sábado, 30 de maio de 2009

Selma Reis - Apesar de Você

Roberta Sá e Ney Matogrosso - Lavoura

Um dia antes da final, vizinhos apoiam Susan Boyle















Moradores de Blackburn, na Escócia, deixam mensagens de apoio a Susan Boyle, que disputa na noite deste sábado (30) a grande final do programa 'Britain's got talent' (Foto: Derek Blair/AFP)


Por causa da atenção exagerada da mídia a seu respeito, Boyle considerou abandonar o programa. O jurado Piers Morgan confirmou que ela deixou o hotel onde estão hospedados todos os participantes para ficar ''numa casa segura''

Antônio Bezerra

Antônio Bezerra de Meneses (Quixeramobim, Ceará, 21 de fevereiro de 1841 — Fortaleza, 28 de agosto de 1921) foi um naturalista, historiógrafo e poeta brasileiro

Biografia

Filho do doutor Manoel Soares da Silva Bezerra e de Maria Teresa de Albuquerque Bezerra.

Na juventude, foi sua produção poetica foi muito popular no Ceará, especialmente depois da publicação de Sonhos de Moço (1872) e das Três Liras (1883), juntamente com Justiniano de Serpa e Antônio Martins. Participou ativamente da campanha abolicionista no Ceará.

Foi, porém, na historiografia que desempenhou papel mais importante, escrevendo obras que até hoje são referências para a compreensão do história do Ceará no período em que viveu. Colaborou com diversos jornais da capital, dentre eles O Ceará e o Libertador, tendo sido um dos fundadores de ambos. Foi também fundador do Instituto do Ceará. É patrono da 4ª (quarta) cadeira da Academia Cearense de Letras.

Antônio Sales - Biografia - 1868-1940

Mais conhecido pelo seu romance regionalista Aves de Arribação, de 1914, Antônio Sales foi também historiador literário, poeta e idealizou e projetou, nacionalmente, a Padaria Espiritual, da qual era o seu padeiro-mor.

Somente a Padaria Espiritual (1892-1898) daria um capítulo à parte e de relevo na biografia de Antônio Sales, pois foi tal agremiação, com o seu jornal/revista O Pão (que morreu de "cachexia pecuniária"; para não fugir à regra, ontem, hoje, amanhã) um dos empreendimentos mais originais do Ceará ou do inteiro Brasil. Luciano Maia edita hoje um jornal literário com o mesmo título.

O poeta Antônio Sales está naquela encruzilhada problemática, estética e socialmente, que marcou o fim de um século e o começo do outro, ou seja, no Brasil, na metrópole e na província, o Romantismo ainda modelava um Parnasianismo algo original: o soneto imperava como forma eletiva, mas era o sentimento romântico que preponderava por sobre um tipo de poema que a Escola de Bilac repudiava.

Entre os poetas da época, de feição romântico-parnasiana, como Alfredo Castro, Cruz Filho, Júlio Maciel, Carlos Gondim, Otacílio de Azevedo, é curioso notar que alguns estudiosos, comumente, estavam colocando alguns deste poetas na trilha do Pré-Modernismo, como é o caso de Cruz Filho e Américo Facó, na indicação de Fernando Góes.

O certo é que a amostragem de sua poesia é o melhor caminho para o leitor aquilitar de suas reais tendências, ou não precisará disso para apreciar alguns momentos de beleza e emotividade, como no caso está o poeta Antônio Sales, que publicou a sua primeira coletânea, Versos Diversos, em 1890, e Trovas do Norte, de 1895. Poesias, de 1902, reúne poemas dos livros anteriores, com algumas modificações. Minha Terra, considerado a sua obra-prima, é de 1919. A Obra poética de Antônio Sales foi reunida em 1968, com o título referido.

Antônio Sales nasceu em Parazinho, município de Paracuru, no dia 13 de junho de 1868. Estudou as primeiras letras na terra natal e na cidade de Soure (Caucaia), mas teve que parar, para enfrentar a dura vida do comércio, em Fortaleza, quando apenas tinha 14 anos de idade. Pai cego, família pobre, o poeta passou oito anos nesse trabalho, mas em 1888 conseguiu a nomeação para um cargo da Intendência de Socorros Públicos de Fortaleza.

Entrando para a política, alcançou importantes cargos, ao lado de sua atividade jornalística e literária, o que deu na Padaria Espiritual. Irrequieto, insatisfeito, Antônio Sales parte para o Rio de janeiro (1897) e vai trabalhar no Tesouro Nacional e no Correio da Manhã, recém-fundado. Participou de rodas intelectuais no Rio e chegou a conviver com os fundadores da Academia Brasileira de Letras, mas não quis candidatar-se a uma cadeira.

Em 1920 está de volta ao Ceará, onde chega bafejado pelo sucesso do lançamento de Minha Terra. Dois anos depois contribui para a reorganização da Academia Cearense de Letras. Morava em Jacarecanga, em casa modesta, onde morre no dia 14 de novembro de 1940.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Leonardo Mota

Leonardo Mota (Pedra Branca, Ceará, 10 de maio de 1891 - 2 de janeiro de 1948) foi um escritor, professor, advogado, promotor de justiça, secretário de governo, tabelião, jornalista e historiador. Formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Ceará no ano de 1916.

Muito cedo mudou-se de sua terra natal junto com sua família. O interesse de Leonardo Mota pelo sabedoria sertaneja teve início quando foi morar na cidade de Ipu, Ceará, onde a convite de seu irmão Cônego Aureliano Mota, dirigiu um Instituto Educacional.

Membro da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará, Leota (era assim que gostava de ser chamado), "cresci nas banhas e encurtei no nome." Era um nome requisitado para proferir palestras para platéias de estudiosos e interessados folcloristas. Era também um animador de rodas de amigos e intelectuais da antiga praça do Ferreira (coração da cidade de Fortaleza), para essa platéia declamava versos e contava histórias e pequenas anedotas.

"Fui um intransigente na defesa do sertão esquecido, do sertão caluniado e só lembrado quando dele se quer o imposto nos tempos de paz ou o soldado nos tempos de guerra. E fui sobretudo, contra o labéu de cretinice do sertanejo nordestino que orientei a minha documentada contradita: em todo o meu "Cantadores" e nas conferências que proferi, de Norte a Sul, pus o melhor dos meus empenhos em fazer ressaltar a acuidade, a destreza de esperíto, a vivacidade da desaproveitada inteligência sertaneja, de que os menestréis plebeus são a expressão bizarra e esquecida, apesar de digna de estudos."

O "último boêmio do Ceará" ou "judeu errante do folclore nacional", como se intitulava, publicou: "Cantadores" (1921), "Violeiros do Norte" (1925), "Sertão Alegre" (1928), "No Tempo de Lampião" (1930), "Prosa Vadia" (1932) e "Padaria Espiritual" (1938). "Adagiário Brasileiro" foram reconstituídos pacientemente por seu filhos Moacir e Orlando Mota e publicados anos depois.

Em sua terra natal Pedra Branca, existe uma biblioteca em sua homenagem e um monumento na praça que também leva seu nome, em frente ao local onde existiu a casa onde o "Princípe dos folcloristas brasileiros" nasceu um dia. No dia 20 de fevereiro de 1952, por iniciativa do Intituto do Ceará, foi batizada de com o nome do escrito uma rua de Fortaleza.

Brecht – (1898-1956). Por Edmundo Moniz

Brecht é uma época. Uma época tumultuosa de rebeldia e de protesto. Refletem-se, em suas obras, os problemas fundamentais do mundo atual: a luta pela emancipação social da humanidade. Brecht tem plena consciência do que pretende fazer. Usa o materialismo dialético da maneira mais sábia para a revolução estética que se dispôs a promover na poesia e no teatro.

O teatro épico e didático caracteriza-se, em Brecht, pelo cunho narrativo e descritivo cujo tema é apresentar os acontecimentos sociais em seu processo dialético: Diverte e faz pensar. Não se limita a explicar o mundo, pois se dispõe a modificá-lo. É um teatro que atua, ao mesmo tempo, como ciência e como arte.

A alienação do homem, para Brecht, não se manifesta como produto da intuição artística. Brecht ocupa-se dela de maneira consciente e proposital. Mas não basta compreendê-la e focalizá-la. O essencial não é a alienação em si, mas o esforço histórico para a desalienação do homem.

O papel do autor dramático não se reduz a reproduzir, em sua obra, a sociedade de seu tempo. O principal objetivo, quer pelo conteúdo, quer pela forma, é exercer uma função transformadora, que atue revolucionariamente sobre o 'ambiente social.

GALILEU

Brecht, que passou pelo expressionismo, não ancorou o seu barco em nenhum dos portos das escolas literárias. Apesar de ligado ao Partido Comunista, não se subordinou ao realismo socialista. Ao contrário, opôs-se a ele com ardente tenacidade. Daí a repulsa das autoridades soviéticas pelas suas peças teatrais que foram proibidas de serem representadas na Rússia de Stalin.

Muito embora Brecht não se tivesse pronunciado abertamente contra os processos de Moscou, em virtude da pressão que sofreu, no ocidente, sob o pretexto de que o combate a Stalin significava o fortalecimento de Hitler e do nazismo, foi com profundo horror que ele acompanhou os trágicos acontecimentos que levaram os principais dirigentes da revolução russa, companheiros de Lênin, a confessar, antes de serem fuzilados, uma série de crimes hediondos que jamais cometeram.

Foram estas falsas confissões, segundo Isaac Deutscher, que levaram Brecht a escrever Galileu Galilei, talvez a mais importante de suas obras dramáticas. Há muito de Kamenev, de Zinoviev e de Bukharin no genial astrônomo que, vítima da Inquisição, atirado no cárcere, diante dos instrumentos de tortura, se viu na contingência de renegar as próprias idéias.

A incompatibilidade de Brecht com o regime stalinista era tão aguda que, ao exilar-se da Alemanha de Hitler, preferiu asilar-se nos Estados Unidos, onde se sentiu mais seguro.

BRECHT E SHAKESPEARE

É muito comum comparar-se Brecht a Shakespeare. O motivo da associação entre um e outro é o paralelismo histórico dos períodos em que eles viveram. Shakespeare surgiu no Renascimento, na decadência do regime feudal, e alvorecer da burguesia, Brecht apareceu na fase crepuscular da burguesia, em plena ascensão do movimento operário. Ambos viveram em períodos congêneres de transição social.

Em certos aspectos, Brecht é uma chave para Shakespeare. Shakespeare, em quase todas as suas obras, passava da poesia para a prosa e da prosa para a poesia. Acreditavam os estudiosos de sua obra que a razão desta simultaneidade estava na premência do tempo. Shakespeare não chegava a pôr em versos, do começo ao fim, a peça que escrevia porque tinha de aprontá-la o mais rápido possível, dentro de prazos marcados, para levá-la ao palco. A pressa o impedia de dar o arremate final. Deixava sempre para completá-la mais tarde, quando dispusesse de tempo. A forma definitiva ficava adiada para um futuro incerto. Nunca, porém, chegou a hora de executar o que pretendera.

Este modo de ver exige uma revisão. Brecht empregava também, simultaneamente, em suas peças teatrais, a prosa e a poesia sem que estivesse disposto a dar-lhes, no futuro, uma forma diferente, pondo-as todas em versos.

O erro de julgamento quanto ao uso do verso e da prosa por Shakespeare, em sua obra dramática, está na velha tendência de compará-lo a Corneille, Racine e Molière, que não misturavam a prosa com a poesia. Shakespeare, mais espontâneo do que os clássicos franceses, mais plástico, mais livre, não se apegava, como aqueles, à pureza da forma. Passava do verso para a prosa quando julgava que certas idéias ficariam melhor expressas em prosa do que em versos. De grande importância, para ele, era o efeito no palco, o lado puramente teatral que deveriam estar acima da métrica e da estilística. Não havia necessidade de manter-se só a prosa ou só a poesia. Preferia jogar com uma e com outra como julgasse mais adequado. Esta independência tornava mais fácil o jogo das palavras e dos diálogos. Não prejudicava a estrutura da obra dramática. Só contribuía para valorizá-la. Brecht chegou às mesmas conclusões de Shakespeare quatro séculos depois. E da maneira tão indicada, tão aceitável e tão proveitosa.

ARTE E CIÊNCIA

As realizações práticas, de Brecht, nó teatro, foram acompanhadas de suas conclusões no terreno da estética: Não se tratava de tentativas empíricas, mas da aplicação de uma teoria que considerava científica. Daí seus estudos sobre uma arte dramática não aristotélica, sem submissão ou obediência às regras secularmente estabelecidas.

Brecht colocou-se à margem de todo o esquematismo das escolas literárias: Aceitando a concepção de Hegel de que há nos fenômenos artísticos uma realidade superior a uma existência mais verdadeira em comparação com a realidade habitual, chegou a Marx com a extraordinária independência de seu gênio poético e teatral. Como Shakespeare, ele soube usar, na época atual, o heróico e o lírico, o dramático e o cômico, o grave e o ridículo, dando à sua obra um sentido universal.

Brecht confessa que, embora a arte e a ciência atuem de modos diferentes, não lhe era possível subsistir como artista sem servir-se da ciência. "Do que necessitamos de fato - escreve Brecht - é de uma arte que domine a natureza, necessitamos de uma realidade moldada pela arte e de uma arte natural". Acrescenta: "Não nos podemos esquecer de que somos filhos de uma era científica". Insiste: "A ciência e a arte têm, de comum, o fato de que ambas existem para simplificar a vida do homem: uma, ocupada com sua subsistência material e a outra, em proporcionar-lhe uma agradável diversão". E conclui: "Tal como a transformação da natureza, a transformação da sociedade é um ato de libertação. Cabe ao teatro de uma época científica transmitir o júbilo desta libertação".

Quando Brecht liga a arte à ciência procura justificar o seu papel atuante nas letras sociais e políticas do mundo atual. O teatro de Brecht é eminentemente político. Não de forma indireta, mas aberta e declaradamente. Pode-se dizer: um teatro a serviço da causa operária, da revolução social. Daí o seu caráter épico e didático.

NAZISMO E EXÍLIO

Em 1933, quando Adolfo Hitler, à frente do Terceiro Reich, estabeleceu o nazismo na Alemanha, inaugurando uma nova ordem que, segundo ele, deveria durar dez mil anos, Bertolt Brecht, com trinta e cinco anos de idade, abandonou o país, asilando-se em várias cidades da Europa. Suas obras, em Berlim, foram queimadas em praça pública com tantas outras dos mais famosos escritores da época. No dia em que a Alemanha invadiu a Dinamarca, Brecht, que se encontrava neste país, fugiu para a Finlândia. Dali partiu para Vladivostok, de onde embarcou para os Estados Unidos. No exílio, que durou até o fim da Segunda Guerra Mundial, publicou vários poemas que contribuem para sua glória literária tanto como suas peças teatrais. Brecht não se cansou de fustigar violentamente a figura de Hitler, mostrando os crimes do nazismo. De volta à Alemanha, depois do desmoronamento deste regime, continuou a lutar, como marxista, pela causa operária. Ao morrer, em 1956, o mundo inteiro reconhecia a grandeza de sua obra.

O OBJETIVO DA POESIA MODERNA

Brecht tem, sobre a poesia, o mesmo pensamento que tem sobre a arte dramática. Maneja-a da maneira mais sábia em defesa da liberdade do homem. Há, em seus poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais. Recusa-se a aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela seja atuante sem perder, entretanto, o seu sentido artístico. A poesia moderna deve estar ao lado da revolução.

O êxito excepcional do teatro e da poesia de Brecht confirma a justeza de seus pontos-de-vista. Sua arte é duplamente revolucionária: no fundo e na forma. Não só se opõe à estética de Aristóteles como não se submete ao convencionalismo e aos preconceitos sociais. Escreve independentemente, como acha que se deve escrever.

Mãe comilona devora 23 dúzias de mariscos em 6 minutos















Juliet Lee bateu recorde em competição em Long Island (EUA).
'Eu provavelmente poderia comer mais uma dúzia', afirmou ela.


A norte-americana Juliet Lee, de 43 anos, quebrou o recorde ao comer 23 dúzias de mariscos em seis minutos, nesta segunda-feira (25), durante competição em Long Island, em Nova York (EUA), segundo reportagem do jornal "News Day".

"Eu ainda tinha mais espaço no estômago", disse Lee, que pesa apenas 48 quilos. "Eu provavelmente poderia comer mais uma dúzia", acrescentou ela, que é considerada a mãe mais comilona do mundo.


Pela vitória na competição, Juliete Lee embolsou um prêmio de US$ 1.250. Tim Janus terminou na segunda colocação, com 20 dúzias, enquanto Wing Kong finalizou em terceiro, com 16 dúzias.

Gilmar Mendes gastou R$ 114 mil em diárias desde 2008

Despesas do presidente do STF em viagens nos 13 primeiros meses de gestão superam em 3,6 vezes o dinheiro usado durante todo o mandato pela antecessora, Ellen Gracie.

O Supremo Tribunal Federal (STF) pagou ao presidente da Casa, Gilmar Mendes, R$ 114.205,93 em diárias de viagem nos 13 meses de sua gestão. Isso significa que, passado um mês da metade de seu mandato, Gilmar recebeu praticamente quatro vezes o total acumulado por sua antecessora, a ministra Ellen Gracie, nos 24 meses em que ela dirigiu a corte. Em dois anos, o STF gastou R$ 31.159,90 com despesas de hospedagem, locomoção e alimentação em viagens nacionais e internacionais da ministra.

Na média mensal, o atual presidente recebe aproximadamente R$ 8.700 em diárias, seis vezes o valor registrado a cada mês por Ellen, R$ 1.300. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, o Supremo repassou a Gilmar mais do que havia destinado à ministra em seus dois anos de gestão.

O Supremo depositou R$ 43.899,75 na conta do ministro para cobrir despesas com viagens entre janeiro e o último dia 20. O montante equivale a quase dois salários de um ministro do STF, que é de R$ 24.500, teto do funcionalismo público. No ano passado, ele recebeu R$ 70.109,44 com o benefício desde o dia em que assumiu a presidência da corte, em 23 de abril.

Os números fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco com base em dados registrados pelo Portal Siga Brasil, que é abastecido pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). De acordo com a pesquisa, cujos últimos lançamentos são de 7 de maio, outros três ministros receberam diárias por viagens feitas a trabalho este ano: Ricardo Lewandowski, R$ 9.172,00; Joaquim Barbosa, R$ 6.841,05, e Cezar Peluso, R$ 4.411,20.


Cada ministro do Supremo tem direito a uma diária de US$ 485, cerca de R$ 980, para cobrir despesas em viagens internacionais. No caso das viagens nacionais, a diária é de R$ 614, com um adicional de R$ 172. No último dia 28, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu fixar o valor das diárias do STF como teto para juízes e desembargadores. Para os servidores do Judiciário, ficou estabelecido um limite de R$ 368,40.

Com a decisão, o CNJ, que também é presidido por Gilmar Mendes, atendeu a um pedido de providências apresentado em setembro de 2008 contra abusos cometidos em alguns tribunais. No Maranhão, por exemplo, desembargadores recebiam diárias de até R$ 1 mil. No entendimento do Conselho, o benefício vinha sendo tratado como “complemento salarial” pelos magistrados.

Um país por mês

Nos primeiros cinco meses do ano, Gilmar recebeu 30 diárias internacionais do Supremo por viagens feitas a cinco países: França, Espanha, México, Egito e África do Sul. As despesas, nesses casos, totalizam cerca de R$ 30 mil em 2009. Em todo o ano passado, o ministro recebeu 31 diárias ao visitar sete países: Lituânia, Argentina, Coréia do Sul, Paraguai, Estados Unidos e Alemanha.

Em 2009, o ministro recebeu ainda outras 24,5 diárias por viagens nacionais. Entre elas, está a referente a uma viagem feita por Gilmar logo após presidir a sessão do Supremo que decidiu pela manutenção da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Naquela noite, o ministro viajou até Macapá, onde recebeu o título de cidadão amapaense, concedido pela Assembleia Legislativa do Amapá. Ele voltou a Brasília no dia seguinte. De acordo com o Siafi, Gilmar recebeu uma diária e meia na ocasião.

A ministra Ellen Gracie presidiu o STF entre 27 de abril de 2006 e 23 de abril de 2008. Em seu primeiro ano de mandato, fez apenas uma viagem ao exterior a trabalho. Participou de um evento no Paraguai nos dias 27 e 28 de agosto de 2006.

No ano seguinte, a então presidente do Supremo participou de atividades nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria. O maior valor recebido por ela, de R$ 4.947,00, se refere a dez diárias relativas ao período de 31 de agosto a 14 de setembro em que ela esteve em Frankfurt, Berlim e Stuttgart e Viena. Na época, a diária internacional da ministra era de US$ 242,50, metade do atual valor, o que explica, em parte, a diferença entre os benefícios recebidos pelos dois ministros. Gilmar ainda tem pela frente 11 meses de mandato.

Agenda

Procurada pelo Congresso em Foco desde a última sexta-feira, a assessoria de imprensa do STF enviou no início da noite de ontem (26) uma agenda do presidente, confirmando a participação dele em eventos nas datas correspondentes aos pagamentos. “A agenda do presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça é pública e divulgada diariamente no site do STF, na página de notícias, incluindo as viagens”, ressalta a mensagem.

O tribunal encaminhou também uma tabela, com a relação das diárias pagas a Gilmar e Ellen, produzida pela Secretaria de Administração e Finanças do STF. Os números relativos ao ministro coincidem com os dados levantados pelo site no Siga Brasil, salvo uma diferença de R$ 283,06.

No caso da ministra, o documento apresenta duas imprecisões que elevam o repasse à ministra para R$ 41.899,60. Isso acontece porque a secretaria computou quatro diárias canceladas e ignorou uma emitida em 1º de junho de 2006. Novamente procurada, a assessoria disse que só poderia se manifestar na manhã desta quarta-feira (27).

No texto enviado, o STF informou que as diárias pagas pela Casa são reguladas pela resolução 254, de 9 de julho de 2003. O pagamento, acrescenta a assessoria, é efetuado diretamente na conta-corrente do interessado.

As diárias recebidas pelos integrantes do Judiciário são inferiores apenas às pagas aos membros do Ministério Público. Procuradores e promotores recebem de R$ 700,16 a R$ 775,83 em diárias. O procurador-geral da República, chefe do Ministério Público da União, tem direito a R$ 816,17 por cada dia de viagem a trabalho. É a maior diária paga pela administração pública federal.

Nos demais poderes, os valores são mais modestos. Senadores e deputados recebem R$ 330 e 300, respectivamente, em missões oficiais. O teto do Executivo é R$ 187,33, de acordo com o Ministério do Planejamento, varia em função da distância da cidade de destino.

Passagens aéreas

No final do mês passado, o STF divulgou levantamento sobre os gastos da corte com passagens aéreas para ministros e funcionários. Em 2008, a mais alta corte do país gastou R$ 1.133.187,04 com passagens aéreas. Um aumento de 320% em relação aos R$ 269 mil gastos em 2003. Até o último dia 27, data da divulgação dos dados, o Supremo havia gastado R$ 304.662,18 com voos de ministros e servidores em 2009.

De acordo com o tribunal, as passagens usadas pelos 11 ministros em 2008 custaram R$ 215.555,14 ao Supremo, o que representa uma média individual de R$ 1.632,99 por mês para cada um. Ainda segundo a corte, até o dia 27 de abril, as passagens utilizadas pelos ministros este ano totalizaram R$ 41.196,34.

Cada ministro do STF dispõe de uma cota anual de R$ 42.848,20 para compra de passagens. O dinheiro não pode ser usado para familiares e terceiros. Os bilhetes são usados basicamente para que os ministros voem até suas cidades de origem.

O levantamento do Supremo também inclui passagens fora da cota individual dos ministros. Isso se aplica aos casos em que eles são convidados a participar de eventos em que representam a mais alta corte do país. No ano passado, conforme o tribunal, as viagens de representação de ministros custaram R$ 188.576,72. Neste ano, o valor é de R$ 58.609,23.

Saudosa Elis




O Bêbado e o equilibrista - João Bôsco e Aldir Blanc

Vladimir Maiakòsvky

DESPERTAR É PRECISO

Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Vladimir Maiakòsvky

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nem para os muito velhos, nem para os muito novos - Terra de Gigantes - A Série

Terra de Gigantes

Duração da série: 22 de setembro de 1968 até 22 de março de 1970. Total de episódios: 51.

Resumo: Em 1983 o Spindrift, uma nave espacial comercial em um vôo de Los Angeles City a Londres, perdeu-se quando uma turbulência a arrastou e a fez passar através de uma nuvem estranha, causando pânico entre os passageiros. O piloto conseguiu fazer uma aterrisagem forçada, mas todos logo perceberam que estavam em um estranho planeta, onde tudo era gigantesco. Uma gota de chuva poderia matá-los, um inseto tornou-se um perigoso monstro. Os gigantes descobrem que os pequeninos náufragos do espaço estão em seu planeta e tentam capturá-los. Para realizar o seriado com o máximo de realismo, o produtor Irwin Allen, responsável pela criação de outras séries de sucesso como Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo e Viagem ao Fundo do Mar, montou num estúdio da Fox, um complicadíssimo sistema de trucagem, para filmar simultaneamente pessoas de tamanho normal, coisas e indivíduos gigantescos. O resultado foi excelente, criando uma ilusão perfeita de que os heróis de Terra de Gigantes estão vivendo num mundo onde tudo tem 20 vezes seu tamanho normal. Os astros da série foram Gary Conway (Capitão Steve Burton), Don Matheson (Mark Wilson), Stefan Arngrim (Barry Lockridge), que aos 11 anos sempre aparecia com seu cãozinho Chipper, Don Marshall (Dan Erickson), Deanna Lund (Valerie Ames Scott), Heather Young (Betty Ann Hamilton), Kurt Kasznar (Alexander B. Fitzhugh, uma espécie de Dr. Smith de Perdidos no Espaço) e Kevin Hagen, como o Inspetor Dobbs Kobick. Os atores Gary Conway, cujo nome verdadeiro é Gareth Carmody, nasceu no dia 04 de fevereiro de 1936 em Los Angeles, Califórnia, Estados unidos, sua esposa Marian foi Miss América em 1957. Don Matheson, nasceu em Dearborn, Michigan, Estados Unidos no dia 05 de Agosto de 1929, foi casado com Deanna Lund com quem teve uma filha, Michelle Matheson, atriz, fez algumas participações em séries como: Assassinato Por Escrito e Magnum. Ele esteve no filme Younger and Younger (1993). Don Marshall nasceu no dia 02 de maio de 1934. Stefen Arngrim nasceu em 23 de dezembro de 1955 em Toronto, Canadá. Em 1958, a família mudou-se para Nova Iorque, onde Stefen iniciou sua carreira aos cinco anos de idade. Traballhou em vários pilotos de séries que acabaram sendo transformados em telefilmes, até ser contratado na última hora para integrar o elenco de Terra de Gigantes. O ator não desejava fazer parte da série, pois preferia trabalhar em um outro filme que estava sendo preparado na época (o qual não chegou a ser produzido) e voltar para a escola. Mas acabou ficando em Terra de Gigantes até 1970, quando foi cancelada. Deanna Lund faz participações em eventos e trabalha em campanhas contra a violência. Teve poucas participações em séries após Terra de Gigantes. Esteve nos filmes Roots of Evil e Red Wind, ambos de 1991, foi casada com o ator Don Matheson, com quem teve uma filha, Michelle Matheson. Heather Young voltou a usar seu nome verdadeiro: Patricia York e trabalha em teatros comunitários em Utah onde escreveu peças infantis e até um musical: Jane Eyre, com músicas de sua autoria que forma lançadas em CD. Ela continua a escrever letras de músicas e já gravou alguns discos solo, entre eles um de músicas country. Kurt Kaznar nasceu em Vienna, Áustria, no dia 13 de agosto de 1913 e faleceu dia 06 de agosto de 1979 em Santa Mônica, Califórnia, EUA, vítima de câncer. Kevin Hagen nasceu em 3 de abril de 1928 em Chicago, Illinois, EUA. Além de Terra de Gigantes, participou de inúmeros filmes e peças de teatro. O Kevin se mudou para o Rogue Valleye, em Oregon/EUA em 1992, mas continuou aparecendo em pequenas produções. Episódios de Terra de Gigantes (Datas da TV Americana) Ano 1 - (de 22/09/68 a 20/04/69) The Crash - (O Desastre) Ghost Town - (Cidade Fantasma) Framed - (Acusados) Underground - (Os Guerrilheiros) Terror-Go-Round - (Terror) The Flight Plan - (Plano de Vôo) Manhunt - (Caçada Humana) The Trap - (A cilada) The Creed - (Apêndice Inoportuno) Double Cross - (Traição) The Weird World - (O Mundo Estranho) The Golden Cage - (A Gaiola Dourada) The Lost Ones - (Perdidos) Brainwash - (Lavagem Cerebral) The Bounty Hunter - (O Caça Prêmio) On Clear Night You Can See Earth - (Em Noites Claras Avista-se a Terra) Deadly Loadstone - (A Pedra Mortal) The Night of Thrombeldinbar - (A Noite de Thrombeldinbar) Seven Little Indians - (Os Sete Pigmeus) Target: Earth - (Destino Terra) Genius at Work - (O Gênio) Return of Inidu - (A Volta de Inidu) Rescue - (O Salvamento) Sabotage - (Sabotagem) Shell Game - (O Jôgo de Conchas) The Chase - (A Perseguição) Ano 2 - (de 21/09/69 a 22/03/70) The Mechanical Man - (O Homem Mecânico) Six Hours to Live - (Seis Horas para Viver) The Inside Rail - (Aposta Perigosa) Deadly Pawn - (Peão Mortal) The Unsuspected - (O Insuspeito) Giants, an All that Jazz - (Gigantes, Ora Bolas!) Collector's Item - (Peça de Coleção) Every boy Needs a Dog - (Todo Cão quer um Dono) Chamber of Fear - (Câmera do Terror) The Clones - (Os Andróides) Comeback - (A Volta) A Place Called Earth - (Um Lugar Chamado Terra) Land of The Lost - (Terra de Perdidos) Home Sweet Home - (O Retorno) Our Man O'Reilly - (Os Duendes Pequeninos) Nightmare - (Efeitos Curiosos) Pay the Piper - (O Flautista) The Secret City of Limbo - (Terra de Ninguém) Panic - (Pânico) The Deadly Dart - (Assassinatos Misteriosos) Doomsday - (As Iscas Pequeninas) A Small War - (Guerra Violenta) The Marionettes - (As Marionetes) Wild Journey - (Jornada Selvagem) Graveyard of Fools - (O Cemitério dos Tolos)

Carlos Drummond de Andrade

A Flor e A Náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?



Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.



Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.



Vomitar este tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam pra casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.



Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.



Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.



Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.



Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.



Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Paul McCartney exige que Google retire sua casa de serviço de mapas



Sir Paul McCartney ficou furioso com o Google, depois de descobrir que fãs podiam ter acesso on-line à localização da sua mansão multimilionária, em Londres, pelo serviço Street View, oferecido pela gigante da internet.

"Ele ficou transtornado quando ouviu que usuários do Google podiam ter uma visão em 360 graus da sua propriedade", informou uma fonte ao jornal "The Sun", em reportagem publicada na sexta-feira (22).

De acordo com a publicação, a equipe de segurança do cantor, de 66 anos - que monitora o acesso ao lar do ex-beatle 24 horas por dia - levou a reclamação diretamente ao Google tão logo teve conhecimento sobre o fato.

Na propriedade, comprada em 1965 por 40 mil libras, McCartney compôs clássicos dos Beatles, como "Penny Lane", "Getting Better" e "Hey Jude". Em 1967, foi construído no jardim da mansão um templo de meditação, continuou o "Sun".

Logo após o incidente, o porta-voz do Google afirmou que a partir de agora qualquer um poderá remover sua casa do site, com um simples clique. "Desde o lançamento do Street View, milhões já usaram o serviço e a ampla maioria está muito feliz de ver sua casa incluída na ferramenta".

O serviço Google Street View, que permite aos usuários fazer passeios virtuais com visão de 360 graus, vem provocando polêmica desde que foi lançado no Reino Unido, em março, lembrou o "Daily Mail".

Além das queixas de violação de privacidade com a transformação do Reino Unido em um "país Big Brother", muitos também manifestaram o receio de que o serviço pudesse ser usado por assaltantes, na preparação de crimes, enquanto outros reclamaram que seus rostos não foram disfarçados em imagens disponíveis na ferramenta.

De nosso camarada Vicente Sabóia - Ode a um amor eloqüente.

CALADO

Silente nas amarguras da vida,
inerte, calado e enclausurado,
no íntimo uma grande ferida,
do amor eloquente abandonado.

Lágrimas que insistem em não cessar,
lamentos de um coração latente,
vida sombria em teimar
calar no sentimento inconsequente.

E no abandono do eco do delírio,
sobras de momentos de angústia, quase
marcados pelo eterno martírio.

E novamente de volta ao mundo de esperança,
as torturas vividas arduamente,
esvanecem-se nas veias das lembranças.

VICENTE SABOIA

sábado, 23 de maio de 2009

Arroubo Juvenil

Arrogância da juventude


Um jovem muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro,próximo dele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta geração.

'Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo', o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

'Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ..., numa pausa para tomar outro gole de cerveja, o senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

-'Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos jovens... por isso nós as inventamos.

E você, um bostinha arrogante dos dias de hoje, o que você está fazendo para a próxima geração?'

Foi aplaudido ruidosamente!

Um Soneto Para a Viola

" Velha viola de pinho, companheira
De minhalma constante e enternecida,
Foste tú a intérprete primeira
Da primeira ilusão da minha vida

Eu, contigo, cantando a noite inteira,
Tú, comigo, tocando divertida,
Sorrias se eu louvava a brincadeira,
Choravas se eu cantava a despedida.

Nas festas de São João, nas farinhadas,
Casamentos, novenas, vaquejadas,
Divertimos das serras aos baixios.

Perlustrando contigo pelo Norte,
Foste firme, fiel, feroz e forte,
No rojão dos ferrenhos desafios."

Dimas Batista Patriota

Extraido do livro Orlando Tejo - Zé Limeira, O Poeta do Absurdo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Morre cantor e compositor Zé Rodrix

Morreu, na noite da quinta-feira (21), em São Paulo o cantor e compositor Zé Rodrix. Ele é o autor da música "Casa no campo", grande sucesso gravado por Elis Regina. Outra composição de sucesso dele é a musica “Soy latino americano”.

Zé Rodrix estava em casa, com a família, quando passou mal. Ele foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, na capital paulista. O artista tinha 61 anos e, segundo a mulher, estava muito bem de saúde.



Zé Rodrix surgiu para o grande público nos festivais de música dos anos 60 – defendeu a música “Ponteio” ao lado de Edu Lobo e Marília Medaglia em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira. Mas foi na década de 70, época de maior produtividade na música brasileira, que Zé Rodrix deixou sua marca.

Jundo com Sá e Guarabyra, criou o chamado “rock rural” – nessa época, compôs com Tavito o grande sucesso “Casa no campo”. Cantou com Elis Regina e com o grupo Joelho de Porco. É dele também a canção “Soy latino americano”, e outras baladas ao piano.

Publicitário, Rodrix passou a se dedicar na década de 80 à criação de jingles para comerciais, até que em 2001 se reuniu com os antigos companheiros Sá e Guarabyra, lançando um CD comemorando os 30 anos de carreira. O cantor deixa mulher, seis filhos, dois netos e uma coleção de inesquecíveis canções.

Raimundo Fagner Cândido Lopes - Pequena Biografia

Inquieto, irreverente, imprevisível...

Podemos dizer que este é Raimundo Fagner Cândido Lopes. Cantor, compositor, instrumentista, ator, produtor. Cearense de Orós, Fagner nasceu em 13.10.1949. Caçula de cinco irmãos, filho de José Fares e Dona Francisca. Desde pequeno o menino Raimundo se interessava por música. Num concurso para cantores infantis em homenagem ao dia das mães, promovido pela Rádio Iracema de Fortaleza, Fagner tira o primeiro lugar, quando tinha apenas cinco anos. Mantê-lo longe do rádio a partir de então se tornou algo praticamente impossível. Em 1968, quando já tinha diversas músicas compostas, Fagner venceu o IV Festival de Música Popular do Ceará com Nada Sou, composição em parceria com Marcus Francisco. Em conjunto com Belchior, Rodger Rogério, Ednardo e Ricardo Bezerra, formou o que se chamou de Pessoal do Ceará. Em 1971, ingressou na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília, cidade onde morava uma de suas irmãs. Logo no primeiro ano desiste do curso, mas consegue facilmente a sua identidade: em 1971 inscreveu três músicas no Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília, obtendo o sexto lugar com Manera Frufru Manera (parceria comRicardo Bezerra), menção honrosa e prêmio de melhor intérprete com Cavalo Ferro (também parceria com Ricardo Bezerra) e o primeiro lugar com Mucuripe (parceria com Belchior).
A partir de então, Fagner consegue despertar a atenção da imprensa do sudeste, sendo suas canções exaustivamente executadas nos bares da capital do país.

Que venha o sucesso

Fagner se muda para o Rio de Janeiro ainda em 1971. No ano seguinte, Mucuripe é gravada por Elis Regina e estoura nas paradas de sucesso do país. No mesmo ano, ele grava a composição num dos lados do segundo compacto simples da série Disco de Bolso, iniciativa do Pasquim; no outro lado do compacto, está Caetano Veloso com A Volta da Asa Branca.
A música Cavalo Ferro é gravada em 1973 no disco Meu Corpo, Minha Embalagem, Tudo Gasto na Viagem, do Pessoal do Ceará, composto de Ednardo, Rodger Rogério, Teti e Cirino.
É em 1973 que Fagner grava o seu primeiro LP, MANERA FRUFRU MANERA, pela Philips. Nele está um dos seus maiores sucessos, a música Canteiros, poema de Cecília Meirelles musicado por Fagner. A música causou polêmica, vez que no disco não havia créditos para a poetisa, constando a autoria apenas de Raimundo Fagner. Após longa batalha na justiça, a família de Cecília Meirelles conseguiu retirar de circulação o disco. Canteiros tem como música incidental Hora do Almoço, de autoria de Belchior, e Águas de Março.
O compositor Fagner já demonstrava desde o primeiro disco a sua versatilidade, conseguindo reunir numa mesma composiçãoBelchior e Tom Jobim, de maneira homogênea, harmônica com o restante do disco. Nara Leão, Bruce Henry e Naná Vasconcelos aparecem no disco com participações especiais.
No piano, a maestria de Ivan Lins. A partir daí, a carreira levanta vôo definitivo. Convidado para compor parte da trilha sonora do filme Joana, A Francesa, de Carlos Diegues, Fagner agrada tanto que logo em seguida é convidado para ir à França a fim de trabalhar com o músico Pierre Barroux e com Naná Vasconcelos. Ele não hesita e abre mão inclusive do contrato com a Philips. A viagem faz com que conheça Pedro Soler e Pepe de La Matrona. Na volta para o Brasil, após algumas dificuldades, Fagner lança o AVE NOTURNA, pela Continental, onde predominam músicas de caráter pessimista. É o ano de 1975. A música FRACASSOS é uma das composições definitivas do LP e virá a ser gravada mais tarde por Cauby Peixoto, em parceria com o próprio Fagner. Outro destaque é uma versão um tanto triste de Riacho do Navio. Nela Fagner consegue mostrar o seu jeito próprio de cantar.
Em 1976, lança o Raimundo Fagner, agora pela gravadora CBS. Neste disco, vê-se momentos de puro rock (ABC), romantismo da melhor qualidade (Conflito, Asa Partida), além de música nordestina (Matinada).
Surpreende a gravação de Sinal Fechado, autoria de Paulinho da Viola. Com um estilo próprio, Fagner dá uma versão nova para uma música que já tinha sido gravada por alguns dos grandes nomes da MPB.
No ano seguinte surge o ORÓS, disco imprevisível, inusitado. Com a produção e arranjo de Hermeto Paschoal, nele pode-se encontrar músicas que dificilmente seriam tocadas na mídia. Apenas Cebola Cortada chega a ser executada nas rádios do país. Músicas como Epigrama n.9, Romanza e Orós, dificilmente cairiam no gosto do imediatismo das rádios.
Em 1978 Fagner lança o Quem Viver Chorará, dedicado por Fagner a Seu Fares e Dona Francisca, “com todo amor que tenho e terei”. É a partir deste disco que ele estoura de vez o mercado fonográfico.
Revelação, composição Clodo e Clésio é tocada exaustivamente nas rádios. Destacam-se também no disco a recriação para As Rosas Não Falam, além de Motivo, Jura Secreta e a participação de Alceu Valença em Punhal de Prata.

Vanguarda ou à frente de seu tempo ?

É por esta época que Fagner teve a oportunidade de criar e dirigir um projeto de grande importância para a MPB: o selo Epic, da CBS, destinado a lançar novos valores. É por este selo que foram lançados Amelinha, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Robertinho de Recife, além de artistas como Petrucio Maia, Manassés, entre outros. É também pelo EPIC que é lançado o disco SORO, um encontro de poetas, músicos, compositores, cantores. Fagner consegue reunir num mesmo disco, entre solos instrumentais, declamações e interpretações, nomes a exemplo de Patativa do Assaré, Ferreira Gullar, Geraldo Azevedo, Fausto Nilo, Belchior, Nonato Luiz, Cirino, entre outros.

A crítica se rende. Já não era sem tempo !

Beleza é o título do disco de 1979. A música Noturno foi a abertura sonora da novela Coração Alado da tv Globo. No show para o lançamento do disco no Teatro João Caetano, no Rio, a paixão do público pelo artista se torna evidente no desvairado delírio de aplausos, assobios e frases apaixonadas.
Em 1980, é lançado o disco Raimundo Fagner que contém preciosidades, a exemplo da canção Vaca Estrela e Boi Fubá de Patativa do Assaré. No mesmo LP, músicas como Oh! My Love, música de John Lennon - morto naquele ano - e Yoko Onno, Canção Brasileira, Morena Penha, mostram a versatilidade que sempre foi uma das marcas da carreira de Fagner. A música Eternas Ondas é o grande hit do disco.
O disco de 1981 é o Traduzir-se, lançado no Brasil e na Espanha, com participações de Mercedes Sosa (na gravação definitiva de Años de Pablo Milanés), Manzanita, Joan Manuel Serrat e Camaron de La Isla. Um grande disco. Uma das músicas executadas nas rádios foi Fanatismo, música de Fagner sobre poema de Florbela Espanca. A parceria com Florbela Espanca estaria presente no disco seguinte, com as músicas FUMO e TORTURA.
O disco, de nome Fagner, foi gravado no Hit Factory, mesmo estúdio em que John Lennon gravou o seu último disco (Dolbly Fantasy). Neste momento já choviam críticas ao excesso de autoconfiança presente no homem Fagner. Críticas e até divisões a seu respeito fazem surgir confusões entre músico e pessoa: alguns os reuniam num único ser megalomaníaco e antipático e outros procuravam separar o homem do artista, tentando opinar mais sobre o último. É neste clima que a crítica especializada considera os arranjos do disco, a cargo de Licoln Olivetti, muito sofisticados. Vê-se desde então um certo desprezo da crítica pela obra do cantor: ora desejam um trabalho mais popular e quando o artista faz um trabalho deste tipo pregam um trabalho mais sofisticado. Por trás disto tudo, parece se esconder uma profunda antipatia ao homem Fagner.
O disco possui preciosidades: Qualquer Música é tocada nas rádios, música que tem uma música incidental de nome Fagmania, ondeFagner coloca alguns vocais típicos de seu estilo. Outro destaque é Orós II, de João do Vale, pérola da música nordestina dedicada ao próprio Fagner. A música Pensamento, letra e música de Fagner, é tema da novela Final Feliz da Rede Globo.
O disco Palavra de Amor em 1983 é composto de músicas calmas, românticas. Destacam-se Guerreiro Menino (de Gonzaguinha), Palavra de Amor, Acalanto e Paixão e Prelúdio Para Ninar Gente Grande, clássico de Luiz Vieira. No disco há a participação de Chico Buarque (Contigo) e do Roupa Nova (Palavra deAmor).
O disco A Mesma Pessoa, de 1984, não chega a acontecer conforme o previsto. Apenas a música Cartaz é tocada nas rádios do país.O disco é gravado na Inglaterra e contém belas canções como as músicas Me Leve (poema de Ferreira Gullar musicado por Fagner), Só Você e Um Grande Amor (ambas de Vinícius Cantuária).
No mesmo ano é lançado o disco Luiz Gonzaga e Fagner, pela RCA/VICTOR. Os dois cantam clássicos nordestinos a exemplo de Boiadeiro, Súplica Cearense, O Cheiro de Carolina, Xote das Meninas, entre outras. O disco seguinte chamado Fagner é o último do artista pela CBS, lançado em 1985. Com arranjos de Licoln Olivetti, Wagner Tiso e Reinaldo Arias, o disco é um dos mais bem cuidados. Contém música nordestina (Dono dos Teus Olhos de Humberto Teixeira), romantismo (Sobre a Terra, Tranqüilamente), rock popular (Deixa Viver, Contra-mão - parceria com Belchior -, Bola No Pé, esta última lembrando os Loucos Suingues Tropicais gravada no disco de Robertinho de Recife). O disco tem participações de Chico Buarque (Paroara), Cazuza (Contra-mão) e Beth Carvalho (Te Esperei). As músicas Paroara e Te Esperei podem ser consideradas pérolas da MPB. Destaque ainda no disco para Semente, mais uma música de Fagner sobre um poema, desta vez o poeta é o Mário de Andrade.
A estréia na RCA se dá com o disco também batizado por FAGNER, de 1986. Nas rádios é tocada a música Dona Da Minha Cabeça, de Geraldo Azevedo e Fausto Nilo. Fagner volta a musicar poemas: Afonso Romanno de Sant’anna, em Os Amantes, música de um romantismo bem cuidado e Ferreira Gullar (Rainha da Vida). Destaque para a participação de Gonzaguinha na música Forró do Gonzagão e para as novas versões de Sabiá (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) e Como é Grande o Meu Amor Por Você (Roberto Carlos). Há também uma inesperada participação de Isaac Karabtchevisky regendo orquestra em Cantigas, canção de Alberto Nepomuceno e musicada por D.Branca Colaço.
O segundo disco na RCA é o Romance no Deserto, disco de um romantismo mais próximo do popular (o que fez os críticos desejarem a mesma sofisticação antes rejeitada). Além da canção-título (versão de Romance en Durango de Boby Dylan), destacam-se À Sombra de Um Vulcão, Ansiedade e Você Endoideceu Meu Coração. A música Deslizes, de autoria de Michael Sullivan e Paulo Massadas, é tocada exaustivamente em todo o país. Primeiro lugar em todas as paradas de sucesso, a música leva Fagner a uma superexposição na mídia em todo o país. Em seus shows vê-se o delírio, principalmente por parte do público feminino. Ainda em 1987 Fagner participa como ator na minissérie A Rainha da Vida, exibida pela Rede Manchete de Televisão. Na novela Fagner vive um padre em conflito entre o celibato e a volta para um antigo amor. O Padre tem também funções um tanto revolucionárias. Na trilha sonora aparecem Rainha da Vida, Preguiça, Á Sombra de Um Vulcão, além de músicas de Chico Buarque e Milton Nascimento.
Em 1988 aparece o segundo LP feito em parceria com Luiz Gonzaga. Neste, o produtor Fagner procura destacar o lado compositor de Luiz Gonzaga. Constam clássicos como Xamego, Abc do Sertão, Vem Morena e pelo menos duas gravações definitivas: Estrada do Canindé e Amanhã eu Vou. O disco tem participação e co-produção de Gonzaguinha.
Em 1989 é lançado o disco O QUINZE, que serviria de título para um filme homônimo, baseado no romance de Rachel de Queiroz. O disco é o décimo quinto da carreira de Fagner. Destacam-se nas rádios Amor Escondido, Retrovisor, Cidade Nua e Oração de São Francisco. O disco tem a característica de possuir em quase todas as faixas apenas os arranjos em computador de Licoln Olivetti. As participações especiais ficam por conta de Chico Buarque (Joana Francesa, pela segunda vez gravada pelos dois) e Michael Sullivan (numa música inspirada no livro A Doce Canção de Caetana, de autoria de Nélida Piñon).
Em 1991 o versátil Pedras Que Cantam. Fagner mostra a diversidade de sua obra ao gravar músicas tipicamente nordestinas (Pedras Que Cantam, Saudade), boleros (Borbulhas de Amor), além de música sertaneja (Cabecinha no Ombro). A música Pedras Que Cantam é a abertura da novela Pedra Sobre Pedra da Rede globo. Borbulhas de Amor é o grande hit do LP. Destacam-se as participações de Roberta Miranda (Cabecinha no Ombro) e do Roupa Nova (Rio Deserto).
O próximo disco é o Demais, onde Fagner acompanhado de Roberto Menescal regrava clássicos do samba-canção, lançado em 1993. São canções já regravadas à exaustão por diversos artistas, com o agora traço pessoal de Fagner. As interpretações de Ronda e Folha Morta são das mais bonitas até hoje realizadas. Apenas Eu sei Que Vou Te Amar e Brigas são de alguma forma tocadas nas rádios. A parceria com Roberto Menescal rende um disco lançado no Japão, gravado ao vivo durante a despedida de Zico.Com acompanhamento de apenas violões e - em algum momento uma percussão - Fagner visita o início de sua carreira (Canteiros, Último Pau de Arara e Penas do Tiê), passa por grandes sucessos (Revelação, Deslizes, Borbulhas de Amor, As Rosas Não Falam, Guerreiro Menino) e canta músicas do último disco (Eu Sei Que Vou Te Amar, Manhã de Carnaval). O show termina com um inusitado bis para Asa Branca.
O irreverente cantor muda completamente de estilo em Caboclo Sonhador, de 1994. O disco é uma volta às raízes nordestinas, onde destacam-se Lembrança de Um Beijo, Caboclo Sonhador, Minha Vidinha e Cavaleiro da Noite. O disco é um grande sucesso, nem sempre presente na mídia, mas de grande aceitação popular.
É a incursão de Fagner na música nordestina, onde sempre esteve bastante à vontade. Em 1995 surge o Retrato. Disco bem cuidado, marca a volta de Fagner aos seus compositores mais tradicionais, a exemplo de Fausto Nilo, Petrucio Maia, Clodo, Nonato Luiz, entre outros. Infelizmente o disco não tem grande repercussão, apesar de considerado pelos fãs um dos melhores dos últimos anos. Nas rádios, apenas O Amor Riu de Mim, de Altay Veloso. Destaques interessantes são POEIRA, ACORDA, SORRI e TOQUE A MADEIRA.
Neste ano de 1996, Fagner lançou já dois discos. O primeiro é na verdade uma coletânea de músicas típicas nordestinas gravadas por ele na BMG-ARIOLA/RCA, incluindo apenas uma música inédita:Bateu Saudade, forró de letra sofisticada. O disco do ano é o romântico Raimundo Fagner. Não há paralelo entre este e nenhum outro lançado por ele. Os arranjos lembram Nat King Cole em alguns momentos. O repertório é extremamente bem cuidado e inclui pérolas a exemplo de Mucuripe, Pra Quem Não Tem Amor, Letras Negras e Um Vestido e Um Amor. A música Pecado Verde já começa a ser tocada nas rádios do país inteiro.

Mais sobre Fagner: http://www.fagner.com.br/

Hospital em Morada Nova-CE prepara transferência de pacientes

O rio que corta a cidade de Morada Nova (CE) transbordou e 20 pequenos açudes romperam, deixando as ruas alagadas. A água subiu rápido e assustou moradores, que tiveram que correr para tirar objetos de dentro de casa.

Na tentativa de salvar o que restou depois da enchente, muitos se arriscaram na água. Uma criança morreu afogada, e os problemas de saúde aumentaram. “Tem muitas doenças, principalmente tosse, gripe e feridas nos pés”, disse o agricultor Sérgio Menezes. Aos poucos, a água também toma conta do hospital. “A tendência da chuva é aumentar e as águas subirem. A gente já está preparando o hospital regional para transferir pacientes que estão internados para o outra unidade”, disse o médico Abel Barbosa.

Na avenida principal da cidade, prédios de órgãos públicos foram invadidos pela água. Técnicos da Vigilância Sanitária ainda tentam retirar medicamentos do depósito.


Navio
Um navio carregado com 160 toneladas de alimentos partiu nesta quarta-feira (13) de Belém para as áreas atingidas pela cheia dos rios Tapajós e Amazonas. A tripulação é formada por 60 pessoas, incluindo bombeiros, técnicos da Defesa Civil, voluntários e profissionais de saúde.
De acordo com a Defesa Civil paraense, os donativos serão distribuídos para cerca de 50 mil pessoas prejudicadas pelas cheias em 11 municípios do oeste do estado.

Ajuda
Em São Paulo, a Cruz Vermelha tenta encaminhar ajuda às vítimas das cheias no Norte e Nordeste, mas encontra dificuldades. Falta transporte. A entidade pediu ajuda ao Ministério da Defesa e deve receber a resposta ainda nesta quarta-feira (13).

São cinco contêineres no total. Há muito material de limpeza e de higiene, roupas para crianças e para adultos. Há ainda 120 quilos de alimentos e cestas básicas.

"Nossa maior dificuldade é o transporte aéreo", diz a gerente de projetos sociais da Cruz Vermelha, Luciana Mateus. "Existem estados, como o Maranhão, em que só chegam donativos por transporte aéreo. Nós conseguimos o apoio de transportadoras, mas o transporte terrestre só alcança o estado do Piauí e o Ceará."