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sábado, 15 de janeiro de 2011

H. C. Pinheiro diz o que pensa no Musicadaboa

Acho que a polêmica entre se uma mulher é "presidente" ou "presidenta" deve girar mais em torno da gramática do que do campo legal. Penso também que se deve tratar a ocupante do cargo segundo as leis da língua mater independentemente da vontade de quem quer que seja.

Vejam abaixo a perspectiva de H. C. Pinheiro a respeito:

Alberto de Oliveira.



Às leis todos devem obediência.




Jamais dela alguém está acima.



E que delas ninguém jamais se exima.



Pra mostrar verdadeira ascendência.



Toda sua força e toda prepotência.



Porque das leis ninguém nunca se isenta



Nossa língua não tem qualquer ementa



E que se deixe de falar besteira.



Mesmo que a senhora Dilma queira,



Não será do país sua “presidenta”.







À Gramática deve-se respeito.



Deturpá-la não se pode fazer.



Não importa quem seja: A ou Z.



Mesmo que não se goste do seu jeito



Porque esse conjunto de preceito



Serve de guia e ele nos orienta



E sem ele haveria uma tormenta.



“Presidenta”! Uma gafe bem grosseira.



Mesmo que a senhora Dilma queira,



Não será do país sua “presidenta”.







Por seus atos ninguém no Brasil pensa



Trocar letra traz muita conseqüência



Porém, não é por falta de advertência



Estudar já não mais aqui compensa



Da Gramática regra se dispensa.



Haverá, no Brasil, logo “estudanta”



As empresas terão “representanta”



Ficará língua sem eira nem beira.



Mesmo que a senhora Dilma queira,



Não será do país sua “presidenta”.







Novo acordo ortográfico não previa,



E com língua ninguém pode brincar,



Depois o povo é quem vai pagar,



Com o idioma fazer essa orgia.



Presidente zelar por ela devia.



Nós teremos agora até “geranta”.



Amanhã haverá também a clienta.



Só espero que seja passageira



Mesmo que a senhora Dilma queira,



Não será do país sua “presidenta”.







HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO



FORTALEZA, JANEIRO/2011.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Poeta Dilson Pinheiro e Nonato Luiz...

Algumas misturas produzem efeitos mágicos. Poesia com música então...

Um  dos maiores divulgadores e apoiadores dos artistas e da música de cá de nossas bandas, Dilson é um artista generoso e ímpar.

Abaixo , uma homenagem que Dilson fez em formato de cordel a outro grande artista da "Terrinha do Sol", Nonato Luiz.

Nosso Nonato

e agora vem nonato


pra nos encher de emoção

um com o outro acostumado

que causa até confusão

eu me confundo de fato

se o violão é nonato

ou se nonato é violão

nosso nonato luiz

que solta acordes tão finos

seus dedos são bailarinos

deslizando no verniz

vai misturando a raiz

do erudito ao popular

quem o escuta tocar

sente logo coração

vibrar de tanta emoção

tocando junto também

esse dom só ele tem

de ser gente e violão


Dilson Pinheiro
 
Pra ilustrar as palavras de Dilson:
 
Concerto Mariano 2008 - "Ave Maria de Gounod" - Nonato Luiz.
 
Paróquia do Cristo Rei - Fortaleza, Ce.
 

 
 
Mais sobre Nonato Luiz em:
http://musicadaboa-boa.blogspot.com/2009/04/violao-puro-e-nosso-nonato-luis.html

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Desafio no Cordel

Aceitando o desafio

De José de Sousa Dantas,

Esse fabuloso poeta

Com seu cordel que encanta,

E a semente do Nordeste

Neste mundo ele planta.



Vou fazer algumas rimas

Usando palavras raras.

Espero que Dantas goste

Não vá rir da minha cara,

Pois me falta gabarito

Para entrar nesta seara.



Vamos procurar palavras

Que possam rimar com lobo.

Num tempo globalizado

Vem à mente a Rede Globo.

Com a sua programação

Fazendo o povo de bobo.



Num país de analfabetos

Futuro não se vislumbra.

Pois a máquina da mídia

Deixa o povo na penumbra,

Que com a bolsa salário

Se encanta e se deslumbra.



Povo que vive em favela

Curtindo o seu mocambo.

Que às vezes pra comer

Apela pro velho escambo.

Catando lixo nas ruas

Vestindo-se de molambo.



Empurrando sua carroça

Ouvindo um rádio portátil.

Se mostrando bem feliz

Pois o povo é versátil,

E mesmo na sua pobreza

O sonho é coisa volátil.



Embora muita gente aja

De maneira bem covarde.

É o caso dos políticos

Que não querem muito alarde.

Sempre tudo vem à tona

Mesmo que já seja tarde.



A todo dia no Brasil

Vem à tona um alvitre,

Que funciona pra imprensa

Como se fosse salitre.

E a prisão de políticos

Nunca há ninguém que arbitre



Pois para os poderosos,

Justiça vive a menopausa.

Não importa ter razão

Eles sempre ganham causa.

Ou os processos se arrastam

Dando-lhes uma boa pausa.



Não há para o país

Esperança, simples réstia.

Pois quem aplica as leis,

E usa uma bonita véstia,

Se acha o dono do mundo

E não tem qualquer modéstia.



Com bom dinheiro no bolso

Não sabe o quê é uma xepa.

Come lagosta, salmão

Bem preparado na cepa.

Se alguém mexe na sua grana

Se descontrola e grita: epa.



No meu dinheiro não mexe.

Briga, dá murro, tabefe.

Manda até mesmo matar

Desossa feito magarefe.

E o crime fica impune,

Pois o sujeito é o chefe.

Com seu poder de fogo

Igual a um pirilampo

Grilam terras, tomam casas

Na cidade, até no campo.

Contra os inimigos usam

O famigerado grampo.



HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO

FORTALEZA, JULHO/2010.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pra ver futebol, tem que ver a novela global antes...

Leiam o que escreveu o cordelista H. Cesar Pinheiro.

Poderosa e também bastante rica,
A família Marinho, do Brasil,
Fez, que no hino se diz varonil,
Um país onde a lei dela se aplica.
Nossa hora pra dormir especifica
Pois assim é que ficou estipulado
Tudo na TV já foi programado
Nem que haja um grande quiproquó
Jogo de Futebol começa só
Se a novela tiver já terminado.

Não importa se findo na madrugada
Se não há segurança nem transporte
Para quem vai à praça de esporte
A pé volta pra casa, na calada
E bem cedo vai para outra jornada
Sem dormir e bastante enfadado
Pois do jogo chegou tarde, cansado.
Torcedor que vai lá pro cafundó.
Jogo de Futebol começa só
Se a novela tiver já terminado.

Com poder e bastante persuasão
O horário muda a seu bel prazer
Antes quando não havia a TV
Próprio povo fazia programação
Futebol vivia sem televisão.
Bem melhor, mais bonito, bem jogado,
Rivelino, Pelé muito endiabrado.
Hoje com perna de pau que dá dó
Jogo de Futebol começa só
Se a novela tiver já terminado.

Desrespeito com o povo é geral.
Não só com quem vai ver o futebol
Povo devia era tem semancol
Boicotar todo o programa global
Do tal Big Brother à Zorra Total
Que o Ibope deles fique zerado
E o povo passe a ser respeitado
Boicotar sem ter pena e nem dó
Jogo de Futebol começa só
Se a novela tiver já terminado.

Até nos jogos fora do Brasil
As novelas da Globo marcam a hora
Determinam o horário que vigora
País da Rede virou um covil
Isso no mundo nunca ninguém viu.
Mas se um projeto for aprovado
Pela Câmara e pelo Senado
Sancionado por nosso faraó
Jogo de Futebol será melhor
Se à Globo não for mais atrelado.

A São Paulo dou os meus parabéns
Por aprovar lei com destemor
Os edis foram do povo a favor.
Depois do jogo usa os trens
Pode voltar pra casa bem.
À meia noite o jogo foi acabado
E o projeto há de ser sancionado
Se o horário vier a ser um só
Jogo de Futebol será melhor
Se à Globo não for mais atrelado.


HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO
FORTALEZA, MARÇO/2010.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Cordel está vivo. E bem vivo.

Lembro do refrão de um samba que diz: "Não deixe o samba morrer..."

O apelo se devia à invasão da música internacional que sufocava como um rolo compressor, a produção tupiniquim. O período foi de certa forma breve e hoje a música brasileira é destaque no mundo inteiro.

Vejo arte e a música em particular como universal. A música é a boa independentemente de onde venha mas o bom e velho cordel vem mesmo é do nordeste brasileiro. Há, felizmente, pessoas atentas à sua sobrevivência como se lhes não saisse da cabeça o refrão do samba onde então samba seria cordel: "Não deixe o cordel morrer..."

Abaixo, um excelente cordel sugerido pelo amigo poeta, cordelista e zagueiro, Henrique Cesar Pinheiro:

De Heliodoro Morais, RN.

DIGA O QUE ANDA FAZENDO QUE EU DIGO QUEM VOCÊ É!

Tudo na vida é corrido
E cheio de confusão
Se torna muito difícil
Conhecer um cidadão
Por causa da correria
O nome bem que podia
Revelar a profissão

Quem vive no caminhão
Estrada afora a rodar
Trabalha de motorista
Sem tempo pra descansar
Pra ser identificado
Deveria ser chamado
Passos Dias Aguiar

Você pode trabalhar
Em algo que lhe seduz
Coveiro no cemitério
É um espírito de luz
Tem um nome adequado
Pra ele ser batizado
Armando Covas da Cruz

Lenhador também faz jus
A uma vida pacata
Apesar da profissão
Não oferecer mamata
Como derruba a floresta
Sua identidade é esta:
Décio Machado da Mata

Comandante de fragata
Tem a vida muito exposta
Não liga pro alto risco
Porque só faz o que gosta
Por viver no oceano
Tem um nome soberano
Lindomar Porto da Costa

No exército, a proposta
É de lutar só na terra
Onde o soldado é chamado
Rivaldo Campos de Guerra
Mas quando a luta é no ar
Ele passa a se chamar
Eduardo Céu da Serra

Amâncio Leão encerra
O nome do domador
Que entra no picadeiro
Pra demonstrar seu valor
E Da Luz do Nascimento
Obstetra e instrumento
Da força do criador

Pecuarista e agricultor
Tem Jack Castro Cordeiro
Thomas Leite de Bezerra
Delgado Dácio Carneiro
Lauri Tadeu Oscar Brito
São um exemplo bonito
De nomes de fazendeiro

O nosso herói, o vaqueiro
Tem no nome o seu espelho
Edgar Lopes Mourão
Cabra do sangue vermelho
O caçador destemido
Tem o nome conhecido
Alzair Cássio Coelho

Diretora do conselho
Da defesa ambiental
Rosa Amélia Jardim Flores
Com seu guarda florestal
Silvestre Ramos Pinheiro
São exemplo verdadeiro
De um grande profissional

Dentro do reino animal
Com base na profissão
Qualquer nome que se diga
É de fácil dedução
Seguindo nesse cenário
Quem é o veterinário?
Jussara Aranha Leitão

Coitado do cidadão
Miserável, proletário
Pela pobreza do nome
Eliseu Elisiário
O outro extremo é legal
Érico Nobre Real
É nome milionário

Mas um simples operário
Que corre atrás do dinheiro
Pode ser uma mulher
No ofício de pedreiro
Por mais que seja bizarro
Magali Melo de Barros
É seu nome verdadeiro

Ele é o grande guerreiro
O pregador dos encantos
Prega a palavra de Deus
Orando nos quatro cantos
Recebendo como dote
Seu nome de sacerdote
Inácio Bento dos Santos

Quando a mulher, no entanto
Segue o rumo do pecado
Vendendo o corpo e a alma
Por uns míseros trocados
No nome está sua sede
Eva Gina das Mercedes
Doida por carro importado

Se um sujeito cansado
Segue o seu caminho vago
Sozinho numa canoa
Sem receber um afago
Levando a isca e a vara
O seu nome está na cara
É Remo Geraldo Lago

Ela que assume o estrago
Já que sua filha Elisa
Corre pra porta do Banco
Quando de grana precisa
Pela sua assinatura
Quem é que paga a fatura?
A sua mãe Ava Lisa

Alguém que gosta de brisa
Ama o sol da alvorada
O orvalho da manhã
O canto da passarada
O seu nome quer qu'eu fale?
Aurora Clara do Vale
A mulher da madrugada

Uma mulher mal amada
Traz a frieza na fronte
A dureza de uma pedra
O suspense de uma ponte
Eu sei dizer quem é ela
Só pela postura dela
Pietra Rocha do Monte

Na linha do horizonte
Tem uma obra bonita
Que se destaca no céu
Como uma coisa infinita
É uma igreja enorme
Que foi erguida conforme
Alcino Torres Mesquita

O advogado jurista
Que mata a gente de susto
De tanto criar imposto
Vai se chamar Noé Justo
Ou então Severo Carrasco
Que quando faz um churrasco
O povo é quem paga o custo

Hoje eu já não me assusto
Com a postura indecente
Do nosso representante
Que só quer roubar a gente
Seu nome vem do cinismo
Da prática do nepotismo
Alceu Augusto Parente

Tem uns nomes diferentes
Faty Mamede Borrego
Henfil Madeira Correia
Jacinto Aquino Rego
Jô Amadeu Leite Secco
Patty Faria no beco
Mas nada que dê sossego

Em cada caso o emprego
Que seja mais adequado
Pro cozinheiro: Agostinho
Edi Pimenta Salgado
Tem muito nome distinto
Por exemplo, Caio Pinto
É nome de aposentado...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cordel - O Balaio do Sumiço

I

Neste país varonil
de gente ruim que faz dó.
Com tantos para sumir
Sumiu logo o Belchior.
Do Pará devia sumir
Sebastião Curió.

II

De lá também pode ir
O tal de Jader Barbalho.
Junto com sua ex-mulher
para casa do Ramalho.
E levando do Amapá
O de bigode grisalho.

III

Do Amazonas pode ir
Senador Artur Virgílio,
Também o ex-governador,
O tal de Amazonílio.
Vamos agora avaliar
Quem vai doutros domicílios.

IV

Ao Piauí não fará falta
O tal senador Mão-Santa.
Leve também o Heráclito.
Contra? Ninguém se levanta.
Leve Patrícia que sumiu;
E Inácio só tem garganta.

V

O senador Flávio Torres,
E também Aldemir Santana,
Como ninguém os conhece
Serão tema de gincana.
E quem os quiser levar
Ganhará uma banana.

VI

Lá em Pernambuco o Jarbas
Denunciou a maracutaia
Da turma do PMDB
E de toda sua gandaia
Por isso levem embora
O Maciel, Jeferson Praia.

VII

A Alagoas é bem pior.
Tem Color e um tal Tenório,
Com Renan Calheiros podem
Ir de nosso território.
Melhor se fossem pro inferno
Sem passar no purgatório.

VIII

Se sumirem Almeida
Lima, Aloizio Mercadante
Todo povo brasileiro
Ficará bem exultante,
E levando o Suplicy
Com seu cartão vacilante.

IX

Com Álvaro Dias, Antônio
Carlos Júnior vou por,
E consigo vão levar
Valadares pra onde for,
Também Augusto Botelho
Estar ao inteiro dispor.

X

César Borges não faz falta,
Muito menos o Delcídio.
Alguns estarão melhor
Dentro de grande presídio.
E se Eduardo Azeredo
Praticasse suicídio?

XI

Cristovam Buarque e Pedro
Simon têm até algum crédito.
E para o nosso Brasil
Isso é fato inédito
Nossa classe política
Só acumula descrédito.

XII

De Expedito Junior
Jamais se ouviu falar.
Mas se conhecem as proezas
Do tal Romero Jucá.
Ninguém sabe que é Dias
Com prenome de Osmar.

XII

Eliseu Resende, Flexa
Ribeiro, Efraim Morais,
Epitácio Cafeteira
Todos eles são iguais.
Qualquer cargo político
Não exercerão jamais.

XIV

Flávio Arns saiu do PT
Envergonhado bastante.
Pelo menos teve coragem
E discordou do mandante.
Francisco Dorneles outro
Que sempre vai a jusante.

XV

Garibaldi Alves Filho
É do Rio Grande do Norte,
Também Agripino Maia
Lá não há mais quem suporte.
Fátima Cleide, Geraldo
Mesquita também se exporte.

XVI

Gérson Camata, Gilvan
Borges velhos conhecidos
Gilberto Goellner, e Gim
Argello estão esquecidos
Devem ser aos seus estados
De imediato devolvidos.

XVII

Santa Catarina tem
A tal Ideli Salvatti
Caso fosse seqüestrada
Ninguém pagaria o resgate,
Nem que o preço cobrado
Fosse um simples abacate.

XVIII

Os quatro Joãos: Durval,
Pedro, Ribeiro, Claudino,
Não fazem nenhuma falta,
Muito menos Agripino,
Pois na defesa do povo
Não há nenhum paladino.

XIX

José Nery, a Kátia Abreu,
Também Leomar Quintanilha,
Lobão Filho, Lúcia Vânia,
Compõem a camarilha,
Com Magno Malta vão pra
longe daqui muitas milhas.

XX

Crivella e Marconi Perillo,
Maria do Carmo, Marina
Silva, essa senadora,
Com os outros não combina,
Por isso deve ficar.
Pros demais grupe suína.

XXI

Mario Couto, Fecury,
E a Marisa Serrano,
Há um prêmio para quem
Conhecer os três fulanos,
Que poderão ir embora
Pro outro lado do oceano.

XXII

Consigo devem levar
Mozarildo Cavalcanti,
Neuto de Conto e Papaléo
Paes devem ir muito antes.
Pois Paulo Duque e Paim
Vão agora neste instante.

XXIII

Junto a Raimundo Colombo
E Renato Casagrande,
Pois Roberto Cavalcanti
Já se encontra lá nos Andes.
Romeu Tuma ninguém vê,
Em São Paulo ou Rio Grande..

XXIV

Rosalba Ciarlini, Sérgio
Zambiasi e Sérgio Guerra,
Serys Slhessarenko daqui
Vão embora pra outra terra.
Para Tasso Jereissati
Bom descanso lá na serra.

XXV

Tião Viana e Valdir Raupp,
Valter Pereira lhes desejo,
E pro Wellington Salgado
De Brasília um despejo,
Pra bem longe do Brasil
Pode ser pra Saravejo.

XXVI

Podem sumir do país
Todos nossos senadores,
Prefeitos e deputados
E também os vereadores.
Quiçá nosso presidente
E seu bando de assessores.

HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO
SETEMBRO/2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lina e Marina - Por H. Cesar Pinheiro - Cordel

O Palácio do Planalto

Tem medo de duas meninas.

Uma delas veio do Acre,

Conhecida por Marina,

A outra de Pernambuco.

Porém é mesmo de Minas.



II



Da Receita saiu a Lina,

Que desmentiu a ministra.

Que pensa ser presidente

Duma maneira sinistra,

Com o tal bolsa-família

E o PAC que administra.





III



Coragem, que não se registra,

É a dessas duas mulheres,

Sem medo de represálias,

Daquele bando de alferes.

Vingativo, poderoso,

Que explode nos seus amperes,



IV



Para vingança ser célere.

Porém com muita valentia,

Sem qualquer preocupação

de perder toda a regalia,

que tem de suas posições,

entraram em desarmonia



V



Com poder e sua covardia.

Diverso do senador

Que anunciou sua renúncia,

Mas voltou atrás sem pudor

Ao ser por Lula enquadrado

Com muita raiva e furor.





VI



No plenário, tal senhor

Explicou sua não renúncia

De forma triste e bisonha

Pensando só em brogúncias

Que a sua carreira lhe traz.

Ali houve impronúncia.



VII



Mas virá logo a denúncia

Pra que saibam os eleitores

Quem é aquele farsante,

Que ataca os opositores,

Se estes os contrariar,

Atuando nos bastidores.



VIII



Só vivendo de favores

Político, no Brasil,

É sempre comprometido,

E do poder é servil.

Participando do banquete

Que se serve no covil.



IX



E já há gente imbecil,

Contra Lina faz bravata

E também contra Marina.

Insinuam que é cascata

E a posição que tomaram

Foi por perderem mamata.



X



Mas querem é uma oblata,

Como fez o Mercandante

Que se rendeu ao poder

De forma bem vacilante

E mais uma vez nos mostrou

Que não é o que fora antes.







XI



E de maneira arrogante

Aos seus contrários ataca.

Ou justifica sua posição

De forma dúbia e fraca.

Porque poucos tem coragem

De meter o pé na jaca.



XII



Para esses vira-casacas

Vai ainda chegar punição.

As mulheres deram senha

Pra começar a lição.

Talvez não seja agora,

Porém noutra geração.



XIII



Por terem desilusão,

Senadores saem do PT.

Preferem perder mandato

Ou ao governo se vender.

Veja que o Flávio Arns

não deixou se corromper.



XIV



Dispensou o jabaculê.

Porém José Genuíno,

Aquele do mensalão,

Dando uma de vivaldino,

Saiu em defesa do PT

Com todo seu desatino.



XV



O irmão, aquele menino,

Que levou dólar na cueca.

Elegeu-se deputado.

E acertou na loteca.

Para o resto da vida

Vai tirar uma soneca.







XVI



Metido numa sueca

Agora o país se encontra

Se Dilma for presidente

Isso muito nos espanta,

Pois em nós vai cavalgar,

Sem ao menos usar manta.



XVII



Também não há quem garanta

Se continua a democracia.

E na Receita Federal

Muita gente já renuncia,

Com medo de ingerência

Que no local se prenuncia.



HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO

FORTALEZA, AGOSTO/2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gripe Suina em Cordel

A mídia agora só fala
Na tal da gripe suína
Criada por americanos
Pra vender nova vacina
Já que caíram as vendas
Da velha penicilina.

Criaram a gripe do frango
A tal da gripe aviária.
Como a moda não pegou
Mudaram a culinária.
Deve ser a mesma receita
Com outra indumentária.

Devemos nos preparar
Pois virá gripe bovina.
Depois teremos mais outra
Que chamarão de caprina.
Círculo que não se esgota
Prepare-se pra gripe ovina.

Mas já está comprovado,
A engenharia genética
Criou o vírus dessa gripe
De forma jamais hilética.
Lucram os laboratórios
Com essa falta de ética.

A doença até tem causado
Em todo tipo de cidade
Uma mudança de vida
Por conta da enfermidade.
Comércio está morrendo
Com essa fatalidade.

Na minha pequena cidade,
Joãozinho de Marina
Sustentava sua família
Vendendo carne suína.
Mas com a queda nas vendas
Mudou pra carne caprina.

Agora inventou um novo
Modo de faturamento
E vai processar linguiça
Com carne de jumento,
Pois não inventaram vírus
Até o presente momento.

Nessa cadeia alimentar
A raça dos asininos,
Deverá ser a última
Pois temos ainda os caninos
Bem apreciados por gente
Que tem olhos pequeninos.

Pensando desta maneira
Montou Joaozinho um frigorífico.
Até importou jumento
De longe, lá do Pacífico.
Nesse novo investimento
Teve lucro magnífico.

Os portugueses que vendem
Sanduíche de pernil
Estão comprando jumento,
No Ceará, em Tamboril.
Na cidade não se vê
Mais nenhum velho cabril.

Pois foram modificados
Para abrigar mais jumento.
Tudo para aproveitar
A onda desse momento
É nosso cabeça chata
Mostrando conhecimento.

Enquanto não se inventa
Um novo medicamento
Pra nova onda de gripe
Que há de ser do jumento,
Joaozinho ganha milhões
Marina, toda feliz,
Mostra seu contentamento.


HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO
FORTALEZA,AGOSTO/2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cordel - O Ruido do Silêncio

Os massacres de inocentes
Que abalam nações do mundo,
Mas calam grandes potências.
Tráfico de droga imundo.
Exploração sexual
Tudo coisa do submundo

Que a todos nós afeta.
Crianças perdem a infância
Guerras, trabalhos forçados,
Governos dão concordância.
O racismo que alimenta
Nossa vil intolerância.

Nossa omissão, por medo,
A violência alimenta.
Os povos sofrem conseqüências
Que a cada dia aumenta
E o ruído do silêncio,
Resta-nos esta tormenta.


HENRIQUE CÉSAR PINHEIRO
FORTALEZA, JULHO/2009.