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domingo, 16 de janeiro de 2011

Florbela e Raimundo

Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas,

Longe de ti há noites silenciosas,

Há dias sem calor, beirais sem ninhos!



Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!



Os dias são Outonos: choram... choram...

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos...



Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!

E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


segunda-feira, 29 de março de 2010

Florbela Espanca

Cantigas leva-as o vento...

A lembrança dos teus beijos

Inda na minh´alma existe,

Como um perfume perdido,

Nas folhas de um livro triste.



Perfume tão esquisito

E de tal suavidade,

E mesmo desaparecido

Revive numa saudade!



Florbela Espanca

01/01/1916