sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um pouco sobre Dominguinhos


Dominguinhos (José Domingos de Morais), instrumentista e compositor, nasceu em Garanhuns PE, em 12/2/1941. Aos seis anos, com seus irmãos Morais (pianista) e Valdo (acordeonista), já tocava sanfona de oito baixos nas portas dos hotéis e nas feiras de Garanhuns, Caruaru PE e municípios vizinhos.

Aos sete anos, foi ouvido por Luiz Gonzaga, que lhe deu seu endereço no Rio de Janeiro RJ. Seis anos depois, indo morar com o pai e o irmão mais velho no subúrbio carioca de Nilópolis (onde aos sábados participava de forrós), resolveu procurar Luís Gonzaga e ganhou dele uma sanfona.

Formou, em 1957, um trio, com Borborema e Miudinho, e pouco depois precisou aprender os ritmos da moda, como boleros e sambas-canções (pois só sabia baião), para se apresentar com o irmão Morais num cassino em Vitória ES. De volta ao Rio de Janeiro, tocou na gafieira Cedo Feita, na Churrascaria Gaúcha, na boate Balalaica e no Dancing Brasil, onde formou o grupo Nenê e seu Conjunto (Nenê foi seu primeiro apelido).

Em 1967, apresentava-se na Rádio Nacional, sendo convidado por Pedro Sertanejo para gravar pela etiqueta Cantagalo seu primeiro LP (gravaria a seguir mais sete LPs de forró nessa etiqueta). Formou, em 1968, uma dupla com a compositora e cantora Anastácia e, em 1972, tocou pela primeira vez em teatro, no show de Luís Gonzaga Luís Gonzaga volta pra curtir, apresentado no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro, no qual se destacou. No ano seguinte fez parte do grupo que se apresentou com Gal Costa no MIDEM, em Cannes, França, acompanhando, na volta, a cantora no seu show Índia.

Um de seus maiores sucessos como compositor foi Eu só quero um xodó (com Anastácia), gravado por Gilberto Gil, em 1974, ano em que participou do show A feira, com o Quinteto Violado. Tomou parte ainda em vários espetáculos de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia. Em 1980 apresentou-se no II Festival Internacional de Jazz, em São Paulo SP e, no ano seguinte, teve presença destacada no programa Som Brasil, da TV Globo.

Em 1984 sua música Tantas palavras, parceria com Chico Buarque, foi gravada por Chico no álbum Chico Buarque, com sucesso. As vendas de seus discos cresceram, em meados da década de 1980, puxadas por dois sucessos, ambos com Nando Cordel: a romântica De volta pro aconchego, gravada por Elba Ramalho, e o forró Isso aqui tá bom demais, que ele gravou com Chico Buarque. As duas versões foram incluídas na trilha sonora da novela Roque Santeiro, da TV Globo. Nesse ano, acompanhou Toquinho no show Canta Brasil, no Teatro Sistina, de Roma, Itália.

Em 1993 criou o projeto Asa Branca, patrocinado pela Caixa Econômica Federal, levando shows gratuitos às praças públicas, nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins etc. Lançou em 1997 o CD Dominguinhos e convidados cantam Luís Gonzaga (2 CDs, Velas) e participou da trilha sonora do filme O cangaceiro, de Aníbal Massaine Filho, lançada em CD pela RCA/BMG. Nesse ano a Editora Globo lançou Dominguinhos (CD e fascículo), no 34 da coleção MPB Compositores.

Entre outros intérpretes de suas músicas, destacam-se Maria Betânia, com Lamento sertanejo (com Gilberto Gil); Fagner, com Quem me levará sou eu (com Manduka); e sua parceira e esposa Guadalupe (Maria de Guadalupe Vieira Mendonça), com Esse mato, essa terra, incluída na trilha sonora do filme Aventuras de um paraíba, de Marco Altberg (1985). Em 1997 compôs a trilha de O cangaceiro, filme de Aníbal Massaini Neto.




QUEM ME LEVARÁ SOU EU

MANDUKA E DOMINGUINHOS

Amigos a gente encontra
O mundo não é só aqui
Repare naquela estrada
Que distância nos levará
As coisas que eu tenho aqui
Na certa terei por lá
Segredos de um caminhão
Fronteiras por desvendar
Não diga que eu me perdi
Não mande me procurar
Cidades que eu nunca vi
São casas de braços a me agasalhar
Passar como passam os dias
Se o calendário acabar
Eu faço contar o tempo outra vez, sim
Tudo outra vez a passar
Não diga que eu fiquei sozinho
Não mande alguém me acompanhar
Repare, a multidão precisa
De alguém mais alto a lhe guiar
Quem me levará sou eu
Quem regressará sou eu
Não diga que eu não levo a guia
De quem souber me amar

Augusto dos Anjos

Psicologia de um vencido



Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.



Produndissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.



Já o verme -- este operário das ruínas --

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,



Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra!

AUGUSTO DOS ANJOS

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CHAPARRAL, A SÉRIE. 1967-1971


A rede NBC produziu 98 episódios (de 52 minutos, sem intervalos) desta ótima série de faroeste, entre setembro de 1967 e setembro de 1971. Por quê da longevidade, diante da concorrência de “Bonanza”, “Big Valley” e “O Homem de Virginia”? Imaginem primeiro que, ao contrário das terras verdejantes de “Ponderosa”(Bonanza)e do “Rancho Barkley”(Big Valley), o cenário é o bem mais inóspito estado do Arizona (e as filmagens eram feitas lá mesmo, na cidade de Tucson). E, ao contrário das outras séries, a família Cannon não é muito rica e, às vezes, comeu o pão que o diabo amassou para conseguir sobreviver. O chefe da família, “Big” John Cannon(Leif Erickson,1911-1986), viúvo ainda apaixonado pela falecida esposa, casa-se com a filha Victoria (a argentina Linda Cristal)de um rico “barão do gado” Mexicano,seu vizinho de terras, Don Sebastian Montoya (Frank Silvera,1914-1970), um sujeito jovial mas meio belicoso e desconfiado. Junte a isto os melhores e mais divertidos personagens desta série, o irmão Buck Cannon (o excelente Cameron Mitchell, 1918-1994) e o cunhado mexicano, o impagável Manolito Montoya (o ótimo e subestimado Henry Darrow), dois hedonistas mulherengos e, para finalizar, um filho introvertido e humanista, Billy “Blue” Cannon (Mark Slade). As diferenças param por aí? Não…tem a questão indígena pois o tratamento dos escritores da série, dado aos índios, era muito mais humano e justo, os representando com mais dignidade e respeito. David Dortort, o lendário criador de Bonanza, também foi o criador e produtor-executivo esta série que, dizem alguns, ele gostava mais. Como tantas aberturas de séries da década de 60, esta também tinha sua beleza pois, sobre belos desenhos, em dois tons, de vaqueiros, índios, gado e a paisagem árida do Arizona, se elevava, exuberante, o vigoroso e melódico tema musical de David Rose(1910-1990). Uma justiça precisa ser feita ao trabalho do músico Harry Sukman(1912-1984)que musicou tudo nesta série(e fez um ótimo trabalho)exceto compor o tema principal. Que todos aproveitem para conferir, pois passa no canal a cabo TCM (Finalmente!Embora se lamente que a dublagem não é a original da época em que eu a assisti), esta série que marcou época quando ainda se valorizava os faroestes,este genero que hoje é, infelizmente, esquecido pelos produtores de filmes e TVs.

(sinopse gentilmente fornecida pelo internauta Cássio Fernando D. queirós).

Aproveite e veja temas de aberturas de outras séries na tela acima.

Maria Rita no Musicadaboa

Maria Rita com Quinteto em Branco e Preto - "Num Corpo Só" - 04/05/09

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um "maluco beleza", Tom Zé

Não Buzine Que Eu Estou Paquerando

Tim Maia - Programa Ensaio 1992 - "Gostava Tanto de Vocêª"



Conta Nelson Motta que em certa ocasião, Tim Maia, sem um tostão no bolso, dirigia um Fusca velho todo "quengado" e parou em local proibido por falta de gasolina. Um guarda o abordou e lhe pediu a carteira de motorista que ele não tinha. No final Tim acabou por sair com o equivalente hoje a R$10,00 "emprestados" pelo guarda!

Mais capas de Gibis raros









Stanislaw Ponte Preta

Sérgio Porto, por ele mesmo, quando já não tão jovem.

"ATIVIDADE PROFISSIONAL: Jornalista, radialista, televisista (o termo não existe, mas a atividade dizem que sim), teatrólogo ora em recesso, humorista, publicista e bancário.

OUTRAS ATIVIDADES: Marido, pescador, colecionador de discos (só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta, hoje cardíaco. Mania de limpar coisas tais como livros, discos, objetos de metal e cachimbos.

PRINCIPAIS MOTIVAÇÕES: Mulher.

QUALIDADES PARADOXAIS: Boêmio que adora ficar em casa, irreverente que revê o que escreve, humorista a sério.

PONTOS VULNERÁVEIS: Completa incapacidade para se deixar arrebatar por política. Jamais teve opinião formada sobre qualquer figurão da vida pública, quer nacional, quer estrangeira.

ÓDIOS INCONFESSOS: Puxa-saco, militar metido a machão, burro metido a sabido e, principalmente, racista.

PANACÉIAS CASEIRAS: Quando dói do umbigo para baixo: Elixir Paregórico. Do umbigo para cima: aspirina.

SUPERTIÇÕES INVENCÍVEIS: Nenhuma, a não ser em véspera de decisão de Copa do Mundo. Nessas ocasiões comparativamente qualquer pai-de-santo é um simples cético.

TENTAÇÕES IRRESISTÍVEIS: Passear na chuva, rir em horas impróprias, dizer ao ouvido de mulher besta que ela não é tão boa quanto pensa.

MEDOS ABSURDOS: Qualquer inseto taludinho (de barata pra cima).

ORGULHO SECRETO: Faz ovo estrelado como Pelé faz gol. Aliás, é um bom cozinheiro no setor mais difícil da culinária: o trivial.

Assinado, Sérgio Porto, agosto de 1963."

Paulo Mendes Campos, o excelente e tão esquecido cronista mineiro, traça um perfil do autor em um texto cheio de humor e de dor pelo falecimento de Stanislaw Ponte Preta (in "O Anjo Bêbado", Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1969, pág. 7).

SÉRGIO E STANISLAW PONTE PRETA

O diabo o é que todo mundo pensa que sou um cínico; ninguém acredita que sou um sentimentalão que não agüenta uma gata pelo rabo.

Sérgio me dizia isso a milhares de metros de altitude, copo de uísque na mão, rumo a Buenos Aires. Ao saber que eu tinha resolvido assistir ao jogo Brasil e Uruguai, no Campeonato Pan-Americano de 1959, veio procurar-me com uma ansiedade incomum: precisava afastar-se do Rio de qualquer jeito, me disse, tinha decisivos assuntos íntimos sobre os quais queria pensar.

Sendo assim, por que ir a Buenos Aires? Não fiz a pergunta por entendê-lo: Sérgio possuía o talento de viver em diversas faixas ao mesmo tempo; Buenos Aires lhe calhava numa instância de decisões pessoais porque o recolhimento do hotel se somava aos benefícios do torneio de futebol, da companhia dos amigos, das anedotas jornalísticas e até mesmo dos restaurantes portenhos.

Já dentro do avião, nessa ou em qualquer outra viagem, desligado de suas duras obrigações, transformava-se: mesmo roído por dentro, a gratuidade do instante era boa demais para não ser aproveitada. Sempre que uma aeromoça lhe perguntava se queria um sanduíche ou um refrigerante, respondia alegremente com uma frase que ouviu de Billy Blanco: "Quero tudo a que eu tenha direito." E era verdade.

Na chegada a Buenos Aires, houve uma dessas súbitas situações cômicas criadas por aquele homem carregado de conflitos: avião estacionado, entrou nele um médico da saúde pública, um homem ruivo e bastante calvo. Pedindo aos passageiros que exibissem o atestado de vacina, o médico estendeu a mão para Sérgio, ao mesmo tempo que dizia em tom cavo e impessoal: "Vacunación, señor." Como se estivesse recebendo um cumprimento de boas-vindas, Stanislaw (aí era ele), muito grave, apertou a mão do médico, falando claro e efusivo: "Vacunación para usted también!" O médico, rubro de indignação, expulsou-nos do avião, sem mais exigir o documento sanitário e, enquanto eu explodia de rir, ele sussurrava-me entre os dentes: "Agüenta a mão, se não a gente acaba em cana."
O dom mais surpreendente de Sérgio era esse trânsito livre entre as manifestações da vida. Ainda no dia de nossa chegada a Buenos Aires, eu o veria em atitudes múltiplas: durante o jogo dramático entre o Brasil e o Uruguai (o três a um da briga), ele deu um empurrão nos peitos dum argentino que insultava os brasileiros, chorou quando Paulo Valentim fez o terceiro gol, riu-se às gargalhadas quando o Garrincha passou indiferente entre uruguaios e entrou no ônibus com um sanduíche enorme na boca e outro na mão; e ainda conversou longamente comigo sobre suas aflições, depois de cear com entusiasmo.

Quando acordei, ele já andava pelo saguão, depois de ler os jornais todos, à cata de histórias do Mendonça Falcão - a máquina já destampada no quarto.

Fiquei seu amigo há mais de vinte anos, quando ele escrevia crônicas de música popular para a revista Sombra. Bonito, forte, elegante, inteligente, alegre, simpático - era um privilegiado sem ostentação. Só lhe faltava o dinheiro, como de resto ao grupo todo: mesmo mal pagos, tínhamos de aceitar as ofertas que a imprensa nos fazia como um favor, bicando aqui e ali, sofrendo na carne os atrasos do caixa, brigando pelo dinheirinho de cada dia. Mas o clima não era de miséria nem de tristeza: bebíamos crepuscularmente nosso uísque escocês no Pardellas da Rua México, dançávamos no Vogue, andávamos de táxi. Já que o dinheiro era pouco, o jeito era gastá-lo no essencial: o apartamento próprio que esperasse.

Eustáquio Duarte, Lúcio Rangel, Luís Jardim, Cássio Fonseca, Jarbas Duarte eram diariamente pontuais no Pardellas; Zé Lins do Rego, Rosário Fusco, Santa Rosa, Jaime Adour da Câmara, Flávio de Aquino, Simeão Leal, Luis Santa Cruz e outros apareciam com freqüência. O jazz negro era o nosso alimento: Sérgio e seu tio Lúcio Rangel ensinaram ao resto da turma o que era puro nesse setor e o que se contaminara.

Por um momento, numa fase financeira mais dura, quase o acompanhei num gesto até certo ponto desesperado: o de escrever programas de rádio. Para ele foi o início duma vida de sucesso profissional e cruel desgaste físico. Na imprensa, no rádio e na televisão do Brasil a ascensão se confunde com a queda. Sucesso nesse terreno não é poder trabalhar menos e ganhar o suficiente: é trabalhar sempre mais. Vitorioso no Brasil é o jornalista que sempre encontra mercado de trabalho; e não preços mais altos. Só chega ao chamado certo nível de vida somando diversas atividades corrosivas.

O humorista começou a surgir no semanário Comício, excelente escola de descontração do estilo jornalístico, dirigido por Rubem Braga, e Joel Silveira, onde escreviam ainda Clarice Lispector, Millôr Fernandes, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Rafael Correia de Oliveira, Carlos Castelo Branco, Edmar Morel, onde também apareceram as primeiras crônicas de Antônio Maria e as primeiras reportagens de Pedro Gomes.

Digo o humorista profissional, porque o da convivência com os amigos vinha do tempo das peladas em Copacabana: Sandro Moreira, João Saldanha, Mauricinho Porto, George Rangel, Máriozinho de Oliveira, Carlos Peixoto e Carlinhos Niemeyer são alguns que se lembram das histórias engraçadas de Sérgio, o Bolão.

Sua vivacidade era tão instantânea que sempre a aceitei com naturalidade. Espantava-me, isto sim, seu discernimento, agudo, preciso, a respeito de tudo: uma canção, um cantor, um vestido, um quadro, uma atmosfera, uma situação complicada. Dizia em cima a palavra exata, a observação certa, o julgamento justo.

O contraditório é que pudesse fazer humorismo uma pessoa que possuía tanto senso das proporções e da verdade escondida. Seu humorismo, bem reparado, não era o usual, pelo contrário, ele fazia humor sem caricaturar o assunto. Bernard Shaw, quando queria fazer graça, dizia a verdade. Ele também fez graça falando verdades, descobrindo verdades, tendo a coragem de ser odiado por dizê-las.

Como todo homem de sensibilidade, precisava de amigos e afeto; mas desprezava os mesquinhos, os medíocres, os debilóides, os cretinos.

Seu gosto era certo. Amava os livros e os discos, milhares de discos, discos que ouvia às vezes enquanto trabalhava, atendendo ao telefone a todo instante, recebendo amigos, contando piadas, e continuando a batucar na máquina, insistindo para que o visitante ficasse, sob a afirmação (verdadeira) de que estava acostumado a escrever no meio da maior confusão.

Eu, que apesar de tarimbado, já começo a ficar afobado no fim deste mal enramado artigo, com a redação querendo saber se já pode mandar buscá-lo, lembro a tranqüilidade de Sérgio no meio do caos, e não entendo o segredo que o dotou ao mesmo tempo de extraordinária capacidade de trabalho e da calma que deve ser a dos monges tibetanos.

De que morreu Sérgio Porto? Do coração e do trabalho.

No fim do ano passado, nas vésperas de Natal, estivemos juntos em Brasília: ele se lamentou o tempo todo no dia da volta, dizendo que ficaria ali, na ociosidade do hotel, por um tempo indeterminado. Foi difícil arrancá-lo da cama ao anoitecer. Este ano viajamos novamente juntos para São Paulo e Belo Horizonte. Foi a mesma coisa. Queria descansar, transfigurando-se no repouso, encarando com horror as atividades que o esperavam no Rio.

Na nossa última noite em Belo Horizonte, ele, Fernando, Rubem, Gérson Sabino e eu jantamos num restaurante muito bonito, que tinha de tudo, menos comida mineira. Sérgio reclamou tristemente durante todo o jantar. Queria arroz, feijão, couve, lingüiça.

Não sei por que essa lembrança me comove e serve para fechar esta página que eu não queria triste. Que a tristeza fique conosco, os amigos que o amavam.

Algumas Máximas e Mínimas do Barão de Itararé

De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
. Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa.
. Quem empresta, adeus...
. Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
. Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
. Quando pobre come frango, um dos dois está doente.
. Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
. Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre.
. Quem só fala dos grandes, pequeno fica.
. Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica.
. Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
. Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
. O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
. Os juros são o perfume do capital.
. Urçamento é uma conta que se faz para saveire como debemos aplicaire o dinheiro que já gastamos.
. Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.
. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
. A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes.
. Cobra é um animal careca com ondulação permanente.
. Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
. Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
. Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem.
. A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
. Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.
. O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si.
. Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você.
. Mulher moderna calça as botas e bota as calças.
. A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
. Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
. Pão, quanto mais quente, mais fresco.
. A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte.
. A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.

Apparício Torelly, (o "Barão de Itararé), que também usou o pseudônimo de "Apporelly", era gaúcho de Rio Grande, nascido em 29/01/1895. Estudou medicina, sem chegar a terminar o curso, e já era conhecido quando veio para o Rio fazer parte do jornal O Globo, e depois de A Manhã, de Mário Rodrigues, um temido e desabusado
panfletário. Logo depois lançou um jornal autônomo, com o nome de "A Manha". Teve tanto sucesso que seu jornal sobreviveu ao que parodiava. Editou, também, o "Almanhaque — o Almanaque d'A Manha". Faleceu no Rio de Janeiro em 27/11/71. O "herói de dois séculos", como se intitulava, é um dos maiores nomes do humorismo nacional. Extraído de "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé", Distribuidora Record de Serviços de Imprensa - Rio de Janeiro, 1985, págs. 27 e 28, coletânea organizada por Afonso Félix de Souza.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pequena aula de auto-estima

"Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação, pois a sua consciência é o que você é. A sua reputação é o que os outros pensam sobre você. E o que eles pensam, nem sempre é relevante".

Shaul Or

Aos amantes do jazz, jazz com bom humor...

Dizzy Gillespie & Louis Armstrong - Umbrella Man

Milan: Maldini x Leonardo



No jogo de "despedida" do técnico Ancelotti, Leonardo foi abraçar Maldini como faziam todos. O capitão, porém, não quis saber de papo e afastou o brasileiro com um (nem tão) discreto empurrão.

Leonardo é agora o técnico do time depois da saída de Ancelotti (se a Globo divulgou antes que toda a imprensa italiana é porque alguma fonte ligada a Leonardo, ou o próprio, deve ter passado a informação).

Hoje, especula-se muito, na Itália, sobre os motivos que teriam levado Maldini a empurrar Leonardo. Há quem diga que o pessoal da velha-guarda, como o capitão, não gostou da forma como o brasileiro conduziu o processo da saída de Ancelotti (para a sua entrada). A novela promete capítulos para os próximos dias.

Veja o episódio no vídeo abaixo. Aos 4´48´´Leonardo se aproxima de Maldini, passa a mão sobre sua cabeça e é ignorado. Aos 5’08’’, Leonardo, de costas na imagem, começa a se aproximar de Maldini; aos 5’13’’, o italiano se recusa a cumprimentá-lo e o empurra. O ângulo desse vídeo, o único disponível no YouTube, não é dos melhores.

Homenagem aos "Papudim" do Paulim Paulim - Por Alfredo Ossian Nogueira

O Que É Que Me Falta Fazer Mais?


FIZ O LIMA TORCEDOR DO CEARÁ

O ARAUJO NÃO VENDER UMA MUAMBA

DR. LEWTON NÃO CANTAR NEM MAIS UM SAMBA

CABECINHA VOLTAR A TRABALHAR

UM RALLY EU FIZ O ROGER GANHAR

PRO BARROSO CIGARROS NUNCA MAIS

O ARMANDO DO MARDONIO IR ATRÁS

O EDMAR ADORAR UMA FUMAÇA

O TOTONHO NÃO TOMAR UMA CACHAÇA

O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS



FIZ PAULINHO NÃO SORRIR DE UMA PIADA

O CHICÃO UM SEGURO NÃO FAZER

GAFANHOTO DEZ MINUTOS SEM BEBER

E O DUDU NÃO VENDER UMA PIABA

O FERNANDO VIOLÃO NÃO TOCAR NADA

O ELANO TRABALHAR NOS TRIBUNAIS

O MARLOWE FICAR DUAS HORAS MAIS

O ALBERTO NÃO NOS MANDAR MAIS UM I MAIL

O OSSIAN NÃO DIZER UM NOME FEIO

O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS.



FIZ SOBRAL LARGAR MÃO DO EXTINTOR

O PADILHA NÃO TER BRHAMA EM SUA MESA

O CHIQUINHO NÃO TRAZER UMA CERVEJA

O FRED NÃO CANTAR COMO TENOR

O AILTON NÃO DÁ UMA DE PROFESSOR

BACURIM NÃO FAZER UMA FEIRA MAIS

O VICENTE NÃO TORCER PELOS CORAIS

E O CESAR RETORNAR AO BNB

RETIREI OS CIGARROS DO GB

O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS.



FIZ ROBERTO NÃO TOCAR MAIS SEU PANDEIRO

O RAIMUNDO TER ÓDIO DO CEARÁ

O FREIRE NO SEU BUGRE NÃO ANDAR

O RICARDO NÃO QUERER MAIS SER BLOGUEIRO

O JEFFERSON TRABALHAR O DIA INTEIRO

JUAREZ NÃO ANDAR NO AQUIRAZ

O LÍVIO NÃO BOTAR BONECO MAIS

MARCILEY NÃO TRAZER MAIS UM CD

O NETO UMA MENINA NÃO TRAZER

O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS


OSSIAN NOGUEIRA – DEZEMBRO 2007

Golaços

Bonanza

Jonathan Harris, astro da série Perdidos no Espaço, em um episódio de Bonanza (1963).

Durango Kid


Durango Kid é um personagem fictício do cinema e dos quadrinhos, do gênero Western. Ele surgiu pela primeira vez em um filme de 1940 (Durango Kid). O ator que se tornaria seu principal intérprete era Charles Starret (1903 - 1986).
Depois do primeiro filme, o estúdio Colúmbia só retomaria a série em 1944, que se seguiria com vários outros lançamentos até 1952.
Muitas sequências de ação foram realizadas pelo dublê Jock Mahoney, um bem sucedido especialista nesse tipo de filmagem. Durango Kid era um cowboy que agia como Robin Hood. Se vestia de negro e encobria o rosto com um lenço da mesma cor. Na série, quando estava em trajes civis era chamada de Steve (seguido de algum outro nome).
O cavalo de Durango Kid se chamava Raider (Corisco, no Brasil). Quando era usado por Steve, ele era chamado de Faísca). A série do Durango Kid foi relançada na televisão, no Brasil durante os anos 60, com grande sucesso.
Na esteira do Durango Kid surgiram vários outros personagens mascarados, como o Red Mask e nos quadrinhos o Black Rider (Cavaleiro Negro no Brasil). A Ebal publicou as aventuras em quadrinhos do Durango Kid na revista de Nevada (Red Ryder).

segunda-feira, 1 de junho de 2009

História da Cidade de Irauçuba

Numa agradável planície, circundada por uma cadeia de montes ao longe, com características puramente sertanejas, surgiu a povoação denominada, de início, Cacimba do Meio.
A partir de junho de 1899, o desembargador Álvaro de Alencar de acordo com o povo, conseguiu mudar o topônimo para Irauçuba, que na língua indígena significa "amizade". Era uma homenagem ao povo do lugar, por ser dotado de bons sentimentos, alheio à intrigas, progressista e amigo da paz.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Irauçuba, por ato estadual de 11-03-1905, subordinado ao município de São Francisco.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Irauçuba permanece no município de São Francisco.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937.
Pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30-12-1943, o município de São Francisco passou a denominar-se Itapagé.
Em divisão territorial datada de 01-07-1955, o distrito de Irauçuba, figura no município de Ipapagé ex-São Francisco.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 01-07-1955.
Elevado à categoria de município com a denominação de Irauçuba, pela lei estadual nº 3598, de 20-05-1957, desmembrado de Itapagé. Sede no antigo distrito de Irauçuba. Constituído de 3 distritos: Irauçuba, Juá e Missi, todos desmembrados do município de Itapagé. Instalado em 21-06-1957.
Em divisão territorial datada de 01-07-1960, o município é constituído de 3 distritos: Irauçuba, Juá e Missi.
Pela lei estadual nº 6476, de 26-08-1963, é criado o distrito de Boa Vista do Coxitoré e anexado ao município de Irauçuba.
Pela lei estadual nº 6724, de 31-10-1963, desmembra do município de Irauçuba, o distrito de Juá. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 31-12-1968, o município é constituído de 3 distritos: Irauçuba, Boa Vista do Caxitoré e Missi
Pela lei estadual nº 8339, de 14-12-1965, Irauçuba adquiriu o extinto município de Juá, como simples distrito.
Em divisão territorial datada de 31-12-1968, o município é constituído de 4 distritos: Irauçuba, Boa Vista do Caxitoré, Juá e Missi.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Gentílico: irauçubense.

Fonte: Biblioteca do IBGE

Mais do Quintino - Poesias

Encontro das Águas

Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.

Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.

É um simulacro só, que as águas donas
D'esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;

Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!

Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.

Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.

Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
N'este céu d'água, brutalmente enorme.

Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!...

Entre Nuvens

Ameaça chuva. O pássaro na rama
Vem de ocultar-se. Agora permanece
A sombra do covil. Tudo parece
Triste como a saudade de quem se ama

Enquanto o Céu apenas se recama
De nuvens, não; mas, quando se incandesce
De um relampear profundo, a chuva desce,
Por fina força a chuva se derrama.

Em nós outros também o tempestivo
Amor é assim como este quadro vivo,
Que, há pouco, a natureza dominava.

Falo por mim, tirando por Maria;
Pois, quando na minh'alma relampeava,
Nos seus olhos, tristíssimos chovia!

Aracoiaba

Grande pedra partida, altaneira,
Bem ao meio, por onde fugindo
Porção d'água da fresta, saindo
Cai n'areia, fazendo a cachoeira.

Logo ao lado, ingazeira sombria,
Onde se ouve cantar passarinhos,
Uns por fora, outros dentro dos ninhos,
Na mais doce e morosa harmonia.

Lindo poço ao depois que, escalvado,
Sussurrante com força represa,
E, na mais natural singeleza,
Vê-se o rio de novo formado.

E, ao lado daquela ingazeira,
Sobre a pedra que eu disse ind'agora,
Pressurosa, sutil lavadeira
Lava a roupa de Nossa Senhora.

Quintino Cunha

Sociedade dos Poetas Mortos - Tema

Sociedade dos Poetas Mortos
(Dead Poets Society, EUA, 1989)

Gênero: Drama
Duração: 128 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Prêmios: Vencedor de 1 Oscar
Distribuidora(s): Buena Vista, Disney Video
Produtora(s): Silver Screen Partners IV, Touchstone Pictures
Diretor(es): Peter Weir
Roteirista(s): Tom Schulman
Elenco: Robin Williams (1), Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles, Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterston, Norman Lloyd, Kurtwood Smith, Carla Belver, Leon Pownall, George Martin (2), Joe Aufiery, Matt Carey.
SINOPSE
Quando o carismático professor de inglês John Keating (Robin Williams) chega para lecionar num colégio para rapazes, seus métodos de ensino pouco convencionais transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem seus próprios sonhos e a viverem vidas extraordinárias.

Maurice Jarre - Keating´s Triunph

Maurice Jarre - Tema de Lara

Dr Jivago
Adaptação da obra de Boris Pasternak, a produção épica dirigida por David Lean acompanha o desenrolar da Revolução Russa na trajetória de Jivago (Omar Shariff), um jovem médico que em princípio simpatiza com os ideais revolucionários. Casado com a aristocrata Tonya (Geraldine Chaplin), ele vive uma grande paixão com Lara (Julie Christie), uma plebéia. O filme venceu cinco Oscar incluindo o de melhor filme, diretor e música, composta por Maurice Jarre (1965).