pública de Retratos, acompanhado pela Orquestra da CBS, no saguão do Museu de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Retratos foi um salto de qualidade na carreira de Jacob e na música brasileira. Com a fusão perfeita entre a linguagem camerística e a popular, Radamés inaugurou uma nova dimensão no Choro que, entretanto, só amadureceria cerca de 20 anos depois.
Volta
A televisão
Em 1955, Jacob foi convidado pela TV-Record/ SP para organizar um "especial de Tv" , um programa de Choro que se chamaria Noite dos choristas. Tal foi o destaque que a TV Record escalou o principal apresentador da casa, Blota Junior, como mestre de cerimônia, tendo o programa ido ao ar, em 12.05.1955.
Jacob percebendo a importância de ter um programa ao vivo num dos principais canais de TV do país, convidou grandes chorões, encabeçados pelo mestre Pixinguinha, com quem tocou ao vivo no programa, acompanhados pelo regional da Tv. Record, mas guardou um trunfo para o encerramento. Colocou no palco aquele que seria o maior regional de todos os tempos, com cerca de 70 de músicos amadores.
O sucesso foi tanto que em 1956 a TV-Record realizou a 2ª Noite dos choristas. Empolgado com a repercussão do mega regional do primeiro programa, elogiado pelos maestros Pixinguinha e Guerra Peixe, Jacob se superou e colocou no palco um regional ainda maior, com 133 integrantes, assim distribuídos: 17 bandolins, 14 acordeons, uma flauta, um pífano, um saxofone alto, um trombone, 4 violinos, 4 violões tenores, 18 cavaquinhos, um serrote, 40 violões, 5 ritmistas e 3 baterias. O grande bandolinista Isaias Bueno, então com 19 anos, foi um dos destaques nas duas noites.
Infelizmente, segundo informações da TV Record, o vídeo tape dessas duas noites foi destruído. Não sabemos se pelo fogo do incêndio ou pela ignorância de certos executivos que constantemente reutilizavam fitas de programas passados para novas gravações. O único registro que restou, além de algumas fotos, foi o áudio gravado pelo próprio Jacob numa fita de rolo, hoje parte integrante do Arquivo do Jacob.
A importância e o respeito por Jacob no meio musical o levou a se apresentar em todas as grandes emissoras de TV da época: Record, Rio, Excelsior, Tupi e Globo.
Volta
O Época de Ouro
No final dos anos 50, Jacob ainda gravava com o Regional do Canhoto, mas tinham dificuldades de se reunir para ensaiar em função da agenda lotada do grupo que era disputado por todos os grandes cantores. A última participação do Regional do Canhoto com Jacob foi no LP "NA RODA DE CHORO", gravado em março de 1960. Na sua concepção, Jacob necessitava de um grupo de músicos que o acompanhasse e que com ele se reunisse quando necessário. O novo grupo de músicos, criado ao seu feitio e com o caráter de grupo exclusivo, participava regularmente dos saraus realizados aos sábados em Jacarepaguá é era formado por DINO 7 CORDAS, CÉSAR FARIA e CARLOS LEITE (violões), JONAS SILVA (cavaquinho) e GILBERTO D’ÁVILA (pandeiro).
Com eles, Jacob gravou dois LP`s, “CHORINHOS e CHORÕES” (1961) e “PRIMAS e BORDÕES” (1962), com os nomes de Jacob e seu Regional e Jacob e seus Chorões, respectivamente. Em 1966, Jacob, que afirmava já ter ultrapassado a fase "regional" batizou esse grupo com o nome de CONJUNTO ÉPOCA DE OURO, gravando com eles o LP “VIBRAÇÕES (1967), com a participação de JORGE JOSE DA SILVA, o “Jorginho do Pandeiro" e o lendário show com ELIZETH CARDOSO e o ZIMBO TRIO, no Teatro JOÃO CAETANO (1968)”.
Uma curiosidade é que três dos cinco integrantes ÉPOCA DE OURO, à exemplo de Jacob, além de excelentes músicos, eram também funcionários públicos: César tornou-se Oficial de Justiça; Carlinhos era Agente Fiscal e Jonas, funcionário público em Niterói, o que certamente lhes permitia um maior contato com Jacob.
Volta
Os Saraus
Em 1949, já residindo em Jacarepaguá, na Rua Comandante Rubens Silva, 62, Freguesia, Jacob passou a realizar grandes saraus que contatavam na platéia com a presença de grandes nomes da política, artes e jornalistas que lá iam ouvir nomes como Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Serguei Dorenski, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola, Hermínio Bello de Carvalho, Canhoto da Paraíba, Maestro Gaya, Darci Villa-Verde, Turíbio Santos e Oscar Cáceres (violonista uruguaio).
Segundo Hermínio Bello de Carvalho, assíduo participante dessas reuniões musicais :
"..... quem participou de seus célebres saraus, tornou-se não apenas um ouvinte privilegiado das noites mais cariocas que esta cidade já conheceu, mas um discípulo sem carteira de um Mestre que não sonegava lições, que fazia questão de repassá-las nas inúmeras atividades que exercia - inclusive como radialista.
Proclamava não ser professor e, por isso, não ter formado alunos. Ignorava que, ao morrer, deixaria não apenas uma escola, mas uma universidade aberta a todos que um dia iriam estudar o gênero a que se dedicou com rara e profícua eficiência. Sua casa em Jacarepaguá era uma permanente oficina musical, onde reunia a nata dos chorões cariocas, proporcionando a eles o convívio com músicos de outros Estados, de quem fazia questão de registrar as obras para posterior divulgação. Canhoto da Paraíba, Rossini Ferreira, Zé do Carmo, Dona Ceça e outros autores-instrumentistas eram recepcionados e hospedados em sua casa, num gesto de ampla generosidade por quase todos, reconhecido.
Recebia também artistas internacionais do porte de Maria Luisa Anido, Sergei Dorenski e Oscar Cáceres em saraus memoráveis...."
Volta
O arquivo do Jacob
Além de ser um instrumentista próximo a perfeição, Jacob também era um incansável pesquisador, responsável pelo resgate e preservação da obra de vários mestres, tais como ERNESTO NAZARETH, CANDINHO do TROMBONE e JOÃO PERNAMBUCO.
Tal era a sua preocupação por preservar tudo que se relacionasse com a música brasileira, particularmente, o Choro, que Jacob, que era fotógrafo premiado e dominava a fundo a técnica de revelação fotográfica, chegou a microfilmar milhares de partituras para ganhar espaço e qualidade de preservação.
Com milhares de peças, incluindo discos, partituras, fotos e matérias jornalísticas ficou conhecido como “O ARQUIVO DO JACOB”, e foi incorporado em 1974 ao acervo do MUSEU DA IMAGEM E DO SOM/RJ.

Updating da soul music

Se existe uma responsável por trazer a soul music para os tempos atuais, esta é a cantora Amy Winehouse. Unindo composições autorais muito menos inocentes do que as do tempo da Motown com o suingue irresistível da banda Dap Kings, a inglesa despontou como uma das artistas mais instigantes dos últimos anos ao lançar seu segundo álbum, “Back to black”. As letras sinceras e autobiográficas ganharam o acabamento do produtor Mark Ronson, que atualizou o gênero sem deixar que ele perdesse a alma. Pena que Winehouse tenha ganhado mais destaque na mídia pelos quiproquós que protagoniza - quem sabe ela retorne à forma em seu próximo trabalho.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Remasterização


O catálogo completo das músicas dos Beatles está sendo remasterizado digitalmente para ser lançado em setembro de 2009. A Apple Corps Ltd. e a EMI Music dizem que vão lançar os novos discos no dia 9 de setembro – mesma data programada par ao lançamento do videogame “The Beatles: Rock band”. Cada um dos doze novos CDs vai incluir a arte original da versão britânica do disco e notas explicativas extras. Em algumas edições, os CDs vão trazer um pequeno documentário sobre o álbum. As coletâneas “Pas masters vol. I & II”, que incluem singles, versões ao vivo e lados B que não estão nos álbuns também serão relançadas.
Além disso, as empresas vão lançar uma caixa chamada “The Beatles in mono”, com as versõe smono originais de 10 álbuns, além de dois discos com as masters em mono de material do começo da carreira do grupo. As versões em mono de “Help!” e “Rubber soul” também vão incluir as mixagens em estéreo de 1965.
As empresas não fizeram nenhuma menção durante o anúncio feito nesta terça-feira (7) a respeito da disponibilização para download do material da banda. “As discussões a respeito de disponibilização para download continuam". A Apple ainda declarou que as novas versões são fruto de quatro anos de trabalho por parte dos engenheiros de som dos estúdios Abbey Road.