Um breve papo com Rei da Cultura Nordestina, do mato.
Luiz Gonzaga do Nascimento
13/12/1912 Exu, PE
2/8/1989 Recife, PE
Sua mãe Ana Batista, conhecida como Santana, era descendente, embora não totalmente reconhecida, dos Alencar, fundadores da cidade de Exu. Seu pai, Januário, era lavrador e reconhecido sanfoneiro na região. Casaram-se em 1909, indo morar no Baixio dos Doidos, hoje conhecido como Timorante, um povoado da fazenda Caiçara. Luiz foi o segundo filho do casal. Na hora do batizado, seu sobrenome acabou destoando daquele dos irmãos, Januário dos Santos. Foi chamado Luiz por ter nascido no dia de Santa Luzia; Gonzaga, por ser o complemento do nome de São Luiz; e Nascimento, por ser o mês de Natal, chamando-se então Luiz Gonzaga do Nascimento. Segundo um de seus biógrafos, Gildson Oliveira, uma de suas irmãs, Socorro Januário, dizia que ouvira a mãe dizer que "só tivera o direito de ganhar o filho, porque ele seria do povo até a morte". Ainda segundo Gildson, quando Luiz tinha de seis a oito meses, uma cigana teria olhado para ele e predito que "ele será do mundo; vai andar tanto, por cima e por baixo, que criará feridas nos pés". Com sete anos, Gonzaga já pegava na enxada, trabalhando na lavoura, e nas horas vagas ficava vendo o pai tocar sanfona e ia aprendendo a gostar do instrumento. Seu pai, além de tocador de fole, também consertava instrumentos e incentivava nos filhos o gosto musical. O resultado foi que em sua casa a música estava sempre presente. A família sempre comparecia a festas religiosas, batizados, casamentos e forrós, todos animados com bandas de pífanos, zabumba e concertina, além do fole de oito baixos, muitas vezes tocado por Januário. Com 12 anos de idade, Gonzaga já acompanhava o pai animando sambas em diversos terreiros pelo sertão do Araripe, onde fica a cidade de Exu. Aprendeu com o pai a afinação dos foles de oito baixos. Protegido pelo patrão de seu pai, conhecido como Sinhô Aires, aprendeu as primeiras letras com as filhas do fazendeiro. Ganhou de Sinhô Aires um empréstimo de 60 mil réis, que juntou a outros 60 mil que tinha guardados por ter combinado com o patrão de trabalhar sem receber ordenado, e comprou sua primeira sanfona, da marca "Veado", em Ouricuri, cidade pernambucana. Ainda jovem costumava animar bailes em diferentes localidades como Granito, Baixio dos Doidos, Rancharia e Cajazeiras, tendo para isso de andar a pé mais de vinte léguas. Desde essa época, enquanto ia e voltava das localidades onde se apresentava, acalentava o desejo de ser artista. Em 1924, sua família teve a casa inundada pela cheia e foi obrigada a mudar-se, indo residir no povoado de Araripe, na fazenda Várzea Grande. Em 1926, com apenas 14 anos, já se apresentava profissionalmente, tocando em festas. Por essa época, radicou-se na cidade de Exu um grupo de escoteiros que se dedicou à alfabetização de jovens da região. Luiz foi convencido pelo amigo Gilberto, filho do coronel Aires, a mudar-se para a cidade a fim de estudar, sustentando-se com apresentações em festas particulares. Em 1930, antes de completar dezoito anos, um fato mudaria a trajetória de sua vida. Apaixonara-se por uma menina de família branca e tradicional na região, e o pai da mesma não permitia o namoro por considerar Gonzaga um sanfoneirozinho sem futuro. Luiz foi tirar satisfações com o Coronel, que foi falar com sua mãe que somente não o matara em respeito a ela. Luiz levou uma surra exemplar da mãe e resolveu fugir de casa, dirigindo-se para a cidade de Crato, no Ceará. Lá vendeu a sanfona para pegar um trem até Fortaleza, a capital cearense, onde entrou para o batalhão de Caçadores. No 23º Batalhão de Caçadores tornou-se o corneteiro 122, também conhecido como "Bico de aço". Algum tempo depois, transferido para o sul de Minas e já servindo no Sudeste, prestou prova para sanfoneiro da banda da Polícia Militar de Minas Gerais, mas foi reprovado por desconhecer a escala musical. Passou então a estudar teoria musical e ao mesmo tempo a aprender as músicas que faziam sucesso no centro-sul do país, como polcas, valsas, boleros, rancheiras, tangos e outros ritmos. Por essa época, servindo em Juiz de Fora, costumava tocar em festas nas horas de folga. Em 1937 foi transferido para Ouro Fino, onde conheceu o advogado Raul Apocalipse, que organizava festas no Clube Éden local, e convidou Gonzaga para apresentar-se, propiciando-lhe a primeira oportunidade de tocar diante de um público urbano. Em 1938 foi vítima de um golpe de um caixeiro viajante que lhe vendeu uma sanfona branca de 80 baixos à prestação, que lhe seria entregue em São Paulo quando terminasse de pagar. Depois de pagar várias prestações, Gonzaga rifou a sanfona que tinha e com o dinheiro arrecadado foi para São Paulo. Quando lá chegou, descobriu que o endereço dado pelo caixeiro viajante era falso. No hotel em que se hospedara, que pertencia a um italiano, acabou conseguindo comprar uma sanfona idêntica à que o caixeiro lhe prometera, que pertencia ao filho do proprietário do hotel. Por 700 mil réis, Gonzaga obteve uma sanfona Horner branca de 80 baixos e retornou para Ouro Fino. Em 1939, ao completar dez anos de exército, teve de dar baixa, pois o regulamento não permitia a permanência de soldados com mais de 10 anos de serviço. No mesmo ano embarcou para o Rio de Janeiro, de onde pegaria um navio de volta para Pernambuco. No Rio de Janeiro conheceu o ex-marinheiro e violonista Xavier Pinheiro, que tocava na noite e apresentava-se em programas na Rádio Vera Cruz. Passou a apresentar-se no Bar Espanhol, no Mangue, zona de baixa prostituição carioca, além de tocar em festas de subúrbio, bares da Lapa e também nas docas, onde corria o chápeu para arrecadar uns trocados. Começou a aprimorar seu repertório tocando músicas da moda, como tangos, valsas e foxtrotes. No início da década de 1940 comprou uma sanfona de 120 baixos e foi apresentado por Xavier Pinheiro a Antenógenes Silva, o mais famoso acordeonista da época, com quem começou a estudar. Em 1947 conheceu Helena das Neves Cavalcanti com quem se casou no ano seguinte. O casal não teve filhos. Gonzaga homenageou a mulher com o baião "Madame baião", composto em parceria com David Nasser.
Carreira
Em 1940, no Rio de Janeiro, depois de algum tempo tocando em bares no Mangue e, em seguida, na Lapa, começou a freqüentar os programas de calouros "Calouros em desfile" de Ary Barroso na Rádio Tupi e "Papel carbono" de Renato Murce, na Rádio Clube. O sucesso nos programas de calouros entretanto não chegava e Gonzaga continuou a apresentar-se nos bares do Mangue e da Lapa. No Bar Cidade Nova, no Mangue, conheceu um grupo de estudantes cearenses que lhe pediu para tocar alguma coisa nordestina, o que ele até então não fizera, tentando adaptar-se ao modo de vida carioca e escondendo suas raizes nordestinas. Preparou então as músicas "Pé de serra", uma polca mais tarde gravada com o título de "Xamego", e "Vira e mexe", música de sua terra natal. O sucesso da apresentação de "Pé de serra" foi imediato: o público aplaudiu delirantemente e até mesmo os passantes da rua se aproximaram, lotando o bar. Retornou então ao programa de calouros de Ary Barroso, impulsionado também pela necessidade de dinheiro para ajudar a família vitimada pela seca no Nordeste, conforme lhe dissera o irmão José Januário, que o procurara em busca de ajuda. No "Calouros em desfile", em vez de apresentar o repertório da moda, apresentou o "Vira e mexe" e foi um sucesso, obtendo a nota máxima 5, raramente dada a alguém por Ary Barroso, e o prêmio de 150 mil réis. Por essa época costumava atuar na Rádio Transmissora acompanhando Zé do Norte e Manuel Monteiro, que por lá se apresentavam. Pouco depois foi convidado para atuar como sanfoneiro numa gravação de Genésio Arruda na RCA. Sua participação foi tão boa que logo após a gravação foi apresentado ao diretor da gravadora, Ernesto Matos, que lhe pediu para tocar uma valsa ou uma rancheira. Gonzaga tocou as valsas "Saudades de São João Del Rey" e "Numa serenata", apresentando em seguida as rancheiras "Véspera de São João", "Vira e mexe" e "Pé de serra". Foi convidado a voltar no dia seguinte para fazer uma gravação. No mesmo dia, Genésio Arruda convidou-o para apresentar-se diariamente no teatro de revista no qual estava atuando. Ainda em 1940 foi contratado pela Rádio Clube do Brasil para substituir Antenógenes Silva no programa "Alma do sertão", além de atuar em outros programas da rádio. Paralelamente apresentava-se com enorme sucesso em inúmeros dancings no centro da cidade, como "Assírio", "Eldorado", "Belas Artes" e "Farolito". Em 1941 estreou em disco gravando pela Victor, gravadora na qual permaneceu a maior parte de sua carreira. Em maio saiu a mazurca "Véspera de São João", de sua autoria e F. Reis, e a valsa "Numa serenata", de sua autoria. Em junho saiu um segundo disco com a valsa "Saudades de São João del Rey", de Simão Jandi, e o xamego "Vira e mexe", de sua autoria. Ressalte-se que o xamego nunca existiu enquanto gênero musical; o nome provém de um comentário do irmão de Gonzaga, Januário, segundo o qual a música "Vira e mexe" era um xamego, talvez em referência à sensualidade com que era tocada. Gonzaga apropriou-se do termo e muitas de suas composições passaram a ser apresentadas como xamego. Por essa época suas músicas eram instrumentais. As letras apareceram com Miguel Lima, que começou a letrar temas apresentados por Gonzaga. No entanto, seu início como cantor acabou por custar-lhe o emprego na Rádio Tamoio, pois achavam sua voz inadequada. Por essa época foi considerado pelo jovem radialista César de Alencar como o "Maior Sanfoneiro Nordestino". Os dois primeiros discos renderam a Gonzaga sua primeira reportagem, publicada na revista carioca "Vitrine", com o título de "Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom". Em 1942 gravou, entre outras composições, o xamego "Pé de serra", a polca "Apitando na curva", o picadinho "Calangotango" e a mazurca "Sant'Anna", todas de sua autoria. Em 1943 assinou o primeiro contrato para atuar fora do Rio de Janeiro, fazendo uma temporada no Cassino Ahu, em Curitiba, apresentado como o maior acordeonista do Brasil. No mesmo ano gravou, do antigo companheiro Xavier Pinheiro, a valsa "Yvonne" e, de sua autoria, o xamego "O xamego da Guiomar", nome de uma namorada da época. Por essa época ganhou do violonista Dino, mais tarde conhecido como "Sete cordas", o apelido de "Lua", devido a sua cara redonda. O apelido seria popularizado por César de Alencar e Paulo Gracindo na Rádio Nacional. Em 1944 teve suas primeiras composições gravadas por outra artista, a cantora Carmem Costa, que gravou "Xamego", de sua autoria, e "A mulher do Lino", composta em parceria com Miguel Lima. No mesmo ano gravou, entre outras,o choro "Pingo namorando", o xamego "Fazendo intriga" e a valsa "Vanda", todas de sua autoria. Em 1945 teve gravadas suas primeiras parcerias com Miguel Lima, "Dezessete e setecentos" e o xamego "Xamego da Guiomar", por Manezinho Araújo. No mesmo ano, Gonzaga gravou os primeiros discos como cantor. O primeiro continha a mazurca "Dança da Mariquinha", com música de sua autoria e letra de Miguel Lima. Seu primeiro sucesso como cantor foi a mazurca "Cortando pano", composta em parceria com Miguel Lima e J. Portella, que afirmou Gonzaga como cantor. Sua voz na época não era considerada boa, mas, com o sucesso de "Cortando o pano", os critérios tiveram que ser modificados. No mesmo ano nasceu Luiz Gonzaga Jr., que, apesar de batizado e assumido por Gonzaga como filho, sempre teve essa paternidade colocada sob suspeita. Ainda em 1945 conheceu aquele que seria talvez o seu principal parceiro musical, o advogado cearense Humberto Teixeira. Mesmo com o sucesso obtido com Miguel Lima, Gonzaga continuava procurando alguém que o ajudasse a expressar melhor seu sentimento de nordestinidade. Encontrou-se com Lauro Maia, criador do balanceio, mas não chegou a um acordo. No primeiro encontro com Humberto Teixeira, no escritório de advocacia do mesmo, surgiu em dez minutos o esboço do xote "No meu pé de serra", lançado em novembro do ano seguinte. Em 1946 lançou diversas composições feitas com parcerias diferentes, como o choro "É pra rir ou não é", com Carlos Barroso, o calango "Calango da lacraia", com J. Portella, que se tornou enorme sucesso, a marcha "Pão duro" com Assis Valente e o chamego "Xamego das cabrochas", com Miguel Lima. No mesmo ano, Gonzaga provocaria uma revolução na música popular brasileira ao lançar um novo gênero no mercado, o baião, uma estilização e adaptação de ritmos ouvidos por ele em sua infância e adolescência. A composição de lançamento, um verdadeiro manifesto do novo gênero, foi "Baião", feita em parceria com Humberto Teixeira e lançada pelo grupo vocal "Quatro Azes e Um Coringa" pela Odeon, com acompanhamento do próprio Gonzaga na sanfona. O novo gênero mudou o panorama musical brasileiro e impôs-se como o mais importante até o surgimento da Bossa Nova em fins dos anos 1950. Ainda em 1946, Gonzaga lançou, de sua parceria com Humberto Teixeira, o xote "Meu pé de serra", além da polca "Pagode russo", de sua autoria. Em outubro do mesmo ano tirou férias na Rádio Nacional e voltou à sua terra natal depois de 16 anos de ausência. Antes de retornar ao Rio passou pelo Recife, onde se encontrou com diversos artistas locais e travou conhecimento com o acadêmico de Medicina José de Souza Dantas Filho, que mais tarde se tornaria famoso parceiro de Gonzaga, conhecido como Zédantas. Em 1947 gravou de sua autoria e Humberto Teixeira a toada "Asa branca", um de seus maiores sucessos e uma das músicas mais conhecidas e veneradas da música popular brasileira, regravada dezenas de vezes ao longo das décadas, entre outros por Altamiro Carrilho, Severino Januário, Sivuca e Rosinha de Valença, César do Acordeon, Trio Melodia, Dominguinhos, Julião da viola, Fagner, Téo Azevedo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Carmélia Alves e Quinteto Violado. Com o sucesso retumbante de "Asa Branca" foi convidado a participar do filme "Esse mundo é um pandeiro" de Watson Macedo. Em 1948 lançou apenas um disco, cantando "A moda da mula preta" de Raul Torres e a polca "Firim firim firim", parceria com Antonio Nogueira. No mesmo ano casou-se com Helena Cavalcanti. Em 1949 Gonzaga era o principal astro da música popular brasileira e lançou uma série de sucessos de sua parceria com Humberto Teixeira: a polca "Lorota boa", que entrou na comédia musical "O mundo se diverte" da Atlântida; o xote "Mangaratiba", que foi incluída na comédia musical "Estou aí", da Cinédia; o baião "Juazeiro" e a toada "Légua tirana", além de "Baião", que finalmente recebeu gravação de seu autor. No mesmo ano lançou as primeiras parcerias com Zédantas, que tornaram-se sucesso rapidamente, como o baião "Vem morena" e o forró "Forró de Mané Vito". Por essa época o baião tornou-se a coqueluche nacional, o novo ritmo do Brasil, e Gonzaga mudou seu visual, introduzinho o chapéu de couro que faria parte de sua indumentária até a morte. Em 1950 lançou de sua parceria com Zédantas o baião "A dança da moda", que afirma que "No Rio está tudo mudado", numa referência `as mudanças de comportamento introduzidas pelo baião. Inúmeros artistas, entre os quais Carmem Miranda, Carmélia Alves, Ivon Curi, Marlene, Isaura Garcia, Jamelão, Emilinha Borba, passaram a gravar músicas da dupla Gonzaga/Humberto Teixeira. No mesmo ano, estouram inúmeros outros sucessos da dupla, como os baiões "Xanduzinha", "Qui nem jiló" e "Respeita Januário", além da toada "Assum preto". Ainda em 1950 foram sucessos na voz de Gonzaga o xote "Cintura fina" e a toada "A volta da Asa branca", parcerias com Zédantas, além da toada "Boiadeiro" de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti. Nessa mesma época Humberto Teixeira foi eleito deputado federal e a parceria se desfez. Getulista convicto, fez campanha para a presidência da República em apoio ao futuro presidente Getúlio Vargas. Em 1951 lançou com sucesso a marcha junina "Olha pro céu", parceria com José Fernandes, e o baião "Sabiá", parceria com Zédantas. Nessa época apresentava-se nas rádios Nacional e Mayrink Veiga. Ainda em 1951 a cantora Carmélia Alves, que ficaria conhecida como a Rainha do Baião, lançou juntamente com o sanfoneiro Sivuca um disco intitulado "No mundo do baião", com um vasto pot-pourri de músicas de Luiz Gonzaga. No final desse mesmo ano foi contratado pelos Laboratórios Moura Brasil para uma grande excursão por diversas cidades do Brasil, apresentando-se entre outras em São Paulo, Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre, terminando a tournê em Belém. Nesse mesmo ano sofreu o primeiro acidente automobilístico, em São Paulo, quebrando seis costelas e a clavícula, além de ter vários ferimentos na cabeça. No mesmo acidente feriram-se seus acompanhantes Zequinha e Catamilho. Em 1952 lançou vinte músicas, quantidade que na época do LP ou do CD daria para lançar um álbum duplo. Entre essas estavam as últimas parcerias com Humberto Teixeira, o baião "Respeita Januário", a valsa toada "Légua tirana" e o baião "Paraíba". De sua parceria com Zédantas gravou a marcha junina "São João na roça", a toada "Acauã" e com Hervê Cordovil o baião "Baião da garoa" e o xaxado "Xaxado", verdadeiro manifesto da nova dança lançada por Gonzaga dois anos antes. Todas se tornaram sucesso. No mesmo ano, apresentou-se durante os festejos juninos em uma temporada na Rádio Tupi-Tamoio acompanhado do pai Januário e dos irmãos Severino, Zé Januário, Chiquinha, Socorro e Aluísio, sob o nome de "Os sete Gonzaga". Em 1953 lançou o xote "Xote das meninas" e a toada "Vozes da seca", parceria com Zédantas, e "A vida do viajante", parceria com Hervê Cordovil, que viria a ser, muito posteriormente, um dos prefixos da carreira do Rei do Baião, nos versos que dizem "Minha vida é andar por esse país". Por essa época, trocou definitivamente o terno de casimira por um gibão de couro, o sapato de verniz por uma sandália e a gravata por uma cartucheira, adotando ainda um chapéu de couro maior afirmando sua nordestinidade. Em 1954, lançou, entre outras, os baiões "Vou pra casa" e "Noites brasileiras", parcerias com Zédantas, o xamego "Cana só de Pernambuco" com Victor Simão e a polca "Lascando o cano" com Zédantas. Em 1955 lançou dez composições inéditas, entre as quais o xote "Riacho do navio", parceria com Zédantas, e o rojão "Forró de Zé Tatu" de Jorge de Castro e Zé Ramos. No mesmo ano foi lançado o primeiro LP com suas músicas "A História do Nordeste na voz de Luiz Gonzaga". Na excursão ao Nordeste naquele ano tomou conhecimento da existência de um grupo musical conhecido como a "Patrulha de Choque de Luiz Gonzaga", composto pela cantora Marinês, seu marido, o sanfoneiro Abdias e Chiquinho da zabumba, especializada em anunciar a chegada de Luiz Gonzaga onde ele fosse se apresentar. O encontro entre eles se deu na cidade de Propriá em Sergipe. Em 1956, com a ida de Marinês e Abdias para o Rio de Janeiro, Gonzaga mudou o conjunto que o acompanhava, transformando-o em Luiz Gonzaga e Seus Cabras da Peste, do qual faziam parte Marinês, Abdias, Zito Borborema e Miudinho. O grupo chegou a participar de excursão a São Paulo e Minas Gerais, mas desfez-se no final do ano. No mesmo ano gravou o baião "Mané Zabé", com Zédantas, o coco "Derramaro o gai", com Zédantas, e o baião "Saudade da boa terra" de Ary Monteiro e Maruim, entre outras. Ainda em 1956 lançou seu segundo LP, "Aboios e vaquejadas". Em 1957 gravou outro enorme sucesso, o baião "A feira de Caruaru" de Onildo Almeida, além do LP "No reino do baião". Em 1958 lançou de sua autoria o forró "Forró no escuro", outra de suas composições que ficou para a posteridade. No mesmo ano lançou os LPs "São João na roça", com músicas juninas, e "Xamego", com composições de sua parceria com Miguel Lima. Por essa época, ocorriam mudanças musicais no país, entre as quais a eclosão da Bossa Nova, dando início ao declínio da carreira de Gonzaga. Com novos gostos estético-musicais impondo-se no rádio, suas composições foram perdendo espaço e Gonzaga voltou-se para as platéias do interior para as quais sempre foi o Rei do Baião. Em 1959 lançou de João do Vale e Ari Monteiro o maracatu "O sertanejo do norte" e, de sua autoria e Carmelina, a marcha "Fogueira de São João". No mesmo ano foi lançado o LP "Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zédantas". Em 1960 gravou entre outras o xote "Vida de vaqueiro de sua autoria" e a toada "Testamento de caboclo" de R. Bittencour e R. Sampaio. Em 1961 Gonzaga não lançou, como fazia desde 1941, nenhum 78 rotações, mas em compensação a RCA Victor lançou seu primeiro LP, com músicas inéditas, a maioria de outros autores, como o baião "Capitão jagunço" de Paulo Dantas e Barbosa Lessa, o baião "Na cabana do rei" de Catulo de Paula e Jaime Florence e o xote "Só se rindo" de Alvarenga e Ranchinho. No mesmo ano Gonzaga sofreu um grave acidente automobilístico que quase pôs fim à sua vida. Seguia ele de Miguel Pereira para o Rio de Janeiro, quando numa curva a porta do carro cedeu e ele foi arremessado para fora, recebendo uma pancada da porta na cabeça e sofrendo traumatismo craniano e ferimento num olho. Ainda em 1961 morreu seu grande parceiro Zédantas. Pouco depois ele travou conhecimento com João Silva, que se tornaria o terceiro parceiro em importância na sua carreira. Em 1962 voltou a gravar discos em 78 rotações, incluindo, entre outras, o xote "Véio macho" de Rosil Cavalcanti, que daria nome a seu LP daquele ano. Os baiões "Pássaro Caraó" e "Sanfoneiro Zé Tatu", de parceria com Zé Marcolino, foram incluídos também no LP. Por essa época foi contratado para uma temporada na Rádio Mayrink Veiga que duraria até o ano seguinte. Em 1963, além dos discos em 78 rotações, lançou o LP "Pisa no pilão", que registrou alguns clássicos como "A morte do vaqueiro", toada em parceria com Nelson Barbalho, e "Pra onde tu vai, baião?", baião de João do Vale e Sebastião Rodrigues, quase um retrato da situação passada pelo Rei do Baião ao dizer em sua letra: "Pronde tu vai, baião? Eu vou sair por aí/Mas por que baião?/Ninguém me quer mais aqui.". Por essa época, Gonzaga passa a apresentar-se em pequenas cidades do interior, cantando em circos e praças públicas. Se nas grandes cidades seu nome ficou em esquecimento, no interior manteve a força e o carisma. Certa vez, na cidade de Nanuque em Minas Gerais, ficou acertado que seu show seria apresentado no cinema às 21 horas, depois de um filme de Elvis Presley. Feita a divulgação da apresentação, foi tamanha a ocorrência de público que foi necessário realizar o show em duas sessões. Em 1964 lançou outro LP que se tornaria clássico, com a toada "A triste partida", de Patativa do Assaré, que deu nome ao disco, verdadeiro manifesto sertanejo. Do mesmo disco constam ainda a toada "Cacimba nova" e o xote "Numa sala de reboco", ambos de parceria com José Marcolino, e a valsa "Lembrança da primavera", composta por Gonzaguinha quando tinha apenas 14 anos. Sua carreira prossegue no interior e a cada ano lança um novo LP, com sucessos como "Meu Araripe", parceria com João Silva, ou "Canaã" de Humberto Teixeira. No mesmo ano adquiriu um terreno em Exu, Pernambuco, preparando seu retorno para a terra natal. Por essa época, a caminho da Rádio Mayrink Veiga no Rio de Janeiro, teve roubada sua sanfona preta da marca Universal. Conseguiu emprestada de Antenógenes Silva uma sanfona branca. A partir de então passou a somente usar sanfona branca. Encomendou uma à fabrica Todeschini e mandou cunhar a inscrição "É do povo", numa irônica homenagem ao ladrão, frase que acompanharia doravante todos os seus instrumentos. Até 1966 não gravou nenhum disco novo. Nesse mesmo ano, as edições Fortaleza lançaram o livro "O sanfoneiro do riacho da Brígida", autobiografia que ele ditou a Sinval Sá. O sucesso do livro foi imediato, tendo sido feitas mais quatro edições no mesmo ano. O livro não saiu em livrarias, tendo sido vendido pelo próprio Gonzaga, com auxílio de seus músicos, durante seus shows. Para reforçar as finanças cada vez mais difíceis, atuou como músico de estúdio e fez campanhas políticas, o que já fizera em outras épocas da carreira. Em 1967 gravou o LP "Óia eu aqui de novo", novo marco em sua carreira, trazendo composições de sua autoria, Onildo Almeida, José Clementino, Luiz Guimarães e João Silva, um novo time de compositores que irá atuar com ele nas próximas duas décadas, quando do retorno paulatino de sua carreira ao reconhecimento nas grandes cidades e na grande mídia. Do disco constavam, entre outras, "Xote dos cabeludos", parceria com José Clementino, "Garota Todeschine", parceria com João Silva, "Hora do adeus" de Onildo Almeida e Luiz Queiroga, "Do lado que relampea" de Luiz Guimarães e "Óia eu aqui de novo" de Antônio Barros. No mesmo ano fez histórico depoimento para o MIS, entrevistado pelo diretor da instituição, seu amigo R. C. Albin. Nesta ocasião apresentou publicamente seu filho Gonzaguinha, então totalmente desconhecido. Em 1968 lançou três LPs: "O sanfoneiro do povo de Deus", com composições de cunho místico religioso, como "Ave Maria sertaneja" de Júlio Ricardo e de Oliveira e "Padroeira do Brasil" de sua autoria e Raimundo Granjeiro. Lançou ainda "Canaã", com música-título de Humberto Teixeira, e "São João do Araripe", com música-título de sua parceria com João Silva e que trazia quatro composições do seu filho Luiz Gonzaga Jr: "Diz que vai virar", "Pobreza por pobreza", "Erva rasteira" e "Festa". No mesmo ano gravou um compacto com a composição "Pra não dizer que não falei das flores" de Geraldo Vandré. No mesmo ano, Gilberto Gil, um dos líderes do movimento intitulado Tropicália, em entrevista concedida a Augusto de Campos, dizia ter sido Luiz Gonzaga "a primeira grande coisa significativa do ponto de vista da cultura de massa no Brasil". Outro líder do movimento, Caetano Veloso, também deixava clara sua admiração pelo cantor, compositor e sanfoneiro nordestino. Por essa época, o radialista e jornalista Carlos Imperial divulgou o boato de que o conjunto de rock inglês The Beatles gravaria "Asa branca" em seu novo disco, o que levou a uma correria em torno de Luiz Gonzaga, que em entrevista concedida ao "O Pasquim", em 1971, revelaria que ganhou cachê e gravou programa para falar sobre o assunto. Apresentou-se no mesmo período na TV Continental no programa "Noite Impecável". Em 1969 não gravou nenhum disco, mas teve a composição "Dezessete légua e meia", de parceria com Humberto Teixeira, regravada por Gilberto Gil no LP "Cérebro eletrônico". Em 1970 gravou o LP "Sertão 70", que traz, entre outras, "Já vou mãe", primeira parceria de Dominguinhos e Anastácia, que na ocasião trabalhavam com ele. Por essa época, colaborou com o Padre João Câncio na preparação da "Missa do vaqueiro", inspirada na toada "A morte do Vaqueiro". A missa, um pungente protesto contra a miséria e a opressão do homem nordestino, foi financiada por Gonzaga até 1974. Juntamente com os irmãos Bandeira, repentistas cearenses, animou a missa durante vários anos. Em 1971, Caetano Veloso, exilado em Londres, gravou em seu novo disco, com músicas em inglês, a toada "Asa branca", única música em português, que se tornou uma espécie de hino dos exilados pelo regime militar. No mesmo ano, por idéia do produtor da RCA Rildo Hora, gravou o LP "O canto jovem de Luiz Gonzaga", interpretando diversas composições de jovens compositores brasileiros da época, como "Chuculatera" de Antônio Carlos e Jocafi, "Procissão" de Gilberto Gil, "Cirandeiro" de Capinam e Edu Lobo, "Fica mal com Deus" de Geraldo Vandré, "O dia em que eu vim me embora" de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e outras. No mesmo ano, em show no Palais de La Mutualité em Paris, Gal Costa e Gilberto Gil incendiaram o público ao cantar uma versão de 45 minutos da toada "Acauã", composta por Gonzaga e Zédantas nos idos de 1952. Ainda em 1971 concedeu longa entrevista ao jornal "O Pasquim" e recebeu da TV Tupi o título de "Imortal da Música Brasileira". Na mesma época foi convidado por Carlos Imperial a assistir a um festival de rock na cidade de Guarapari, no Espírito Santo, e, como os artistas convidados não compareceram, acabou fazendo o show para a platéia composta de hippies e jovens politizados que dançaram ao som de sua sanfona. Em 1972 apresentou-se no show "Luiz Gonzaga volta para curtir", com produção de Capinam, no Teatro Tereza Rachel no Rio de Janeiro. Na mesma época concedeu entrevista à vanguardista revista "O Bondinho". Sua produção musical, entretanto, andava na contramão da popularidade que voltava a subir, pois tornava-se distante do que havia de autêntico em sua obra. Naquele ano ainda lançaria dois LPs pela RCA, "Aquilo bom" e "São João quente", dos quais somente se sobressaiu um grande sucesso, "Ovo de codorna", de Severino Ramos. Em 1973 transferiu-se para a gravadora Odeon onde lançou cinco LPs em dois anos, com muitas regravações e sem nenhuma música que tenha marcado a sua carreira. Recebeu no mesmo ano o título de "Cidadão Paulista". No mesmo período a RCA lançou duas coletâneas de seus sucessos. Nessa época a decolagem de sua carreira parou em função do equivocado apoio que deu ao governo militar. Sua fama, entretanto, permaneceu e ele abriu durante dois anos o forró Asa Branca na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Em 1975 participou da série "MPB 100, um século de m.p.b", transmitida em cadeia nacional pelo Projeto Minerva e apresentada, ao vivo, por R. C. Albin. Os programas foram convertidos em 8 LPs de igual título, produzidos pelo mesmo apresentador, que incluiu a participação de Gonzaga em todo um lado do elepê número 4 da série. No mesmo ano lançou outro LP com coletânea de sucessos, "Asa Branca", pela RCA gravadora, para a qual retornou. Em 1976, Janduhy Filizola, com quem compusera algumas músicas, musicou totalmente a "Missa do Vaqueiro", gravada no mesmo ano pelo Quinteto Violado. Durante excursão naquele ano recebeu o título de "Cidadão cearense", num show em Fortaleza. Ainda naquele ano, numa viagem de avião de Pernambuco a Brasília conheceu Edelzuita, o grande amor da última fase de sua vida. Ainda em 1976 lançou o LP "Capim novo", com música-título de sua autoria e Severino Ramos, que obteve boa repercussão, mostrando de volta o velho estilo que o consagrara. A música-título virou tema da novela Saramandaia, da TV Globo, e o levou de volta às paradas de sucesso. Em agosto daquele ano a mesma TV Globo exibiu o "Especial Luiz Gonzaga", na série "Brasil especial", dirigida por Augusto César Vannucci e escrita por R. C. Albin, entre outros, com a participação de toda a família, incluindo o velho Januário, que aos 85 anos viajou para o Rio de Janeiro. Em 1977 lançou o elepê "Luiz Gonzaga e Carmélia Alves", mesmo nome de um show realizado pela dupla no Teatro João Caetano. no Rio de Janeiro, dentro do projeto Seis e Meia. Lançou também no mesmo ano o LP "Chá cutuba", música-título de Humberto Teixeira, que também assinou "Menestrel do Sol". O disco trouxe ainda a regravação de "Baião de dois", parceria de Gonzaga e Teixeira e um de seus grandes sucessos. Realizou na mesma ocasião uma excursão com Carmélia Alves e Dominguinhos, além de ter reproduzido em mais de 80 emissoras de rádio a série "O eterno Gonzaga", produzida pelo estúdio Free de São Paulo. No mesmo ano entrou para a versão brasileira da "Enciclopédia Britânica", com foto em cores para ilustrar o parágrafo a seu respeito. Em 1978 lançou o LP "Dengo maior" trazendo, entre outras, "Alegria de pé de serra" de Dominguinhos e Anastácia, "Salmo dos aflitos", com Humberto Teixeira, "Umbuzeiro da saudade" com João Silva, "Serrote agudo" com José Marcolino e "Viola de Penedo" de Luis Bandeira. Em 1979 lançou o LP "Eu e meu pai", numa homenagem a Januário, que falecera um ano antes. O disco trouxe algumas regravações como "Súplica cearense", de Gordurinha e Nelinho, "A vida do viajante", em parceria com Hervê Cordovil, e a clássica "Respeita Januário", com Humberto Teixeira. No mesmo ano gravou o instrumental "Quadrilhas e marchinhas" com um pot-pourri de 24 composições de seu repertório. Nesse período retornou para Exu e iniciou uma campanha em prol da preservação da ave conhecida como Asa Branca. Foi criado o Parque Asa Branca. Nesse período atuou ativamente para acabar com as brigas de família na região de Exu. Em 1980 foi o indicado do Nordeste para cantar para o Papa João Paulo II em sua visita ao Brasil. No início da década participou da temporada "Sabor Brasil", ao lado de Clara Nunes, Altamiro Carrilho, Waldir Azevedo, João Nogueira e João Bosco. Em 1981 lançou o LP "A festa", contando com a participação de Luiz Gonzaga Jr, Emilinha Borba, Dominguinhos e Milton Nascimento, com quem cantou "Luar do sertão", de Catulo da Paixão Cearense. No mesmo ano chegou às lojas o álbum duplo "Vida do viajante", gravado ao vivo durante a excursão pelo Brasil feita com o filho Gonzaguinha no ano anterior. Durante essa excursão, Gonzaga ganhou o apelido de Gonzagão, que muitos críticos acham inapropriado, a partir de uma faixa colocada em um show em São Paulo que dizia: "Gonzagão e Gonzaguinha, a maior dupla sertaneja do Brasil". Entre 1979 e 1984 engajou-se na luta contra a seca que assolou o Nordeste brasileiro naquele período, gravando até composições que aludiam ao fato, como foi o caso de "Sequei os olhos", feita em parceria com João Silva, gravada no disco "70 anos de sanfona e simpatia". Neste disco, lançado em 1983 houve as participações especiais de Alceu Valença, na faixa "Plano piloto" de Carlos Fernando e Alceu Valença e Téo Azevedo na faixa "A peleja de Gonzagão e Teo Azevedo", de autoria deste último. Nessa época recebeu convite da cantora Nazaré Pereira, radicada em Paris, que organizou um show para ele na casa de espetáculos "Bobino". Em 1984 lançou o disco "Danado de bom", com algumas regravações, contando com a participação de Elba Ramalho na faixa "Sanfoninha choradeira" dele e João Silva. Nesse ano recebeu o primeiro disco de ouro de sua carreira, pelo disco "Danado de bom". No mesmo ano recebeu o Prêmio Shell da Música Popular Brasileira. Por essa época, a RCA redirecionou a produção dos discos de Gonzaga, retornando a uma concepção mais original de seu trabalho. O resultado foi que seus discos deram um salto de vendagem, passando dos 25.000 anuais para 200.000 a partir de então. Também naquele ano gravou seu primeiro disco com Fagner, com diversas músicas que foram sucesso em sua carreira, além de "Sangue nordestino", uma parceria com João Silva. Também em 1984, gravou especial para a Rede Globo com as participações especiais de Fagner, Elba Ramalho, Sivuca, Osvaldinho do Acordeon, Dominguinhos e Gadalupe. No começo do show declarou: "Quero aproveitar essa oportunidade que a TV Globo me dá para dizer que termino hoje minha profissão, a minha carreira. Fiz isso de surpresa porque quis fugir daquele esquema de festa de despedida." A despedida no entanto não se confirmaria pois continuou atuando quase até sua morte.
Em 1985 foi lançado "Sanfoneiro macho", com seis parcerias com João Silva, entre as quais "Forró do bom", "A mulher do sanfoneiro" e "Deixa a tanga voar". Esse disco contou com a participação especial de Dominguinhos, Gonzaguinha, Sivuca, Glorinha Gadelha, Gal Costa e Elba Ramalho e arrematou dois discos de ouro.
Em 1986 participou na França do grande festival da música brasileira "Couleurs Brésil", com apresentações de diversos artistas brasileiros durante cinco dias no Zenith, Olympia e na Grande Halle de La Villette. Gonzaga apresentou-se no show final na maior das três salas, a Grande Halle, juntamente com Fafá de Belém, Moraes Moreira, Armandinho Macedo e Alceu Valença. No mesmo ano gravou o disco "Forró de cabo a rabo" cujo lançamento ocorreu quando estava em Paris. Quando voltou, constatou que o disco havia estourado e era um grande sucesso, especialmente as composições feitas com João Silva, entre as quais a que deu título ao disco, "Rodovia asa branca", "Viva meu Padim", que contou com a participação de Benito de Paula, "Xote machucador" de João Silva e Dominguinhos e "Eu e meu fole" de Zé Marcolino, entre outras. O disco contou ainda com a participação do músico gaúcho Renato Borghetti na faixa "Forronerão-Jardim da saudade", de Borghetti e L. Rodrigues. O disco recebeu dois discos de ouro e um disco de platina. Em 1987 lançou "Fia pavi", disco que o reaproximou do parceiro João Silva com quem havia brigado. Nele aparecem quatro composições dos dois, entre as quais "Pobre do sanfoneiro" e "Nem se despediu de mim". Havia ainda "Mariana" de Gonzaguinha e Gonzagão, com participação de Gonzaguinha. No mesmo ano começou a gravar um novo disco com Fagner, contando com a participação de Gonzaguinha. Em fins do mesmo ano sua saúde piorou com a descoberta de que tinha câncer de próstata e sofria de osteosporose. Ele mesmo não ficou sabendo. No entanto, continuou animadamente a desenvolver planos para instalar seu museu pessoal em Exu. Em 1988 chegou nas lojas o disco "Gonzagão e Fagner", com o selo BMG, trazendo diversos sucessos de Gonzaga, entre os quais "ABC do sertão" e "Vem morena", com Zédantas, "Estrada de Canindé" e "Juazeiro", com Humberto Teixeira, "Pobre do sanfoneiro", com João Silva, e "Xamego", com Miguel Lima, num verdadeiro apanhado da obra do sanfoneiro. No mesmo ano realizou show com Elba Ramalho. Ainda em 1988 a BMG lançou o LP "Aí tem Gonzagão", contando com a participação de Carmélia Alves na faixa "Vamos juntar os troços" de Antônio Barros Silva e de Geraldo Azevedo em "Taqui pra tu" de Gonzaga e João Silva. Foi lançada também a colecão "50 Anos de chão", caixa com cinco LPs compilando o essencial de sua obra. Nessa época separou-se finalmente da mulher Helena e foi morar com Edeuzuita em Recife. Em 1989 lançou pela Copacabana seu último disco, "Vou te matar de cheiro", que não teve grande repercussão e que trazia diversas composições da parceria com João Silva, como a faixa-título "Já era tempo" e "Meu arcoverde", que conta com a participação do próprio Silva na gravação. Em 6 de junho daquele ano participou de seu último show, uma homenagem que artistas de todo o Brasil lhe prestaram no Teatro Guararapes em Recife. Estava com a agenda de São João repleta quando, em 21 de junho, foi internado no Hospital Santa Joana no Recife, vindo a falecer no dia 2 de agosto daquele ano. Quando do transporte de seu corpo até o aeroporto, de onde seguiria para o sepultamento no Ceará, ao passar pelas ruas do Recife, a multidão que se aglomerava nas ruas gritava "Hei, hei, Luiz é nosso Rei". Ao chegar a Juazeiro do Norte no Ceará para ser abençoado no Memorial de Padim Ciço, o corpo de Luiz Gonzaga recebeu homenagens dignas de um rei. Milhares de pessoas se aglomeraram nas ruas e o cortejo fúnebre teve de percorrer diversas ruas e avenidas para que o povo se despedisse de Gonzaga. Depois seguiu para Exu onde ocorreu o sepultamento. Em sua cidade natal foi novamente reverenciado pelo povo nas ruas, acompanhando o féretro cantando suas músicas ao som dos sanfoneiros Dominguinhos, Valdones, José Torres de Menezes, Janduhy Finizola, José Marques Filho e Zé Manu, entre outros. Na hora do sepultamento, a multidão composta de cerca de 20 mil pessoas cantou em coro a "Asa branca", canto de despedida ao Rei do Baião. Em 1993, a RCA/BMG lançou o CD "Volta pra curtir", gravação ao vivo de show apresentado por Gonzaga em 1972 no Teatro Tereza Raquel. No show, o patriarca do baião toca acompanhando por Dominguinhos na sanfona, Renato Piau na guitarra e Maria Helena na percussão. São interpretadas, entre outras, "Moda da mula preta", de Raul Torres, "Lorota boa", com Humberto Teixeira, "Numa sala de reboco", com José Marcolino, "Assum preto", "Volta da asa branca" e "No meu pé de serra", num show memorável. Em 1999, por ocasião dos dez anos de sua morte, o Museu de Caruaru abriu a exposição permanente do artista. No mesmo ano, recebeu homenagem no Lincoln Center em Nova York. Em 2001, dentro do programa "Em cena Brasil", foi apresentado no Rio de Janeiro, depois de ter estreado em Salvador, o espetáculo musical "O vôo da asa branca", dirigido por Deolindo Checcucci, contando a vida do Rei do Baião. Ainda em 2001, a BMG lançou o CD "Duetos com Mestre Lua - Gonzagão e convidados", no qual, através do uso da tecnologia, são misturadas antigas gravações do Mestre do Baião e vozes de cantores atuais. Estão presentes no Cd, entre outros, Chico Buarque na faixa "Procissão", de Gilberto Gil, Lenine em "No dia em que eu vim me embora", de Caetano Veloso, Falamansa em "A hora do adeus" e "Rastapé", em "Fulô da maravilha", de Luiz Bandeira.
Em 2002, por ocasião dos seus 90 anos de nascimento foi homenageado com show no Armazén 5, na zona do Cais do Porto, no Rio de Janeiro, com a participação de Marinês, Daniel Gonzaga, Banda de Pífanos de Caruaru e Forroçacana. Na mesma ocasião, o Sesc Pompéia em São Paulo apresentou a série "São Luiz Gonzaga", com a participação dos trios Virgulino, Araripe e Sabiá, além do sanfoneiro Oswaldinho do Acordeom. Também na mesma época, o Quinteto Violado lhe prestou homenagem com a exposição "Luiz Gonzaga - a saga de um rei", na Fundação Quinteto violado, além do lançamento do CD "Retirantes, sanfona e violada", músicas e casos relembrados a partir da longa vivência do grupo com o Rei do Baião. Além de clássicos como "Asa branca", o CD trás também a música "São João de seu Luiz", de Toinho Alves, composta no ano da morte do sanfoneiro. Em 2003, a BMG lançou o pacote "Danado de bom" constituído por um CD, um DVD e uma fita de vídeo com o anunciado, mas não cumprido "show de despedida" do Rei do Baião. O anúncio foi feito no início do especial gravado para a rede Globo em 1984. O áudio do show foi restaurado e o pacote inclui depoimentos dos convidados do show, uma visita dele à cidade de Exú, na casa de seu tio Jacó, citado na música "Respeita Januário", um encontro com o filho Gonzaguinha e cenas de um show na TV Tupi em 1953. No mesmo ano, o selo Revivendo lançou o CD "Despedida", no qual aparecem composições menos citadas normalmente, mas ainda assim de grande sucesso como "A dança da moda", com Zé Dantas; "Pra onde tu vai baião", de João do Vale e Sebastião Rodrigues; "Comício do mato" e "Estrada de Canindé", com Humberto Teixeira; "Tambaú", de Severino Araújo e Silvino Lopes; "Rei Bantu", com Zé Dantas e "Baião da Penha", de Guio de Moraes e David Nasser, entre outras. Em 2004, o selo Revivendo lançou o CD "Quarqué dia" traçando um verdadeiro painel da música nordestina com xotes, baiões, cocos, baiões e toadas, entre outros ritmos, registrando principalmente músicas menos conhecidas do "Rei do baião" como a faixa título e "Café". No mesmo ano, "Asa Branca", composta com Humberto Teixeira, foi apontada como uma das mais executadas, em diversas apresentações de palco, além de execuções no rádio, segundo dados da Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Em 2005, o poeta Xico Bezerra lançou o CD Forroboxote 4, em homenagem ao Rei do Baião, cuja força musical fez nascer o que alguns denominam "escola Luiz Gonzaga", à qual iúmeros artistas se declaram admiradores, ou mesmo, seguidores. Sobre esse fato, vale citar o artigo de Tárik de Souza, publicado noJornal do Brasil em 18/08/2005, com o título '"Os herdeiros do Rei". Nele, o jornalista apresenta uma sequência de seguidores de Luiz Gonzaga, indo de Dominguinhos, Nando Cordel e Jorge de Altinho, passando por Petrúcio Amorim, Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Carlos Moura e Targino Gondim, sem esquecer os que denomina pós-roqueiros, como Alceu Valença, Fagner, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Belchior e Ednardo, além do sanfoneiro Genaro, ex-integrante do Trio Nordestino e Waldonys, entre outros. Ainda em 2005, o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, foi transformado no "Dia Nacional do Forró", comemorado a partir desse ano, conforme o projeto de lei da deputada Luiza Erundina, aprovado pela Câmara dos deputados. A aprovação contou com o lançamento de selo comemorativo e shows realizados em São Paulo, Campina Grande, Pernambuco e Bahia. Em 2006, foi homenageado pela escola de samba São Clemente, do Rio de Janeiro. Em dezembro desse mesmo ano, a editora Ediouro lançou o livro Gonzaguinha e Gonzagão, da escritora Regina Echeverria. Em 2007, Breno Silveira, o mesmo diretor do filme "Dois Filhos de Francisco", reuniu a família Gonzaga para participar seu projeto de 2008 de levar às telas a história de Gonzagão e Gonzaguinha. Também em 2007, a gravadora Revivendo preparou a caixa tripla "Luiz Gonzaga: seu canto sua sanfona, seus amigos", que inclíu, entre outras, uma gravação inédita de "Renascença", de Onildo Almeida, além de um duo do compositor com Gonzaga, interpretando "Feira de Caruaru", registrado nos estúdios da Rádio Jornal do Commércio, em 1958; "Polca fogueteira", de um 78 rotações, de 1957, onde constava apenas o nome de Severino Januário, nos oito baixos, apesar de ter no vocal o autor, Luiz Gonzaga; "Erosão", de Walter Santos e Teresa Souza, do disco "Som Brasileiro do Bamerindus" e "Forró das crianças", parceria com João Silva, com coro infantil para o LP Clube do Bozo, de 1984.
Fez...
A dança do Nicodemos (c/ José Marcolino) • A letra I (c/ Zédantas) • A morte do vaqueiro (c/ Nelson Barbalho) • A mulher do Lino (c/ Miguel Lima) • A mulher do sanfoneiro (c/ João Silva) • A puxada (c/ João Silva)• A vida do viajante (c/ Hervê Cordovil) • A volta da asa branca (c/ Zédantas) • ABC do sertão (c/ Zédantas) • Aboio apaixonado • Abraço do baião (c/ David Násser) • Acácia amarela (c/ Orlando Silveira) • Adeus Iracema (c/ Zédantas) • Adeus Rio de Janeiro (c/ Zédantas) • Ai amor (c/ Zédantas) • Ai, ai Portugal (c/ Humberto Teixeira) • Ai, Miquilina (c/ Guio de Morais) • Alembrando (c/ Severino Januário) • Algodão (c/ Zédantas) • Alvorada da paz (c/ Lourival Passos) • Amanhã eu vou (c/ Beduíno) • Aperriado • Apitando na curva • Apologia do jumento (c/ José Clementino) • Aquele chorinho • Aquilo bom (c/ Severino Ramos) • Aquilo sim que era vida (c/ J. Portela) • Araponga • Arcoverde meu (c/ João Silva) • Arrancando caroá • Asa branca (c/ Humberto Teixeira) • Assum preto (c/ Humberto Teixeira) • Baboleando (c/ Miguel Lima) • Baião da garoa • Baião de dois (c/ Humberto Teixeira) • Baião de Vassouras (c/ David Násser) • Baião do pescador (c/ Hervê Cordovil) • Baião dos namorados (c/ Sylvio M. de Araújo) • Baião granfino (c/ Marcos Valentim) • Baião no Braz (c/ Humberto Teixeira) • Baião (c/ Humberto Teixeira) • Balaio de Veramundo (c/ Zédantas) • Balaio (c/ Zédantas) • Balance Eu (c/ Nestor de Hollanda) • Balanço do calango (c/ J. Portella) • Bilu Bilu (c/ Miguel Lima) • Boi bumbá (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Braia Dengosa (c/ Zédantas) • Cabra da peste (c/ Zédantas) • Cabra macho (c/ Severino Januário) • Cachorro do má (c/ Severino Januário) • Cacimba nova (c/ José Marcolino) • Café (c/ Zédantas) • Caí no frevo • Calango da lacraia (c/ J. Portela) • Calangotango • Cana, só de Pernambuco (c/ Victor Simão) • Canastrinha (c/ Severino Januário) • Cantarino (c/ Nelson Valença) • Canto sem protesto (c/ Luiz Queiroga) • Capim novo (c/ José Clementino) • Capricho nortista (c/ Humberto Teixeira) • Carapina (c/ Severino Januário) • Cariri (c/ Humberto Teixeira) • Cartão de Natal (c/ Zédantas) • Casamento de Rosa (c/ Zédantas) • Catamilho na festa • Cavalo crioulo (c/ Janduhy Finizola) • Caxangá • Chapéu de coco e gratidão (c/ Aguinaldo Batista) • Chorei, Chorão (c/ Lorival Passos) • Choromingo • Cidadão sertanejo (c/ João Silva) • Cintura fina (c/ Zédantas) • Contraste de várzea (c/ José Clementino) • Conversa de barbeiro (c/ David Násser) • Corridinho Canindé (c/ Lourival Passos) • Cortando o pano (c/ Miguel Lima) • Creuza Morena (c/ Lourival Passos) • Criança má (c/ Giuseppe Ghiaroni) • Danado de bom (c/ João Silva) • Dança da moda (c/ Zédantas) • Dança de Nicodemos • Dança do macaco • Dança, Mariquinha (c/ Miguel Lima) • Daquele jeito (c/ Luiz Ramalho) • De Juazeiro a Pirapora • De Juazeiro pro Crato (c/ Julinho) • Dedo mindinho • Deixa a tanga voar (c/ João Silva) • Derramaro o gai (c/ Zédantas) • Desse jeito sim (c/ José Jataí) • Dezessete e setecentos (c/ Miguel Lima) • Dona Vera tricotando (c/ Humberto Teixeira) • Doutor do baião (c/ João Silva) • Dúvida (c/ Domingos Ramos) • É Pra rir ou não é (c/ Carlos Barroso) • É pra rir ou não é (c/ Carlos Barroso) • É sem querer (c/ Onildo Almeida) • Estrada de Canindé (c/ Humberto Teixeira) • Eu e minha branca (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Eu vou cortando (c/ Miguel Lima) • Eu vou pro Crato (c/ José Jataí) • Fazendo intriga • Feijão cum côve (c/ Jeová Portela) • Feira do gado (c/ Zédantas) • Firim firim firim (c/ Antonio Nogueira) • Flor de lírio (c/ João Silva) • Fogo sem fusil (c/ José Marcolino) • Fogueira de São João (c/ Carmelina) • Fole gemedor • Fole roncou (c/ Nelson Valença) • Forró das crianças (c/João Silva) • Forró de cabo a rabo (c/ João Silva) • Forró de Mané Vito (c/ Zédantas) • Forró de Ouricuri (c/ João Silva) • Forró de Pedro Chaves • Forró do bom (c/ João Silva) • Forró do Quelemente (c/ Zédantas) • Forró gostoso (c/ João Silva) • Forró no escuro • Forrofiar (c/ João Silva) • Fruta madura (c/ João Silva) • Fuga da África • Galo garnizé (c/ Antonio Almeida) • Garota Todeschini (c/ João Silva) • Gato angorá (c/ Humberto Teixeira) • Gauchita • Gibão de Couro • Imbalança (c/ Zédantas) • Impertinente • Já era tempo (c/ João Silva) • Juazeiro (c/ Humberto Teixeira) • Jumento é nosso irmão (c/ José Clementino) • Juvina (c/ Nelson Valença) • Karolina com K • Lá vai pitomba (c/ Onildo Almeida) • Lampião era besta não (c/ Solange Veras) • Lascando o cano (c/ Zédantas) • Légua tirana (c/ Humberto Teixeira) • Lenha de São João (c/ Zédantas) • Lenha verde (c/ João Silva) • Lorota boa (c/ Humberto Teixeira) • Luar do Nordeste • Lula meu filho (c/ Aguinaldo Batista) • Lygia • Macapá (c/ Humberto Teixeira) • Madame baião (c/ David Násser) • Madrilena (c/ Antonio Almeida) • Malhada dos bois (c/ Amânico Cardoso) • Mambo não (c/ Denis Brean) • Mané Gambá (c/ Jorge de Altinho) • Mané Zabé (c/ Zédantas) • Mangaratiba (c/ Humberto Teixeira) • Manoelito cidadão (c/ Helena Gonzaga) • Mara • Marcha da Petrobrás (c/ N. Barbalho e J. Augusto) • Maria (c/ Zédantas) • Mariana (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Marieta • Marimbondo (c/ José Marcolino) • Matuto aperriado (c/ José Marcolino) • Matuto de opinião (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Mazurca (c/ Raimundo Granjeiro) • Me deixe em paz (c/ Humberto Teixeira) • Meu Araripe (c/ João Silva) • Meu Pajeú (c/ Raimundo Granjeiro) • Meu pandeiro (c/ Ari Monteiro) • Meu passado (c/ W. Gomes) • Minha Fulô (c/ Zédantas) • Morena bela (c/ João Silva) • Morena, moreninha (c/ Hervê Cordovil) • Moreninha tentação (c/ Moacyr de Araújo) • Mulher de hoje (c/ Nelson Valença) • Na hora H • Não é só a Paraíba que tem Zé • Não vendo nem troco (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Nem se despediu de mim (c/ João Silva) • No meu pé de serra (c/ Humberto Teixeira) • No pianco (c/ José Marcolino) • Noites brasileiras (c/ Zédantas) • Nordeste pra frente (c/ Luiz Queiroga) • Numa sala de reboco (c/ José Marcolino) • Numa serenata • O bom improvisador (c/ Nelson Valença) • Ó de casa (c/ M. Rossi) • O fole roncou (c/ Nelson Valença) • O jumento é nosso irmão (c/ José Clementino) • O machucado (c/ Zédantas) • O Papa e o jegue (c/ Otacílio Batista) • O passo da rancheira (c/ Zédantas) • O passo do pinguim (c/ Humberto Teixeira) • O resto a gente ajeita (c/ Dalton Vogeler) • O tocador quer beber (c/ Carlos Diniz) • O torrado (c/ Zédantas) • O xamego da Guiomar • O xote das meninas (c/ Zédantas) • Olha a pisada (c/ Zédantas) • Olha pro céu (c/ José Fernandes) • Os bacamarteiros (c/ Janduhy Finizola) • Outro amanhã será (c/ João Silva) • Padroeira do Brasil (c/ Raimundo Granjeiro) • Pagode russo (c/ João Silva) • Pão duro (c/ Assis Valente) • Para xaxar (c/ Sylvio M. Araújo) • Paraíba (c/ Humberto Teixeira) • Pássaro Caraó (c/ José Marcolino) • Passeando em Paris • Pau de sebo (c/ Lunga) • Pau-de-arara de Minas Gerais (c/ Carlos Antunes) • Pau-de-arara (c/ Guio de Morais) • Paulo Afonso (c/ Zédantas) • Pé de Serra • Penerô Xerém (c/ Miguel Lima) • Perpétua (c/ Miguel Lima) • Pingo namorando • Piracuru (c/ Humberto Teixeira) • Pisa de mansinho • Pobre do sanfoneiro (c/ João Silva) • Polca fogueteira • Pra que mais mulher (c/ João Silva) • Projeto Asa Branca (c/ José Marcolino) • Pronde tu vai, Luiz (c/ Zédantas) • Propriá (c/ Guio de Morais) • Quadrilha chorona (c/ Chico Anísio) • Quase maluco (c/ Victor Simão) • Que é que tu qué (c/ Zédantas) • Que Modelos são os seus • Quem é? (c/ Jararaca) • Quer ir mais eu? (c/ Miguel Lima) • Quero chá (c/ José Marcolino) • Qui nem jiló (c/ Humberto Teixeira) • Qui ri qui qui (c/ Audízio Brizeno) • Recado do velho (c/ João Silva) • Regresso do Rei (c/ Onildo Almeida) • Rei Bantu (c/ Zédantas) • Reis do baião (c/ Luiz Bandeira) • Respeita Januário (c/ Humberto Teixeira) • Retrato de um forró (c/ Luiz Ramalho) • Riacho do navio (c/ Zédantas) • Rio Brígida (c/ Luiz Gonzaga Jr. ) • Rodovia Asa Branca (c/ João Silva) • Roendo unha (c/ Luiz Ramalho) • Sabiá (c/ Zédantas) • Sabido • Salmo dos aflitos (c/ Humberto Teixeira) • Sanfona do povo (c/ Luiz Guimarães) • Sanfona dourada • Sanfonando • Sanfoneiro macho (c/ Onildo Almeida) • Sanfoninha choradeira (c/ João Silva) • Sangue nordestino (c/ João Silva) • Sant'Anna • Santo Antônio nunca casou (c/ João Silva) • São João antigo (c/ Zédantas) • São João chegou (c/ Mariza Coelho) • São João do carneirinho (c/ Guio de Morais) • São João na roça (c/ Zédantas) • São João nas Capitá (c/ Luiz Ramalho) • Sarapaté (c/ Anselmo Domingues) • Saudades de Ouro Preto • Se não fosse esse meu fole (c/ Severino Ramos) • Se quer ver vem cá (c/ Miguel Lima) • Sequei os olhos (c/ João Silva) • Serra talhada (c/ Severino Januário) • Serrote agudo (c/ José Marcolino) • Sertão de aço (c/ José Marcolino) • Seu Januário • Siri jogando bola (c/ Zédantas) • Siridó (c/ Humberto Teixeira) • Só vale quem tem (c/ Zédantas) • Tá bom demais (c/ Onildo Almeida) • Tá legal (c/ Zédantas) • Tacacá (c/ Lorival Passos) • Taqui prá tu (c/ João silva) • Tenho onde morar (c/ Dário de Souza) • Tesouro e Meio • Tô sobrando (c/ Herve Cordovil) • Toca pai (c/ João Silva) • Toca sanfoneiro (c/ Stelinha Egg) • Toca uma polquinha • Toque de rancho (c/ J. Ferreira) • Treze de dezembro (c/ Zédantas) • Tudo é bão (c/ Zédantas) • Um pra mim, um pra tu (c/ João Silva) • Umbuzeiro da saudade (c/ João Silva) • Vamos xaxear (c/ G. Nascimento) • Vanda • Vassouras (c/ David Násser) • Vê se ligas pra mim (c/ João Silva) • Velho novo Exu (c/ Sylvio M. Araújo) • Velho pescador (c/ Hervê Cordovil) • Vem morena (c/ Zédantas) • Verônica • Véspera de São João (c/ F. Reis) • Vida de Vaqueiro • Vira e mexe • Viva meu Padim (c/ João Silva) • Vô casá já (c/ Zédantas) • Vou mudar de couro (c/ Humberto Teixeira) • Vou pra roça (c/ Zé Ferreira) • Vou te matar de cheiro (c/ João Silva) • Vozes da seca (c/ Zédantas) • Xamego das cabrochas (c/ Miguel Lima) • Xanduzinha (c/ Humberto Teixeira) • Xaxado (c/ Hervê Cordovil) • Xeêm (c/ José Clementino) • Xodó • Xote dos cabeludos (c/ José Clementino) • Xote ecológico (c/ Aguinaldo Batista)
Ispaiô...
. Véspera de São João/Numa serenata (1941) Victor 78
• Saudades de São João Del Rey/Vira e mexe (1941) Victor 78
• Nós queremos uma valsa/Arrancando caroá (1941) Victor 78
• Farolito/Segura a polca (1941) Victor 78
• Saudades de Ouro Preto/Pé de serra (1942) Victor 78
• Saudade/Apitando na curva (1942) Victor 78
• Sanfonando/Verônica (1942) Victor 78
• Calangotango/Minha Guanabara (1942) Victor 78
• Saudades de Areal/Pisa de mansinho (1942) Victor 78
• Seu Januário/Sant'Anna (1942) Victor 78
• Aquele chorinho/Lygia (1942) Victor 78
• Apanhei-te cavaquinho/Yvonme (1943) 78
• Manolita/O xamego da Guiomar (1943) Victor 78
• Araponga/Meu passado (1943) Victor 78
• Destino/Galo Garnizé (1943) Victor 78
• Subindo ao céu/Fuga da África (1944) Victor 78
• Recordações de alguém/Pingo namorando (1944) Victor 78
• Escorregando/Madrilena (1944) Victor 78
• Luar do Nordeste/Bilu Bilu (1944) Victor 78
• Xodó/Caprichos do destino (1944) Victor 78
• Fazendo intriga/Vanda (1944) Victor 78
• Catimbó/Despedida (1944) Victor 78
• Passeando em Paris/Aperriado (1944) Victor 78
• Provocando as cordas/Última inspiração (1945) Victor 78
• Dança, Mariquinha/Impertinente (1945) Victor 78
• Na hora H/Mara (1945) Victor 78
• Penerô/Sanfona dourada (1945) Victor 78
• Bolo mimoso/Dança do macaco (1945) Victor 78
• Perpétua/Isto é o que nós queremos (1945) Victor 78
• Queixumes/Zinha (1945) Victor 78
• Caxangá/Cortando o pano (1945) Victor 78
• Festa napolitana/Ovo azul (1945) Victor 78
• Marieta/De Juazeiro a Pirapora (1946) Victor 78
• É pra rir ou não é/Devolve/Não quero saber (1946) Victor 78
• Ó de casa/Xamego das cabrochas (1946) Victor 78
• Não bate nele/Calango da lacraia (1946) Victor 78
• Pão duro/Sabido (1946) Victor 78
• Saudades de Matão/Brejeiro (1946) Victor 78
• Toca uma polquinha/Feijão cum côve (1946) 78
• Eu vou cortando/Caí no frevo (1946) Victor 78
• No meu pé de serra/Pagode russo (1946) Victor 78
• Vou pra roça/Asa branca (1947) Victor 78
• Balanço do calango/Coração de mulher (1947) Victor 78
• Todo homem quer/Tenho onde morar (1947) Victor 78
• Quer ir mais eu?/Pau de sebo (1947) Victor 78
• A moda da mula preta/Firim firim firim (1948) Victor 78
• Lorota boa/Mangaratiba (1949) Victor 78
• Juazeiro/Baião (1949) Victor 78
• Siridó/Légua tirana (1949) Victor 78
• Vou mudar de couro/Gato angorá (1949) Victor 78
• Vem morena/Quase maluco (1949) Victor 78
• Dezessete légua e meia/Forró de Mané Vito (1949) Victor 78
• Vira e mexe/Qui nem jiló (1950) Victor 78
• A dança da moda/Respeita Januário (1950) Victor 78
• Assum preto/Cintura fina (1950) Victor 78
• Chofer de praça/No Ceará não tem disso não (1950) Victor 78
• Xanduzinha/A volta da asa Branca (1950) Victor 78
• Macapá/Boiadeiro (1950) Victor 78
• Adeus Rio de Janeiro/Rei Bantu (1950) Victor 78
• O torrado/Estrada de Canindé (1950) Victor 78
• Maria, coco-baião/Amanhã eu vou (1951) Victor 78
• Propriá/Olha pro céu (1951) Victor 78
• Tô sobrando/Morena, moreninha (1951) Victor 78
• Madama/Conversa de barbeiro (1951) Victor 78
• Sabiá/Baião da penha (1951) Victor 78
• Cigarro de paia/Baião da garoa (1952) Victor 78
• São João do carneirinho/Imbalança (1952) Victor 78
• Paraíba/Asa branca (1952) Victor 78
• São João na roça/Juca (1952) Victor 78
• Catamilho na festa/Pau-de-arara (1952) Victor 78
• Respeita Januário/Légua tirana (1952) Victor 78
• Acauã/Adeus Pernambuco (1952) Victor 78
• Baião da garoa/Piauí (1952) Victor 78
• Marabaixo/Jardim da saudade (1952) Victor 78
• Vamos xaxear/Xaxado (1952) Victor 78
• Baião de Vassouras/Beata mocinha (1952) Victor 78
• Moreninha tentação/Saudade de Pernambuco (1953) Victor 78
• O xote das meninas/Treze de dezembro (1953) Victor 78
• São João chegou/O casamento de Rosa (1953) Victor 78
• A letra I/Algodão (1953) Victor 78
• ABC do sertão/Vozes da seca (1953) Victor 78
• Para xaxar/A vida do viajante (1953) Victor 78
• Feira de gado/Velho novo Exu (1953) Victor 78
• Olha a pisada/Vô pra casa já (1954) Victor 78
• Noites brasileiras/Lascando o cano (1954) Victor 78
• Cana, só de Pernambuco/relógio Baião (1954) Victor 78
• A canção do carteiro/Velho pescador (1954) Victor 78
• Cartão de Natal/Maria fulô (1954) Victor 78
• Baião grãfino/Só vale quem tem (1955) Victor 78
• Paulo Afonso/Padroeira do Brasil (1955) Victor 78
• Café/Cabra da peste (1955) Victor 78
• Baião dos namorados/Ai amor (1955) Victor 78
• Forró do Zé Tatu/Riacho do navio (1955) Victor 78
• A História do Nordeste na voz de Luiz Gonzaga (1955) RCA Victor LP
• Buraco do tatú/Açucena cheirosa (1956) Victor 78
• Mané Zabé/Lenda de São João (1956) Victor 78
• O cheiro de Carolina/Aboio apaixonado (1956) Victor 78
• Derramaro o gai/Vassouras (1956) Victor 78
• Tacacá/Chorão (1956) Victor 78
• Braia dengosa/Tesouro e meio (1956) Victor 78
• Siri jogando bola/Saudade da boa terra (1956) Victor 78
• Aboios e vaquejadas (1956) RCA Victor LP
• A feira de Caruaru/Capital do agreste (1957) Victor 78
• O passo da rancheira/São João antigo (1957) Victor 78
• Quarqué dia/Malha de bois (1957) Victor 78
• Linda brejeira/Meu Pajeú (1957) Victor 78
• O delegado no coco/Comício no mato (1957) Victor 78
• O reino do baião (1957) RCA Victor LP
• Forró no escuro/Moça de feira (1958) Victor 78
• Que modelo são os seus/Festa no céu (1958) Victor 78
• A moda da mula preta/Xote das moças (1958) Victor 78
• Chorei chorão/Balance eu (1958) Victor 78
• Sertão sofredor/Gibão de couro (1958) Victor 78
• São João na roça (1958) RCA Victor LP
• Xamego (1958) RCA Victor LP
• O sertanejo do Norte/Xote do véio (1959) Victor 78
• Fogueira de São João/Casamento atrapaiado (1959) Victor 78
• Marcha da Petrobrás/Calango da lacraia (1959) Victor 78
• Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zédantas (1959) RCA Victor LP
• Amor da minha vida/Meu padrim (1960) Victor 78
• São João do arraial/Testamento de caboclo (1960) Victor 78
• Vida de vaqueiro/Maceió (1960) Victor 78
• Luiz "Lua" Gonzaga (1961) RCA Victor LP
• Véio macho (1962) RCA Victor LP
• São João na roça (1962) RCA Victor LP
• O véio macho/Pássaro Caraó (1962) Victor 78
• Sanfoneiro Zé Tatu/Baldrona macia (1962) Victor 78
• Matutu aperriado/De Teresina a São Luiz (1962) Victor 78
• Pedido a São João/A morte do vaqueiro (1963) Victor 78
• Linforme instravagante/Desse jeito sim (1963) Victor 78
• Pisa no pilão (1963) RCA Victor LP
• Sanfona do povo (1964) RCA Victor LP
• Luiz Gonzaga - sua sanfona e sua simpatia (1966) RCA Camden LP
• Óia eu aqui de novo (1967) RCA Victor LP
• O sanfoneiro do povo de Deus (1968) RCA Victor LP
• São João do Araripe (1968) RCA Victor LP
• Canaã (1968) RCA Victor LP
• Os grandes sucessos de Luiz Gonzaga (1968) RCA Camden LP
• Meus sucessos com Humberto Teixeira (1968) RCA Camden LP
• Sertão 70 (1970) RCA Victor LP
• Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zé Dantas (1970) RCA Camden LP
• Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (1970) RCA / Editora Abril Cultural 33/10 pol.
• A triste partida (1970) RCA LP
• O Nordeste na voz de Luiz Gonzaga (1970) RCA LP
• O canto jovem de Luiz Gonzaga (1971) RCA Victor LP
• Aquilo bom! (1972) RCA Camden LP
• São João quente (1972) RCA Victor LP
• Luiz Gonzaga (1973) Odeon LP
• Quadrilhas e marchinhas juninas (1973) RCA Camden LP
• O fole roncou (1974) EMI - Odeon LP
• Sanfona do povo (1974) RCA LP
• A nova Jerusalém (1974) EMI Odeon / Jangada LP
• Daquele jeito (1974) EMI LP
• Asa branca - Disco de Ouro (1975) RCA Camden LP
• Capim novo (1976) RCA Camden LP
• Luiz Gonzaga & Carmélia Alves (1977) RCA LP
• Chá Cutuba (1975) RCA Camden LP
• Dengo maior (1978) RCA Camden LP
• A grande música de Luiz Gonzaga (1978) Copacabana LP
• Disco de Ouro Vol. 2 (1979) RCA LP
• Luiz Gonzaga (1980) RCA Compacto simples
• Eu e meu pai (1979) RCA LP
• Quadrilhas e marchinhas Vol. 2 (1979) RCA LP
• O homem da terra (1980) RCA Victor LP
• A festa (1981) RCA LP
• Gonzagão e Gonzaguinha ao vivo, a vida do viajante (1981) EMI-Odeon/RCA LP
• Eterno cantador (1982) RCA LP
• Os grandes momentos de Luiz Gonzaga (1982) Som Livre LP
• 70 anos de sanfona e simpatia (1983) RCA LP
• Danado de bom (1984) RCA/Camden LP
• Luiz Gonzaga e Fagner (1984) RCA LP
• Luiz Gonzaga/Camargo Guanieri (1984) RCA LP
• Sanfoneiro macho (1985) RCA-Camden LP
• Forró de cabo a rabo (1986) RCA Camden LP
• De fiá pavi (1987) RCA Victor LP
• Gonzagão e Fagner 2 (1988) RCA (BMG) LP
• Aí tem Gonzagão (1988) RCA-Ariola LP
• Vou te matar de cheiro (1989) Copacabana LP
• Asa branca (1989) RCA Victor / BMG Ariola LP
• Missa de vaqueiro (1989) Magazine LP
COMPILAÇÕES E COLETÂNEAS
• O reino do baião (1957) RCA Victor LP
• São João na roça (1958) RCA Victor LP
• Xamego (1958) RCA Victor LP
• Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zédantas (1959) RCA Victor LP
• O Nordeste na voz de Luiz Gonzaga (1962) RCA LP
• Luiz Gonzaga, sua sanfona e sua simpatia (1966) RCA LP
• Os grandes sucessos de Luiz Gonzaga (1968) RCA LP
• Meus sucessos com Humberto Teixeira (1968) RCA LP
• Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (1977) Abril Cultural 33/10 pol.
• Luiz Gonzaga. Vol. 1 (1971) RCA LP
• São Paulo-QG do baião (1974) RCA LP
• Sanfona do povo (1974) RCA LP
• Asa Branca (1975) RCA LP
• Luiz Gonzaga. Vol. 2 (1979) RCA LP
• Discografia básica (1979) RCA LP
• Luiz Gonzaga. Vol. 3 (1981) RCA LP
• Os grandes sucessos de Luiz Gonzaga (1982) RCA LP
• Os grandes momentos de Luiz Gonzaga (1982) Som Livre LP
• O Rei volta para casa (1982) RCA LP
• 45 anos de sucesso (1985) RCA LP
• 50 anos de chão (1988) RCA LP
CDs
• Êta cabra danado de bom (1993) Revivendo CD
• Sanfona dourada (1994) Revivendo CD
• Meu pé de serra (1995) Revivendo CD
• Volta pra curtir (2001) RCA/BMG CD
• Duetos com Mestre Lua-Gonzagão e convidados (2001) BMG CD
• Luiz Gonzaga e Carmélia Alves ao vivo (2001) BMG CD
• Despedida (2003) Revivendo CD
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Symphonia Brasil Barroco
A Symphonia Brasil Barroco é um grupo de câmara constituído aos moldes dos grupos musicais que atuaram nas igrejas no séc. XVIII no Brasil durante o período que a história da arte convencionou chamar de "barroco mineiro". A rigor, o "barroco mineiro" não se limita a um período histórico bem definido e uniforme. O termo neste caso não se restringe apenas ao estilo musical, mas também abriga as múltiplas manifestações artísticas e à concepção de mundo do período. Os traços presentes nas produções artísticas do "Barroco no Brasil" e em especial na música, apresentam marcas estilísticas do barroco, do arcadismo e do estilo galante em voga em meados do séc. XVIII. O barroco, adjetivado mineiro, se torna manifestação histórica ampla com suas qualidades intrínsecas, devido a sua originalidade de visão e suas múltiplas sensibilidades. É através da pesquisa destas diversidades e complexidades do estilo que a Symphonia Brasil Barroco, há vinte anos, direciona a interpretação do repertório setecentista produzido no Brasil.
A Symphonia Brasil Barroco espera continuar sempre contribuindo para a divulgação de uma expressão artística pouco conhecida entre nós, resgatando a memória de compositores brasileiros esquecidos pela história e incentivando a curiosidade e a formação de novos grupos/estudantes a pesquisar o estilo, reivindicando para o gênero o mesmo patamar de importância conquistada por outras formas de arte do período como a arquitetura, a escultura e a pintura.
Extraido: http://www.brasilbarroco.com/
A Symphonia Brasil Barroco espera continuar sempre contribuindo para a divulgação de uma expressão artística pouco conhecida entre nós, resgatando a memória de compositores brasileiros esquecidos pela história e incentivando a curiosidade e a formação de novos grupos/estudantes a pesquisar o estilo, reivindicando para o gênero o mesmo patamar de importância conquistada por outras formas de arte do período como a arquitetura, a escultura e a pintura.
Extraido: http://www.brasilbarroco.com/
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domingo, 22 de novembro de 2009
Van Canto - banda de capela
A Banda
É uma banda alemã que conta com 5 vocais e um baterista. Não usam guitarras, baixos, etc, pois caracterizam uma banda de capela. Não é porque não gostem dos instrumentos (alguns membros da banda tocam instrumentos em outras bandas), mas porque acham incrível o que se pode fazer com a voz.
A bateria é usada pois foi tentado o uso "baterias de voz", mas todos não passaram dos 2 minutos da música "Lifetime".
Integrantes
Formação Atual
Philip Dennis Schunke ("Sly") - vocal principal
Inga Scharf - vocal principal
Stefan Schmidt ("Stef") - vocais baixos, solos de guitarra
Ross Thompson - vocais altos
Ingo Sterzinger ("Ike") - vocais profundos
Bastian -bateria
Ex-integrantes
Dennis Strillinger ("Strilli") - Bateria
Discografia
Álbuns de Estúdio
A Storm to Come (2006)
Hero (2008)
É uma banda alemã que conta com 5 vocais e um baterista. Não usam guitarras, baixos, etc, pois caracterizam uma banda de capela. Não é porque não gostem dos instrumentos (alguns membros da banda tocam instrumentos em outras bandas), mas porque acham incrível o que se pode fazer com a voz.
A bateria é usada pois foi tentado o uso "baterias de voz", mas todos não passaram dos 2 minutos da música "Lifetime".
Integrantes
Formação Atual
Philip Dennis Schunke ("Sly") - vocal principal
Inga Scharf - vocal principal
Stefan Schmidt ("Stef") - vocais baixos, solos de guitarra
Ross Thompson - vocais altos
Ingo Sterzinger ("Ike") - vocais profundos
Bastian -bateria
Ex-integrantes
Dennis Strillinger ("Strilli") - Bateria
Discografia
Álbuns de Estúdio
A Storm to Come (2006)
Hero (2008)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Violão Brasileiro - Rosinha de Valença
Instrumentista (violonista). Cantora. Arranjadora. Compositora.
(Maria Rosa Canelas)
30/7/1941 Valença, RJ
10/6/2004 Valença, RJ
Sobrinha do músico Fio da Mulata, recebeu do tio as primeiras noções de violão, desenvolvendo, em seguida, sua própria técnica. Aos 12 anos de idade, já acompanhava cantores na Rádio de Valença e se apresentava, com um grupo regional, em bailes da sua cidade. Em 1960, abandonou os estudos para dedicar-se exclusivamente à música.
Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Sérgio Porto, que afirmava que a instrumentista tocava por uma cidade inteira, o que lhe valeu o nome artístico que passou a adotar desde então. O jornalista apresentou-a a Baden Powell e a Aloysio de Oliveira, que a contratou para gravar seu primeiro disco pela Elenco, "Apresentando Rosinha de Valença", que incluiu a faixa "Consolação", de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Nessa mesma época, apresentou-se em temporada na boate Bottle's (Beco das Garrafas). Trabalhou na noite carioca e na noite paulistana, acompanhando artistas como Eliana Pittman, Nara Leão e Quarteto em Cy, entre outros.
Em 1964, participou do show "O fino da bossa", realizado no Teatro Paramount (SP).
No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos com Jorge Ben (hoje Jorge Benjor), Wanda Sá, Tião Neto e Chico Batera, o recém formado Brasil 65 de Sérgio Mendes. O grupo apresentou-se em shows e, mais tarde, já sem o cantor Jorge Ben, gravou dois discos. Foi considerada uma das maiores violonistas da época.
No final de 1965, após sucesso nos Estados Unidos, Canadá e México, excursionou por 24 países europeus, patrocinada pelo Itamaraty, como solista de um grupo de música popular brasileira. Apresentou-se, ainda, no Japão. Em seguida, viajou para Paris, com uma bolsa de estudos concedida pela Embaixada da França.
Em 1967, acompanhou Maria Bethânia no show "Comigo me desavim".
No ano seguinte, viajou para Portugal, Itália, Suíça, Israel, Rússia e alguns países africanos. Trabalhou com artistas internacionais, como Stan Getz, Sarah Vaughan e Henry Mancini, entre outros.
Voltou para o Brasil em 1971 e participou de quatro LPs consecutivos de Martinho da Vila.
Em 1974, formou uma banda com diferentes formações, com a participação de João Donato e Copinha, entre outros integrantes, tendo um de seus shows gravado em LP. Mais tarde, viajou para a França, apresentando-se em concerto com a Orquestra Sinfônica de Leon.
Em 1992, foi vítima de uma paralisia cerebral, entrando em irreversível estado de coma.
Em 2000, foi homenageada com o show beneficente "Uma noite para Rosinha", realizado no Canecão (RJ). O espetáculo foi organizado por Jalusa Barcellos, da Secretaria Estadual de Cultura e apresentado por Sérgio Cabral. Contou com a direção geral de Haroldo Costa e a direção musical de Jorge Simas, e com a participação de Beth Carvalho, Célia Vaz, Claudette Soares, Toque de Prima, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Francis Hime, Olívia Hime, João Nogueira, Joanna, Joyce, Leci Brandão, Marisa Gata Mansa, Miúcha, MPB-4, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Quarteto em Cy, Valéria Venturini, Zezé Motta, Clarisse, Cristóvão Bastos, Carlos Malta, Luciana Rabello e Carlinhos 7 Cordas, entre outros.
Constam da relação dos intérpretes de suas canções Martinho da Vila, Joanna, Zezé Motta, Rui Maurity, Tito Madi, Nana Caymmi e César Camargo Mariano, Wanderléa, Leci Brandão, Maria Bethânia e Paulinho Nogueira, entre outros.
Faleceu no dia 10 de junho de 2004, após 12 anos em estado de coma. Nesse ano, foi lançado o CD "Namorando a Rosa", co-produzido por Maria Bethânia e Miúcha, com a participação de Martinho da Vila, Célia Vaz, Done Ivone Lara, Caetano Veloso, Chico Buarque, Joanna, Bebel Gilberto, Hermeto Pascoal, Turíbio Santos e Yamandú Costa. Abrindo o disco, a única faixa que conta com o violão da própria artista homenageada, "Pedacinhos do céu" (Waldir Azevedo), extraída do disco "Cheiro de mato" (1976). Constam também do repertório as canções "Prelúdio de Rosa" (Turíbio Santos), "Rosinha essa menina" (Paulinho da Viola) e "Mais uma rosa" (Hermeto Pascoal", além de composições da própria violonista, como "Os grilos são astros", "Usina de prata", "Madrinha lua", "Pro amor de Amsterdã" (c/ Martinho da Vila), "Meus zelos", "A pescaria".
Obra
Aproveita que deu certo (c/ Alceu Maia) • Araponga • Ave rara (c/ Thereza Tinoco) • Benzedeiras guardiãs (c/ Martinho da Vila) • Cabocla Jurema • Caboclo Ubiratan • Campo verde (c/ Sarah Benchimol) • Cana caiana (c/ Maria Bethânia) • Clara paixão (c/ Nonato Buzar e Sarah Benchimol) • Coisas da vida • Cuíca • Encontro das águas (c/ Nonato Buzar) • Fim de festa (c/ Leci Brandão) • Interior • Ladrão de pecados (c/ Thereza Tinoco) • Madrinha lua • Metade de nós (c/ Joanna) • Meus zêlos • Natureza (c/ Leci Brandão) • Os grilos são astros • Porto das Flores • Pro amor de Amsterdam (c/ Martinho da Vila) • Reino antigo (c/ Maria Bethânia) • Samba dos ancestrais (c/ Martinho da Vila) • Tema do Zeca da Cuíca • Tema espanhol (c/ Celinho) • Uirapuru (c/ Arthur Laranjeiras) • Usina de prata • Vila de Santa Tereza (c/ Elisa Marina).
Discografia:
• Apresentando Rosinha de Valença (1963) Elenco LP
• Rosinha de Valença ao vivo (1966) Forma LP
• Rosinha de Valença apresenta Ipanema beat (1970) RCA Victor LP
• Um violão em primeiro plano (1971) RCA Victor LP
• Rosinha de Valença (1973) Som Livre LP
• Rosinha de Valença e banda ao vivo (1975) Odeon LP
• Cheiro de mato (1976) EMI-Odeon LP
• Sivuca e Rosinha de Valença ao vivo (1977) RCA Pure Gold LP
• Violões em dois estilos. Rosinha de Valença e Waltel Blanco (1980) Som Livre LP
• Participações ()
• In person at El Matador. Sergio Mendes & Brasil' 65 (1965) Atlantic/Fermata LP, CD
• Brasil' 65-Wanda de Sah featuring The Sergio Mendes Trio (1965) Capitol LP
Tributo:
• Namorando a Rosa (2004) Quitanda/Biscoito Fino CD.
Trecho de show de Rosinha na TVC.
(Maria Rosa Canelas)
30/7/1941 Valença, RJ
10/6/2004 Valença, RJ
Sobrinha do músico Fio da Mulata, recebeu do tio as primeiras noções de violão, desenvolvendo, em seguida, sua própria técnica. Aos 12 anos de idade, já acompanhava cantores na Rádio de Valença e se apresentava, com um grupo regional, em bailes da sua cidade. Em 1960, abandonou os estudos para dedicar-se exclusivamente à música.
Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Sérgio Porto, que afirmava que a instrumentista tocava por uma cidade inteira, o que lhe valeu o nome artístico que passou a adotar desde então. O jornalista apresentou-a a Baden Powell e a Aloysio de Oliveira, que a contratou para gravar seu primeiro disco pela Elenco, "Apresentando Rosinha de Valença", que incluiu a faixa "Consolação", de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Nessa mesma época, apresentou-se em temporada na boate Bottle's (Beco das Garrafas). Trabalhou na noite carioca e na noite paulistana, acompanhando artistas como Eliana Pittman, Nara Leão e Quarteto em Cy, entre outros.
Em 1964, participou do show "O fino da bossa", realizado no Teatro Paramount (SP).
No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos com Jorge Ben (hoje Jorge Benjor), Wanda Sá, Tião Neto e Chico Batera, o recém formado Brasil 65 de Sérgio Mendes. O grupo apresentou-se em shows e, mais tarde, já sem o cantor Jorge Ben, gravou dois discos. Foi considerada uma das maiores violonistas da época.
No final de 1965, após sucesso nos Estados Unidos, Canadá e México, excursionou por 24 países europeus, patrocinada pelo Itamaraty, como solista de um grupo de música popular brasileira. Apresentou-se, ainda, no Japão. Em seguida, viajou para Paris, com uma bolsa de estudos concedida pela Embaixada da França.
Em 1967, acompanhou Maria Bethânia no show "Comigo me desavim".
No ano seguinte, viajou para Portugal, Itália, Suíça, Israel, Rússia e alguns países africanos. Trabalhou com artistas internacionais, como Stan Getz, Sarah Vaughan e Henry Mancini, entre outros.
Voltou para o Brasil em 1971 e participou de quatro LPs consecutivos de Martinho da Vila.
Em 1974, formou uma banda com diferentes formações, com a participação de João Donato e Copinha, entre outros integrantes, tendo um de seus shows gravado em LP. Mais tarde, viajou para a França, apresentando-se em concerto com a Orquestra Sinfônica de Leon.
Em 1992, foi vítima de uma paralisia cerebral, entrando em irreversível estado de coma.
Em 2000, foi homenageada com o show beneficente "Uma noite para Rosinha", realizado no Canecão (RJ). O espetáculo foi organizado por Jalusa Barcellos, da Secretaria Estadual de Cultura e apresentado por Sérgio Cabral. Contou com a direção geral de Haroldo Costa e a direção musical de Jorge Simas, e com a participação de Beth Carvalho, Célia Vaz, Claudette Soares, Toque de Prima, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Francis Hime, Olívia Hime, João Nogueira, Joanna, Joyce, Leci Brandão, Marisa Gata Mansa, Miúcha, MPB-4, Paulinho da Viola, Paulo César Pinheiro, Quarteto em Cy, Valéria Venturini, Zezé Motta, Clarisse, Cristóvão Bastos, Carlos Malta, Luciana Rabello e Carlinhos 7 Cordas, entre outros.
Constam da relação dos intérpretes de suas canções Martinho da Vila, Joanna, Zezé Motta, Rui Maurity, Tito Madi, Nana Caymmi e César Camargo Mariano, Wanderléa, Leci Brandão, Maria Bethânia e Paulinho Nogueira, entre outros.
Faleceu no dia 10 de junho de 2004, após 12 anos em estado de coma. Nesse ano, foi lançado o CD "Namorando a Rosa", co-produzido por Maria Bethânia e Miúcha, com a participação de Martinho da Vila, Célia Vaz, Done Ivone Lara, Caetano Veloso, Chico Buarque, Joanna, Bebel Gilberto, Hermeto Pascoal, Turíbio Santos e Yamandú Costa. Abrindo o disco, a única faixa que conta com o violão da própria artista homenageada, "Pedacinhos do céu" (Waldir Azevedo), extraída do disco "Cheiro de mato" (1976). Constam também do repertório as canções "Prelúdio de Rosa" (Turíbio Santos), "Rosinha essa menina" (Paulinho da Viola) e "Mais uma rosa" (Hermeto Pascoal", além de composições da própria violonista, como "Os grilos são astros", "Usina de prata", "Madrinha lua", "Pro amor de Amsterdã" (c/ Martinho da Vila), "Meus zelos", "A pescaria".
Obra
Aproveita que deu certo (c/ Alceu Maia) • Araponga • Ave rara (c/ Thereza Tinoco) • Benzedeiras guardiãs (c/ Martinho da Vila) • Cabocla Jurema • Caboclo Ubiratan • Campo verde (c/ Sarah Benchimol) • Cana caiana (c/ Maria Bethânia) • Clara paixão (c/ Nonato Buzar e Sarah Benchimol) • Coisas da vida • Cuíca • Encontro das águas (c/ Nonato Buzar) • Fim de festa (c/ Leci Brandão) • Interior • Ladrão de pecados (c/ Thereza Tinoco) • Madrinha lua • Metade de nós (c/ Joanna) • Meus zêlos • Natureza (c/ Leci Brandão) • Os grilos são astros • Porto das Flores • Pro amor de Amsterdam (c/ Martinho da Vila) • Reino antigo (c/ Maria Bethânia) • Samba dos ancestrais (c/ Martinho da Vila) • Tema do Zeca da Cuíca • Tema espanhol (c/ Celinho) • Uirapuru (c/ Arthur Laranjeiras) • Usina de prata • Vila de Santa Tereza (c/ Elisa Marina).
Discografia:
• Apresentando Rosinha de Valença (1963) Elenco LP
• Rosinha de Valença ao vivo (1966) Forma LP
• Rosinha de Valença apresenta Ipanema beat (1970) RCA Victor LP
• Um violão em primeiro plano (1971) RCA Victor LP
• Rosinha de Valença (1973) Som Livre LP
• Rosinha de Valença e banda ao vivo (1975) Odeon LP
• Cheiro de mato (1976) EMI-Odeon LP
• Sivuca e Rosinha de Valença ao vivo (1977) RCA Pure Gold LP
• Violões em dois estilos. Rosinha de Valença e Waltel Blanco (1980) Som Livre LP
• Participações ()
• In person at El Matador. Sergio Mendes & Brasil' 65 (1965) Atlantic/Fermata LP, CD
• Brasil' 65-Wanda de Sah featuring The Sergio Mendes Trio (1965) Capitol LP
Tributo:
• Namorando a Rosa (2004) Quitanda/Biscoito Fino CD.
Trecho de show de Rosinha na TVC.
sábado, 31 de outubro de 2009
Pérola do futebol novinha em folha...
Vasco 1 x Bahia 0. Segundo turno, campeonato brasileiro 2009, série B.
Repórter : E aí, Bebeto, no segundo tempo partir para cima do Vasco, pois o Bahia está precisando de ponto...
Bebeto: É tomamos um gol pela falta de atenção ali do nosso zagueiro. Vamos agora para o intervalo e o professor vai conversar com nós. No segundo tempo nós voltamos com tudo para cima do Vasco. Primeiro a gente faz um gol e depois o outro para vencer a partida.
Será que ele queria fazer os dois gols de uma só vez? A regra aceitaria se fosse possível fazer?
Colaboração: H. Cesar Pinheiro.
Repórter : E aí, Bebeto, no segundo tempo partir para cima do Vasco, pois o Bahia está precisando de ponto...
Bebeto: É tomamos um gol pela falta de atenção ali do nosso zagueiro. Vamos agora para o intervalo e o professor vai conversar com nós. No segundo tempo nós voltamos com tudo para cima do Vasco. Primeiro a gente faz um gol e depois o outro para vencer a partida.
Será que ele queria fazer os dois gols de uma só vez? A regra aceitaria se fosse possível fazer?
Colaboração: H. Cesar Pinheiro.
Violão Brasileiro - Garoto
Começou por aí...
Filho do casal de imigrantes portugueses Antônio Augusto Sardinha e Adosinda dos Anjos Sardinha, foi o primeiro a nascer no Brasil. O pai tocava guitarra portuguesa e violão. Desde muito cedo interessou-se pela música, iniciando seus experimentos em uma viola improvisada de pau e corda. Desde os 11 anos de idade, começou a trabalhar para auxiliar no sustento da casa, empregando-se como ajudante numa loja de instrumentos situada no bairro do Brás. Seu primeiro instrumento, um banjo, lhe foi dado por seu irmão Batista, que além de dedilhar o instrumento, era violonista e cantor. Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnatali, de quem foi grande amigo.
Em 1926, com 11 anos de idade, começou tocando banjo no conjunto Regional Irmãos Armani, passando a ser conhecido desde então como Moleque do Banjo. Saindo do regional, em 1927, passou a tocar no Conjunto dos Sócios, de seu irmão Inocêncio, apresentando-se em reuniões e festas. Sua primeira oportunidade surgiu em 1929, quando, na exposição no Palácio das Indústrias, atuou num grande conjunto tocando ao lado de Canhoto, Zezinho e Mota. Posteriormente, formaram um conjunto orquestral. Seu ingresso na vida artística deveu-se inicialmente ao cantor Paraguassu, com quem fez suas primeiras gravações e várias excursões pelo interior de São Paulo. Ainda em 1929, apareceu como integrante do conjunto Chorões Sertanejos, que chegou a fazer algumas gravações pela etiqueta Parlophon. Nesta época, conheceu o violonista Aimoré (José Alves da Silva), com quem passa a atuar, seja em grupo, seja em duo, excursionando pelo interior nos intervalos das apresentações paulistanas.
Em 1930, estreou em disco solo, quando o maestro Francisco Mignone, na época diretor artístico da Parlophon, o recebeu para um teste, ao lado do violonista Serelepe. Foram convidados a gravar neste mesmo dia, registrando o maxixe-choro "Bichinho de queijo" e o maxixe "Driblando", ambas composições de sua autoria, em duo de banjo e violão. Em 1931, já tendo participado de programas na Rádio Record, foi convidado a atuar na Rádio Educadora Paulista (mais tarde Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim, quando então passou a substituir Zezinho do Banjo, o posteriormenete famoso Zé Carioca, que se transferiu para a Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1934, foi convidado por Jaime Redondo para atuar na Rádio Cosmos, onde passou a integrar o conjunto regional de Petit (Hudson Gaia), atuando ao lado de Aimoré, Atílio Grany e Pingo. Em julho de 1935, fez sucesso com Aimoré ao se apresentarem no Pavilhão de Festas da Exposição Rodoferroviária do Paraná. No intervalo dessas excursões, a dupla participou do filme musical "Fazendo fitas", uma sátira aos primeiros filmes sonoros brasileiros, dirigido por Vittorio Capellaro. Apresentando-se na Quarta Caravana Artística e na Rádio Clube Paranaense, recebeu proposta para atuar com Aimoré no Cassino Farroupilha, em Porto Alegre, onde assinaram seu primeiro contrato como dupla. De lá seguiram para a Argentina, acompanhando Carlos Gardel em alguns números. Retornando a São Paulo, a dupla apresentou-se a Sílvio Caldas que os convidou para uma temporada em Santos, na qual obteve grande sucesso tocando violão tenor.
Em 1936, gravou com solos de guitarra havaiana com acompanhamento de Aimoré duas obras suas, o choro "Dolente" e a valsa "Moreninha". Neste mesmo ano, por indicação de Sílvio Caldas e através de César Ladeira, Garoto e Aimoré foram convidados a atuar na Rádio Mayrink Veiga, emissora que possuía na época um dos melhores elencos do Rio. O excesso de trabalho lhe acarretou problemas de saúde, fazendo com que interrompesse por alguns meses suas atividades no Rio de Janeiro. Em 1937, já restabalecido, foi convidado pelo maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel), a integrar na Rádio Cruzeiro do Sul, de São Paulo, o conjunto regional e a orquestra Columbia. Com a volta de Aimoré em abril de 1937, retomam seu trabalho em dupla, apresentando-se nas estações PRB-6 (Rádio Cruzeiro do Sul) e PRE-7 (Rádio Cosmos) da organização Byington, até 1938, quando transferiu-se para o Rio de Janeiro terminando a dupla. No Rio, voltou à Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, também com acompanhamento de Aimoré, gravou na guitarra havaiana a valsa "Sobre o mar" e no violão tenor o choro "Quinze de julho", ambas de sua autoria.
Em dezembro de 1938 passou a atuar ao lado de Carmem Miranda e Laurindo de Almeida. Com Laurindo, formaria a "Dupla do ritmo sincopado" e o conjunto Cordas Quentes. Em dupla com Aimoré fez ainda inúmeras gravações para a Odeon, acompanhando grandes nomes da época. Em 1939, gravou na Victor com o violonista Laurindo de Almeida os fox trots "Dá-me tuas mãos", de Roberto Martins e Mário Lago e "Música maestro por favor", de Wrubel e H. Magidson. Em outubro do mesmo ano, quando acompanhava Carmen Miranda que se apresentava nos EUA com o conjunto Bando da Lua, foi convidado a substituir Ivo Astolfi, integrante que estava deixando o Bando da Lua. Foi convidado a ir também e se constitiu num sucesso à parte, destacando-se naturalmente do conjunto. Marcou também sua presença na Feira Mundial de Nova Iorque ao lado de outros artistas brasileiros como Romeu Silva e sua orquestra e Zé Carioca. Ainda nos Estados Unidos, participou do filme "Down Argentine Way" rodado em 1940 pela Fox, com Carmen Miranda, que estreou no Brasil com o título de "Serenata Tropical". Em março de 1940, apresentou-se com Carmen Miranda para o presidente Roosevelt na Casa Branca, na comemoração da passagem de seu sétimo ano de Presidência. Após oito meses de permanência no exterior, retornou ao Brasil. De volta ao Rio de Janeiro, retomou suas atividades na Rádio Mayrink Veiga, formando o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo do Pandeiro.
Em 1941, gravou com o grupo Seus Garotos, com canto de Valdemar Reis, os sambas "Compromisso para as dez", de sua autoria e Natal César e "Ingratidão", de sua autoria e Geraldo Queiroz. Em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da rádio, regida por Radamés Gnattali, apresentando-se também em trios, duos e como solista. No mesmo ano, gravou na Odeon a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Quanto dói uma saudade", de sua autoria. Ainda no mesmo ano, gravou o primeiro dos seis discos que fez com Carolina Cardoso de Menezes para a Victor com o fox
"Maria Helena", de Lorenzo Baecelata e o choro "Amoroso", de sua autoria. No ano seguinte, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os foxes "Amor-Cielito lindo", de G. Ruiz, "Jalousie", de Jacob Gade, "Un peu d'amour", de Adrian Ross e "Amoureuse", e Rodolphe Berger e os choros "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu e "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro. Nesse período participou de vários programas com a pianista. Em 1944, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os choros "Rato rato", de Casimiro Rocha" e "Fala, bandolim", de José Augusto Gil e, com vocal de Ruy Rey, o fox "Dor de um coração", de José Augusto Gil e "Os patinadores", de Waldteufel.
Em 1946, gravou na Continental como solista do Bossa Clube os choros "Sonhador" e "Celestial", de sua autoria. No mesmo ano, gravou os choros "Ameno Resedá", de Ernesto Nazareth e "Meu cavaquinho", de sua autoria. Prosseguiuna carreira fazendo muitas viagens, atuações em cassinos e rádio. Apareceu no programa "Nada além" e "Bossa clube" do qual também participavam Carolina Cardoso de Meneses, Luis Bonfá, entre outros. Nessa época, já havia gravado pela Columbia, pela Victor, Continental, sendo, contudo, a maior parte de sua discografia gravada na Odeon.
Em 1949, gravou ao bandolim o choro "1x0", de Pixinguinha e Benedito Lacerda e ao violão tenor o choro "Língua de preto", de Honório Lopes. No mesmo ano, gravou ao violão os choros "Puxa-puxa" e "Caramelo", de sua autoria. No ano seguinte, gravou ao bandolim os choros "Arranca toco", de Jaime Florence e "Dinorá", de Benedito Lacerda e José Ramos e "Desvairada", de sua autoria e a valsa choro "Beira mar", de Atílio Bernardini. Em 1951, gravou ao violão elétrico a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Tristeza de um violão", de sua autoria. No mesmo ano, ao cavaquinho gravou o baião "Meu coração", de sua autoria, ao bandolim os choros "Triste alegria", de Bonfíglio de Oliveira e "Famoso", de Ernesto Nazareth e na guitarra havaiana o bolero "Errei sim", de Ataulfo Alves. Ainda no mesmo ano, acompanhou com Radamés Gnattali o cantor Dick Farney na gravação do samba toada "Canção do vaqueiro", de Luiz Bonfá e o samba "Nick bar", de sua autoria e José Vasconcelos, este último, um dos destaques do ano seguinte. Em 1952, gravou os choros "Artigo do dia", de Valdemar de Abreu, o Dunga ao violão tenor e "Guanabara", de Roberto Martins ao violão tenor. Ao bandolim gravou o "Baião caçula", de Mário Gennari Filho. Ao cavaquinho gravou o baião "Kalú", de Humberto Teixeira com grande sucesso e com a qual alcançou o terceiro lugar nas paradas de sucesso, segundo a Revista Carioca de outubro de 1952. Ao bandolim, o choro "Perigoso", de Ernesto Nazareth. Ainda no mesmo ano, gravou ao violão tenor os choros "Um baile em Catumbi", de Eduardo Souto e "Sempre", de K. Ximbinho. Também no mesmo ano, formou dupla com José Meneses participando dos programas "Nada além de dois minutos", "Ao som do viola" e "Um milhão de melodias", em que eram solistas da orquestra da Rádio Nacional. Ainda em 1952, integrou o Trio Surdina, produzido por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional, formado por Fafá Lemos (violino e assobios) e Chiquinho (acordeom). O trio gravou dois LPs de 10 polegadas a convite de Nilo Sérgio pela Musidisc. Nessas gravações participaram ainda Vidal no contrabaixo e Bicalho como ritmista.
Em 1953, gravou ao cavaquinho, de sua autoria, ";Xaxadinho" e "Cavaquinho boogie" e o baião "Chegou a hora", de Rubens Campos e Henricão. No mesmo ano, gravou com Mário Gennari Filho e Tobias Troisi a valsa "Luzes da ribalta", de Charles Chaplin e "Le Lac de come", de C. Galos. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o dobrado "São Paulo quatrocentão" e o "Baião rouxinol", de sua parceria com Chiquinho. O sucesso bateu definitivamente à sua porta com a gravação de "São Paulo quatrocentão", disco que alcançou a vendagem de 700 mil cópias, recorde que se manteria por muito tempo na história do disco brasileiro. No mesmo ano, a cantora e posteriormente também apresentadora de TV Hebe Camargo gravou "São Paulo quatrocentão" com letra de Avaré. Ainda em 1953, participou da Temporada Nacional de Arte, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, executando sob a regência de Eleazar de Carvalho o "Concertino nº 2" (para violão e orquestra de câmara) de Radamés Gnattali, dedicado a ele, levando pela primeira vez o violão brasileiro ao Teatro Municipal. Em1954, gravou o "Baião paulista" e o choro "Romântico", ambas de Paulo César e Di Veras. No mesmo ano, gravou com Joel de Almeida a música " Arucaia", de J. Sandoval. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o "Baile da Camacha", J. Santos e o corrido "Corridinho 1951", de J. Gomes Figueiredo. Em agosto de 1954, a Rádio Gazeta de São Paulo o recebeu para um programa muito especial: a Suíte de Gala Antártica. Neste programa, o violonista executou a "Suíte para piano e violão" onde, em seis movimentos, estão reunidos diferentes gêneros da música brasileira (Invocação a Xangô, toada, choro, samba-canção, baião e marcha) e o "Concertino nº 2, para violão e orquestra de câmara", ambas composições de Radamés Gnattali. Do programa, participaram ainda o pianista Fritz Jank e a orquestra sinfônica da PRA-6, regida por Armando Belardi. Em 1955, gravou com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeon, no Trio Surdina, o samba canção "Duas contas", com melodia e letra de sua autoria, única música com letra no LP instrumental lançado pela Musidisc sendo cantada por Fafá Lemos, tornando-se um clássico da música popular brasileira. No mesmo ano, gravou na guitarra a "Valsa do adeus" e "Mazurka", de Chopin. Registradas respectivamente em março e abril daquele ano, foram suas últimas gravações.
Como compositor, além de "São Paulo quatrocentão", obteve grande sucesso com "Amoroso", parceria com Luis Bittencourt, "Estranho amor", com David Nasser, "Duas Contas" e "Gente humilde", cuja letra foi escrita posteriormente por Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Faleceu em 1955 de ataque cardíaco, quando planejava uma excursão à Europa. Sem dúvida, um dos grandes instrumentistas brasileiros, deixou para o violão composições da maior relevância do ponto de vista musical e técnico, aliando à harmonização sofisticada e de extremo bom gosto, uma linha melódica de contornos modernos e tipicamente brasileiros, sempre com grande musicalidade e beleza. Sua harmonização, baseada em acordes alterados, com progressões incomuns para a época (diziam que fazia música para músicos), fez com que sua obra fosse considerada precurssora das características que seriam desenvolvidas posteriormente na Bossa Nova. Em 1980, o violonista Geraldo Ribeiro, lançou pela Editora Musical Pierrot transcrições da sua obra. Posteriormente, o violonista Paulo Bellinati lançou pela Guitar Solo Publications of San Francisco transcrições e arranjos feitos a partir de gravações e manuscritos do compositor.
Carimbou...
• Bichinho-de-queijo/Driblando (1930) Parlaphon 78
• Moreninha/Dolente (1936) Columbia 78
• Sobre o mar/Quinze de julho (1937) Columbia 78
• Dá-me tuas mãos/Música maestro por favor (1939) Victor 78
• Compromisso para as dez/Ingratidão (1941) Victor 78
• Abismo de rosas/Quanto dói uma saudade (1942) Odeon 78
• Maria Helena/Amoroso (1942) Victor 78
• Amor-Cielito lindo/Jalousie (1943) Victor 78
• Tico-tico no fubá/Carinhoso (1943) Victor 78
• Un peu d'amour/Amoreuse (1943) Victor 78
• Rato rato/Fala, bandolim! (1944) Victor 78
• Dor de um coração/Os patinadores (1944) Victor 78
• Sonhador/Celestial (1946) Continental 78
• Ameno Resedá/Meu cavaquinho (1946) Continental 78
• 1 x 0/Língua de preto (1949) Odeon 78
• Puxa-puxa/Caramelo (1949) Continental 78
• Arranca toco/Desvairada (1950) Odeon 78
• Dinorá/Beira-mar (1950) Odeon 78
• Abismo de rosas/Tristeza de um violão (1951) Odeon 78
• Meu coração/Triste alegria (1951) Odeon 78
• Errei, sim/Famoso (1951) Odeon 78
• Artigo do dia/Guanabara (1952) Odeon 78
• Baião caçula/Perigoso (1952) Odeon 78
• Um baile em Catumbi/Sempre (1952) Odeon 78
• Vamos acabar com o baile/Paulistinha dengosa (1952) Odeon 78
• Kalú/Melancolie (1952) Odeon 78
• Xaxadinho/Cavaquinho boogie (1953) Odeon 78
• Cuco/Chegou a hora (1953) Odeon 78
• Luzes da ribalta/Le Lac de come (1953) odeon 78
• São Paulo quatrocentão/Baião rouxinol (1953) Odeon 78
• Baião paulista/Romântico (1954) Odeon 78
• Sob o céu de Paris/Oh! (1954) Odeon 78
• Arucaia(com Joel de almeida)/Príncipe (1954) Odeon 78
• Baile da Camacha/Corridinho 1951 (1954) Odeon 78
• A abelha e a borboleta/João Viola (1955) Odeon 78
• O sino da capelinha/Polquinha sapeca (1954) Odeon 78
• Valsa do adeus/Mazurka (1955) Odeon 78
• Garoto revive em alta fidelidade (1955) Odeon LP
Meditação e Lamentos do Morro (Garoto)com Paulo Bellinati.
Filho do casal de imigrantes portugueses Antônio Augusto Sardinha e Adosinda dos Anjos Sardinha, foi o primeiro a nascer no Brasil. O pai tocava guitarra portuguesa e violão. Desde muito cedo interessou-se pela música, iniciando seus experimentos em uma viola improvisada de pau e corda. Desde os 11 anos de idade, começou a trabalhar para auxiliar no sustento da casa, empregando-se como ajudante numa loja de instrumentos situada no bairro do Brás. Seu primeiro instrumento, um banjo, lhe foi dado por seu irmão Batista, que além de dedilhar o instrumento, era violonista e cantor. Ao longo de sua carreira, estudou música com Atílio Bernardini e composição com João Sepe, cursando matérias afins com Radamés Gnatali, de quem foi grande amigo.
Em 1926, com 11 anos de idade, começou tocando banjo no conjunto Regional Irmãos Armani, passando a ser conhecido desde então como Moleque do Banjo. Saindo do regional, em 1927, passou a tocar no Conjunto dos Sócios, de seu irmão Inocêncio, apresentando-se em reuniões e festas. Sua primeira oportunidade surgiu em 1929, quando, na exposição no Palácio das Indústrias, atuou num grande conjunto tocando ao lado de Canhoto, Zezinho e Mota. Posteriormente, formaram um conjunto orquestral. Seu ingresso na vida artística deveu-se inicialmente ao cantor Paraguassu, com quem fez suas primeiras gravações e várias excursões pelo interior de São Paulo. Ainda em 1929, apareceu como integrante do conjunto Chorões Sertanejos, que chegou a fazer algumas gravações pela etiqueta Parlophon. Nesta época, conheceu o violonista Aimoré (José Alves da Silva), com quem passa a atuar, seja em grupo, seja em duo, excursionando pelo interior nos intervalos das apresentações paulistanas.
Em 1930, estreou em disco solo, quando o maestro Francisco Mignone, na época diretor artístico da Parlophon, o recebeu para um teste, ao lado do violonista Serelepe. Foram convidados a gravar neste mesmo dia, registrando o maxixe-choro "Bichinho de queijo" e o maxixe "Driblando", ambas composições de sua autoria, em duo de banjo e violão. Em 1931, já tendo participado de programas na Rádio Record, foi convidado a atuar na Rádio Educadora Paulista (mais tarde Gazeta), tocando cavaquinho e bandolim, quando então passou a substituir Zezinho do Banjo, o posteriormenete famoso Zé Carioca, que se transferiu para a Rádio Cruzeiro do Sul. Em 1934, foi convidado por Jaime Redondo para atuar na Rádio Cosmos, onde passou a integrar o conjunto regional de Petit (Hudson Gaia), atuando ao lado de Aimoré, Atílio Grany e Pingo. Em julho de 1935, fez sucesso com Aimoré ao se apresentarem no Pavilhão de Festas da Exposição Rodoferroviária do Paraná. No intervalo dessas excursões, a dupla participou do filme musical "Fazendo fitas", uma sátira aos primeiros filmes sonoros brasileiros, dirigido por Vittorio Capellaro. Apresentando-se na Quarta Caravana Artística e na Rádio Clube Paranaense, recebeu proposta para atuar com Aimoré no Cassino Farroupilha, em Porto Alegre, onde assinaram seu primeiro contrato como dupla. De lá seguiram para a Argentina, acompanhando Carlos Gardel em alguns números. Retornando a São Paulo, a dupla apresentou-se a Sílvio Caldas que os convidou para uma temporada em Santos, na qual obteve grande sucesso tocando violão tenor.
Em 1936, gravou com solos de guitarra havaiana com acompanhamento de Aimoré duas obras suas, o choro "Dolente" e a valsa "Moreninha". Neste mesmo ano, por indicação de Sílvio Caldas e através de César Ladeira, Garoto e Aimoré foram convidados a atuar na Rádio Mayrink Veiga, emissora que possuía na época um dos melhores elencos do Rio. O excesso de trabalho lhe acarretou problemas de saúde, fazendo com que interrompesse por alguns meses suas atividades no Rio de Janeiro. Em 1937, já restabalecido, foi convidado pelo maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel), a integrar na Rádio Cruzeiro do Sul, de São Paulo, o conjunto regional e a orquestra Columbia. Com a volta de Aimoré em abril de 1937, retomam seu trabalho em dupla, apresentando-se nas estações PRB-6 (Rádio Cruzeiro do Sul) e PRE-7 (Rádio Cosmos) da organização Byington, até 1938, quando transferiu-se para o Rio de Janeiro terminando a dupla. No Rio, voltou à Rádio Mayrink Veiga. No mesmo ano, também com acompanhamento de Aimoré, gravou na guitarra havaiana a valsa "Sobre o mar" e no violão tenor o choro "Quinze de julho", ambas de sua autoria.
Em dezembro de 1938 passou a atuar ao lado de Carmem Miranda e Laurindo de Almeida. Com Laurindo, formaria a "Dupla do ritmo sincopado" e o conjunto Cordas Quentes. Em dupla com Aimoré fez ainda inúmeras gravações para a Odeon, acompanhando grandes nomes da época. Em 1939, gravou na Victor com o violonista Laurindo de Almeida os fox trots "Dá-me tuas mãos", de Roberto Martins e Mário Lago e "Música maestro por favor", de Wrubel e H. Magidson. Em outubro do mesmo ano, quando acompanhava Carmen Miranda que se apresentava nos EUA com o conjunto Bando da Lua, foi convidado a substituir Ivo Astolfi, integrante que estava deixando o Bando da Lua. Foi convidado a ir também e se constitiu num sucesso à parte, destacando-se naturalmente do conjunto. Marcou também sua presença na Feira Mundial de Nova Iorque ao lado de outros artistas brasileiros como Romeu Silva e sua orquestra e Zé Carioca. Ainda nos Estados Unidos, participou do filme "Down Argentine Way" rodado em 1940 pela Fox, com Carmen Miranda, que estreou no Brasil com o título de "Serenata Tropical". Em março de 1940, apresentou-se com Carmen Miranda para o presidente Roosevelt na Casa Branca, na comemoração da passagem de seu sétimo ano de Presidência. Após oito meses de permanência no exterior, retornou ao Brasil. De volta ao Rio de Janeiro, retomou suas atividades na Rádio Mayrink Veiga, formando o conjunto Garoto e seus Garotos, integrado por Valdemar Reis, Poli e Almeida ao violão, e Russo do Pandeiro.
Em 1941, gravou com o grupo Seus Garotos, com canto de Valdemar Reis, os sambas "Compromisso para as dez", de sua autoria e Natal César e "Ingratidão", de sua autoria e Geraldo Queiroz. Em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da rádio, regida por Radamés Gnattali, apresentando-se também em trios, duos e como solista. No mesmo ano, gravou na Odeon a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Quanto dói uma saudade", de sua autoria. Ainda no mesmo ano, gravou o primeiro dos seis discos que fez com Carolina Cardoso de Menezes para a Victor com o fox
"Maria Helena", de Lorenzo Baecelata e o choro "Amoroso", de sua autoria. No ano seguinte, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os foxes "Amor-Cielito lindo", de G. Ruiz, "Jalousie", de Jacob Gade, "Un peu d'amour", de Adrian Ross e "Amoureuse", e Rodolphe Berger e os choros "Tico-tico no fubá", de Zequinha de Abreu e "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro. Nesse período participou de vários programas com a pianista. Em 1944, gravou com Carolina Cardoso de Menezes os choros "Rato rato", de Casimiro Rocha" e "Fala, bandolim", de José Augusto Gil e, com vocal de Ruy Rey, o fox "Dor de um coração", de José Augusto Gil e "Os patinadores", de Waldteufel.
Em 1946, gravou na Continental como solista do Bossa Clube os choros "Sonhador" e "Celestial", de sua autoria. No mesmo ano, gravou os choros "Ameno Resedá", de Ernesto Nazareth e "Meu cavaquinho", de sua autoria. Prosseguiuna carreira fazendo muitas viagens, atuações em cassinos e rádio. Apareceu no programa "Nada além" e "Bossa clube" do qual também participavam Carolina Cardoso de Meneses, Luis Bonfá, entre outros. Nessa época, já havia gravado pela Columbia, pela Victor, Continental, sendo, contudo, a maior parte de sua discografia gravada na Odeon.
Em 1949, gravou ao bandolim o choro "1x0", de Pixinguinha e Benedito Lacerda e ao violão tenor o choro "Língua de preto", de Honório Lopes. No mesmo ano, gravou ao violão os choros "Puxa-puxa" e "Caramelo", de sua autoria. No ano seguinte, gravou ao bandolim os choros "Arranca toco", de Jaime Florence e "Dinorá", de Benedito Lacerda e José Ramos e "Desvairada", de sua autoria e a valsa choro "Beira mar", de Atílio Bernardini. Em 1951, gravou ao violão elétrico a valsa "Abismo de rosas", de Canhoto e o choro "Tristeza de um violão", de sua autoria. No mesmo ano, ao cavaquinho gravou o baião "Meu coração", de sua autoria, ao bandolim os choros "Triste alegria", de Bonfíglio de Oliveira e "Famoso", de Ernesto Nazareth e na guitarra havaiana o bolero "Errei sim", de Ataulfo Alves. Ainda no mesmo ano, acompanhou com Radamés Gnattali o cantor Dick Farney na gravação do samba toada "Canção do vaqueiro", de Luiz Bonfá e o samba "Nick bar", de sua autoria e José Vasconcelos, este último, um dos destaques do ano seguinte. Em 1952, gravou os choros "Artigo do dia", de Valdemar de Abreu, o Dunga ao violão tenor e "Guanabara", de Roberto Martins ao violão tenor. Ao bandolim gravou o "Baião caçula", de Mário Gennari Filho. Ao cavaquinho gravou o baião "Kalú", de Humberto Teixeira com grande sucesso e com a qual alcançou o terceiro lugar nas paradas de sucesso, segundo a Revista Carioca de outubro de 1952. Ao bandolim, o choro "Perigoso", de Ernesto Nazareth. Ainda no mesmo ano, gravou ao violão tenor os choros "Um baile em Catumbi", de Eduardo Souto e "Sempre", de K. Ximbinho. Também no mesmo ano, formou dupla com José Meneses participando dos programas "Nada além de dois minutos", "Ao som do viola" e "Um milhão de melodias", em que eram solistas da orquestra da Rádio Nacional. Ainda em 1952, integrou o Trio Surdina, produzido por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional, formado por Fafá Lemos (violino e assobios) e Chiquinho (acordeom). O trio gravou dois LPs de 10 polegadas a convite de Nilo Sérgio pela Musidisc. Nessas gravações participaram ainda Vidal no contrabaixo e Bicalho como ritmista.
Em 1953, gravou ao cavaquinho, de sua autoria, ";Xaxadinho" e "Cavaquinho boogie" e o baião "Chegou a hora", de Rubens Campos e Henricão. No mesmo ano, gravou com Mário Gennari Filho e Tobias Troisi a valsa "Luzes da ribalta", de Charles Chaplin e "Le Lac de come", de C. Galos. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o dobrado "São Paulo quatrocentão" e o "Baião rouxinol", de sua parceria com Chiquinho. O sucesso bateu definitivamente à sua porta com a gravação de "São Paulo quatrocentão", disco que alcançou a vendagem de 700 mil cópias, recorde que se manteria por muito tempo na história do disco brasileiro. No mesmo ano, a cantora e posteriormente também apresentadora de TV Hebe Camargo gravou "São Paulo quatrocentão" com letra de Avaré. Ainda em 1953, participou da Temporada Nacional de Arte, realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, executando sob a regência de Eleazar de Carvalho o "Concertino nº 2" (para violão e orquestra de câmara) de Radamés Gnattali, dedicado a ele, levando pela primeira vez o violão brasileiro ao Teatro Municipal. Em1954, gravou o "Baião paulista" e o choro "Romântico", ambas de Paulo César e Di Veras. No mesmo ano, gravou com Joel de Almeida a música " Arucaia", de J. Sandoval. Ainda no mesmo ano, gravou com sua bandinha o "Baile da Camacha", J. Santos e o corrido "Corridinho 1951", de J. Gomes Figueiredo. Em agosto de 1954, a Rádio Gazeta de São Paulo o recebeu para um programa muito especial: a Suíte de Gala Antártica. Neste programa, o violonista executou a "Suíte para piano e violão" onde, em seis movimentos, estão reunidos diferentes gêneros da música brasileira (Invocação a Xangô, toada, choro, samba-canção, baião e marcha) e o "Concertino nº 2, para violão e orquestra de câmara", ambas composições de Radamés Gnattali. Do programa, participaram ainda o pianista Fritz Jank e a orquestra sinfônica da PRA-6, regida por Armando Belardi. Em 1955, gravou com Fafá Lemos e Chiquinho do Acordeon, no Trio Surdina, o samba canção "Duas contas", com melodia e letra de sua autoria, única música com letra no LP instrumental lançado pela Musidisc sendo cantada por Fafá Lemos, tornando-se um clássico da música popular brasileira. No mesmo ano, gravou na guitarra a "Valsa do adeus" e "Mazurka", de Chopin. Registradas respectivamente em março e abril daquele ano, foram suas últimas gravações.
Como compositor, além de "São Paulo quatrocentão", obteve grande sucesso com "Amoroso", parceria com Luis Bittencourt, "Estranho amor", com David Nasser, "Duas Contas" e "Gente humilde", cuja letra foi escrita posteriormente por Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Faleceu em 1955 de ataque cardíaco, quando planejava uma excursão à Europa. Sem dúvida, um dos grandes instrumentistas brasileiros, deixou para o violão composições da maior relevância do ponto de vista musical e técnico, aliando à harmonização sofisticada e de extremo bom gosto, uma linha melódica de contornos modernos e tipicamente brasileiros, sempre com grande musicalidade e beleza. Sua harmonização, baseada em acordes alterados, com progressões incomuns para a época (diziam que fazia música para músicos), fez com que sua obra fosse considerada precurssora das características que seriam desenvolvidas posteriormente na Bossa Nova. Em 1980, o violonista Geraldo Ribeiro, lançou pela Editora Musical Pierrot transcrições da sua obra. Posteriormente, o violonista Paulo Bellinati lançou pela Guitar Solo Publications of San Francisco transcrições e arranjos feitos a partir de gravações e manuscritos do compositor.
Carimbou...
• Bichinho-de-queijo/Driblando (1930) Parlaphon 78
• Moreninha/Dolente (1936) Columbia 78
• Sobre o mar/Quinze de julho (1937) Columbia 78
• Dá-me tuas mãos/Música maestro por favor (1939) Victor 78
• Compromisso para as dez/Ingratidão (1941) Victor 78
• Abismo de rosas/Quanto dói uma saudade (1942) Odeon 78
• Maria Helena/Amoroso (1942) Victor 78
• Amor-Cielito lindo/Jalousie (1943) Victor 78
• Tico-tico no fubá/Carinhoso (1943) Victor 78
• Un peu d'amour/Amoreuse (1943) Victor 78
• Rato rato/Fala, bandolim! (1944) Victor 78
• Dor de um coração/Os patinadores (1944) Victor 78
• Sonhador/Celestial (1946) Continental 78
• Ameno Resedá/Meu cavaquinho (1946) Continental 78
• 1 x 0/Língua de preto (1949) Odeon 78
• Puxa-puxa/Caramelo (1949) Continental 78
• Arranca toco/Desvairada (1950) Odeon 78
• Dinorá/Beira-mar (1950) Odeon 78
• Abismo de rosas/Tristeza de um violão (1951) Odeon 78
• Meu coração/Triste alegria (1951) Odeon 78
• Errei, sim/Famoso (1951) Odeon 78
• Artigo do dia/Guanabara (1952) Odeon 78
• Baião caçula/Perigoso (1952) Odeon 78
• Um baile em Catumbi/Sempre (1952) Odeon 78
• Vamos acabar com o baile/Paulistinha dengosa (1952) Odeon 78
• Kalú/Melancolie (1952) Odeon 78
• Xaxadinho/Cavaquinho boogie (1953) Odeon 78
• Cuco/Chegou a hora (1953) Odeon 78
• Luzes da ribalta/Le Lac de come (1953) odeon 78
• São Paulo quatrocentão/Baião rouxinol (1953) Odeon 78
• Baião paulista/Romântico (1954) Odeon 78
• Sob o céu de Paris/Oh! (1954) Odeon 78
• Arucaia(com Joel de almeida)/Príncipe (1954) Odeon 78
• Baile da Camacha/Corridinho 1951 (1954) Odeon 78
• A abelha e a borboleta/João Viola (1955) Odeon 78
• O sino da capelinha/Polquinha sapeca (1954) Odeon 78
• Valsa do adeus/Mazurka (1955) Odeon 78
• Garoto revive em alta fidelidade (1955) Odeon LP
Meditação e Lamentos do Morro (Garoto)com Paulo Bellinati.
Violão Brasileiro - Canhoto da Paraíba
Entrada, saída...
Nasceu numa família de músicos, onde o avô, Joaquim Soares, era clarinetista, e seu pai, Antônio, tocava violão, convivendo assim desde criança com as serestas e saraus musicais que aconteciam em sua casa. Conheceu em sua infância diversos músicos de sua região natal, como o acordeonista Zé Costa, o saxofonista Manuel Marrocos, os violonistas Zé Micas e Luís Dantas, além do maestro Joaquim Leandro, regente da banda da cidade de Princesa Isabel. Foi com o maestro Joaquim Leandro que aprendeu os primeiros passos musicais. Exerceu a função de sacristão, encarregado de tocar o sino da igreja, o que fazia de maneira especial e que chamava a atenção de todos. Chegou a executar o frevo "Vassourinha" no sino da igreja. Recebeu do pai o seu próprio violão, tendo perdido o instrumento quando o dono de um bar o quebrou na cabeça de um freguês. Aos 16 anos, recebeu um segundo violão, iniciando então um aprendizado mais sistemático. Era convidado constantemente a animar festas, através do sistema de alto-falantes de sua cidade, a Voz de Princesa e Ibiapina, que reproduzia em praça pública um auditório de rádio. Solava choros e valsa, executando composições de Pixinguinha, Jacó do Bandolim e Ernesto Nazaré. Em 1998, sofreu uma esquemia cerebral e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado, o que o impediu de continuar tocando. Faleceu em sua casa, na região metropolitana do Recife, aos 82 anos de idade vítima de um enfarto.
Perambulou...
Sua carreira artística tomou um rumo mais intenso, quando, aos 16 anos, foi levado por frei Casanova para tentar um emprego na Rádio Clube de Recife. Na capital pernambucana, onde ficou conhecido como Chico Soares, manteve contato com artistas como Luperce Miranda, Sivuca, Tia Amélia do Jaboatão, Nelson Ferreira e outros, mas a saudade de casa não o deixou prosseguir com a experiência. Continuou a atuar em sua cidade natal. Em 1953, foi levado pelo deputado Nominando Diniz para João Pessoa, onde assinou contrato com a Rádio Tabajara, local em que atuou por cinco anos, tendo lá formado seu primeiro regional e acompanhado diversos artistas, inclusive aqueles oriundos do Rio de Janeiro. Casou-se nesse período. Em 1958, ficou viúvo e mudou-se para Recife, passando a trabalhar na Rádio Jornal do Comércio, tornando-se presença constante no programa "Quando os violões se encontram". Não podendo, entretanto, viver apenas da música, consegue emprego de assistente social no Sesi de Pernambuco. Segue tocando em diferentes lugares e angariando novos simpatizantes, como o bandolinista Rossini Ferreira e os violonistas Zé do Carmo e Dona Ceça. Em 1959, a convite de alguns músicos que eram seus admiradores, segue para o Rio de Janeiro. Viajou num velho jipe durante cinco dias. No Rio de Janeiro, apresentou-se em um sarau na casa de Jacó do Bandolim, onde estiveram presentes, entre outros Pixinguinha, Radamés Gnattali, Tia Amélia, Dilermano Reis e o ainda adolescente Paulinho da Viola. A apresentação de Canhoto da Paraíba foi tão apreciada, que Radamés Gnattali, ao ouvir a execução do choro "Lembrança que ficou", ficou tão entusiasmado que atirou para cima um copo de cerveja, manchando o teto da casa de Jacó do Bandolim, que, por sua vez, fez questão de preservar a mancha no teto como lembrança do memorável sarau. Chico Soares ainda fez apresentações em São Paulo e regressou ao Nordeste. Em 1968, lançou pela gravadora pernambucana Rozenblit o seu primeiro disco, "Único amor". Pouco depois fez um novo disco, gravado em casa com recursos de amigos e admiradores. Em 1971, Paulinho da Viola dedicou-lhe o choro "Abraçando Chico Soares". Em 1977, lançou pelo selo Marcus Pereira, o disco "Canhoto da Paraíba, o violão brasileiro tocado pelo avesso", onde interpreta diversas composições de sua autoria, como "Visitando o Recife", "Tua imagem", "Corrinha", feita em homenagem a uma de suas filhas, e "Lembrança que ficou", entre outras. No mesmo ano, realizou em companhia de Paulinho da Viola uma excursão pelo Brasil no Projeto Pixinguinha. Participou em seguida do Projeto Pixingão e do programa de Hermínio Bello de Carvalho, na TVE, em companhia da Camerata Carioca e do grupo Nó em Pingo D'água. Teve inúmeras composições gravadas pelo grupo Época de Ouro e pelo violonista Toquinho. Foi um dos fundadores do Clube do Choro de Recife. Em 1993, lançou o disco "Pisando em brasa", onde interpretou diversas composições de sua autoria como "Tá quentinho", "Reencontro com Paulinho", Lourdinha" e outras. O disco contou com as participações especiais de Paulinho da Viola e Raphael Rabello. Desenvolveu uma técnica especial de execução, aliado a um senso harmônico-melódico incomum. Suas influências sonoras incluem os ritmos regionais nordestinos, como o baião, o xote, o xem-nhem-nhem, o frevo, o xaxado e o cateretê, além de ritmos internacionalizados como a bossa nova. Em 2007, foi relançado em CD o LP "Único amor" lançado originalmente em 1968, pela gravadora pernambucana Rozenblit. Foi também lançada em CD sua entrvista ao programa "Ensaio" da TV Cultura.
Fez...
19 de março • Amigo Sena • Choro na madrugada • Com mais de mil • Cordão amigo • Glória do relâmpago • Ilha de Santo Aleixo • Lá vai Barreira • Lembrança que ficou • Lourdinha • Memórias de Sebastião Malta • Pisando em brasa • Reencontro com Paulinho • Revendo um amigo • Tá quentinho • Todo cuidado é pouco • Tua imagem • Valsa a Tozinho • Visitando o Recife.
Mostrou...
• Único amor (1968) Rozenblit LP
• Canhoto da Paraíba, o violão brasileiro tocado pelo avesso (1977), Marcus Pereira (LP)
• Pisando em brasa (1993) Caju Music LP
• Com mais de mil (1994) Marcus Pereira CD.
Documentário em vídeo.
Nasceu numa família de músicos, onde o avô, Joaquim Soares, era clarinetista, e seu pai, Antônio, tocava violão, convivendo assim desde criança com as serestas e saraus musicais que aconteciam em sua casa. Conheceu em sua infância diversos músicos de sua região natal, como o acordeonista Zé Costa, o saxofonista Manuel Marrocos, os violonistas Zé Micas e Luís Dantas, além do maestro Joaquim Leandro, regente da banda da cidade de Princesa Isabel. Foi com o maestro Joaquim Leandro que aprendeu os primeiros passos musicais. Exerceu a função de sacristão, encarregado de tocar o sino da igreja, o que fazia de maneira especial e que chamava a atenção de todos. Chegou a executar o frevo "Vassourinha" no sino da igreja. Recebeu do pai o seu próprio violão, tendo perdido o instrumento quando o dono de um bar o quebrou na cabeça de um freguês. Aos 16 anos, recebeu um segundo violão, iniciando então um aprendizado mais sistemático. Era convidado constantemente a animar festas, através do sistema de alto-falantes de sua cidade, a Voz de Princesa e Ibiapina, que reproduzia em praça pública um auditório de rádio. Solava choros e valsa, executando composições de Pixinguinha, Jacó do Bandolim e Ernesto Nazaré. Em 1998, sofreu uma esquemia cerebral e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado, o que o impediu de continuar tocando. Faleceu em sua casa, na região metropolitana do Recife, aos 82 anos de idade vítima de um enfarto.
Perambulou...
Sua carreira artística tomou um rumo mais intenso, quando, aos 16 anos, foi levado por frei Casanova para tentar um emprego na Rádio Clube de Recife. Na capital pernambucana, onde ficou conhecido como Chico Soares, manteve contato com artistas como Luperce Miranda, Sivuca, Tia Amélia do Jaboatão, Nelson Ferreira e outros, mas a saudade de casa não o deixou prosseguir com a experiência. Continuou a atuar em sua cidade natal. Em 1953, foi levado pelo deputado Nominando Diniz para João Pessoa, onde assinou contrato com a Rádio Tabajara, local em que atuou por cinco anos, tendo lá formado seu primeiro regional e acompanhado diversos artistas, inclusive aqueles oriundos do Rio de Janeiro. Casou-se nesse período. Em 1958, ficou viúvo e mudou-se para Recife, passando a trabalhar na Rádio Jornal do Comércio, tornando-se presença constante no programa "Quando os violões se encontram". Não podendo, entretanto, viver apenas da música, consegue emprego de assistente social no Sesi de Pernambuco. Segue tocando em diferentes lugares e angariando novos simpatizantes, como o bandolinista Rossini Ferreira e os violonistas Zé do Carmo e Dona Ceça. Em 1959, a convite de alguns músicos que eram seus admiradores, segue para o Rio de Janeiro. Viajou num velho jipe durante cinco dias. No Rio de Janeiro, apresentou-se em um sarau na casa de Jacó do Bandolim, onde estiveram presentes, entre outros Pixinguinha, Radamés Gnattali, Tia Amélia, Dilermano Reis e o ainda adolescente Paulinho da Viola. A apresentação de Canhoto da Paraíba foi tão apreciada, que Radamés Gnattali, ao ouvir a execução do choro "Lembrança que ficou", ficou tão entusiasmado que atirou para cima um copo de cerveja, manchando o teto da casa de Jacó do Bandolim, que, por sua vez, fez questão de preservar a mancha no teto como lembrança do memorável sarau. Chico Soares ainda fez apresentações em São Paulo e regressou ao Nordeste. Em 1968, lançou pela gravadora pernambucana Rozenblit o seu primeiro disco, "Único amor". Pouco depois fez um novo disco, gravado em casa com recursos de amigos e admiradores. Em 1971, Paulinho da Viola dedicou-lhe o choro "Abraçando Chico Soares". Em 1977, lançou pelo selo Marcus Pereira, o disco "Canhoto da Paraíba, o violão brasileiro tocado pelo avesso", onde interpreta diversas composições de sua autoria, como "Visitando o Recife", "Tua imagem", "Corrinha", feita em homenagem a uma de suas filhas, e "Lembrança que ficou", entre outras. No mesmo ano, realizou em companhia de Paulinho da Viola uma excursão pelo Brasil no Projeto Pixinguinha. Participou em seguida do Projeto Pixingão e do programa de Hermínio Bello de Carvalho, na TVE, em companhia da Camerata Carioca e do grupo Nó em Pingo D'água. Teve inúmeras composições gravadas pelo grupo Época de Ouro e pelo violonista Toquinho. Foi um dos fundadores do Clube do Choro de Recife. Em 1993, lançou o disco "Pisando em brasa", onde interpretou diversas composições de sua autoria como "Tá quentinho", "Reencontro com Paulinho", Lourdinha" e outras. O disco contou com as participações especiais de Paulinho da Viola e Raphael Rabello. Desenvolveu uma técnica especial de execução, aliado a um senso harmônico-melódico incomum. Suas influências sonoras incluem os ritmos regionais nordestinos, como o baião, o xote, o xem-nhem-nhem, o frevo, o xaxado e o cateretê, além de ritmos internacionalizados como a bossa nova. Em 2007, foi relançado em CD o LP "Único amor" lançado originalmente em 1968, pela gravadora pernambucana Rozenblit. Foi também lançada em CD sua entrvista ao programa "Ensaio" da TV Cultura.
Fez...
19 de março • Amigo Sena • Choro na madrugada • Com mais de mil • Cordão amigo • Glória do relâmpago • Ilha de Santo Aleixo • Lá vai Barreira • Lembrança que ficou • Lourdinha • Memórias de Sebastião Malta • Pisando em brasa • Reencontro com Paulinho • Revendo um amigo • Tá quentinho • Todo cuidado é pouco • Tua imagem • Valsa a Tozinho • Visitando o Recife.
Mostrou...
• Único amor (1968) Rozenblit LP
• Canhoto da Paraíba, o violão brasileiro tocado pelo avesso (1977), Marcus Pereira (LP)
• Pisando em brasa (1993) Caju Music LP
• Com mais de mil (1994) Marcus Pereira CD.
Documentário em vídeo.
Violão Brasileiro - João Pernambuco
Violonista. Compositor.
Filho de Manuel Teixeira e Teresa Vieira, descendente de portugueses. Com o falecimento do pai em 1891, a mãe casou-se novamente, transferindo-se com a família para o Recife.
Na capital pernambucana, conheceu violeiros famosos como Inácio da Catingueira, Mané do Riachão, Gorgulino, Romano da Mãe d'Água, etc. Começou a trabalhar como aprendiz de ferreiro e posteriormente como operário, reservando sempre suas noites para participar no Mercado e Pátio de São Pedro das reuniões que ali faziam violeiros, cantadores e repentistas. Aprendeu a tocar violão com cantadores sertanejos como Bem-te-vi, Mandapolão, Manuel Cabeceira, o cego Sinfrônio, Fabião das Queimadas e Cirino Guajurema. Em 1904, transferiu-se para o Rio de Janeiro, indo residir com sua irmã Maria, que já se encontrava na cidade. Analfabeto, sem nunca ter freqüentado escola, possuía, no entanto, sólida cultura popular, que viria a se refletir no estabelecimento de sua personalidade artística. Empregou-se numa fundição, onde trabalhava exaustivamente, reservando sempre algumas horas noturnas para o estudo do violão. Nessa época, freqüentava diversas reuniões de música que se realizavam principalmente na Lapa, tornando-se conhecido como João Pernambuco, por estar sempre contando coisas e casos de sua terra. Passou então a residir numa pensão localizada na Rua do Riachuelo, onde veio a conhecer Donga e Pixinguinha (que ali residiam), Sátiro Bilhar, Catulo da Paixão Cearense e o escritor Afonso Arinos, membro da Academia Brasileira de Letras e um dos primeiros intelectuais a pesquisar e promover a MPB em conferências e simpósios que costumava fazer reuniões musicais que ficaram célebres no Rio, mesmo apesar de o escritor ter residêcnia permanente em São Paulo. Em 1908, abandonou a profissão de ferreiro, empregando-se como calceteiro da Prefeitura. Manteve-se nesta profissão até o dia em que foi se apresentar na casa de Pinheiro Machado, que se tornou seu admirador e conseguiu-lhe um lugar de contínuo em um almoxarifado do Largo do Estácio. Em 1922, transferiu-se para o Pedagogium, onde trabalhou como servente até 1934. Neste ano, a convite de Villa-Lobos, transferiu-se para a Superintendência de Educação Musical e Artística (S.e.m.a), onde exerceu a função de contínuo.
Andou fazendo...
Possuidor de grande talento, logo tornou-se amigo de figuras importantes da música popular de seu tempo, como Quincas Laranjeiras, Sátiro Bilhar, Mário Álvares, Patrício Teixeira, Zé Cavaquinho, Veloso, etc. Freqüentava, com assiduidade os bailes carnavalescos da cidade e a Festa da Penha, tradicional encontro de músicos, realizada no Rio de Janeiro durante o mês de outubro. Já autor de choros, canções, toadas sertanejas, e profundo conhecedor de gêneros do populário nordestino, cantou para Catulo da Paixão Cearense algumas dessas cantigas, dentre as quais o coco "Engenho de Humaitá", que pouco tempo depois iria se transformar na célebre canção "Luar do sertão" e a toada "A cabocla de Caxangá". Muito ligado a Catulo, passaram a exibir-se em residências ilustres do Rio de Janeiro, como as de Afonso Arinos e Rui Barbosa. Por volta de 1912, realizou gravações como solista de violão para a Phoenix de Gustavo Figner, irmão de Fred Figner (proprietário da casa Edison). Organizou o Grupo do Caxangá, conjunto de inspiração nordestina, tanto no repertório como na indumentária, no qual cada integrante adotava para si um codinome sertanejo. Em sua primeira formação, o grupo reunia João Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da Catingueira), Donga, Bonfíglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta. No carnaval de 1914, o Grupo do Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida Rio Branco, e "Cabocla de Caxangá" tornou-se grande sucesso musical. Neste mesmo ano, Afonso Arinos, por sinal Tio do jurista e Ministro Afonso Arinos de Mello e Franco, Tio-avô do diplomata, escritor e acadêmico Afonso Arinos, filho, que organizava um ciclo de palestras sobre temas do folclore brasileiro a ser apresentado no Teatro Municipal de São Paulo, convidou-o a participar do evento ao lado de Otávio Lessa (violão), José Alves de Lima (bandolim) e Luís Pinto da Silva (cavaquinho). Com o título de "Lendas e tradições brasileiras", a apresentação fez grande sucesso, sendo reprisada posteriormente.
Em 1916, Pernambuco organizou a "Trupe sertaneja", com que se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O Grupo do Caxangá continuou se apresentando e brilhando nos carnavais dos anos de 1917, 1918 e 1919. Pouco depois, Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, e quase todo o Grupo do Caxangá foi requisitado, desfazendo-se. João Pernambuco não participou da primeira formação. Nessa época, passou a lecionar violão, tal como Quincas Laranjeiras, na Casa Cavaquinho de Ouro. A pedido de Arnaldo Guinle, passou a integrar Os Oito Batutas, que seguiriam em turnê pelo Nordeste, para que este recolhesse material folclórico para uma antologia que Guinle pretendia publicar. Realizaram, então, uma apresentação de despedida para jornalistas do Rio de Janeiro, na sede da A.B.I. Apresentaram-se, ainda, em São Paulo antes de seguir para o Nordeste. No repertório do grupo constavam cantos, toadas, lundus, choros, de sua autoria, de Pixinguinha, Donga, etc.
Em 1920, constituem-se em uma das atrações da opereta sertaneja "Flor tapuia", de Alberto Deodato e Danton Vampré, apresentada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Em 1921, recebem convite de Arnaldo Guinle para uma nova excursão a Salvador, com apresentação no Cine-Teatro Olímpia e em Recife, no Cine-Teatro Moderno. De volta ao Rio de Janeiro, os Oito Batutas apresentaram-se no Cine-Teatro América, na revista "O que o rei não viu", musicada por Pixinguinha e China. O grupo fez ainda várias apresentações e, encerrando a temporada de 1921, exibiu-se no Teatro Lírico e no Cabaré Assírio, onde o violonista encerrou sua participação no grupo. Em 1924, Catulo Cearense incluiu em seu livro "Mata iluminada", as letras de "Luar do sertão" e "Cabocla de Caxangá", sem fazer qualquer referência ao autor das melodias. Alguns historiadores acreditam que se tratava de temas do folclore musical nordestino, recolhidos por João Pernambuco. O episódio resultou posteriormente numa batalha judicial, que acabou por dar ganho de causa a João Pernambuco, que, passou a ter incluído seu nome ao lado do de Catulo.
Em 1926, fez suas primeiras gravações pela Odeon, registrando os maxixes "Mimoso" e "Lágrimas", de sua autoria e com o cavaquinista Nelson Alves, os choros "Magoado" e "Sons de carrilhão", também de sua autoria. No mesmo ano, o cantor Patrício Teixeira gravou também na Odeon a canção sertaneja "Jandaia" e a ambolada "Seu Coitinho pegue o boi!", de sua autoria, Ainda no mesmo ano, foi o patrono das provas de violão do concurso "O que é nosso" promovido no Rio de Janeiro pelo jornal "Correio da Manhã". Em 1929, teve gravadas por Stefana de Macedo as toadas "Vancê", parceria com E. Tourinho e "Siricóia" e os cocos "Tiá de Junqueira" e "Biro, biro, Iaiá" para as quais fez acompanhamento ao violão.
Em 1930, gravou uma série de cinco disco para a Columbia como solista de violão interpretando dez obras de sua autoria, os choros "Pó de mico", "Magoada"; "Reboliço"; "Recordando" e "Dengoso", os jongos "Sentindo" e "Interrogando", as valsas "Sonho de magia" e "Suspiro apaixonado" e o fox-trot "Rosa carioca". No mesmo ano, fez as melodias para a toada "Catirina" e as emboladas "Meu noivado", "Perigando" e "ABC",com versos do folclore que o cantor e instrumentista Jararaca gravou na Columbia com seu acompanhamento ao violão. Também no mesmo ano, a cantora Stefana de Macedo gravou a toada "Maneca dos Geraes", o coco "Sodade cabocla", parceria com E. Tourinho e o baião "Estrela d'alva", para as quais fez acompanhamentos ao violão. Ainda em 1930, o cantor Paraguassu gravou sua toada "Amô de caboco" e Januário de Oliveira as canções "A inveja matou Caim" e "Corrupião da lagoa", parcerias com Junquilho Lourival, sendo que para este último, também fez acompanhamentos ao violão.
Em 1947, compõe sua última obra, "Canção do violeiro", sobre versos de Castro Alves. Sua obra, extremamente rica e significativa, constituiu-se num dos pilares do repertório violonístico brasileiro. Segundo declaração de Heitor Villa-Lobos, "Bach não se envergonharia de assinar seus estudos". Em 1969, seu choro "Sons de carrilhões" foi gravado pelo violonista Antônio Rago na Chantecler. Em 1978, o violonista Turíbio Santos lançou o LP "Choros do Brasil", onde revive a obra do violonista e compositor, da qual destacam-se os choros "Sons de carrilhões", obra que integra o repertório de quase todos os violonistas brasileiros, "Graúna", "Dengoso", "Interrogando" e "Pó-de-mico". Em 1980, teve os tangos "Lágrima" e "Sentindo" e o choro "Brasileirinho" incluídos em show apresentado pelos violonistas Nicanor Teixeira e Sérgio de Pina. Em 1983, em comemoração ao centenário de nascimento do compositor, a Funarte lançou LP com a participação do pianista Antonio Adolfo e do grupo Nó em Pingo d'Água. Os arranjos, feitos especialmente para a ocasião, foram também editados pela Funarte. Em 1999, o violonista Leandro Carvalho lançou o CD"Descobrindo João Pernambuco", com gravações de sua obra. Em 2000, o violonista Caio Cesar lançou o CD "João Pernambuco" apenas com suas músicas, cujo lançamento foi efetuado com vários shows na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi lançado por Baden Powell o CD "João Pernambuco e o sertão".
Escreveu e mandou pra frente...
A. B. C • A coivara de meu peito • A estrada do sertão (c/ Wilson W. Martins) • A inveja matou Caim • A voz da cascata • Ajueia Chiquinha • Amor de caboclo • Amorosa • Azulão • Batuque sertanejo • Biro-biro Iaiá • Brasileirinho • Canção do violeiro (c/ Castro Alves) • Canção gaúcha • Catirina • Ceci • Choro nº 1 • Choro nº 2 • Coco dendê • Coração, que mais queres? • Corrupião da lagoa • Cuscuz de sinhá Chica • Dengoso • Emboladas do norte • Engenho de Humaitá • Esperança • Estrela d'alva • Estudo nº1 • Estudo nº2 • Estudo nº3 • Feito agora • Graúna • Gritos d'alma • Interrogando • Já não sabe beijar-me? • Jandaia • Lágrima • Lamento • Longe de você (c/ Paulo Rosas) • Luar do sertão (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Magoado • Mágoas de um cearense (c/ Junquilho Lourival) • Meu noivado • Mimoso • Mulatinho • Não vou lá • Noite de ventura • O marroeiro (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Os olhos da sertaneja (c/ Alfredo Cândido) • Pagã • Pensando em Agostinha • Perigando • Pó-de-mico • Polca de bravura • Porque és assim • Pra você (c/ J. Paiva) • Preto e branco (c/ Fefeca) • Reboliço • Recordando minha terra • Recordando • Romance • Rosa carioca • Sabiá (c/ Pixinguinha) • Saudoso • Sempre-viva • Sentindo (c/ Lilinha Fernandes) • Sertanejo saudoso (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Seu Coutinho, pegue o boi! • Siricóia • Sodade cabocla (c/ E. Tourinho) • Sonho de magia (c/ Heitor Catumbi) • Sonho divino • Sons de carrilhões • Suspiro apaixonado • Tiá de Junqueira • Valsa nº1 • Vancê (c/ E. Tourinho) • Vem cá, bebê (c/ Macedo)
Raphael Rabello - Jongo (João Pernambucano)
Filho de Manuel Teixeira e Teresa Vieira, descendente de portugueses. Com o falecimento do pai em 1891, a mãe casou-se novamente, transferindo-se com a família para o Recife.
Na capital pernambucana, conheceu violeiros famosos como Inácio da Catingueira, Mané do Riachão, Gorgulino, Romano da Mãe d'Água, etc. Começou a trabalhar como aprendiz de ferreiro e posteriormente como operário, reservando sempre suas noites para participar no Mercado e Pátio de São Pedro das reuniões que ali faziam violeiros, cantadores e repentistas. Aprendeu a tocar violão com cantadores sertanejos como Bem-te-vi, Mandapolão, Manuel Cabeceira, o cego Sinfrônio, Fabião das Queimadas e Cirino Guajurema. Em 1904, transferiu-se para o Rio de Janeiro, indo residir com sua irmã Maria, que já se encontrava na cidade. Analfabeto, sem nunca ter freqüentado escola, possuía, no entanto, sólida cultura popular, que viria a se refletir no estabelecimento de sua personalidade artística. Empregou-se numa fundição, onde trabalhava exaustivamente, reservando sempre algumas horas noturnas para o estudo do violão. Nessa época, freqüentava diversas reuniões de música que se realizavam principalmente na Lapa, tornando-se conhecido como João Pernambuco, por estar sempre contando coisas e casos de sua terra. Passou então a residir numa pensão localizada na Rua do Riachuelo, onde veio a conhecer Donga e Pixinguinha (que ali residiam), Sátiro Bilhar, Catulo da Paixão Cearense e o escritor Afonso Arinos, membro da Academia Brasileira de Letras e um dos primeiros intelectuais a pesquisar e promover a MPB em conferências e simpósios que costumava fazer reuniões musicais que ficaram célebres no Rio, mesmo apesar de o escritor ter residêcnia permanente em São Paulo. Em 1908, abandonou a profissão de ferreiro, empregando-se como calceteiro da Prefeitura. Manteve-se nesta profissão até o dia em que foi se apresentar na casa de Pinheiro Machado, que se tornou seu admirador e conseguiu-lhe um lugar de contínuo em um almoxarifado do Largo do Estácio. Em 1922, transferiu-se para o Pedagogium, onde trabalhou como servente até 1934. Neste ano, a convite de Villa-Lobos, transferiu-se para a Superintendência de Educação Musical e Artística (S.e.m.a), onde exerceu a função de contínuo.
Andou fazendo...
Possuidor de grande talento, logo tornou-se amigo de figuras importantes da música popular de seu tempo, como Quincas Laranjeiras, Sátiro Bilhar, Mário Álvares, Patrício Teixeira, Zé Cavaquinho, Veloso, etc. Freqüentava, com assiduidade os bailes carnavalescos da cidade e a Festa da Penha, tradicional encontro de músicos, realizada no Rio de Janeiro durante o mês de outubro. Já autor de choros, canções, toadas sertanejas, e profundo conhecedor de gêneros do populário nordestino, cantou para Catulo da Paixão Cearense algumas dessas cantigas, dentre as quais o coco "Engenho de Humaitá", que pouco tempo depois iria se transformar na célebre canção "Luar do sertão" e a toada "A cabocla de Caxangá". Muito ligado a Catulo, passaram a exibir-se em residências ilustres do Rio de Janeiro, como as de Afonso Arinos e Rui Barbosa. Por volta de 1912, realizou gravações como solista de violão para a Phoenix de Gustavo Figner, irmão de Fred Figner (proprietário da casa Edison). Organizou o Grupo do Caxangá, conjunto de inspiração nordestina, tanto no repertório como na indumentária, no qual cada integrante adotava para si um codinome sertanejo. Em sua primeira formação, o grupo reunia João Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da Catingueira), Donga, Bonfíglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta. No carnaval de 1914, o Grupo do Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida Rio Branco, e "Cabocla de Caxangá" tornou-se grande sucesso musical. Neste mesmo ano, Afonso Arinos, por sinal Tio do jurista e Ministro Afonso Arinos de Mello e Franco, Tio-avô do diplomata, escritor e acadêmico Afonso Arinos, filho, que organizava um ciclo de palestras sobre temas do folclore brasileiro a ser apresentado no Teatro Municipal de São Paulo, convidou-o a participar do evento ao lado de Otávio Lessa (violão), José Alves de Lima (bandolim) e Luís Pinto da Silva (cavaquinho). Com o título de "Lendas e tradições brasileiras", a apresentação fez grande sucesso, sendo reprisada posteriormente.
Em 1916, Pernambuco organizou a "Trupe sertaneja", com que se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O Grupo do Caxangá continuou se apresentando e brilhando nos carnavais dos anos de 1917, 1918 e 1919. Pouco depois, Pixinguinha formou o conjunto Os Oito Batutas, e quase todo o Grupo do Caxangá foi requisitado, desfazendo-se. João Pernambuco não participou da primeira formação. Nessa época, passou a lecionar violão, tal como Quincas Laranjeiras, na Casa Cavaquinho de Ouro. A pedido de Arnaldo Guinle, passou a integrar Os Oito Batutas, que seguiriam em turnê pelo Nordeste, para que este recolhesse material folclórico para uma antologia que Guinle pretendia publicar. Realizaram, então, uma apresentação de despedida para jornalistas do Rio de Janeiro, na sede da A.B.I. Apresentaram-se, ainda, em São Paulo antes de seguir para o Nordeste. No repertório do grupo constavam cantos, toadas, lundus, choros, de sua autoria, de Pixinguinha, Donga, etc.
Em 1920, constituem-se em uma das atrações da opereta sertaneja "Flor tapuia", de Alberto Deodato e Danton Vampré, apresentada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Em 1921, recebem convite de Arnaldo Guinle para uma nova excursão a Salvador, com apresentação no Cine-Teatro Olímpia e em Recife, no Cine-Teatro Moderno. De volta ao Rio de Janeiro, os Oito Batutas apresentaram-se no Cine-Teatro América, na revista "O que o rei não viu", musicada por Pixinguinha e China. O grupo fez ainda várias apresentações e, encerrando a temporada de 1921, exibiu-se no Teatro Lírico e no Cabaré Assírio, onde o violonista encerrou sua participação no grupo. Em 1924, Catulo Cearense incluiu em seu livro "Mata iluminada", as letras de "Luar do sertão" e "Cabocla de Caxangá", sem fazer qualquer referência ao autor das melodias. Alguns historiadores acreditam que se tratava de temas do folclore musical nordestino, recolhidos por João Pernambuco. O episódio resultou posteriormente numa batalha judicial, que acabou por dar ganho de causa a João Pernambuco, que, passou a ter incluído seu nome ao lado do de Catulo.
Em 1926, fez suas primeiras gravações pela Odeon, registrando os maxixes "Mimoso" e "Lágrimas", de sua autoria e com o cavaquinista Nelson Alves, os choros "Magoado" e "Sons de carrilhão", também de sua autoria. No mesmo ano, o cantor Patrício Teixeira gravou também na Odeon a canção sertaneja "Jandaia" e a ambolada "Seu Coitinho pegue o boi!", de sua autoria, Ainda no mesmo ano, foi o patrono das provas de violão do concurso "O que é nosso" promovido no Rio de Janeiro pelo jornal "Correio da Manhã". Em 1929, teve gravadas por Stefana de Macedo as toadas "Vancê", parceria com E. Tourinho e "Siricóia" e os cocos "Tiá de Junqueira" e "Biro, biro, Iaiá" para as quais fez acompanhamento ao violão.
Em 1930, gravou uma série de cinco disco para a Columbia como solista de violão interpretando dez obras de sua autoria, os choros "Pó de mico", "Magoada"; "Reboliço"; "Recordando" e "Dengoso", os jongos "Sentindo" e "Interrogando", as valsas "Sonho de magia" e "Suspiro apaixonado" e o fox-trot "Rosa carioca". No mesmo ano, fez as melodias para a toada "Catirina" e as emboladas "Meu noivado", "Perigando" e "ABC",com versos do folclore que o cantor e instrumentista Jararaca gravou na Columbia com seu acompanhamento ao violão. Também no mesmo ano, a cantora Stefana de Macedo gravou a toada "Maneca dos Geraes", o coco "Sodade cabocla", parceria com E. Tourinho e o baião "Estrela d'alva", para as quais fez acompanhamentos ao violão. Ainda em 1930, o cantor Paraguassu gravou sua toada "Amô de caboco" e Januário de Oliveira as canções "A inveja matou Caim" e "Corrupião da lagoa", parcerias com Junquilho Lourival, sendo que para este último, também fez acompanhamentos ao violão.
Em 1947, compõe sua última obra, "Canção do violeiro", sobre versos de Castro Alves. Sua obra, extremamente rica e significativa, constituiu-se num dos pilares do repertório violonístico brasileiro. Segundo declaração de Heitor Villa-Lobos, "Bach não se envergonharia de assinar seus estudos". Em 1969, seu choro "Sons de carrilhões" foi gravado pelo violonista Antônio Rago na Chantecler. Em 1978, o violonista Turíbio Santos lançou o LP "Choros do Brasil", onde revive a obra do violonista e compositor, da qual destacam-se os choros "Sons de carrilhões", obra que integra o repertório de quase todos os violonistas brasileiros, "Graúna", "Dengoso", "Interrogando" e "Pó-de-mico". Em 1980, teve os tangos "Lágrima" e "Sentindo" e o choro "Brasileirinho" incluídos em show apresentado pelos violonistas Nicanor Teixeira e Sérgio de Pina. Em 1983, em comemoração ao centenário de nascimento do compositor, a Funarte lançou LP com a participação do pianista Antonio Adolfo e do grupo Nó em Pingo d'Água. Os arranjos, feitos especialmente para a ocasião, foram também editados pela Funarte. Em 1999, o violonista Leandro Carvalho lançou o CD"Descobrindo João Pernambuco", com gravações de sua obra. Em 2000, o violonista Caio Cesar lançou o CD "João Pernambuco" apenas com suas músicas, cujo lançamento foi efetuado com vários shows na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi lançado por Baden Powell o CD "João Pernambuco e o sertão".
Escreveu e mandou pra frente...
A. B. C • A coivara de meu peito • A estrada do sertão (c/ Wilson W. Martins) • A inveja matou Caim • A voz da cascata • Ajueia Chiquinha • Amor de caboclo • Amorosa • Azulão • Batuque sertanejo • Biro-biro Iaiá • Brasileirinho • Canção do violeiro (c/ Castro Alves) • Canção gaúcha • Catirina • Ceci • Choro nº 1 • Choro nº 2 • Coco dendê • Coração, que mais queres? • Corrupião da lagoa • Cuscuz de sinhá Chica • Dengoso • Emboladas do norte • Engenho de Humaitá • Esperança • Estrela d'alva • Estudo nº1 • Estudo nº2 • Estudo nº3 • Feito agora • Graúna • Gritos d'alma • Interrogando • Já não sabe beijar-me? • Jandaia • Lágrima • Lamento • Longe de você (c/ Paulo Rosas) • Luar do sertão (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Magoado • Mágoas de um cearense (c/ Junquilho Lourival) • Meu noivado • Mimoso • Mulatinho • Não vou lá • Noite de ventura • O marroeiro (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Os olhos da sertaneja (c/ Alfredo Cândido) • Pagã • Pensando em Agostinha • Perigando • Pó-de-mico • Polca de bravura • Porque és assim • Pra você (c/ J. Paiva) • Preto e branco (c/ Fefeca) • Reboliço • Recordando minha terra • Recordando • Romance • Rosa carioca • Sabiá (c/ Pixinguinha) • Saudoso • Sempre-viva • Sentindo (c/ Lilinha Fernandes) • Sertanejo saudoso (c/ Catulo da Paixão Cearense) • Seu Coutinho, pegue o boi! • Siricóia • Sodade cabocla (c/ E. Tourinho) • Sonho de magia (c/ Heitor Catumbi) • Sonho divino • Sons de carrilhões • Suspiro apaixonado • Tiá de Junqueira • Valsa nº1 • Vancê (c/ E. Tourinho) • Vem cá, bebê (c/ Macedo)
Raphael Rabello - Jongo (João Pernambucano)
Violão Brasileiro - Dilermano Reis
Violonista e compositor nascido em 22 de setembro de 1916 em Guaratinguetá, SP e falecido em 2 de janeiro de 1977, no Rio de Janeiro, RJ. Dilermando dos Santos Reis começou a estudar violão com o pai, o violonista Francisco Reis, ainda na infância. Em 1931, aos 15 anos de idade, Dilermando já era conhecido como o melhor violonista de Guaratinguetá. Neste mesmo ano, assistindo a um concerto do violonista Levino da Conceição, que se apresentava na cidade, tornou-se seu aluno e seu acompanhador, seguindo-o em suas excursões. Em 1933 chegou ao Rio de Janeiro, em companhia de Levino e segundo contou em depoimento ao MIS \"ao desembarcarmos na Central, tomamos o bonde com destino à Lapa à procura do violonista João Pernambuco\" (amigo de Levino). O violonista residia num quarto de uma república na Praça dos Governadores (posteriormente Praça João Pessoa) localizada no cruzamento da Av. Mem de Sá com a Rua Gomes Freire). Passaram o resto do dia ( e a noite) com João Pernambuco, entre conversas e música. Em 1934, Levino a pretexto de ir a Campos, deixou pagos 15 dias de hotel para o jovem violonista e nunca mais voltou. Sozinho na cidade, Dilermando procurou auxílio com João Pernambuco, que o acolheu. Em fins da década de 30, envolveu-se num caso amoroso com Celeste, companheira de seu ex-professor Levino Conceição. O casal passou a residir na Rua Visconde de Niterói, próximo ao Morro de Mangueira. Viveram juntos por toda a vida. Um dos mais importantes violonistas brasileiros, atuou como instrumentista, professor de violão, compositor, arranjador, tendo deixado uma obra vultuosa, versátil, composta de guarânias, boleros, toadas, maxixes, sambas-canção e principalmente de valsas e choros. Iniciou sua vida profissional aos 18 anos de idade. Segundo seu relato ao Jornal do Brasil \"Naquela época as lojas de instrumentos musicais mantinham professores de música que ajudavam a aumentar a clientela. Dei aulas numa loja na rua Buenos Aires, depois fui apresentado por um aluno ao dono da loja \"Ao Bandolim de Ouro\". Em 1935, passou a lecionar na loja \"A Guitarra de Prata\". Por essa época, Dilermando começou a acompanhar calouros na Rádio Guanabara, trabalho esporádico e sem contrato. No intervalo de uma dessas apresentações, Dilermando como costumava fazer, solava uma valsa \"Gota de lágrima\", de Mozart Bicalho quando o radialista Renato Murce ouviu e gostou. Levou o violonista para a Rádio Transmissora e deu-lhe um programa de solos de violão, para experimentar o resultado. O programa foi um sucesso e iniciava-se neste momento uma carreira de violonista destinado à fama. Como já naquela época não era possível sobreviver apenas de solos de violão, continuou como acompanhador em regionais, como faziam todos os grandes violonistas da época (Garoto, Laurindo de Almeida, etc). Em 1940, transferiu-se pra a Rádio Clube do Brasil. Nesse mesmo ano, formou uma orquestra de violões (composta de 10 violonistas), à qual acredita-se que tenha sido uma das primeiras do gênero. Atuou com êxito na Rádio Clube e também Cassino da Urca. Em 1941, gravou seu primeiro disco pela Colúmbia, onde constavam a valsa \"Noite de lua\" e o choro \"Magoado\", provavelmente o mais conhecido e mais executado de seus choros. Em 1944, fez um segundo disco também com composições suas. Em 1946, mais dois discos num dos quais registrou pela primeira vez músicas de outro compositor. Encerrou a década de 1940, com um total de nove discos gravados. A década de 50, representou a consolidação e grande avanço na carreira do artista. Em 1956, assinou contrato com a Rádio Nacional, com o programa \"Sua majestade, o violão\", nos primeiros anos apresentado por Oswaldo Sargentelli e posteriormente por César Ladeira. O programa tinha por prefixo a mazurca \"Adelita\", de Francisco Tárrega e se manteve no ar até 1969. Na década de 60, gravou vários LPs. Em 1960, lançou o disco \"Melodias da Alvorada\", em homenagem à nova capital, com arranjos e regência de Radamés Gnattali. De 1941 a 1962, lançou 34 discos de duas faces (68 músicas) em 78 rpm. Dentre essas, 43 de sua autoria. Com o início da era do LP, Dilermando passou a gravar perfazendo um total de 35 LPs gravados em sua carreira. Os LPs, mostraram uma nova faceta do violonista: o acompanhamento de cantores com apenas um violão, que neste caso se caracterizava pela apresentação da canção, seguida de um solo de Dilermando, voltando ao acompanhamento para terminar. Nesse estilo de acompanhar, Dilermando esteve ao lado de José Mojica quando este veio ao Brasil e fez um total de sete LPs com o cantor Francisco Petrônio. Em 1970, Radamés Gnattali dedicou ao violonista o Concerto nº1, gravado nesse mesmo ano. Como professor, ensinou a grandes violonistas dentre os quais Darci Vilaverde e Bola Sete. Foi também professor de Maristela Kubitscheck, filha do presidente Juscelino, de quem foi grande amigo e parceiro de serenatas. Essa amizade, aliás, valeu a Dilermando a nomeação para um cargo público, o que muito lhe aliviou as dificuldades financeiras. Em 1972, gravou o LP \"Dilermando Reis interpreta Pixinguinha\", e em 1975 lançou \"O violão brasileiro de Dilermando Reis\" ambos pela Continental. Em alguns de seus LPs foi acompanhado pelos grandes violonistas Horondino Silva, o Dino Sete Cordas e em outros por Jaime Florence, o Meira. Além de sua vasta obra, Dilermando deixou inúmeros arranjos editados. Na década de 90, o violonista Genésio Nogueira iniciou uma coleção de LPs e CDs dedicados à obra do compositor.
Colaboração de Antonio Erácleo do Carmo Filho.
Colaboração de Antonio Erácleo do Carmo Filho.
Gordurinha - Além de grande artista, idealista de verdade.
Compositor. Cantor. Violonista. Radialista.
Com 16 anos aprendeu a tocar violão. Cursou, como Noel, o segundo ano de Medicina, mas abandonou os estudos para seguir a carreira artística. Ganhou o apelido de Gordurinha dos amigos de rádio por sua magreza. Em 1964 desagradado com o golpe militar, fugiu de casa deixando com os familiares a determinação para que destruíssem tudo o que parecesse comprometedor, especialmente uma foto em que aparecia tocando violão para o presidente João Goulart e o governador Leonel Brizola. Doente, só reapareceu meses depois. Faleceu em 1969 vítima de infarto.
A carreira
Começou a carreira artística aos 16 anos, apresentando-se em um programa de calouros na Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador. Na época participou do grupo vocal "Caídos do Céu". Em 1951 começou a produzir e apresentar programas na Rádio Tamandaré do Recife, em Pernambuco. Em 1952 foi para o Rio de Janeiro para dar continuidade à carreira artística. Pouco depois mudou-se para Recife onde atuou nas Rádios Jornal do Comércio e Tamandaré. Em 1954 teve sua primeira composição gravada por Jorge Veiga, o baião "Quero me casar". No mesmo ano, a dupla Venâncio e Corumba gravou o baião "Cadeia da vila". Em 1955 gravou com Leo Villar seu primeiro disco, interpretando a marcha "Soldado da rainha", dele e João Grimaldi, e "Sonhei com você", de Roberto Martins e Mário Vieira, com vistas ao carnaval do ano seguinte. Em 1957 apresentou na Rádio Nacional o programa "Varandão da casa grande". Apresentou ainda os programas "Café sem concerto" na Rádio Tupi e "Boate Ali Babá", na TV Tupi. Em 1958, Ari Lobo gravou o coco "Quixeramobim". No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos, o , o coco "Vendedor de caranguejo".
Em 1959, o samba "Chiclete com banana", parceria com Almira Castilho, foi gravado com grande sucesso por Jackson do Pandeiro. Este samba, além de peça de teatro, foi tema de uma tira de histórias em quadrinhos, do desenhista Angeli e foi nome de uma banda de música baiana. Ainda no mesmo ano, fez grande sucesso com o baião "Baiano burro nasce morto", que geraria um famoso bordão nas televisões da época. Em 1960 gravou mais um grande sucesso, o baião-toada "Súplica cearense", composto em parceria com Nelinho, composição considerada pela crítica como sua obra-prima e uma das músicas mais pungentes em solidariedade aos miseráveis da seca nordestina. No mesmo ano, o cantor Antônio Martins gravou o tango "Ribalta". Teve diversas composições gravadas pelo cantor Jorge Veiga, entre as quais os sambas "Caixa alta em Paris", "O marido da vedete" e "Quando o divórcio chegar". Ari Lobo gravou os cocos "Paulo Afonso" e "Pedido a padre Cícero".
Em 1962 lançou o LP "A Bossa do Gordurinha", com destaque para "Baiano não é palhaço". Em 1963 lançou pela Copacabana o LP "Gordurinha...um espetáculo", com destaque para "Fornalha" e "Baião bem". Como produtor musical ajudou a fazer os melhores discos do Trio Nordestino. Em 1968, Augusto Boal dirigiu no Teatro de Arena de São Paulo o musical "Chiclete com banana", inspirado na música de Gordurinha, criticando as relações desiguais entre a música brasileira e a música estrangeira, particularmente a norte-americana. Em 1972, Gilberto Gil, em disco lançado após seu retorno do exílio em Londres, regravou "Chiclete com banana". Em 1974, o cantor Macalé gravou "Orora analfabeta" e "Mambo da cantareira", no LP "Aprender a andar".
Em 1997, o Trio Nordestino, em sua nova versão, regravou o "Mambo da cantareira". Em 1999 o selo "Sons da Bahia" sob o patrocínio do Governo do Estado e com lançamento comercial pela Warner Music gravou o disco "A confraria do Gordurinha", com 16 faixas de sua autoria interpretadas por Gilberto Gil, que cantou "Baianada" e mais três músicas, Confraria da Bazófia e ainda Marta Millani. Em 2000, a Warner Music na série "Enciclopédia Musical Brasileira", lançou o CD "Jackson do Pandeiro e Gordurinha", no qual o cantor e compositor baiano aparece interpretando sete composições de sua autoria, entre as quais, "Oito da Conceição", "Vendedor de carangueijo" e "Qual é o pó?".
Obra
A cadeia da vila (c/ Antônio Alves) • A vassoura da comadre • Aquarela do morro • Baianada (c/ Carlos Diniz) • Baiano burro nasce morto • Baiano não é palhaço • Beco sem saída • Boêmio aposentado • Bossa quase nova • Cabra macho • Caixa alta em Paris • Carta de ABC • Chiclete com banana (c/ Almira Castilho) • É um calo só • Eu preciso namorar • Eu te escuto • Já fui palhaço (c/ Luiz de Carvalho) • Larga o coco • Meio termo • Meu amigo Oliveira • Não sou de nada (c/ Valter Silva) • O dono do circo (c/ Sarbina) • O marido da vedete • O vendedor de biscoito (c/ Nelinho) • Oito da Conceição • Olha o rapa (c/ E. Celestino) • Orora analfabeta (c/ Nascimento Gomes) • Paulo Afonso • Pedido a Padre Cícero • Perigo de morte (c/ Wilson Morais) • Praça do Ferreira (c/ Nelinho) • Quando o divórcio chegar • Quero me casar • Quixeramobim • Resto de vida • Ribalta • Súplica cearense (c/ Nelinho) • Tenente Bezerra • Torcida organizada • Trem da Central (c/ Mary Monteiro) • Vendedor de caranguejo
Discografia
• Oito da Conceição/Vendedor de caranguejo (1958) Continental 78
• Baiano burro nasce morto/Sorvete com gelo (C/Mário Tupinambá) (1959) Continental 78
• Tenente Bezerra/A cadeia da vila (1959) Continental 78
• Chiclete com banana/Baianada (1959) Continental 78
• Não sou de nada/Eu preciso namorar (1960) Continental 78
• Súplica cearense/Poeira de morte (1960) Continental 78
• Mambo da cantareira/Deixa pra mim (1960) Continental 78
• Marcha da cantareira/Meu tutu (1960) Continental 78
• Bossa quase nova/Tô doido pra ficar maluco (1961) Continental 78
• Copacabana-mambo/Já fui palhaço (1961) Continental 78
Veja como se faz.
Com 16 anos aprendeu a tocar violão. Cursou, como Noel, o segundo ano de Medicina, mas abandonou os estudos para seguir a carreira artística. Ganhou o apelido de Gordurinha dos amigos de rádio por sua magreza. Em 1964 desagradado com o golpe militar, fugiu de casa deixando com os familiares a determinação para que destruíssem tudo o que parecesse comprometedor, especialmente uma foto em que aparecia tocando violão para o presidente João Goulart e o governador Leonel Brizola. Doente, só reapareceu meses depois. Faleceu em 1969 vítima de infarto.
A carreira
Começou a carreira artística aos 16 anos, apresentando-se em um programa de calouros na Rádio Sociedade da Bahia, em Salvador. Na época participou do grupo vocal "Caídos do Céu". Em 1951 começou a produzir e apresentar programas na Rádio Tamandaré do Recife, em Pernambuco. Em 1952 foi para o Rio de Janeiro para dar continuidade à carreira artística. Pouco depois mudou-se para Recife onde atuou nas Rádios Jornal do Comércio e Tamandaré. Em 1954 teve sua primeira composição gravada por Jorge Veiga, o baião "Quero me casar". No mesmo ano, a dupla Venâncio e Corumba gravou o baião "Cadeia da vila". Em 1955 gravou com Leo Villar seu primeiro disco, interpretando a marcha "Soldado da rainha", dele e João Grimaldi, e "Sonhei com você", de Roberto Martins e Mário Vieira, com vistas ao carnaval do ano seguinte. Em 1957 apresentou na Rádio Nacional o programa "Varandão da casa grande". Apresentou ainda os programas "Café sem concerto" na Rádio Tupi e "Boate Ali Babá", na TV Tupi. Em 1958, Ari Lobo gravou o coco "Quixeramobim". No mesmo ano, gravou um de seus grandes sucessos, o , o coco "Vendedor de caranguejo".
Em 1959, o samba "Chiclete com banana", parceria com Almira Castilho, foi gravado com grande sucesso por Jackson do Pandeiro. Este samba, além de peça de teatro, foi tema de uma tira de histórias em quadrinhos, do desenhista Angeli e foi nome de uma banda de música baiana. Ainda no mesmo ano, fez grande sucesso com o baião "Baiano burro nasce morto", que geraria um famoso bordão nas televisões da época. Em 1960 gravou mais um grande sucesso, o baião-toada "Súplica cearense", composto em parceria com Nelinho, composição considerada pela crítica como sua obra-prima e uma das músicas mais pungentes em solidariedade aos miseráveis da seca nordestina. No mesmo ano, o cantor Antônio Martins gravou o tango "Ribalta". Teve diversas composições gravadas pelo cantor Jorge Veiga, entre as quais os sambas "Caixa alta em Paris", "O marido da vedete" e "Quando o divórcio chegar". Ari Lobo gravou os cocos "Paulo Afonso" e "Pedido a padre Cícero".
Em 1962 lançou o LP "A Bossa do Gordurinha", com destaque para "Baiano não é palhaço". Em 1963 lançou pela Copacabana o LP "Gordurinha...um espetáculo", com destaque para "Fornalha" e "Baião bem". Como produtor musical ajudou a fazer os melhores discos do Trio Nordestino. Em 1968, Augusto Boal dirigiu no Teatro de Arena de São Paulo o musical "Chiclete com banana", inspirado na música de Gordurinha, criticando as relações desiguais entre a música brasileira e a música estrangeira, particularmente a norte-americana. Em 1972, Gilberto Gil, em disco lançado após seu retorno do exílio em Londres, regravou "Chiclete com banana". Em 1974, o cantor Macalé gravou "Orora analfabeta" e "Mambo da cantareira", no LP "Aprender a andar".
Em 1997, o Trio Nordestino, em sua nova versão, regravou o "Mambo da cantareira". Em 1999 o selo "Sons da Bahia" sob o patrocínio do Governo do Estado e com lançamento comercial pela Warner Music gravou o disco "A confraria do Gordurinha", com 16 faixas de sua autoria interpretadas por Gilberto Gil, que cantou "Baianada" e mais três músicas, Confraria da Bazófia e ainda Marta Millani. Em 2000, a Warner Music na série "Enciclopédia Musical Brasileira", lançou o CD "Jackson do Pandeiro e Gordurinha", no qual o cantor e compositor baiano aparece interpretando sete composições de sua autoria, entre as quais, "Oito da Conceição", "Vendedor de carangueijo" e "Qual é o pó?".
Obra
A cadeia da vila (c/ Antônio Alves) • A vassoura da comadre • Aquarela do morro • Baianada (c/ Carlos Diniz) • Baiano burro nasce morto • Baiano não é palhaço • Beco sem saída • Boêmio aposentado • Bossa quase nova • Cabra macho • Caixa alta em Paris • Carta de ABC • Chiclete com banana (c/ Almira Castilho) • É um calo só • Eu preciso namorar • Eu te escuto • Já fui palhaço (c/ Luiz de Carvalho) • Larga o coco • Meio termo • Meu amigo Oliveira • Não sou de nada (c/ Valter Silva) • O dono do circo (c/ Sarbina) • O marido da vedete • O vendedor de biscoito (c/ Nelinho) • Oito da Conceição • Olha o rapa (c/ E. Celestino) • Orora analfabeta (c/ Nascimento Gomes) • Paulo Afonso • Pedido a Padre Cícero • Perigo de morte (c/ Wilson Morais) • Praça do Ferreira (c/ Nelinho) • Quando o divórcio chegar • Quero me casar • Quixeramobim • Resto de vida • Ribalta • Súplica cearense (c/ Nelinho) • Tenente Bezerra • Torcida organizada • Trem da Central (c/ Mary Monteiro) • Vendedor de caranguejo
Discografia
• Oito da Conceição/Vendedor de caranguejo (1958) Continental 78
• Baiano burro nasce morto/Sorvete com gelo (C/Mário Tupinambá) (1959) Continental 78
• Tenente Bezerra/A cadeia da vila (1959) Continental 78
• Chiclete com banana/Baianada (1959) Continental 78
• Não sou de nada/Eu preciso namorar (1960) Continental 78
• Súplica cearense/Poeira de morte (1960) Continental 78
• Mambo da cantareira/Deixa pra mim (1960) Continental 78
• Marcha da cantareira/Meu tutu (1960) Continental 78
• Bossa quase nova/Tô doido pra ficar maluco (1961) Continental 78
• Copacabana-mambo/Já fui palhaço (1961) Continental 78
Veja como se faz.
Zequinha de Abreu
José Gomes de Abreu, mais conhecido como Zequinha de Abreu (Santa Rita do Passa Quatro, 19 de setembro de 1880 — São Paulo, 22 de janeiro de 1935) foi um músico, compositor e instrumentista brasileiro. Tocava flauta, clarinete e requinta. Um dos maiores compositores de choros, é autor do famoso choro "Tico-Tico no Fubá" que foi muito divulgado no Exterior nos anos 40 por Carmen Miranda. É pouco provável que a similaridade desta melodia com uma no primeiro movimento do Concerto para Piano Op.15 de Beethoven seja mera coincidência. Abreu foi organizador e regente de orquestras e bandas no interior paulista.
Biografia
Zequinha de Abreu era o mais velho dos oito filhos do boticário José Alacrino Ramiro de Abreu e Justina Gomes Leitão. Sua mãe anseava para que ele seguisse a carreira de padre e o pai, desejava que se formasse em medicina. Mas aos seis anos de idade, ele já mostrava que tinha vocação para a música, tirando melodias da flauta. Ainda durante o curso primário organizou uma banda na escola, da qual ele mesmo era o regente. Com 10 anos, já tocava requinta, flauta e clarineta na banda e ensaiava suas primeiras composições.
Zequinha estudou em Santa Rita do Passa Quatro e no Colégio São Luís de Itu. Em 1894 foi para o Seminário Episcopal de São Paulo, onde aprendeu harmonia. Aos 17 anos voltou para sua cidade natal e fundou sua própria orquestra visando se apresentar em saraus, bailes, aniversários, casamentos, serestas e em cinemas, acompanhando os filmes mudos. Nessa época, fez suas primeiras composições conhecidas, como "Flor da Estrada" e "Bafo de Onça".
Aos 18 anos contraiu matrimônio com Durvalina Brasil, que tinha apenas 14 anos de idade. O casal morou por alguns meses no Distrito de Santa Cruz da Estrela, atual Jacerandi, próximo a Santa Rita. Cuidavam de uma farmácia e de uma classe de ensino primário. De volta à Santa Rita, Zequinha coordenou o trabalho da orquestra com os cargos de secretário da Câmara Municipal e de escrevente da Coletoria Estadual.
Fonte: Wikipedia
Biografia
Zequinha de Abreu era o mais velho dos oito filhos do boticário José Alacrino Ramiro de Abreu e Justina Gomes Leitão. Sua mãe anseava para que ele seguisse a carreira de padre e o pai, desejava que se formasse em medicina. Mas aos seis anos de idade, ele já mostrava que tinha vocação para a música, tirando melodias da flauta. Ainda durante o curso primário organizou uma banda na escola, da qual ele mesmo era o regente. Com 10 anos, já tocava requinta, flauta e clarineta na banda e ensaiava suas primeiras composições.
Zequinha estudou em Santa Rita do Passa Quatro e no Colégio São Luís de Itu. Em 1894 foi para o Seminário Episcopal de São Paulo, onde aprendeu harmonia. Aos 17 anos voltou para sua cidade natal e fundou sua própria orquestra visando se apresentar em saraus, bailes, aniversários, casamentos, serestas e em cinemas, acompanhando os filmes mudos. Nessa época, fez suas primeiras composições conhecidas, como "Flor da Estrada" e "Bafo de Onça".
Aos 18 anos contraiu matrimônio com Durvalina Brasil, que tinha apenas 14 anos de idade. O casal morou por alguns meses no Distrito de Santa Cruz da Estrela, atual Jacerandi, próximo a Santa Rita. Cuidavam de uma farmácia e de uma classe de ensino primário. De volta à Santa Rita, Zequinha coordenou o trabalho da orquestra com os cargos de secretário da Câmara Municipal e de escrevente da Coletoria Estadual.
Fonte: Wikipedia
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Violão brasileiro - Turíbio Santos
Instrumentista (violonista). Compositor. Professor.
Filho de um violonista clássico e seresteiro. Nascido em São Luís, mudou-se com sua família, em 1946, para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos musicais aos dez anos de idade, com Antônio Rabelo. Em 1953, conheceu aquele que seria um grande incentivador de sua carreira, o compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho, então membro da diretoria da Associação Brasileira de Violão. Teve ainda, como professores, o violonista uruguaio Óscar Cáceres e o maestro e compositor Edino Krieger.
Iniciou sua carreira profissional em 1962, em um concerto realizado em São Luís. Nesse mesmo ano, voltou a se apresentar no Rio de Janeiro, ocasião em que conheceu Arminda Villa-Lobos, esposa de Heitor Villa-Lobos, que viria a ser de fundamental importância em sua carreira. Foi a pedido dela que fez sua primeira gravação, um LP com os 12 estudos para violão de Villa-Lobos.
Em 1963, realizou a primeira audição da composição "Sexteto místico", também de Villa-Lobos, atuando ao lado de um conjunto camerístico.
No ano seguinte, participou de um movimento pela integração dos gêneros popular e erudito, liderado por Hermínio Bello de Carvalho. Nessa ocasião, exibiu-se ao lado de outros artistas, como Clementina de Jesus, Jacob do Bandolim, Paulo Tapajós e Araci de Almeida.
Em 1965, obteve consagração internacional ao vencer o "Concours International pour la Guitare", promovido pela Rádio e Televisão Francesa. Foi nomeado professor de dois conservatórios em Paris. Gravou, nessa cidade, cerca de dez LPs, lançados simultaneamente na França, Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Austrália e outros países. Estudou com dois dos maiores nomes do violão do século XX: Julian Bream, na Inglaterra, e Andrés Segóvia, na Espanha. Apresentou-se por toda a Europa como solista.
Em 1972, atuou ao lado de Elizeth Cardoso, interpretando a "Seresta nº 5", de Villa-Lobos, para a série "Concertos para a Juventude", da Rádio MEC. Nesse mesmo ano, apresentou-se com Leonard Bernstein e Arthur Rubinstein na temporada do anfiteatro da Faculdade de Direito, em Paris.
Em 1983, criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, integrada por seus alunos, e a Orquestra Brasileira de Violões.
Dois anos depois, recebeu a comenda de "Chevalier de la Legion D' Honneur", conferida pelo governo francês. A partir desse ano, passou a exercer o cargo de diretor do Museu Villa-Lobos.
Em 1989, foi condecorado oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul.
Sua discografia inclui mais de 40 LPs gravados, sendo que muitos deles foram relançados em CD.
Em 2001, lançou o CD "John Sebastian Bach visita a Mata Atlântica".
Flertando com o cancioneiro popular, lançou, em 2008, ano de seu 65º aniversário, o 65º disco, "Mistura brasileira", cujo repertório registra clássicos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ("Asa branca", "Juazeiro" e "Baião") e Jackson do Pandeiro ("O canto da ema", "Forró em Limoeiro" e "Sebastiana"), mistura Tom Jobim e Villa-Lobos, e inclui composições próprias, como "Prelúdio da Rosa", entre outras
É membro fundador do Conseil d' Entraite Musicale da UNESCO.
Choro N° 1 (Heitor Villa-Lobos) - Turibio Santos
Filho de um violonista clássico e seresteiro. Nascido em São Luís, mudou-se com sua família, em 1946, para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos musicais aos dez anos de idade, com Antônio Rabelo. Em 1953, conheceu aquele que seria um grande incentivador de sua carreira, o compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho, então membro da diretoria da Associação Brasileira de Violão. Teve ainda, como professores, o violonista uruguaio Óscar Cáceres e o maestro e compositor Edino Krieger.
Iniciou sua carreira profissional em 1962, em um concerto realizado em São Luís. Nesse mesmo ano, voltou a se apresentar no Rio de Janeiro, ocasião em que conheceu Arminda Villa-Lobos, esposa de Heitor Villa-Lobos, que viria a ser de fundamental importância em sua carreira. Foi a pedido dela que fez sua primeira gravação, um LP com os 12 estudos para violão de Villa-Lobos.
Em 1963, realizou a primeira audição da composição "Sexteto místico", também de Villa-Lobos, atuando ao lado de um conjunto camerístico.
No ano seguinte, participou de um movimento pela integração dos gêneros popular e erudito, liderado por Hermínio Bello de Carvalho. Nessa ocasião, exibiu-se ao lado de outros artistas, como Clementina de Jesus, Jacob do Bandolim, Paulo Tapajós e Araci de Almeida.
Em 1965, obteve consagração internacional ao vencer o "Concours International pour la Guitare", promovido pela Rádio e Televisão Francesa. Foi nomeado professor de dois conservatórios em Paris. Gravou, nessa cidade, cerca de dez LPs, lançados simultaneamente na França, Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Austrália e outros países. Estudou com dois dos maiores nomes do violão do século XX: Julian Bream, na Inglaterra, e Andrés Segóvia, na Espanha. Apresentou-se por toda a Europa como solista.
Em 1972, atuou ao lado de Elizeth Cardoso, interpretando a "Seresta nº 5", de Villa-Lobos, para a série "Concertos para a Juventude", da Rádio MEC. Nesse mesmo ano, apresentou-se com Leonard Bernstein e Arthur Rubinstein na temporada do anfiteatro da Faculdade de Direito, em Paris.
Em 1983, criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, integrada por seus alunos, e a Orquestra Brasileira de Violões.
Dois anos depois, recebeu a comenda de "Chevalier de la Legion D' Honneur", conferida pelo governo francês. A partir desse ano, passou a exercer o cargo de diretor do Museu Villa-Lobos.
Em 1989, foi condecorado oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul.
Sua discografia inclui mais de 40 LPs gravados, sendo que muitos deles foram relançados em CD.
Em 2001, lançou o CD "John Sebastian Bach visita a Mata Atlântica".
Flertando com o cancioneiro popular, lançou, em 2008, ano de seu 65º aniversário, o 65º disco, "Mistura brasileira", cujo repertório registra clássicos de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira ("Asa branca", "Juazeiro" e "Baião") e Jackson do Pandeiro ("O canto da ema", "Forró em Limoeiro" e "Sebastiana"), mistura Tom Jobim e Villa-Lobos, e inclui composições próprias, como "Prelúdio da Rosa", entre outras
É membro fundador do Conseil d' Entraite Musicale da UNESCO.
Choro N° 1 (Heitor Villa-Lobos) - Turibio Santos
À MINHA NEREIDA
Sonhei que estava bem longe! Na Austrália.
E dormindo ao teu costado. Na Almeida.
De ti a brisa trazia cheiro de dália.
Ah! Que sonho me traz essa nereida.
Entretanto, ao sonho, em represália...
Tive que ficar com a solidão
E sozinho com minha genitália
Pensei e me contentei com a mão.
Para o amor será que existe distância?
Não creio...Pois a lei é do coração.
Pois é dele que nos vem esta ânsia.
Louca. Até por alguém que nunca se viu,
Que nos dá tamanha palpitação.
Quem diz o contrário é porque mentiu.
MASSAIMARA.
E dormindo ao teu costado. Na Almeida.
De ti a brisa trazia cheiro de dália.
Ah! Que sonho me traz essa nereida.
Entretanto, ao sonho, em represália...
Tive que ficar com a solidão
E sozinho com minha genitália
Pensei e me contentei com a mão.
Para o amor será que existe distância?
Não creio...Pois a lei é do coração.
Pois é dele que nos vem esta ânsia.
Louca. Até por alguém que nunca se viu,
Que nos dá tamanha palpitação.
Quem diz o contrário é porque mentiu.
MASSAIMARA.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Jane e Victor
Victor Biglione -Instrumentista (guitarrista). Compositor.
Nascido em Buenos Aires e naturalizado brasileiro, estudou em 1976 no Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam), escola de música do Zimbo Trio. No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, tendo freqüentado a Berklee College of Music de Boston (Massachusetts). Transita na área da música contemporânea, especialmente do jazz e do blues.
Em 1982 e 1983, fez parte do conjunto A Cor do Som, com o qual gravou o disco "Magia tropical" e foi contemplado com o Troféu Socimpro na categoria de melhor grupo instrumental de 1982.
Atuou como guitarrista ao lado de vários artistas, como Ivan Lins, Gal Costa, Chico Buarque, Djavan, Milton Nascimento, Sérgio Mendes, Wagner Tiso, João Bosco, entre outros brasileiros, além dos internacionais Lee Konitz, John Patitucci, Steve Hacket (do Genesis), Andy Summers (do Police), e do grupo Manhattan Transfer.
Lançou, na década de 1980, os LPs "Victor Biglione" (1986), "Baleia azul" (1987) e "Quebra pedra" (1989). Em 1989, recebeu o Troféu Grandes Músicos Brahma Extra e foi indicado para o Prêmio Sharp na categoria de melhor arranjador instrumental.
Em 1990, foi premiado pela Melhor Trilha Sonora, no Rio Cine Internacional Festival de Cinema do Rio de Janeiro, pela música do filme "Faca de dois gumes", de Murillo Sales.
Em 1993, gravou o CD "Trilhas".
No ano seguinte, lançou, com Zé Renato e Litto Nébia, o CD "Ponto de encontro" e, com Marcos Ariel, o CD "Victor Biglione & Marco Ariel Duo".
Em 1997, foi novamente indicado para o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Disco de Trilha Sonora de Cinema, pelo CD "Como nascem os anjos". Ainda nesse ano, apresentou-se em Montreux, show que gerou o CD "Ao vivo em Montreux".
Em 1999, seu CD "Strings of Desire", em duo com Andy Summers (ex-integrante do grupo The Police), foi lançado no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão. Nesse mesmo ano, gravou o CD "Cinema acústico".
Participou de trilhas sonoras para teatro, como "Uma aventura na Síria" (1990) e "Procura-se um amigo" (1990), para novelas e seriados de televisão, como "Pai herói" (1981) "Procura-se um amigo" (Rede Manchete, 1993) e "A justiceira" (Rede Globo, 1997), e para cinema, como "Dayse das almas deste mundo", "Faca de dois gumes" (1988), de Murilo Salles, "Oswaldianas" (1991), de Lúcia Murat, "Como nascem os anjos" (1996), de Murillo Sales, e "Amar" (1997), de Carlos Gregório.
Apresentou-se em televisão no show gravado ao vivo no Golden Room do Copacabana Palace (TVE, 1988), Free Jazz (Rede Manchete, 1990), "Especial Victor Biglione" (TVE, 1993), "Fantástico" (Rede Globo, 1993) e "Beau et Chaud Programme" (Televisão Canadense).
Em 2000, lançou o CD "Um tributo a Hendrix". Nesse mesmo ano, realizou, com Marcos Valle e os músicos canadenses Jean Pierre Zanella (sax e flauta) Jean-François Groulx (sintetizador), Jim Hillman (bateria) e Norman Lachapelle (baixo), o show de encerramento das comemorações dos 500 anos do Brasil, em Montreal. O espetáculo foi gravado ao vivo e lançado, em 2003, no CD "Live in Montreal".
Em 2004, lançou , com Wagner Tiso, pela gravadora Albatroz em conjunto com o Núcleo de Comunicação da Universidade Estácio de Sá (RJ), com distribuição nacional da Trama, o CD "Tocar", registro ao vivo do espetáculo realizado pelos dois instrumentistas, contendo as canções "Expresso 2222" (Gilberto Gil), "Samba de uma nota só" (Tom Jobim), "Cravo e Canela" (Milton Nascimento) e "Sonho de um Carnaval' (Chico Buarque), entre outras. O disco teve show de lançamento na Toca do Vinicius e na Estrela da Lapa, no Rio de Janeiro.
Em 2005, apresentou-se na Casa de Cultura Estácio de Sá (RJ), ao lado de Andy Summers, em show de lançamento do CD "Splendid Brazil", no qual os dois guitarristas registraram exclusivamente músicas brasileiras. Nesse mesmo ano, deixou gravadas suas mãos na Calçada da Fama da Toca do Vinicius, em Ipanema (RJ).
Trenzinho Caipira (Villa Lobos)
Victor Biglione: Guitarra.
José Lourenço: Teclado.
Renato Massa:Bateria.
Jonny Barreto: Baixo acústico.
Rio de Janeiro/1997.
Jane Duboc
Cantora. Compositora.
Destacou-se em sua cidade natal desde criança, não só como cantora mas também como esportista, tendo sido contemplada com muitas medalhas em competições estaduais de natação, voleibol, tênis e tênis de mesa. o que motivou a criação, pela Assembléia Legislativa de Belém, do prêmio "Jane Duboc Vaquer" de incentivo aos esportistas paraenses. Estudou piano e violão. Integrou, em Belém o conjunto Ilusão e, em Natal, o Quarteto das Tri, formado por tri-campeãs no esporte. Em 1970, viajou para os Estados Unidos, onde criou a Fane Jazz Band, em que atuava como vocalista e instrumentista.
Em 1971, defendeu a canção "No ano 83", de Sérgio Sampaio, no VI Festival Internacional da Canção (Rede Globo).
De 1972 a 1976, morou nos Estados Unidos, onde estudou na Faculdade de Música da Universiade da Geórgia (orquestração, canto lírico, flauta e arte dramática), além de atuar como cantora, compositora e instrumentista, cantando em bares, boates, clubes e igrejas.
Em 1977, voltou para o Brasil, onde formou o Grupo Fein , que se apresentava cantando somente em inglês. Lançou o compacto "Pollution", cuja música, de sua autoria, foi gravada só em vocalise porque a letra foi vetada pela Censura. O disco foi produzido por Raul Seixas, com quem atuou em shows e gravações. Também nos anos 1970, integrou a Banda Veneno, do maestro Erlon Chaves, e o coral da Rede Globo, gravando várias aberturas de programas. Participou, também do disco "Linguinha", de Chico Anysio e gravou com o guitarrista norte-americano Jay Anthony Vaquer, com quem foi casada, o LP "Morning The Musicians" (RCA), que contou com a participação de Luiz Eça, Paulo Moura, Noveli e Bil French. Excursionou com Egberto Gismonti nos shows "Água e Vinho I e II", com quem gravou vocais e percussão no CD "Árvore". Ao lado de Sérgio Sampaio, interpretou, no VI Festival Internacional da Canção, a música "No ano 83". Gravou as trilhas sonoras do filme "Janaina" e da peça "Encontro no bar". Cantou músicas folclóricas regionais no LP "Acalantos brasileiros" e na série "Música popular do Norte", para o selo Marcus Pereira,. Compôs e gravou, com Guto Graça Melo, a trilha sonora do filme "Amor bandido", de Bruno Barreto. Ainda nos anos 1970, foi integrante da Zurama Jingles, gravando comerciais para a produtora de Ivan Lins, Eduardo Souto Neto, Tavito e Paulo Sergio Valle, com destaque para o comercial da Soletur Turismo, veiculado em rede nacional de Televisão. Fez parte da Rio Jazz Orquestra, de Marcus Spillman, cantando temas de Duke Ellington e outros nomes do jazz. Participou das gravações de discos dos grupos Os Motokas e Os Skates, ao lado de Claudinha Telles e do Grupo Roupa Nova, que na época atuava como Os Fanks.
Em 1980, gravou seu primeiro disco solo, "Languidez", que contou com a participação de Toninho Horta, Djavan, Sivuca, Hélio Delmiro, Luis Avelar e Osvaldo Montenegro. No repertório, sua composição "Meu homem", além de canções como "Cachoeira" (Osvaldo Montenegro), "Manoel, o audaz" (Toninho Horta e Fernando Brant), que ganhou clipe no programa "Fantástico" (Rede Globo) e "Que outro dia amanheça" (Edson e Terezinha), que ocupou os primeiros lugares nas emissoras de rádio do país, entre outras. Participou do festival MPB-80 (Rede Globo), interpretando a canção "Saudade" (Nato Gomes), registrada no LP "MPB 80 - Vol. 2" (Som Livre). Integrou o grupo vocal Cantamor. Participou de vários especiais da Rede Globo, como os de Roberto Carlos e Fábio Jr., além dos infantis "Pirlimpimpim", "Arca de Noé - 2" e "Verde que te quero ver" (Paulinho Tapajós e Edmundo Souto), entre outros, cujas trilhas foram registradas em disco. Ainda na década de 1980, Jane Duboc percorreu o Brasil fazendo shows com Filó, Hélio Delmiro, Tunai, Aécio Flavio, Pery Ribeiro, Márcio Montarroyos, Toninho Horta e Miucha, além de Toquinho, com quem excursionou pelo país com o show "Doce vida", viajou pela Itália e gravou um disco em Milão.
Em 1982, lançou o LP "Jane Duboc", que incluiu sua composição "Eu no sol" (c/ Osvaldo Montenegro) e as canções "Som pra sumir" (Gilberto Gil) e "Água" (Fátima Guedes), entre outras. Ainda nesse ano, participou do "MPB-Shell", classificando a música "Tentação" (Tunai e Sérgio Natureza).
Em 1983, interpretou a faixa "A valsa dos clowns" (Edu Lobo e Chico Buarque) no disco "O Grande Circo Místico".
Em 1985, gravou o LP "Ponto de partida", que contou com a participação de Toquinho.
Em 1986, apresentou-se para um público de 30.000 pessoas no show comemorativo do aniversário de Belo Horizonte (MG), realizado no Parque das Mangabeiras.
Em 1987, lançou o LP "Jane Duboc", com destaque para "Chama da Paixão" (Thomaz Roth e Cido Bianchi) e "Sonhos" (Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Mauro Motta), além de sua composição "Minas em mim" (c/ Luca) e canções de Milton Nascimento, Toninho Horta e Tavito, entre outros, com arranjos de César Camargo Mariano, Chiquinho de Morais e Cido Bianchi. O sucesso e o reconhecimento nacional vieram nesse ano com as músicas "Chama da paixão" e "Sonhos", que tiveram grande execução nas emissoras de rádio, o que lhe valeu convites para apresentações em vários programas de televisão, abrindo caminho para sua participação em trilhas de novelas da Rede Globo, como "Fera Radical", com a música "Sonhos" e "Vale Tudo" (Rede Globo), com a música "Besame" (Flávio Venturini e Murilo Antunes).
Em 1988, gravou o LP "Feliz", que incluiu "Como se deixa passar", de sua autoria, além das canções "Só nós dois" (Thomaz Roth e Cido Bianchi), "De corpo inteiro" (Aécio Flávio e Luiz Fernando), "Louco amor" (Claudia Olivetti, Lincoln Olivetti e Robson Jorge), "De corpo inteiro", tema da novela "O Salvador da Pátria" (Rede Globo), e "Vem pra mim", versão de Rosana Hermann para a música "Now and forever". Fez vários shows, inclusive um gravado ao vivo, no Teatro Bandeirantes, que se tornou um especial de Televisão.
Em 1990, estreou, no Ópera Room (SP), o espetáculo "Movie Melodies", interpretando exclusivamente clássicos do cinema norte-americano como "As time goes by" (Herman Hupfeld), "True love" (Cole Porter) e "Bewitched" (Rodgers e Hart), entre outras. Seguiu com o show por várias cidades brasileiras.
Lançou, em 1991, o CD "Além do prazer" e, em 1992, o CD "Brasiliano" (Globo Records/Itália), contendo músicas italianas, e o CD "Movies melodies", pelo qual foi contemplada com o Prêmio Sharp, na categoria de Melhor Cantora. Também em 1991, realizou o show "Beatles Mulher", cantando músicas do quarteto de Liverpool.
Em 1993, lançou o CD "Jane Duboc". Também nesse ano, apresentou-se ao lado de Sílvia Goes e Keko Brandão no Centro Cultural São Paulo, com o show "Tríade", com textos de Paulo Bonfim e releituras, apenas com vocalises, de obras de Enya, Hermeto Paschoal, Vangelis, Edú Lobo e Tom Jobim, entre outros. Ainda em 1993, viajou aos Estados Unidos, onde gravou, com o saxofonista Gerry Mulligan, o CD "Paraíso", com destaque para sua composição "Bordado". O disco foi lançado no ano seguinte.
Em 1995, lançou o CD "Partituras", interpretando exclusivamente canções de Flavio Venturini, como "Sobre o mar" (c/ Alexandre Blasifera) e "Nuvens" (c/ Ronaldo Bastos), além da faixa-título, de sua parceria com o compositor.
Em 1996, inaugurou, com o maestro Roberto Sion, o maior centro de convenções da cidade de Gifu (Japão). O show apresentado nessa ocasião gerou o CD "From Brazil to Japan", que incluiu canções como "Alguém cantando" (Caetano Veloso), "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá e Antonio Maria) e "Se todos fossem iguais a você" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), entre outras.
Em 1998, gravou, com Sebastião Tapajós, o CD "Da minha terra", homenageando compositores paraenses.
No ano seguinte, lançou o disco "Clássicas", com Zezé Gonzaga, que registrou canções como "Linda flor (Ai, Ioiô)" (Henrique Vogeler, Luis Peixoto e Marques Porto) e "Sem fantasia" (Chico Buarque), entre outras.
Em 2001, abriu, em sociedade com o marido, Paulo Amorim, a gravadora Jam Music, pela qual lançou discos de vários artistas, como Beth Carvalho, Celso Viáfora e Angela Rô Rô, entre outros, além do filho Jay Vaquer.
Em 2002, lançou o CD "Sweet Lady Jane", contendo as canções "Verão" (Rosa Passos e Fernando de Oliveira), "Por causa de você" (Tom Jobim e Dolores Duran), "Pr'um samba" (Egberto Gismonti), "If it's Magic" (Stevie Wonder), "De alma e corpo" (Ivan Lins e Celso Viáfora), "Blues afins" (Tunai e Sérgio Natureza), "It Might as Well be Spring" (R. Rodgers e Hammerstein), "Lady Jane" (Mick Jagger e Keith Richard), "Pra dizer adeus" (Edu Lobo e Torquato Neto), "Evermore" (Ivan Lins e Will Lee", "Photograph (Fotografia)" (Tom Jobim e Ray Gilbert) e "Don't Ever Go Away (Por Causa de Você)" (Tom Jobim e Ray Gilbert).
Em 2003, o disco "Languidez" (Aycha/1980), foi relançado em CD pelo selo Jam Music, a partir de um vinil da época cedido por um fã, já que as fitas originais do disco foram perdidas numa enchente nos anos 1980.
Ao longo de sua carreira, participou da gravação de mais de cem discos de vários artistas, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Roberto Sion e Sarah Vaughan.
Além de sua atuação no cenário musical, dedica-se também à literatura, tendo publicado um livro de poemas, "Através das paredes", e dois livros infantis, "Jeguelhinho" e "Bia e Buze", lançados pela editora paraense Cejupe.
Nada Sem Você (Jane Duboc)
Rio de Janeiro/2008.
Jane Duboc e Victor Biglione prestam tributo a Ella Fitzgerald em CD que acabam de lançar.
Nascido em Buenos Aires e naturalizado brasileiro, estudou em 1976 no Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam), escola de música do Zimbo Trio. No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, tendo freqüentado a Berklee College of Music de Boston (Massachusetts). Transita na área da música contemporânea, especialmente do jazz e do blues.
Em 1982 e 1983, fez parte do conjunto A Cor do Som, com o qual gravou o disco "Magia tropical" e foi contemplado com o Troféu Socimpro na categoria de melhor grupo instrumental de 1982.
Atuou como guitarrista ao lado de vários artistas, como Ivan Lins, Gal Costa, Chico Buarque, Djavan, Milton Nascimento, Sérgio Mendes, Wagner Tiso, João Bosco, entre outros brasileiros, além dos internacionais Lee Konitz, John Patitucci, Steve Hacket (do Genesis), Andy Summers (do Police), e do grupo Manhattan Transfer.
Lançou, na década de 1980, os LPs "Victor Biglione" (1986), "Baleia azul" (1987) e "Quebra pedra" (1989). Em 1989, recebeu o Troféu Grandes Músicos Brahma Extra e foi indicado para o Prêmio Sharp na categoria de melhor arranjador instrumental.
Em 1990, foi premiado pela Melhor Trilha Sonora, no Rio Cine Internacional Festival de Cinema do Rio de Janeiro, pela música do filme "Faca de dois gumes", de Murillo Sales.
Em 1993, gravou o CD "Trilhas".
No ano seguinte, lançou, com Zé Renato e Litto Nébia, o CD "Ponto de encontro" e, com Marcos Ariel, o CD "Victor Biglione & Marco Ariel Duo".
Em 1997, foi novamente indicado para o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Disco de Trilha Sonora de Cinema, pelo CD "Como nascem os anjos". Ainda nesse ano, apresentou-se em Montreux, show que gerou o CD "Ao vivo em Montreux".
Em 1999, seu CD "Strings of Desire", em duo com Andy Summers (ex-integrante do grupo The Police), foi lançado no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão. Nesse mesmo ano, gravou o CD "Cinema acústico".
Participou de trilhas sonoras para teatro, como "Uma aventura na Síria" (1990) e "Procura-se um amigo" (1990), para novelas e seriados de televisão, como "Pai herói" (1981) "Procura-se um amigo" (Rede Manchete, 1993) e "A justiceira" (Rede Globo, 1997), e para cinema, como "Dayse das almas deste mundo", "Faca de dois gumes" (1988), de Murilo Salles, "Oswaldianas" (1991), de Lúcia Murat, "Como nascem os anjos" (1996), de Murillo Sales, e "Amar" (1997), de Carlos Gregório.
Apresentou-se em televisão no show gravado ao vivo no Golden Room do Copacabana Palace (TVE, 1988), Free Jazz (Rede Manchete, 1990), "Especial Victor Biglione" (TVE, 1993), "Fantástico" (Rede Globo, 1993) e "Beau et Chaud Programme" (Televisão Canadense).
Em 2000, lançou o CD "Um tributo a Hendrix". Nesse mesmo ano, realizou, com Marcos Valle e os músicos canadenses Jean Pierre Zanella (sax e flauta) Jean-François Groulx (sintetizador), Jim Hillman (bateria) e Norman Lachapelle (baixo), o show de encerramento das comemorações dos 500 anos do Brasil, em Montreal. O espetáculo foi gravado ao vivo e lançado, em 2003, no CD "Live in Montreal".
Em 2004, lançou , com Wagner Tiso, pela gravadora Albatroz em conjunto com o Núcleo de Comunicação da Universidade Estácio de Sá (RJ), com distribuição nacional da Trama, o CD "Tocar", registro ao vivo do espetáculo realizado pelos dois instrumentistas, contendo as canções "Expresso 2222" (Gilberto Gil), "Samba de uma nota só" (Tom Jobim), "Cravo e Canela" (Milton Nascimento) e "Sonho de um Carnaval' (Chico Buarque), entre outras. O disco teve show de lançamento na Toca do Vinicius e na Estrela da Lapa, no Rio de Janeiro.
Em 2005, apresentou-se na Casa de Cultura Estácio de Sá (RJ), ao lado de Andy Summers, em show de lançamento do CD "Splendid Brazil", no qual os dois guitarristas registraram exclusivamente músicas brasileiras. Nesse mesmo ano, deixou gravadas suas mãos na Calçada da Fama da Toca do Vinicius, em Ipanema (RJ).
Trenzinho Caipira (Villa Lobos)
Victor Biglione: Guitarra.
José Lourenço: Teclado.
Renato Massa:Bateria.
Jonny Barreto: Baixo acústico.
Rio de Janeiro/1997.
Jane Duboc
Cantora. Compositora.
Destacou-se em sua cidade natal desde criança, não só como cantora mas também como esportista, tendo sido contemplada com muitas medalhas em competições estaduais de natação, voleibol, tênis e tênis de mesa. o que motivou a criação, pela Assembléia Legislativa de Belém, do prêmio "Jane Duboc Vaquer" de incentivo aos esportistas paraenses. Estudou piano e violão. Integrou, em Belém o conjunto Ilusão e, em Natal, o Quarteto das Tri, formado por tri-campeãs no esporte. Em 1970, viajou para os Estados Unidos, onde criou a Fane Jazz Band, em que atuava como vocalista e instrumentista.
Em 1971, defendeu a canção "No ano 83", de Sérgio Sampaio, no VI Festival Internacional da Canção (Rede Globo).
De 1972 a 1976, morou nos Estados Unidos, onde estudou na Faculdade de Música da Universiade da Geórgia (orquestração, canto lírico, flauta e arte dramática), além de atuar como cantora, compositora e instrumentista, cantando em bares, boates, clubes e igrejas.
Em 1977, voltou para o Brasil, onde formou o Grupo Fein , que se apresentava cantando somente em inglês. Lançou o compacto "Pollution", cuja música, de sua autoria, foi gravada só em vocalise porque a letra foi vetada pela Censura. O disco foi produzido por Raul Seixas, com quem atuou em shows e gravações. Também nos anos 1970, integrou a Banda Veneno, do maestro Erlon Chaves, e o coral da Rede Globo, gravando várias aberturas de programas. Participou, também do disco "Linguinha", de Chico Anysio e gravou com o guitarrista norte-americano Jay Anthony Vaquer, com quem foi casada, o LP "Morning The Musicians" (RCA), que contou com a participação de Luiz Eça, Paulo Moura, Noveli e Bil French. Excursionou com Egberto Gismonti nos shows "Água e Vinho I e II", com quem gravou vocais e percussão no CD "Árvore". Ao lado de Sérgio Sampaio, interpretou, no VI Festival Internacional da Canção, a música "No ano 83". Gravou as trilhas sonoras do filme "Janaina" e da peça "Encontro no bar". Cantou músicas folclóricas regionais no LP "Acalantos brasileiros" e na série "Música popular do Norte", para o selo Marcus Pereira,. Compôs e gravou, com Guto Graça Melo, a trilha sonora do filme "Amor bandido", de Bruno Barreto. Ainda nos anos 1970, foi integrante da Zurama Jingles, gravando comerciais para a produtora de Ivan Lins, Eduardo Souto Neto, Tavito e Paulo Sergio Valle, com destaque para o comercial da Soletur Turismo, veiculado em rede nacional de Televisão. Fez parte da Rio Jazz Orquestra, de Marcus Spillman, cantando temas de Duke Ellington e outros nomes do jazz. Participou das gravações de discos dos grupos Os Motokas e Os Skates, ao lado de Claudinha Telles e do Grupo Roupa Nova, que na época atuava como Os Fanks.
Em 1980, gravou seu primeiro disco solo, "Languidez", que contou com a participação de Toninho Horta, Djavan, Sivuca, Hélio Delmiro, Luis Avelar e Osvaldo Montenegro. No repertório, sua composição "Meu homem", além de canções como "Cachoeira" (Osvaldo Montenegro), "Manoel, o audaz" (Toninho Horta e Fernando Brant), que ganhou clipe no programa "Fantástico" (Rede Globo) e "Que outro dia amanheça" (Edson e Terezinha), que ocupou os primeiros lugares nas emissoras de rádio do país, entre outras. Participou do festival MPB-80 (Rede Globo), interpretando a canção "Saudade" (Nato Gomes), registrada no LP "MPB 80 - Vol. 2" (Som Livre). Integrou o grupo vocal Cantamor. Participou de vários especiais da Rede Globo, como os de Roberto Carlos e Fábio Jr., além dos infantis "Pirlimpimpim", "Arca de Noé - 2" e "Verde que te quero ver" (Paulinho Tapajós e Edmundo Souto), entre outros, cujas trilhas foram registradas em disco. Ainda na década de 1980, Jane Duboc percorreu o Brasil fazendo shows com Filó, Hélio Delmiro, Tunai, Aécio Flavio, Pery Ribeiro, Márcio Montarroyos, Toninho Horta e Miucha, além de Toquinho, com quem excursionou pelo país com o show "Doce vida", viajou pela Itália e gravou um disco em Milão.
Em 1982, lançou o LP "Jane Duboc", que incluiu sua composição "Eu no sol" (c/ Osvaldo Montenegro) e as canções "Som pra sumir" (Gilberto Gil) e "Água" (Fátima Guedes), entre outras. Ainda nesse ano, participou do "MPB-Shell", classificando a música "Tentação" (Tunai e Sérgio Natureza).
Em 1983, interpretou a faixa "A valsa dos clowns" (Edu Lobo e Chico Buarque) no disco "O Grande Circo Místico".
Em 1985, gravou o LP "Ponto de partida", que contou com a participação de Toquinho.
Em 1986, apresentou-se para um público de 30.000 pessoas no show comemorativo do aniversário de Belo Horizonte (MG), realizado no Parque das Mangabeiras.
Em 1987, lançou o LP "Jane Duboc", com destaque para "Chama da Paixão" (Thomaz Roth e Cido Bianchi) e "Sonhos" (Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Mauro Motta), além de sua composição "Minas em mim" (c/ Luca) e canções de Milton Nascimento, Toninho Horta e Tavito, entre outros, com arranjos de César Camargo Mariano, Chiquinho de Morais e Cido Bianchi. O sucesso e o reconhecimento nacional vieram nesse ano com as músicas "Chama da paixão" e "Sonhos", que tiveram grande execução nas emissoras de rádio, o que lhe valeu convites para apresentações em vários programas de televisão, abrindo caminho para sua participação em trilhas de novelas da Rede Globo, como "Fera Radical", com a música "Sonhos" e "Vale Tudo" (Rede Globo), com a música "Besame" (Flávio Venturini e Murilo Antunes).
Em 1988, gravou o LP "Feliz", que incluiu "Como se deixa passar", de sua autoria, além das canções "Só nós dois" (Thomaz Roth e Cido Bianchi), "De corpo inteiro" (Aécio Flávio e Luiz Fernando), "Louco amor" (Claudia Olivetti, Lincoln Olivetti e Robson Jorge), "De corpo inteiro", tema da novela "O Salvador da Pátria" (Rede Globo), e "Vem pra mim", versão de Rosana Hermann para a música "Now and forever". Fez vários shows, inclusive um gravado ao vivo, no Teatro Bandeirantes, que se tornou um especial de Televisão.
Em 1990, estreou, no Ópera Room (SP), o espetáculo "Movie Melodies", interpretando exclusivamente clássicos do cinema norte-americano como "As time goes by" (Herman Hupfeld), "True love" (Cole Porter) e "Bewitched" (Rodgers e Hart), entre outras. Seguiu com o show por várias cidades brasileiras.
Lançou, em 1991, o CD "Além do prazer" e, em 1992, o CD "Brasiliano" (Globo Records/Itália), contendo músicas italianas, e o CD "Movies melodies", pelo qual foi contemplada com o Prêmio Sharp, na categoria de Melhor Cantora. Também em 1991, realizou o show "Beatles Mulher", cantando músicas do quarteto de Liverpool.
Em 1993, lançou o CD "Jane Duboc". Também nesse ano, apresentou-se ao lado de Sílvia Goes e Keko Brandão no Centro Cultural São Paulo, com o show "Tríade", com textos de Paulo Bonfim e releituras, apenas com vocalises, de obras de Enya, Hermeto Paschoal, Vangelis, Edú Lobo e Tom Jobim, entre outros. Ainda em 1993, viajou aos Estados Unidos, onde gravou, com o saxofonista Gerry Mulligan, o CD "Paraíso", com destaque para sua composição "Bordado". O disco foi lançado no ano seguinte.
Em 1995, lançou o CD "Partituras", interpretando exclusivamente canções de Flavio Venturini, como "Sobre o mar" (c/ Alexandre Blasifera) e "Nuvens" (c/ Ronaldo Bastos), além da faixa-título, de sua parceria com o compositor.
Em 1996, inaugurou, com o maestro Roberto Sion, o maior centro de convenções da cidade de Gifu (Japão). O show apresentado nessa ocasião gerou o CD "From Brazil to Japan", que incluiu canções como "Alguém cantando" (Caetano Veloso), "Manhã de Carnaval" (Luiz Bonfá e Antonio Maria) e "Se todos fossem iguais a você" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), entre outras.
Em 1998, gravou, com Sebastião Tapajós, o CD "Da minha terra", homenageando compositores paraenses.
No ano seguinte, lançou o disco "Clássicas", com Zezé Gonzaga, que registrou canções como "Linda flor (Ai, Ioiô)" (Henrique Vogeler, Luis Peixoto e Marques Porto) e "Sem fantasia" (Chico Buarque), entre outras.
Em 2001, abriu, em sociedade com o marido, Paulo Amorim, a gravadora Jam Music, pela qual lançou discos de vários artistas, como Beth Carvalho, Celso Viáfora e Angela Rô Rô, entre outros, além do filho Jay Vaquer.
Em 2002, lançou o CD "Sweet Lady Jane", contendo as canções "Verão" (Rosa Passos e Fernando de Oliveira), "Por causa de você" (Tom Jobim e Dolores Duran), "Pr'um samba" (Egberto Gismonti), "If it's Magic" (Stevie Wonder), "De alma e corpo" (Ivan Lins e Celso Viáfora), "Blues afins" (Tunai e Sérgio Natureza), "It Might as Well be Spring" (R. Rodgers e Hammerstein), "Lady Jane" (Mick Jagger e Keith Richard), "Pra dizer adeus" (Edu Lobo e Torquato Neto), "Evermore" (Ivan Lins e Will Lee", "Photograph (Fotografia)" (Tom Jobim e Ray Gilbert) e "Don't Ever Go Away (Por Causa de Você)" (Tom Jobim e Ray Gilbert).
Em 2003, o disco "Languidez" (Aycha/1980), foi relançado em CD pelo selo Jam Music, a partir de um vinil da época cedido por um fã, já que as fitas originais do disco foram perdidas numa enchente nos anos 1980.
Ao longo de sua carreira, participou da gravação de mais de cem discos de vários artistas, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Roberto Sion e Sarah Vaughan.
Além de sua atuação no cenário musical, dedica-se também à literatura, tendo publicado um livro de poemas, "Através das paredes", e dois livros infantis, "Jeguelhinho" e "Bia e Buze", lançados pela editora paraense Cejupe.
Nada Sem Você (Jane Duboc)
Rio de Janeiro/2008.
Jane Duboc e Victor Biglione prestam tributo a Ella Fitzgerald em CD que acabam de lançar.
Peripécias futebolísticas de H. C. Pinheiro.
O Marcos, atual goleiro do Palmeiras, contou que certa vez estava na janela de seu apartamento, quando ainda não jogava futebol, e ia passando dois caras num Monza. Um dirigindo e outro empurrando. Nada do carro pegar. Ele com pena dos dois sujeitos, chamou um amigo e foi dar uma força. Empurraram o Monza. Quando o carro pegou, os sujeitos agradeceram e foram embora. Daí a pouco surge um senhor e pergunta se eles não viram passar um Monza ali na rua. Marcos, sem jeito e com vergonha de dizer que tinha ajudado aos ladrões, respondeu que não.
XXXXXXXXXXXXX
Garrincha certa vez veio jogar aqui em Fortaleza, pelo Botafogo. Inclusive, para quem não sabe, chegou a jogar meio tempo pelo Leão. À noite ele estava na porta do hotel e observou que havia dois bares, um próximo do outro. Um repleto de fregueses, o outro totalmente vazio. Aí ele olhou para o Nílton Santos, seu comprade e disse: "vou dar uma mãozinha ao dono daquele outro bar." Se mandou para o bar e quando chegou, os fregueses do bar que estava lotado viram o Garrincha e logo se mudaram para o outro.
XXXXXXXXXXXX
O Paulo Barros, um amigo de infância, foi um dos maiores centro-avantes que já marquei e vi jogar. Não foi profissional porque a "mardita" cachaça acabou com o futebol dele muito cedo. No começo da década de setenta era chamado de Tostãozinho, dada a categoria do cara. Para se ter uma ideia do futebol dele, o Luciano Pacoti era seu reserva num time ali da rua da Cachorra Magra, hoje Marechal Floriano.
Certa vez fomos jogar em Messejana, num campo perto da casa de um tio meu. O Paulo foi para um time e eu para o outro. Ele de centro-avante e eu de beque central, minha velha posição. Num lance o Paulo partiu para cima de mim, eu entrei de uma vez e levei aquele drible, passei direto. Puto de raiva, voltei e fui de novo de uma vez, levei outro. Nisso, parece conta de mentiroso, tomei sete dribles o último cai sentado. O Paulo escolheu o canto e fez o gol como quis.
Lá na Messejana ficou conhecido como o jogador Cão.
XXXXXXXXXXXXX
Eu também tive meus dias de glória. Fui jogar pelo Cearezinho contra o Cruzeiro, ambos da Cidade dos Funcionários. O Cearazinho tinha seu campo onde hoje é o prédio do IPEC, que o Tasso deu. O Cruzeiro ficava lá perto do Iprede.
Jogo vai, jogo vem. O Paulo, não sei porque foi apitar. Num lance, o jogador do Cruzeiro partiu para cima de mim com a bola dominada e eu o desarmei facilmente. Aí outro jogador do time deles comentou: "Pra passar por este zangueiro é preciso ter muita elegância." E fiquei sendo chamado de Elegante no nosso time.
Henrique César Pinheiro
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Garrincha certa vez veio jogar aqui em Fortaleza, pelo Botafogo. Inclusive, para quem não sabe, chegou a jogar meio tempo pelo Leão. À noite ele estava na porta do hotel e observou que havia dois bares, um próximo do outro. Um repleto de fregueses, o outro totalmente vazio. Aí ele olhou para o Nílton Santos, seu comprade e disse: "vou dar uma mãozinha ao dono daquele outro bar." Se mandou para o bar e quando chegou, os fregueses do bar que estava lotado viram o Garrincha e logo se mudaram para o outro.
XXXXXXXXXXXX
O Paulo Barros, um amigo de infância, foi um dos maiores centro-avantes que já marquei e vi jogar. Não foi profissional porque a "mardita" cachaça acabou com o futebol dele muito cedo. No começo da década de setenta era chamado de Tostãozinho, dada a categoria do cara. Para se ter uma ideia do futebol dele, o Luciano Pacoti era seu reserva num time ali da rua da Cachorra Magra, hoje Marechal Floriano.
Certa vez fomos jogar em Messejana, num campo perto da casa de um tio meu. O Paulo foi para um time e eu para o outro. Ele de centro-avante e eu de beque central, minha velha posição. Num lance o Paulo partiu para cima de mim, eu entrei de uma vez e levei aquele drible, passei direto. Puto de raiva, voltei e fui de novo de uma vez, levei outro. Nisso, parece conta de mentiroso, tomei sete dribles o último cai sentado. O Paulo escolheu o canto e fez o gol como quis.
Lá na Messejana ficou conhecido como o jogador Cão.
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Eu também tive meus dias de glória. Fui jogar pelo Cearezinho contra o Cruzeiro, ambos da Cidade dos Funcionários. O Cearazinho tinha seu campo onde hoje é o prédio do IPEC, que o Tasso deu. O Cruzeiro ficava lá perto do Iprede.
Jogo vai, jogo vem. O Paulo, não sei porque foi apitar. Num lance, o jogador do Cruzeiro partiu para cima de mim com a bola dominada e eu o desarmei facilmente. Aí outro jogador do time deles comentou: "Pra passar por este zangueiro é preciso ter muita elegância." E fiquei sendo chamado de Elegante no nosso time.
Henrique César Pinheiro
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Um pouco sobre Mario Quintana...
Mario de Miranda Quintana nasceu prematuramente na noite de 30 de julho de 1906, na cidade de Alegrete, situada na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Seus pais, o farmacêutico Celso de Oliveira Quintana e Virgínia de Miranda Quintana, ensinaram ao poeta aquilo que seria uma de suas maiores formas de expressão - a escrita. Coincidentemente, isso ocorreu pelas páginas do jornal Correio do Povo, onde, no futuro, trabalharia por muitos anos de sua vida.
O poeta também inicia na infância o aprendizado da língua francesa, idioma muito usado em sua casa. Em 1915 ainda estuda em Alegrete e conclui o curso primário, na escola do português Antônio Cabral Beirão. Aos 13 anos, em 1919, vai estudar em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre. É quando começa a traçar suas primeiras linhas e publica seus primeiros trabalhos na revista Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos Alunos do Colégio Militar.
Cinco anos depois sai da escola e vai trabalhar como caixeiro (atendente) na Livraria do Globo, contrariando seu pai, que queria o filho doutor. Mas Mario permanece por lá nos três meses seguintes. Aos 17 anos publica um soneto em jornal de Alegrete, com o pseudônimo JB. O poema era tão bom que seu Celso queria contar que era pai do poeta. Mas quem era JB? Mario, então, não perde a chance de lembrar ao pai que ele não gostava de poesia e se diverte com isso.
Em 1925 retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de propriedade de seu pai. Nos dois anos seguintes a tristeza marca a vida do jovem Mario: a perda dos pais. Primeiro sua mãe, em 1926, e no ano seguinte, seu pai. Mas a alegria também não estava ausente e se mostra na premiação do concurso de contos do jornal Diário de Notícias de Porto Alegre com A Sétima Passagem e na publicação de um de seus poemas na revista carioca Para Todos, de Alvaro Moreyra.
Corre o ano de 1929 e Mario já está com 23 anos quando vai para a redação do jornal O Estado do Rio Grande traduzir telegramas e redigir uma seção chamada O Jornal dos Jornais. O veículo era comandado por Raul Pilla, mais tarde considerado por Quintana como seu melhor patrão.
A Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus versos em 1930, ano em que eclode o movimento liderado por Getúlio Vargas e O Estado do Rio Grande é fechado. Quintana parte para o Rio de Janeiro e torna-se voluntário do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. Seis meses depois retorna à capital gaúcha e reinicia seu trabalho na redação de O Estado do Rio Grande.
Em 1934 a Editora Globo lança a primeira tradução de Mario. Trata-se de uma obra de Giovanni Papini, intitulada Palavras e Sangue. A partir daí, segue-se uma série de obras francesas traduzidas para a Editora Globo. O poeta é responsável pelas primeiras traduções no Brasil de obras de autores do quilate de Voltaire, Virginia Woolf, Charles Morgan, Marcel Proust, entre outros.
Dois anos depois ele decide deixar a Editora Globo e transferir-se para a Livraria do Globo, onde vai trabalhar com Erico Verissimo, que lembra de Quintana justamente pela fluência na língua francesa. É por esta época que seus textos publicados na revista Ibirapuitan chegam ao conhecimento de Monteiro Lobato, que pede ao poeta gaúcho uma nova obra. Quintana escreve, então, Espelho Mágico, que só é publicado em 1951, com prefácio de Lobato.
Na década de 40, Quintana é alvo de elogios dos maiores intelectuais da época e recebe uma indicação para a Academia Brasileira de Letras, que nunca se concretizou. Sobre isso ele compõe, com seu afamado bom humor, o conhecido Poeminha do Contra.
Como colaborador permanente do Correio do Povo, Mario Quintana publica semanalmente Do Caderno H, que, conforme ele mesmo, se chamava assim, porque era feito na última hora, na hora “H”. A publicação dura, com breves interrupções, até 1984. É desta época também o lançamento de A Rua dos Cataventos, que passa a ser utilizado como livro escolar.
Em agosto de 1966 o poeta é homenageado na Academia Brasileira de Letras pelos ilustres Manuel Bandeira e Augusto Meyer. Neste mesmo ano sua obra Antologia Poética recebe o Prêmio Fernando Chinaglia de melhor livro do ano. No ano seguinte, vem o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Esta homenagem, concedida em 1967, e uma placa de bronze eternizada na praça principal de sua terra natal, Alegrete, no ano seguinte, sempre eram citadas por Mario como motivo de orgulho. Nove anos depois, recebe a maior condecoração que o Governo do Rio Grande do Sul concede a pessoas que se destacam: a medalha Negrinho do Pastoreio.
A década de 80 traz diversas honrarias ao poeta. Primeiro veio o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Mais tarde, em 1981, a reverência veio pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços de Passo Fundo, durante a Jornada de Literatura Sul-rio-grandense, de Passo Fundo.
Em 1982, outra importante homenagem distingue o poeta. É o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Oito anos depois, outras duas universidades, a Unicamp, de Campinas (SP), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro concedem o mesmo tipo de honraria a Mario Quintana. Mas talvez a mais importante tenha vindo em 1983, quando o Hotel Majestic, onde o poeta morou de 1968 a 1980, passa a chamar-se Casa de Cultura Mario Quintana. A proposta do então deputado Ruy Carlos Ostermann obteve a aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Ao comemorar os 80 anos de Mario Quintana, em 1986, a Editora Globo lança a coletânea 80 Anos de Poesia. Três anos depois, ele é eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, pela Academia Nilopolitana de Letras, Centro de Memórias e Dados de Nilópolis e pelo jornal carioca A Voz. Em 1992, A Rua dos Cataventos tem uma edição comemorativa aos 50 anos de sua primeira publicação, patrocinada pela Ufrgs. E, mesmo com toda a proverbial timidez, as homenagens ao poeta não cessam até e depois de sua morte, aos 88 anos, em 5 de maio de 1994.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Uma brasileira que cantou com os Beatles.
Lizzie sentada sobre o Rolls Royce de Jonh Lennon.
Lizzie Bravo fez backing vocals na faixa 'Across the universe', de 68.
Carioca dava plantão na porta de Abbey Road e pretende lançar livro.
Lizzie Bravo, 58, foi retratada como “a esperança de óculos” na canção “Casa no campo” de Zé Rodrix, famosa na voz de Elis Regina e já trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Milton Nascimento, Zé Ramalho e Joyce. Mas, talvez, a sua maior façanha tenha sido a de dividir o microfone com John Lennon e Paul McCartney na gravação de “Across the universe”, quando tinha apenas 16 anos, nos lendários estúdios da EMI em Abbey Road, Londres.
A faixa foi incluída na coletânea “No one’s gonna change our world”, no álbum “Rarities” e no segundo volume do disco “Past Masters”, dos Beatles -- outra versão da música aparece no álbum "Let it be", lançado em 1970. Em 4 de fevereiro de 2008, exatamente 40 anos depois, a Nasa lançou a música ao espaço, pela primeira vez na história.
A então adolescente carioca não imaginava o quanto a sua vida mudaria depois de uma sessão do filme “A hard day’s night – Os reis do iê iê iê”. Ao sair do cinema, ela já estava contaminada pela beatlemania. Com “Help!”, segundo longa estrelado pelos Beatles, não foi diferente. Em vez de se contentar com as fotos dos Fab Four nas páginas das revistas, a garota pediu aos pais uma viagem de presente de 15 anos e foi para Londres em fevereiro de 1967, sabendo que não voltaria tão cedo.
“As pessoas até hoje não acreditam que você podia chegar perto deles”, conta Lizzie, que fazia parte de um grupo de fãs que frequentavam diariamente a porta do estúdio da EMI em Abbey Road - cenário que acabou eternizado na capa do álbum homônimo e derradeiro dos Beatles, lançado há 40 anos, em 26 de setembro de 1969.
“A gente batia papo, às vezes uns mais longos que os outros. O Paul um dia me perguntou: ‘como é que você pode ser do Brasil se você tem um sotaque de Oxford?’ Eu só tinha amigos ingleses lá.”
Procura-se um agudo
Hoje, Lizzie lembra detalhes de quando McCartney reparou que ela tinha cortado o cabelo, ou quando começou a usar óculos iguais aos de John. “Era um convívio diário”, diz. A relação foi sendo construída à base de bom comportamento até que, em fevereiro de 1968, Lizzie e as amigas estavam esperando na entrada dos estúdios no momento em que Paul saiu da sala e perguntou se alguém ali conseguiria sustentar uma nota aguda. A jovem, que sempre havia cantado no coral do colégio, se candidatou, levando com ela a inglesa Gayleen Pease.
No estúdio estavam os quatro Beatles, o produtor George Martin, Mal Evans, Neil Aspinal, além do técnico de som e seu ajudante. Eles precisavam de uma voz aguda para um coro de “Across the universe”. “Foi bom nós sermos calmas, porque senão nem teríamos gravado, eles teriam mandado a gente embora do estúdio”, lembra Lizzie, que passou cerca de duas horas e meia ali e não recebeu nenhum pagamento pelo empréstimo da voz.
“Ficou um clima legal, foi gostoso. Não tirei a minha câmera da bolsa para fotografar, não pedi autógrafo, todas aquelas coisas que eu fazia no dia-a-dia, porque eu tive consciência de que aquele era um momento único. Eu estava participando de uma gravação com os quatro Beatles ao mesmo tempo, com todo mundo tocando ao vivo”, conta.
Uma das características do quarteto de Liverpool, segundo Lizzie, era o humor. “Eles faziam muitas brincadeiras, muitas piadas. Durante a gravação, de vez em quando alguém falava uma frase e todo mundo começava a tocar. Então aquela frase, por pior que fosse, de repente virava um rock”, lembra.
“Eu tinha 16 anos e fiquei desbundada, mas a ficha só caiu muito tempo depois. Eu cantei no mesmo microfone com o John Lennon, depois com o Paul McCartney", diz a fã, que trabalhou como arrumadeira de hotel, entre outras atividades, para se sustentar durante a temporada em que passou na capital inglesa. "Ter saído do Leme, onde eu morava, e ir para Londres cantar com um ídolo, é surreal. Quando ouvi a voz da gente na versão remasterizada [lançada pela EMI no último dia 9], fiquei toda arrepiada. Não ouço Beatles toda hora, mas quando escuto as músicas passa um filminho na cabeça.”
As 'largadas' da Apple
Dependendo da disponibilidade dos Fab Four, os temas das conversas com as meninas variavam. “Quando Paul lia coisas sobre o Brasil no jornal, ele vinha me contar: ‘tem enchente no Rio de Janeiro’.” Os Beatles, aliás, ganharam de Lizzie revistas sobre o Brasil e LPs de bossa nova, como um exemplar de “Os Sambeatles”, do Manfredo Fest Trio. E, mesmo quando não rolava muito papo com os músicos, a visita a Abbey Road sempre rendia um registro no diário das adolescentes. “Os Rolling Stones costumavam passar lá antes de sair com os Beatles para a 'night'. Vi até o Brian Jones [que morreu em julho de 1969].”
Em troca de tanta dedicação, as fãs receberam do guitarrista George Harrison a canção “Apple Scruffs”, que foi incluída no disco solo “All things must pass”. Na faixa, o músico canta e toca acompanhado por Bob Dylan na gaita. A letra diz: “Vejo vocês aí sentadas / Quem passa olha espantado / Como se vocês não tivessem pra onde ir / Mas eles não sabem nada sobre as Apple Scruffs / Vocês estão aí há anos / Vendo meus sorrisos e tocando minhas lágrimas / Faz tanto, tanto tempo / E eu sempre penso em vocês, minhas Apple Scruffs / Apple Scruffs, Apple Scruffs / Como eu amo vocês, como eu amo vocês”.
Lizzie explica o significado da homenagem. “As secretárias da Apple eram muito chiques, todas transadas, e a gente era muito criança e não tinha grana para se vestir daquele jeito. Era bem evidente que elas trabalhavam do lado de dentro e a gente ficava do lado de fora”, conta Lizzie. “Fã é sempre visto de uma forma meio pejorativa e essa música foi uma demonstração de muito carinho. Eles sempre foram muito fofos com a gente.”
Gotinha de Brasil
“É interessante pensar que existe um pouco da Penha, onde eu nasci, no catálogo dos Beatles”, observa. “É uma gotinha de Brasil que está lá. Achei significativo termos ido para o espaço - os Beatles não foram sozinhos, eles levaram duas fãs.”
Bota fã nisso: só de Lennon, o seu favorito, Lizzie possui 16 autógrafos. “Fui criticada por certos fãs por ter vendido algumas coisas da minha coleção, mas prefiro me lembrar do momento.”
Para Lizzie, a separação do grupo, alguns anos depois, não surpreendeu. “O clima entre eles foi piorando até a dissolução, mas eu ainda peguei uma grande fase, em que eles estavam muito juntos. Depois a gente começou a perceber algo diferente, era óbvio. Eles passaram a não ir mais juntos ao estúdio, a gravar separados, o clima mudou. Todo mundo estava casado, com filho, a vida muda. Foi uma conjunção de fatores. Acabou sendo positivo, porque eles terminaram no auge.”
Boa parte das memórias de Lizzie Bravo devem sair em um livro, ainda sem data de lançamento, com mais de 100 fotos inéditas e trechos de seus diários de adolescente. “São coisas muito singelas mesmo, de meninas e seus ídolos. Quando olho para as fotos, penso que elas não são só minhas.”
Lizzie Bravo fez backing vocals na faixa 'Across the universe', de 68.
Carioca dava plantão na porta de Abbey Road e pretende lançar livro.
Lizzie Bravo, 58, foi retratada como “a esperança de óculos” na canção “Casa no campo” de Zé Rodrix, famosa na voz de Elis Regina e já trabalhou com grandes nomes da música brasileira, como Milton Nascimento, Zé Ramalho e Joyce. Mas, talvez, a sua maior façanha tenha sido a de dividir o microfone com John Lennon e Paul McCartney na gravação de “Across the universe”, quando tinha apenas 16 anos, nos lendários estúdios da EMI em Abbey Road, Londres.
A faixa foi incluída na coletânea “No one’s gonna change our world”, no álbum “Rarities” e no segundo volume do disco “Past Masters”, dos Beatles -- outra versão da música aparece no álbum "Let it be", lançado em 1970. Em 4 de fevereiro de 2008, exatamente 40 anos depois, a Nasa lançou a música ao espaço, pela primeira vez na história.
A então adolescente carioca não imaginava o quanto a sua vida mudaria depois de uma sessão do filme “A hard day’s night – Os reis do iê iê iê”. Ao sair do cinema, ela já estava contaminada pela beatlemania. Com “Help!”, segundo longa estrelado pelos Beatles, não foi diferente. Em vez de se contentar com as fotos dos Fab Four nas páginas das revistas, a garota pediu aos pais uma viagem de presente de 15 anos e foi para Londres em fevereiro de 1967, sabendo que não voltaria tão cedo.
“As pessoas até hoje não acreditam que você podia chegar perto deles”, conta Lizzie, que fazia parte de um grupo de fãs que frequentavam diariamente a porta do estúdio da EMI em Abbey Road - cenário que acabou eternizado na capa do álbum homônimo e derradeiro dos Beatles, lançado há 40 anos, em 26 de setembro de 1969.
“A gente batia papo, às vezes uns mais longos que os outros. O Paul um dia me perguntou: ‘como é que você pode ser do Brasil se você tem um sotaque de Oxford?’ Eu só tinha amigos ingleses lá.”
Procura-se um agudo
Hoje, Lizzie lembra detalhes de quando McCartney reparou que ela tinha cortado o cabelo, ou quando começou a usar óculos iguais aos de John. “Era um convívio diário”, diz. A relação foi sendo construída à base de bom comportamento até que, em fevereiro de 1968, Lizzie e as amigas estavam esperando na entrada dos estúdios no momento em que Paul saiu da sala e perguntou se alguém ali conseguiria sustentar uma nota aguda. A jovem, que sempre havia cantado no coral do colégio, se candidatou, levando com ela a inglesa Gayleen Pease.
No estúdio estavam os quatro Beatles, o produtor George Martin, Mal Evans, Neil Aspinal, além do técnico de som e seu ajudante. Eles precisavam de uma voz aguda para um coro de “Across the universe”. “Foi bom nós sermos calmas, porque senão nem teríamos gravado, eles teriam mandado a gente embora do estúdio”, lembra Lizzie, que passou cerca de duas horas e meia ali e não recebeu nenhum pagamento pelo empréstimo da voz.
“Ficou um clima legal, foi gostoso. Não tirei a minha câmera da bolsa para fotografar, não pedi autógrafo, todas aquelas coisas que eu fazia no dia-a-dia, porque eu tive consciência de que aquele era um momento único. Eu estava participando de uma gravação com os quatro Beatles ao mesmo tempo, com todo mundo tocando ao vivo”, conta.
Uma das características do quarteto de Liverpool, segundo Lizzie, era o humor. “Eles faziam muitas brincadeiras, muitas piadas. Durante a gravação, de vez em quando alguém falava uma frase e todo mundo começava a tocar. Então aquela frase, por pior que fosse, de repente virava um rock”, lembra.
“Eu tinha 16 anos e fiquei desbundada, mas a ficha só caiu muito tempo depois. Eu cantei no mesmo microfone com o John Lennon, depois com o Paul McCartney", diz a fã, que trabalhou como arrumadeira de hotel, entre outras atividades, para se sustentar durante a temporada em que passou na capital inglesa. "Ter saído do Leme, onde eu morava, e ir para Londres cantar com um ídolo, é surreal. Quando ouvi a voz da gente na versão remasterizada [lançada pela EMI no último dia 9], fiquei toda arrepiada. Não ouço Beatles toda hora, mas quando escuto as músicas passa um filminho na cabeça.”
As 'largadas' da Apple
Dependendo da disponibilidade dos Fab Four, os temas das conversas com as meninas variavam. “Quando Paul lia coisas sobre o Brasil no jornal, ele vinha me contar: ‘tem enchente no Rio de Janeiro’.” Os Beatles, aliás, ganharam de Lizzie revistas sobre o Brasil e LPs de bossa nova, como um exemplar de “Os Sambeatles”, do Manfredo Fest Trio. E, mesmo quando não rolava muito papo com os músicos, a visita a Abbey Road sempre rendia um registro no diário das adolescentes. “Os Rolling Stones costumavam passar lá antes de sair com os Beatles para a 'night'. Vi até o Brian Jones [que morreu em julho de 1969].”
Em troca de tanta dedicação, as fãs receberam do guitarrista George Harrison a canção “Apple Scruffs”, que foi incluída no disco solo “All things must pass”. Na faixa, o músico canta e toca acompanhado por Bob Dylan na gaita. A letra diz: “Vejo vocês aí sentadas / Quem passa olha espantado / Como se vocês não tivessem pra onde ir / Mas eles não sabem nada sobre as Apple Scruffs / Vocês estão aí há anos / Vendo meus sorrisos e tocando minhas lágrimas / Faz tanto, tanto tempo / E eu sempre penso em vocês, minhas Apple Scruffs / Apple Scruffs, Apple Scruffs / Como eu amo vocês, como eu amo vocês”.
Lizzie explica o significado da homenagem. “As secretárias da Apple eram muito chiques, todas transadas, e a gente era muito criança e não tinha grana para se vestir daquele jeito. Era bem evidente que elas trabalhavam do lado de dentro e a gente ficava do lado de fora”, conta Lizzie. “Fã é sempre visto de uma forma meio pejorativa e essa música foi uma demonstração de muito carinho. Eles sempre foram muito fofos com a gente.”
Gotinha de Brasil
“É interessante pensar que existe um pouco da Penha, onde eu nasci, no catálogo dos Beatles”, observa. “É uma gotinha de Brasil que está lá. Achei significativo termos ido para o espaço - os Beatles não foram sozinhos, eles levaram duas fãs.”
Bota fã nisso: só de Lennon, o seu favorito, Lizzie possui 16 autógrafos. “Fui criticada por certos fãs por ter vendido algumas coisas da minha coleção, mas prefiro me lembrar do momento.”
Para Lizzie, a separação do grupo, alguns anos depois, não surpreendeu. “O clima entre eles foi piorando até a dissolução, mas eu ainda peguei uma grande fase, em que eles estavam muito juntos. Depois a gente começou a perceber algo diferente, era óbvio. Eles passaram a não ir mais juntos ao estúdio, a gravar separados, o clima mudou. Todo mundo estava casado, com filho, a vida muda. Foi uma conjunção de fatores. Acabou sendo positivo, porque eles terminaram no auge.”
Boa parte das memórias de Lizzie Bravo devem sair em um livro, ainda sem data de lançamento, com mais de 100 fotos inéditas e trechos de seus diários de adolescente. “São coisas muito singelas mesmo, de meninas e seus ídolos. Quando olho para as fotos, penso que elas não são só minhas.”
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