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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Violão Brasileiro - Rosinha de Valença

Instrumentista (violonista). Cantora. Arranjadora. Compositora.

(Maria Rosa Canelas)


30/7/1941 Valença, RJ

10/6/2004 Valença, RJ

Sobrinha do músico Fio da Mulata, recebeu do tio as primeiras noções de violão, desenvolvendo, em seguida, sua própria técnica. Aos 12 anos de idade, já acompanhava cantores na Rádio de Valença e se apresentava, com um grupo regional, em bailes da sua cidade. Em 1960, abandonou os estudos para dedicar-se exclusivamente à música.

Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Sérgio Porto, que afirmava que a instrumentista tocava por uma cidade inteira, o que lhe valeu o nome artístico que passou a adotar desde então. O jornalista apresentou-a a Baden Powell e a Aloysio de Oliveira, que a contratou para gravar seu primeiro disco pela Elenco, "Apresentando Rosinha de Valença", que incluiu a faixa "Consolação", de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Nessa mesma época, apresentou-se em temporada na boate Bottle's (Beco das Garrafas). Trabalhou na noite carioca e na noite paulistana, acompanhando artistas como Eliana Pittman, Nara Leão e Quarteto em Cy, entre outros.

Em 1964, participou do show "O fino da bossa", realizado no Teatro Paramount (SP).

No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos com Jorge Ben (hoje Jorge Benjor), Wanda Sá, Tião Neto e Chico Batera, o recém formado Brasil 65 de Sérgio Mendes. O grupo apresentou-se em shows e, mais tarde, já sem o cantor Jorge Ben, gravou dois discos. Foi considerada uma das maiores violonistas da época.

No final de 1965, após sucesso nos Estados Unidos, Canadá e México, excursionou por 24 países europeus, patrocinada pelo Itamaraty, como solista de um grupo de música popular brasileira. Apresentou-se, ainda, no Japão. Em seguida, viajou para Paris, com uma bolsa de estudos concedida pela Embaixada da França.

Em 1967, acompanhou Maria Bethânia no show "Comigo me desavim".

No ano seguinte, viajou para Portugal, Itália, Suíça, Israel, Rússia e alguns países africanos. Trabalhou com artistas internacionais, como Stan Getz, Sarah Vaughan e Henry Mancini, entre outros.

Voltou para o Brasil em 1971 e participou de quatro LPs consecutivos de Martinho da Vila.

Em 1974, formou uma banda com diferentes formações, com a participação de João Donato e Copinha, entre outros integrantes, tendo um de seus shows gravado em LP. Mais tarde, viajou para a França, apresentando-se em concerto com a Orquestra Sinfônica de Leon.

Em 1992, foi vítima de uma paralisia cerebral, entrando em irreversível estado de coma.

Em 2000, foi homenageada com o show beneficente "Uma noite para Rosinha", realizado no Canecão (RJ). O espetáculo foi organizado por Jalusa Barcellos, da Secretaria Estadual de Cultura e apresentado por Sérgio Cabral. Contou com a direção geral de Haroldo Costa e a direção musical de Jorge Simas, e com a participação de Beth Carvalho, Célia Vaz, Claudette Soares, Toque de Prima, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Francis Hime, Olívia Hime, João Nogueira, Joanna, Joyce, Leci Brandão, Marisa Gata Mansa, Miúcha, MPB-4, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Quarteto em Cy, Valéria Venturini, Zezé Motta, Clarisse, Cristóvão Bastos, Carlos Malta, Luciana Rabello e Carlinhos 7 Cordas, entre outros.

Constam da relação dos intérpretes de suas canções Martinho da Vila, Joanna, Zezé Motta, Rui Maurity, Tito Madi, Nana Caymmi e César Camargo Mariano, Wanderléa, Leci Brandão, Maria Bethânia e Paulinho Nogueira, entre outros.

Faleceu no dia 10 de junho de 2004, após 12 anos em estado de coma. Nesse ano, foi lançado o CD "Namorando a Rosa", co-produzido por Maria Bethânia e Miúcha, com a participação de Martinho da Vila, Célia Vaz, Done Ivone Lara, Caetano Veloso, Chico Buarque, Joanna, Bebel Gilberto, Hermeto Pascoal, Turíbio Santos e Yamandú Costa. Abrindo o disco, a única faixa que conta com o violão da própria artista homenageada, "Pedacinhos do céu" (Waldir Azevedo), extraída do disco "Cheiro de mato" (1976). Constam também do repertório as canções "Prelúdio de Rosa" (Turíbio Santos), "Rosinha essa menina" (Paulinho da Viola) e "Mais uma rosa" (Hermeto Pascoal", além de composições da própria violonista, como "Os grilos são astros", "Usina de prata", "Madrinha lua", "Pro amor de Amsterdã" (c/ Martinho da Vila), "Meus zelos", "A pescaria".

Obra

Aproveita que deu certo (c/ Alceu Maia) • Araponga • Ave rara (c/ Thereza Tinoco) • Benzedeiras guardiãs (c/ Martinho da Vila) • Cabocla Jurema • Caboclo Ubiratan • Campo verde (c/ Sarah Benchimol) • Cana caiana (c/ Maria Bethânia) • Clara paixão (c/ Nonato Buzar e Sarah Benchimol) • Coisas da vida • Cuíca • Encontro das águas (c/ Nonato Buzar) • Fim de festa (c/ Leci Brandão) • Interior • Ladrão de pecados (c/ Thereza Tinoco) • Madrinha lua • Metade de nós (c/ Joanna) • Meus zêlos • Natureza (c/ Leci Brandão) • Os grilos são astros • Porto das Flores • Pro amor de Amsterdam (c/ Martinho da Vila) • Reino antigo (c/ Maria Bethânia) • Samba dos ancestrais (c/ Martinho da Vila) • Tema do Zeca da Cuíca • Tema espanhol (c/ Celinho) • Uirapuru (c/ Arthur Laranjeiras) • Usina de prata • Vila de Santa Tereza (c/ Elisa Marina).

Discografia:

• Apresentando Rosinha de Valença (1963) Elenco LP
• Rosinha de Valença ao vivo (1966) Forma LP
• Rosinha de Valença apresenta Ipanema beat (1970) RCA Victor LP
• Um violão em primeiro plano (1971) RCA Victor LP
• Rosinha de Valença (1973) Som Livre LP
• Rosinha de Valença e banda ao vivo (1975) Odeon LP
• Cheiro de mato (1976) EMI-Odeon LP
• Sivuca e Rosinha de Valença ao vivo (1977) RCA Pure Gold LP
• Violões em dois estilos. Rosinha de Valença e Waltel Blanco (1980) Som Livre LP
• Participações ()
• In person at El Matador. Sergio Mendes & Brasil' 65 (1965) Atlantic/Fermata LP, CD
• Brasil' 65-Wanda de Sah featuring The Sergio Mendes Trio (1965) Capitol LP

Tributo:
• Namorando a Rosa (2004) Quitanda/Biscoito Fino CD.

Trecho de show de Rosinha na TVC.

sábado, 31 de outubro de 2009

Violão Brasileiro - Garoto

Começou por aí...



Filho do casal de imigrantes portugueses Antônio Augusto Sardinha e Adosinda dos Anjos Sardinha, foi o primeiro a nascer no Brasil. O pai tocava guitarra portuguesa e violão. Desde muito cedo interessou-se pela música, iniciando seus experimentos em uma viola improvisada de pau e corda. Desde os 11 anos de idade, começou a trabalhar para auxiliar no sustento da casa, empregando-se como ajudante numa loja de instrumentos situada no bairro do Brás. Seu primeiro instrumento, um banjo, lhe foi dado por seu irmão Batista, que além de dedilhar o instrumento, era violonista e cantor. Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnatali, de quem foi grande amigo.

Em 1926, com 11 anos de idade, começou tocando banjo no conjunto Regional Irmãos Armani, passando a ser conhecido desde então como Moleque do Banjo. Saindo do regional, em 1927, passou a tocar no Conjunto dos Sócios, de seu irmão Inocêncio, apresentando-se em reuniões e festas. Sua primeira oportunidade surgiu em 1929, quando, na exposição no Palácio das Indústrias, atuou num grande conjunto tocando ao lado de Canhoto, Zezinho e Mota. Posteriormente, formaram um conjunto orquestral. Seu ingresso na vida artística deveu-se inicialmente ao cantor Paraguassu, com quem fez suas primeiras gravações e várias excursões pelo interior de São Paulo. Ainda em 1929, apareceu como integrante do conjunto Chorões Sertanejos, que chegou a fazer algumas gravações pela etiqueta Parlophon. Nesta época, conheceu o violonista Aimoré (José Alves da Silva), com quem passa a atuar, seja em grupo, seja em duo, excursionando pelo interior nos intervalos das apresentações paulistanas.

Em 1930, estreou em disco solo, quando o maestro Francisco Mignone, na época diretor artístico da Parlophon, o recebeu para um teste, ao lado do violonista Serelepe. Foram convidados a gravar neste mesmo dia, registrando o maxixe-choro "Bichinho de queijo" e o maxixe "Driblando", ambas composições de sua autoria, em duo de banjo e violão. Em 1931, já tendo participado de programas na Rádio Record, foi convidado a atuar na Rádio Educadora Paulista (mais tarde Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim, quando então passou a substituir Zezinho do Banjo, o posteriormenete famoso Zé Carioca, que se transferiu para a Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1934, foi convidado por Jaime Redondo para atuar na Rádio Cosmos, onde passou a integrar o conjunto regional de Petit (Hudson Gaia), atuando ao lado de Aimoré, Atílio Grany e Pingo. Em julho de 1935, fez sucesso com Aimoré ao se apresentarem no Pavilhão de Festas da Exposição Rodoferroviária do Paraná. No intervalo dessas excursões, a dupla participou do filme musical "Fazendo fitas", uma sátira aos primeiros filmes sonoros brasileiros, dirigido por Vittorio Capellaro. Apresentando-se na Quarta Caravana Artística e na Rádio Clube Paranaense, recebeu proposta para atuar com Aimoré no Cassino Farroupilha, em Porto Alegre, onde assinaram seu primeiro contrato como dupla. De lá seguiram para a Argentina, acompanhando Carlos Gardel em alguns números. Retornando a São Paulo, a dupla apresentou-se a Sílvio Caldas que os convidou para uma temporada em Santos, na qual obteve grande sucesso tocando violão tenor.

Em 1936, gravou com solos de guitarra havaiana com acompanhamento de Aimoré duas obras suas, o choro "Dolente" e a valsa "Moreninha". Neste mesmo ano, por indicação de Sílvio Caldas e através de César Ladeira, Garoto e Aimoré foram convidados a atuar na Rádio Mayrink Veiga, emissora que possuía na época um dos melhores elencos do Rio. O excesso de trabalho lhe acarretou problemas de saúde, fazendo com que interrompesse por alguns meses suas atividades no Rio de Janeiro. Em 1937, já restabalecido, foi convidado pelo maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel), a integrar na Rádio Cruzeiro do Sul, de São Paulo, o conjunto regional e a orquestra Columbia. Com a volta de Aimoré em abril de 1937, retomam seu trabalho em dupla, apresentando-se nas estações PRB-6 (Rádio Cruzeiro do Sul) e PRE-7 (Rádio Cosmos) da organização Byington, até 1938, quando transferiu-se para o Rio de Janeiro terminando a dupla. No Rio, voltou à Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, também com acompanhamento de Aimoré, gravou na guitarra havaiana a valsa "Sobre o mar" e no violão tenor o choro "Quinze de julho", ambas de sua autoria.

Em dezembro de 1938 passou a atuar ao lado de Carmem Miranda e Laurindo de Almeida. Com Laurindo, formaria a "Dupla do ritmo sincopado" e o conjunto Cordas Quentes. Em dupla com Aimoré fez ainda inúmeras gravações para a Odeon, acompanhando grandes nomes da época. Em 1939, gravou na Victor com o violonista Laurindo de Almeida os fox trots "Dá-me tuas mãos", de Roberto Martins e Mário Lago e "Música maestro por favor", de Wrubel e H. Magidson. Em outubro do mesmo ano, quando acompanhava Carmen Miranda que se apresentava nos EUA com o conjunto Bando da Lua, foi convidado a substituir Ivo Astolfi, integrante que estava deixando o Bando da Lua. Foi convidado a ir também e se constitiu num sucesso à parte, destacando-se naturalmente do conjunto. Marcou também sua presença na Feira Mundial de Nova Iorque ao lado de outros artistas brasileiros como Romeu Silva e sua orquestra e Zé Carioca. Ainda nos Estados Unidos, participou do filme "Down Argentine Way" rodado em 1940 pela Fox, com Carmen Miranda, que estreou no Brasil com o título de "Serenata Tropical". Em março de 1940, apresentou-se com Carmen Miranda para o presidente Roosevelt na Casa Branca, na comemoração da passagem de seu sétimo ano de Presidência. Após oito meses de permanência no exterior, retornou ao Brasil. De volta ao Rio de Janeiro, retomou suas atividades na Rádio Mayrink Veiga, formando o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo do Pandeiro.

Em 1941, gravou com o grupo Seus Garotos, com canto de Valdemar Reis, os sambas "Compromisso para as dez", de sua autoria e Natal César e "Ingratidão", de sua autoria e Geraldo Queiroz. Em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da rádio, regida por Radamés Gnattali, apresentando-se também em trios, duos e como solista. No mesmo ano, gravou na Odeon a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Quanto dói uma saudade", de sua autoria. Ainda no mesmo ano, gravou o primeiro dos seis discos que fez com Carolina Cardoso de Menezes para a Victor com o fox

"Maria Helena", de Lorenzo Baecelata e o choro "Amoroso", de sua autoria. No ano seguinte, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os foxes "Amor-Cielito lindo", de G. Ruiz, "Jalousie", de Jacob Gade, "Un peu d'amour", de Adrian Ross e "Amoureuse", e Rodolphe Berger e os choros "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu e "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro. Nesse período participou de vários programas com a pianista. Em 1944, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os choros "Rato rato", de Casimiro Rocha" e "Fala, bandolim", de José Augusto Gil e, com vocal de Ruy Rey, o fox "Dor de um coração", de José Augusto Gil e "Os patinadores", de Waldteufel.

Em 1946, gravou na Continental como solista do Bossa Clube os choros "Sonhador" e "Celestial", de sua autoria. No mesmo ano, gravou os choros "Ameno Resedá", de Ernesto Nazareth e "Meu cavaquinho", de sua autoria. Prosseguiuna carreira fazendo muitas viagens, atuações em cassinos e rádio. Apareceu no programa "Nada além" e "Bossa clube" do qual também participavam Carolina Cardoso de Meneses, Luis Bonfá, entre outros. Nessa época, já havia gravado pela Columbia, pela Victor, Continental, sendo, contudo, a maior parte de sua discografia gravada na Odeon.

Em 1949, gravou ao bandolim o choro "1x0", de Pixinguinha e Benedito Lacerda e ao violão tenor o choro "Língua de preto", de Honório Lopes. No mesmo ano, gravou ao violão os choros "Puxa-puxa" e "Caramelo", de sua autoria. No ano seguinte, gravou ao bandolim os choros "Arranca toco", de Jaime Florence e "Dinorá", de Benedito Lacerda e José Ramos e "Desvairada", de sua autoria e a valsa choro "Beira mar", de Atílio Bernardini. Em 1951, gravou ao violão elétrico a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Tristeza de um violão", de sua autoria. No mesmo ano, ao cavaquinho gravou o baião "Meu coração", de sua autoria, ao bandolim os choros "Triste alegria", de Bonfíglio de Oliveira e "Famoso", de Ernesto Nazareth e na guitarra havaiana o bolero "Errei sim", de Ataulfo Alves. Ainda no mesmo ano, acompanhou com Radamés Gnattali o cantor Dick Farney na gravação do samba toada "Canção do vaqueiro", de Luiz Bonfá e o samba "Nick bar", de sua autoria e José Vasconcelos, este último, um dos destaques do ano seguinte. Em 1952, gravou os choros "Artigo do dia", de Valdemar de Abreu, o Dunga ao violão tenor e "Guanabara", de Roberto Martins ao violão tenor. Ao bandolim gravou o "Baião caçula", de Mário Gennari Filho. Ao cavaquinho gravou o baião "Kalú", de Humberto Teixeira com grande sucesso e com a qual alcançou o terceiro lugar nas paradas de sucesso, segundo a Revista Carioca de outubro de 1952. Ao bandolim, o choro "Perigoso", de Ernesto Nazareth. Ainda no mesmo ano, gravou ao violão tenor os choros "Um baile em Catumbi", de Eduardo Souto e "Sempre", de K. Ximbinho. Também no mesmo ano, formou dupla com José Meneses participando dos programas "Nada além de dois minutos", "Ao som do viola" e "Um milhão de melodias", em que eram solistas da orquestra da Rádio Nacional. Ainda em 1952, integrou o Trio Surdina, produzido por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional, formado por Fafá Lemos (violino e assobios) e Chiquinho (acordeom). O trio gravou dois LPs de 10 polegadas a convite de Nilo Sérgio pela Musidisc. Nessas gravações participaram ainda Vidal no contrabaixo e Bicalho como ritmista.

Em 1953, gravou ao cavaquinho, de sua autoria, ";Xaxadinho" e "Cavaquinho boogie" e o baião "Chegou a hora", de Rubens Campos e Henricão. No mesmo ano, gravou com Mário Gennari Filho e Tobias Troisi a valsa "Luzes da ribalta", de Charles Chaplin e "Le Lac de come", de C. Galos. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o dobrado "São Paulo quatrocentão" e o "Baião rouxinol", de sua parceria com Chiquinho. O sucesso bateu definitivamente à sua porta com a gravação de "São Paulo quatrocentão", disco que alcançou a vendagem de 700 mil cópias, recorde que se manteria por muito tempo na história do disco brasileiro. No mesmo ano, a cantora e posteriormente também apresentadora de TV Hebe Camargo gravou "São Paulo quatrocentão" com letra de Avaré. Ainda em 1953, participou da Temporada Nacional de Arte, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, executando sob a regência de Eleazar de Carvalho o "Concertino nº 2" (para violão e orquestra de câmara) de Radamés Gnattali, dedicado a ele, levando pela primeira vez o violão brasileiro ao Teatro Municipal. Em1954, gravou o "Baião paulista" e o choro "Romântico", ambas de Paulo César e Di Veras. No mesmo ano, gravou com Joel de Almeida a música " Arucaia", de J. Sandoval. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o "Baile da Camacha", J. Santos e o corrido "Corridinho 1951", de J. Gomes Figueiredo. Em agosto de 1954, a Rádio Gazeta de São Paulo o recebeu para um programa muito especial: a Suíte de Gala Antártica. Neste programa, o violonista executou a "Suíte para piano e violão" onde, em seis movimentos, estão reunidos diferentes gêneros da música brasileira (Invocação a Xangô, toada, choro, samba-canção, baião e marcha) e o "Concertino nº 2, para violão e orquestra de câmara", ambas composições de Radamés Gnattali. Do programa, participaram ainda o pianista Fritz Jank e a orquestra sinfônica da PRA-6, regida por Armando Belardi. Em 1955, gravou com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeon, no Trio Surdina, o samba canção "Duas contas", com melodia e letra de sua autoria, única música com letra no LP instrumental lançado pela Musidisc sendo cantada por Fafá Lemos, tornando-se um clássico da música popular brasileira. No mesmo ano, gravou na guitarra a "Valsa do adeus" e "Mazurka", de Chopin. Registradas respectivamente em março e abril daquele ano, foram suas últimas gravações.

Como compositor, além de "São Paulo quatrocentão", obteve grande sucesso com "Amoroso", parceria com Luis Bittencourt, "Estranho amor", com David Nasser, "Duas Contas" e "Gente humilde", cuja letra foi escrita posteriormente por Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Faleceu em 1955 de ataque cardíaco, quando planejava uma excursão à Europa. Sem dúvida, um dos grandes instrumentistas brasileiros, deixou para o violão composições da maior relevância do ponto de vista musical e técnico, aliando à harmonização sofisticada e de extremo bom gosto, uma linha melódica de contornos modernos e tipicamente brasileiros, sempre com grande musicalidade e beleza. Sua harmonização, baseada em acordes alterados, com progressões incomuns para a época (diziam que fazia música para músicos), fez com que sua obra fosse considerada precurssora das características que seriam desenvolvidas posteriormente na Bossa Nova. Em 1980, o violonista Geraldo Ribeiro, lançou pela Editora Musical Pierrot transcrições da sua obra. Posteriormente, o violonista Paulo Bellinati lançou pela Guitar Solo Publications of San Francisco transcrições e arranjos feitos a partir de gravações e manuscritos do compositor.

Carimbou...

• Bichinho-de-queijo/Driblando (1930) Parlaphon 78
• Moreninha/Dolente (1936) Columbia 78
• Sobre o mar/Quinze de julho (1937) Columbia 78
• Dá-me tuas mãos/Música maestro por favor (1939) Victor 78
• Compromisso para as dez/Ingratidão (1941) Victor 78
• Abismo de rosas/Quanto dói uma saudade (1942) Odeon 78
• Maria Helena/Amoroso (1942) Victor 78
• Amor-Cielito lindo/Jalousie (1943) Victor 78
• Tico-tico no fubá/Carinhoso (1943) Victor 78
• Un peu d'amour/Amoreuse (1943) Victor 78
• Rato rato/Fala, bandolim! (1944) Victor 78
• Dor de um coração/Os patinadores (1944) Victor 78
• Sonhador/Celestial (1946) Continental 78
• Ameno Resedá/Meu cavaquinho (1946) Continental 78
• 1 x 0/Língua de preto (1949) Odeon 78
• Puxa-puxa/Caramelo (1949) Continental 78
• Arranca toco/Desvairada (1950) Odeon 78
• Dinorá/Beira-mar (1950) Odeon 78
• Abismo de rosas/Tristeza de um violão (1951) Odeon 78
• Meu coração/Triste alegria (1951) Odeon 78
• Errei, sim/Famoso (1951) Odeon 78
• Artigo do dia/Guanabara (1952) Odeon 78
• Baião caçula/Perigoso (1952) Odeon 78
• Um baile em Catumbi/Sempre (1952) Odeon 78
• Vamos acabar com o baile/Paulistinha dengosa (1952) Odeon 78
• Kalú/Melancolie (1952) Odeon 78
• Xaxadinho/Cavaquinho boogie (1953) Odeon 78
• Cuco/Chegou a hora (1953) Odeon 78
• Luzes da ribalta/Le Lac de come (1953) odeon 78
• São Paulo quatrocentão/Baião rouxinol (1953) Odeon 78
• Baião paulista/Romântico (1954) Odeon 78
• Sob o céu de Paris/Oh! (1954) Odeon 78
• Arucaia(com Joel de almeida)/Príncipe (1954) Odeon 78
• Baile da Camacha/Corridinho 1951 (1954) Odeon 78
• A abelha e a borboleta/João Viola (1955) Odeon 78
• O sino da capelinha/Polquinha sapeca (1954) Odeon 78
• Valsa do adeus/Mazurka (1955) Odeon 78
• Garoto revive em alta fidelidade (1955) Odeon LP

Meditação e Lamentos do Morro (Garoto)com Paulo Bellinati.

Violão Brasileiro - João Pernambuco

Violonista. Compositor.

Filho de Manuel Teixeira e Teresa Vieira, descendente de portugueses. Com o falecimento do pai em 1891, a mãe casou-se novamente, transferindo-se com a família para o Recife.

Na capital pernambucana, conheceu violeiros famosos como Inácio da Catingueira, Mané do Riachão, Gorgulino, Romano da Mãe d'Água, etc. Começou a trabalhar como aprendiz de ferreiro e posteriormente como operário, reservando sempre suas noites para participar no Mercado e Pátio de São Pedro das reuniões que ali faziam violeiros, cantadores e repentistas. Aprendeu a tocar violão com cantadores sertanejos como Bem-te-vi, Mandapolão, Manuel Cabeceira, o cego Sinfrônio, Fabião das Queimadas e Cirino Guajurema. Em 1904, transferiu-se para o Rio de Janeiro, indo residir com sua irmã Maria, que já se encontrava na cidade. Analfabeto, sem nunca ter freqüentado escola, possuía, no entanto, sólida cultura popular, que viria a se refletir no estabelecimento de sua personalidade artística. Empregou-se numa fundição, onde trabalhava exaustivamente, reservando sempre algumas horas noturnas para o estudo do violão. Nessa época, freqüentava diversas reuniões de música que se realizavam principalmente na Lapa, tornando-se conhecido como João Pernambuco, por estar sempre contando coisas e casos de sua terra. Passou então a residir numa pensão localizada na Rua do Riachuelo, onde veio a conhecer Donga e Pixinguinha (que ali residiam), Sátiro Bilhar, Catulo da Paixão Cearense e o escritor Afonso Arinos, membro da Academia Brasileira de Letras e um dos primeiros intelectuais a pesquisar e promover a MPB em conferências e simpósios que costumava fazer reuniões musicais que ficaram célebres no Rio, mesmo apesar de o escritor ter residêcnia permanente em São Paulo. Em 1908, abandonou a profissão de ferreiro, empregando-se como calceteiro da Prefeitura. Manteve-se nesta profissão até o dia em que foi se apresentar na casa de Pinheiro Machado, que se tornou seu admirador e conseguiu-lhe um lugar de contínuo em um almoxarifado do Largo do Estácio. Em 1922, transferiu-se para o Pedagogium, onde trabalhou como servente até 1934. Neste ano, a convite de Villa-Lobos, transferiu-se para a Superintendência de Educação Musical e Artística (S.e.m.a), onde exerceu a função de contínuo.

Andou fazendo...

Possuidor de grande talento, logo tornou-se amigo de figuras importantes da música popular de seu tempo, como Quincas Laranjeiras, Sátiro Bilhar, Mário Álvares, Patrício Teixeira, Zé Cavaquinho, Veloso, etc. Freqüentava, com assiduidade os bailes carnavalescos da cidade e a Festa da Penha, tradicional encontro de músicos, realizada no Rio de Janeiro durante o mês de outubro. Já autor de choros, canções, toadas sertanejas, e profundo conhecedor de gêneros do populário nordestino, cantou para Catulo da Paixão Cearense algumas dessas cantigas, dentre as quais o coco "Engenho de Humaitá", que pouco tempo depois iria se transformar na célebre canção "Luar do sertão" e a toada "A cabocla de Caxangá". Muito ligado a Catulo, passaram a exibir-se em residências ilustres do Rio de Janeiro, como as de Afonso Arinos e Rui Barbosa. Por volta de 1912, realizou gravações como solista de violão para a Phoenix de Gustavo Figner, irmão de Fred Figner (proprietário da casa Edison). Organizou o Grupo do Caxangá, conjunto de inspiração nordestina, tanto no repertório como na indumentária, no qual cada integrante adotava para si um codinome sertanejo. Em sua primeira formação, o grupo reunia João Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da Catingueira), Donga, Bonfíglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta. No carnaval de 1914, o Grupo do Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida Rio Branco, e "Cabocla de Caxangá" tornou-se grande sucesso musical. Neste mesmo ano, Afonso Arinos, por sinal Tio do jurista e Ministro Afonso Arinos de Mello e Franco, Tio-avô do diplomata, escritor e acadêmico Afonso Arinos, filho, que organizava um ciclo de palestras sobre temas do folclore brasileiro a ser apresentado no Teatro Municipal de São Paulo, convidou-o a participar do evento ao lado de Otávio Lessa (violão), José Alves de Lima (bandolim) e Luís Pinto da Silva (cavaquinho). Com o título de "Lendas e tradições brasileiras", a apresentação fez grande sucesso, sendo reprisada posteriormente.

Em 1916, Pernambuco organizou a "Trupe sertaneja", com que se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O Grupo do Caxangá continuou se apresentando e brilhando nos carnavais dos anos de 1917, 1918 e 1919. Pouco depois, Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, e quase todo o Grupo do Caxangá foi requisitado, desfazendo-se. João Pernambuco não participou da primeira formação. Nessa época, passou a lecionar violão, tal como Quincas Laranjeiras, na Casa Cavaquinho de Ouro. A pedido de Arnaldo Guinle, passou a integrar Os Oito Batutas, que seguiriam em turnê pelo Nordeste, para que este recolhesse material folclórico para uma antologia que Guinle pretendia publicar. Realizaram, então, uma apresentação de despedida para jornalistas do Rio de Janeiro, na sede da A.B.I. Apresentaram-se, ainda, em São Paulo antes de seguir para o Nordeste. No repertório do grupo constavam cantos, toadas, lundus, choros, de sua autoria, de Pixinguinha, Donga, etc.

Em 1920, constituem-se em uma das atrações da opereta sertaneja "Flor tapuia", de Alberto Deodato e Danton Vampré, apresentada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Em 1921, recebem convite de Arnaldo Guinle para uma nova excursão a Salvador, com apresentação no Cine-Teatro Olímpia e em Recife, no Cine-Teatro Moderno. De volta ao Rio de Janeiro, os Oito Batutas apresentaram-se no Cine-Teatro América, na revista "O que o rei não viu", musicada por Pixinguinha e China. O grupo fez ainda várias apresentações e, encerrando a temporada de 1921, exibiu-se no Teatro Lírico e no Cabaré Assírio, onde o violonista encerrou sua participação no grupo. Em 1924, Catulo Cearense incluiu em seu livro "Mata iluminada", as letras de "Luar do sertão" e "Cabocla de Caxangá", sem fazer qualquer referência ao autor das melodias. Alguns historiadores acreditam que se tratava de temas do folclore musical nordestino, recolhidos por João Pernambuco. O episódio resultou posteriormente numa batalha judicial, que acabou por dar ganho de causa a João Pernambuco, que, passou a ter incluído seu nome ao lado do de Catulo.

Em 1926, fez suas primeiras gravações pela Odeon, registrando os maxixes "Mimoso" e "Lágrimas", de sua autoria e com o cavaquinista Nelson Alves, os choros "Magoado" e "Sons de carrilhão", também de sua autoria. No mesmo ano, o cantor Patrício Teixeira gravou também na Odeon a canção sertaneja "Jandaia" e a ambolada "Seu Coitinho pegue o boi!", de sua autoria, Ainda no mesmo ano, foi o patrono das provas de violão do concurso "O que é nosso" promovido no Rio de Janeiro pelo jornal "Correio da Manhã". Em 1929, teve gravadas por Stefana de Macedo as toadas "Vancê", parceria com E. Tourinho e "Siricóia" e os cocos "Tiá de Junqueira" e "Biro, biro, Iaiá" para as quais fez acompanhamento ao violão.

Em 1930, gravou uma série de cinco disco para a Columbia como solista de violão interpretando dez obras de sua autoria, os choros "Pó de mico", "Magoada"; "Reboliço"; "Recordando" e "Dengoso", os jongos "Sentindo" e "Interrogando", as valsas "Sonho de magia" e "Suspiro apaixonado" e o fox-trot "Rosa carioca". No mesmo ano, fez as melodias para a toada "Catirina" e as emboladas "Meu noivado", "Perigando" e "ABC",com versos do folclore que o cantor e instrumentista Jararaca gravou na Columbia com seu acompanhamento ao violão. Também no mesmo ano, a cantora Stefana de Macedo gravou a toada "Maneca dos Geraes", o coco "Sodade cabocla", parceria com E. Tourinho e o baião "Estrela d'alva", para as quais fez acompanhamentos ao violão. Ainda em 1930, o cantor Paraguassu gravou sua toada "Amô de caboco" e Januário de Oliveira as canções "A inveja matou Caim" e "Corrupião da lagoa", parcerias com Junquilho Lourival, sendo que para este último, também fez acompanhamentos ao violão.

Em 1947, compõe sua última obra, "Canção do violeiro", sobre versos de Castro Alves. Sua obra, extremamente rica e significativa, constituiu-se num dos pilares do repertório violonístico brasileiro. Segundo declaração de Heitor Villa-Lobos, "Bach não se envergonharia de assinar seus estudos". Em 1969, seu choro "Sons de carrilhões" foi gravado pelo violonista Antônio Rago na Chantecler. Em 1978, o violonista Turíbio Santos lançou o LP "Choros do Brasil", onde revive a obra do violonista e compositor, da qual destacam-se os choros "Sons de carrilhões", obra que integra o repertório de quase todos os violonistas brasileiros, "Graúna", "Dengoso", "Interrogando" e "Pó-de-mico". Em 1980, teve os tangos "Lágrima" e "Sentindo" e o choro "Brasileirinho" incluídos em show apresentado pelos violonistas Nicanor Teixeira e Sérgio de Pina. Em 1983, em comemoração ao centenário de nascimento do compositor, a Funarte lançou LP com a participação do pianista Antonio Adolfo e do grupo Nó em Pingo d'Água. Os arranjos, feitos especialmente para a ocasião, foram também editados pela Funarte. Em 1999, o violonista Leandro Carvalho lançou o CD"Descobrindo João Pernambuco", com gravações de sua obra. Em 2000, o violonista Caio Cesar lançou o CD "João Pernambuco" apenas com suas músicas, cujo lançamento foi efetuado com vários shows na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi lançado por Baden Powell o CD "João Pernambuco e o sertão".

Escreveu e mandou pra frente...

A. B. C • A coivara de meu peito • A estrada do sertão (c/ Wilson W. Martins) • A inveja matou Caim • A voz da cascata • Ajueia Chiquinha • Amor de caboclo • Amorosa • Azulão • Batuque sertanejo • Biro-biro Iaiá • Brasileirinho • Canção do violeiro (c/ Castro Alves) • Canção gaúcha • Catirina • Ceci • Choro nº 1 • Choro nº 2 • Coco dendê • Coração, que mais queres? • Corrupião da lagoa • Cuscuz de sinhá Chica • Dengoso • Emboladas do norte • Engenho de Humaitá • Esperança • Estrela d'alva • Estudo nº1 • Estudo nº2 • Estudo nº3 • Feito agora • Graúna • Gritos d'alma • Interrogando • Já não sabe beijar-me? • Jandaia • Lágrima • Lamento • Longe de você (c/ Paulo Rosas) • Luar do sertão (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Magoado • Mágoas de um cearense (c/ Junquilho Lourival) • Meu noivado • Mimoso • Mulatinho • Não vou lá • Noite de ventura • O marroeiro (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Os olhos da sertaneja (c/ Alfredo Cândido) • Pagã • Pensando em Agostinha • Perigando • Pó-de-mico • Polca de bravura • Porque és assim • Pra você (c/ J. Paiva) • Preto e branco (c/ Fefeca) • Reboliço • Recordando minha terra • Recordando • Romance • Rosa carioca • Sabiá (c/ Pixinguinha) • Saudoso • Sempre-viva • Sentindo (c/ Lilinha Fernandes) • Sertanejo saudoso (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Seu Coutinho, pegue o boi! • Siricóia • Sodade cabocla (c/ E. Tourinho) • Sonho de magia (c/ Heitor Catumbi) • Sonho divino • Sons de carrilhões • Suspiro apaixonado • Tiá de Junqueira • Valsa nº1 • Vancê (c/ E. Tourinho) • Vem cá, bebê (c/ Macedo)

Raphael Rabello - Jongo (João Pernambucano)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Violão brasileiro - Turíbio Santos

Instrumentista (violonista). Compositor. Professor.

Filho de um violonista clássico e seresteiro. Nascido em São Luís, mudou-se com sua família, em 1946, para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos musicais aos dez anos de idade, com Antônio Rabelo. Em 1953, conheceu aquele que seria um grande incentivador de sua carreira, o compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho, então membro da diretoria da Associação Brasileira de Violão. Teve ainda, como professores, o violonista uruguaio Óscar Cáceres e o maestro e compositor Edino Krieger.

Iniciou sua carreira profissional em 1962, em um concerto realizado em São Luís. Nesse mesmo ano, voltou a se apresentar no Rio de Janeiro, ocasião em que conheceu Arminda Villa-Lobos, esposa de Heitor Villa-Lobos, que viria a ser de fundamental importância em sua carreira. Foi a pedido dela que fez sua primeira gravação, um LP com os 12 estudos para violão de Villa-Lobos.

Em 1963, realizou a primeira audição da composição "Sexteto místico", também de Villa-Lobos, atuando ao lado de um conjunto camerístico.

No ano seguinte, participou de um movimento pela integração dos gêneros popular e erudito, liderado por Hermínio Bello de Carvalho. Nessa ocasião, exibiu-se ao lado de outros artistas, como Clementina de Jesus, Jacob do Bandolim, Paulo Tapajós e Araci de Almeida.

Em 1965, obteve consagração internacional ao vencer o "Concours International pour la Guitare", promovido pela Rádio e Televisão Francesa. Foi nomeado professor de dois conservatórios em Paris. Gravou, nessa cidade, cerca de dez LPs, lançados simultaneamente na França, Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Austrália e outros países. Estudou com dois dos maiores nomes do violão do século XX: Julian Bream, na Inglaterra, e Andrés Segóvia, na Espanha. Apresentou-se por toda a Europa como solista.

Em 1972, atuou ao lado de Elizeth Cardoso, interpretando a "Seresta nº 5", de Villa-Lobos, para a série "Concertos para a Juventude", da Rádio MEC. Nesse mesmo ano, apresentou-se com Leonard Bernstein e Arthur Rubinstein na temporada do anfiteatro da Faculdade de Direito, em Paris.

Em 1983, criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, integrada por seus alunos, e a Orquestra Brasileira de Violões.

Dois anos depois, recebeu a comenda de "Chevalier de la Legion D' Honneur", conferida pelo governo francês. A partir desse ano, passou a exercer o cargo de diretor do Museu Villa-Lobos.

Em 1989, foi condecorado oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Sua discografia inclui mais de 40 LPs gravados, sendo que muitos deles foram relançados em CD.

Em 2001, lançou o CD "John Sebastian Bach visita a Mata Atlântica".

Flertando com o cancioneiro popular, lançou, em 2008, ano de seu 65º aniversário, o 65º disco, "Mistura brasileira", cujo repertório registra clássicos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ("Asa branca", "Juazeiro" e "Baião") e Jackson do Pandeiro ("O canto da ema", "Forró em Limoeiro" e "Sebastiana"), mistura Tom Jobim e Villa-Lobos, e inclui composições próprias, como "Prelúdio da Rosa", entre outras

É membro fundador do Conseil d' Entraite Musicale da UNESCO.

Choro N° 1 (Heitor Villa-Lobos) - Turibio Santos